Chaminés industriais soltam grande volume de fumaça durante o pôr do sol
De olho no planeta

Estudo afirma que as atuais emissões de carbono poderão trazer o clima tropical de volta à Europa

Um novo estudo realizado por cientistas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, revelou que se os níveis atuais de emissões de dióxido de carbono não forem reduzidos, a Europa Ocidental e a Nova Zelândia poderão retornar ao clima tropical até o final deste século. Essa situação ocorreu pela última vez durante o período Paleogeno, há cerca de 50 milhões de anos.

Novo estudo revelou que se as emissões de dióxido de carbono não forem reduzidas, a Europa Ocidental e a Nova Zelândia poderão retornar ao clima tropical.
(Foto: Cultura Mix)

Os efeitos indiretos de um extremo aumento da temperatura estão sendo sentidos pelo continente durante a atual onda de calor que atinge o hemisfério norte do planeta, e incêndios e impactos na saúde e infraestrutura estão sendo observados em vários países europeus.

O período Paleogeno é de grande interesse para especialistas em mudanças climáticas, já que os níveis de dióxido de carbono na época são semelhantes aos previstos para o final deste século.

“Sabemos que o Paleogeno inicial foi caracterizado por níveis elevados de dióxido de carbono”, disse o autor do estudo publicado na revista Nature Geoscience, Dr. David Naafs. “A maioria das estimativas existentes de temperaturas deste período são do oceano, não da terra. O que este estudo tenta responder é exatamente o quão quente ficou em terra durante este período”, afirmou.

A análise de antigos fósseis de turfa permitiu que os cientistas estimassem as temperaturas 50 milhões de anos atrás. Eles descobriram que a temperatura anual na Europa Ocidental e na Nova Zelândia estava entre 23ºC e 29ºC, 15 graus a mais do que as temperaturas médias atuais nessas regiões. Se as mesmas condições surgirem nos próximos anos, poderá gerar diversos impactos negativos, tanto para seres humanos, quanto para a fauna e flora do continente.

Especialistas britânicos alertaram que centenas de pessoas provavelmente morreriam como resultado das temperaturas elevadas. Um relatório do Comitê de Auditoria Ambiental já alertou que as mortes relacionadas ao calor provavelmente triplicarão até o meio do século.

Os cientistas envolvidos nessa pesquisa também disseram que há uma necessidade de investigar como os antigos aumentos de temperatura afetaram os trópicos, e se temperaturas acima de 40 ° C os transformaram em “zonas ecológicas mortas “.

Essa é mais uma evidência de que a emissão de dióxido de carbono deve ser freada. A pecuária, em particular, é responsável por mais emissões de gases de efeito estufa do que todo o transporte mundial combinado, e também é uma das principais causas de perda de água, de desmatamento e de uso da terra.  Inúmeros encontros envolvendo autoridades e líderes mundiais estão ocorrendo devido à urgência do tema, porém se ações não forem tomadas, consequências irreversíveis afetarão a vida de seres humanos e animais.

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Ursos polares são extremamente afetados pelo aquecimento global (Foto: Pixabay)
De olho no planeta

Aquecimento global: aumento de apenas 1,5ºC causaria menos impacto às vidas animais

Limitar o aquecimento global a 1,5 °C salvaria a maioria das espécies de plantas e animais do mundo dos estragos da mudança climática, revelaram cientistas.

O acordo de Paris, tratado sobre as mudanças climáticas, tem como objetivo manter as temperaturas globais abaixo do aumento de 2°C, limitando-as em 1,5ºC.

Recentemente, cientistas revelaram que manter uma elevação de apenas 1,5 °C atenuaria metade dos riscos associados ao aquecimento de 2 °C. A grande maioria dos animais, insetos e plantas sofreriam menos com riscos de extinção.

Ursos polares são extremamente afetados pelo aquecimento global (Foto: Pixabay)
Ursos polares são extremamente afetados pelo aquecimento global (Foto: Pixabay)

Pesquisadores da Universidade de East Anglia e da Universidade James Cook, na Austrália, estudaram 115 mil espécies no maior estudo desse tipo, avaliando o impacto das temperaturas nas vidas animais e vegetais. Esse foi também o primeiro estudo a explorar como limitar o aquecimento a somente 1,5°C beneficiaria as espécies globalmente.

O estudo pesquisou os impactos em 31 mil insetos, 8 mil aves, 1,7 mil mamíferos, 1,8 mil répteis, mil anfíbios e 71 mil espécies de plantas. “Queríamos ver como os diferentes climas projetados futuros fizeram com que as áreas se tornassem climaticamente inadequadas para as espécies que vivem lá”, disse a pesquisadora Rachel Warren, do Centro Tyndall de Pesquisas em Mudanças Climáticas da Universidade de East Anglia, em entrevista ao The Daily Mail.

“Medimos os riscos para a biodiversidade contando o número de espécies projetadas para perder mais da metade de sua distribuição geográfica devido à mudança climática, e descobrimos que alcançar o objetivo final do Acordo de Paris e limitar o aquecimento a 1,5 ° C acima dos níveis pré-industriais, traria enormes benefícios para a biodiversidade – muito mais do que limitar o aquecimento a 2 °C”, contou Rachel.

Espécies beneficiadas

O estudo, publicado na revista Science, analisou a capacidade das espécies de se mudarem para locais mais adequados à medida que o mundo se aquece. Pássaros, mamíferos e borboletas têm a maior capacidade de se dispersar, o que significa que eles estão mais propensos a sobreviver com mais altas temperaturas.

O rinoceronte-negro é uma espécie ameaçada que poderia ser salva das mudanças climáticas se o aquecimento global se limitasse a um aumento de 1,5ºC (Foto: Pixabay)
O rinoceronte-negro é uma espécie ameaçada que poderia ser salva das mudanças climáticas se o aquecimento global se limitasse a um aumento de 1,5ºC (Foto: Pixabay)

Os cientistas dizem também que criaturas de todo o mundo se beneficiariam, mas particularmente aquelas da África Meridional, da Amazônia, da Europa e da Austrália. Entretanto, insetos são particularmente sensíveis à mudança climática e salvá-los é particularmente importante, contaram os pesquisadores.

“Exemplos de animais que realmente se beneficiam de limitar o aquecimento a 1,5 °C incluem o rinoceronte-preto, que já é altamente ameaçado pela caça ilegal e perda de habitat”, disse o co-autor do estudo Dr. Jeff Price, da Universidade de East Anglia.

A 2 °C de aquecimento, 18% dos 31 mil insetos estudados morreriam, e os números são reduzidos  para 6% se o aumento fosse até 1,5ºC. Porém, até agora, se os países cumprirem as suas promessas internacionais para reduzir as emissões de gases estufa, o aquecimento global deverá aumentar em 3 °C. Os pesquisadores apontam que, neste caso, quase 50% das espécies perderiam metade da sua chance de sobrevivência.

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