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Dia do Professor: ensinar direitos animais para alunos pode mudar o mundo

A construção de uma sociedade mais ética e compassiva passa pela conscientização acerca dos direitos animais


Hoje, 15 de outubro, é comemorado o Dia do Professor. A data é importante não só do ponto de vista do reconhecimento dessa profissão tão essencial para a sociedade, mas também da perspectiva de sua utilidade quanto ao debate sobre direitos animais.

Pixabay/Ben_Kerckx

É preciso ensinar aos alunos, independente da idade que eles tenham, que o respeito aos animais é uma questão importante e cada vez mais necessária frente a tantos casos de abusos cometidos contra eles.

Sejam os cães e gatos, silvestres ou aqueles diariamente explorados e mortos para consumo humano, todos os animais sofrem de alguma maneira. A educação é o melhor caminho para reverter esse cenário, já que só ela é capaz de mudar a concepção da maior parte das pessoas acerca desse tema, fazendo-as entender que a ideia de que humanos são superiores aos animais é um equívoco.

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Como diria Olympia Salete, “a vida é valor absoluto. Não existe vida menor ou maior, inferior ou superior. Engana-se quem mata ou subjuga um animal por julgá-lo um ser inferior. Diante da consciência que abriga a essência da vida, o crime é o mesmo”.

Os professores que tenham aprendido essa lição deixada pela escritora e que estejam dispostos a repassar esse aprendizado estarão contribuindo não só para a formação de alunos inteligentes, mas para o aperfeiçoamento de seres humanos éticos que podem transformar o mundo em um lugar melhor.


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Casal de coelhos se encanta pelo bebê de sua tutora e não sai de seu lado

Foto: Jenn Eckert
Foto: Jenn Eckert

A chegada de um novo bebê à família pode ser estressante quando animais domésticos estão envolvidos – mas quando Jenn Eckert teve sua filha, Bailey, em junho passado, ela nunca poderia ter sonhado com a rapidez com que seus coelhos, Alfie e Amelia, se apaixonariam por.

No primeiro encontro deles, não havia como negar Alfie e Amélia amava sua nova irmãzinha. Eles ficaram de pé ao lado da criança em seu carregador no hospital, com suas orelhas grandes quase tão grandes quanto ela.

“Alfie tentou pular no banco do carro, e Amelia apenas cheirou”, disse Eckert ao The Dodo. “Ambos foram tão gentis e cuidadosos com ela, então eu soube que eles seriam seus melhores amigos.” Eckert estava certa.

Foto: Jenn Eckert
Foto: Jenn Eckert

Embora os coelhos possam às vezes ser indiferentes, Alfie e Amélia, que vivem livremente na casa da família de Wisconsin, imediatamente deixaram claro que, quando Bailey estava na sala, nada mais importava.

“Ela é sempre o centro das atenções”, disse Eckert. “Eles vão se deitar com ela quando ela está dormindo. Eles tendem vigiar um pouco, como se eles imediatamente tivessem assumido a responsabilidade de protegê-la.

Como Bailey esteve em volta de coelhos toda a sua vida, ela os ama de volta com a mesma intensidade. Ela costuma rolar para ver Alfie e Amelia quando eles entram na sala, e também adora alimentá-los. Os coelhos são ambos enormes, descendentes de uma raça conhecida como gigante de flandres, que podem pesar mais de 20 libras (cerca de 9 kg), então eles são os amigos do tamanho perfeito para ela.

Foto: Jenn Eckert
Foto: Jenn Eckert

Quando Bailey fircar mais velha, ela terá sua família e os coelhos estarão lá a cada passo do caminho para ensiná-la sobre o mundo. Parece que Alfie e Amelia já estão ensinando a ela muito sobre gentileza e respeito.

“Eles definitivamente são os protetores de Bailey”, disse Eckert. “Alfie fica agitado e começa a pular e fazer barulho quando Bailey está chorando, como que para me alertar. Quando Bailey está dormindo, os dois [continuam] cheirando para ver se ela está acordada”.

Infelizmente, muitas famílias abandonam seus coelhos porque algumas pessoas não acreditam que eles possam coexistir com crianças. Enquanto as crianças devem ser sempre supervisionadas e gentis com os coelhos, os animais podem ser companheiros maravilhosos para pessoas de todas as idades e muitas vezes têm muito carinho para oferecer a seus humanos.

Foto: Jenn Eckert
Foto: Jenn Eckert

Por Alfie e Amelia são tão gentis com Bailey, Eckert começou a treiná-los como coelhos oficiais de terapia, trabalhando com uma organização chamada Pet Partners. Depois que eles se tornarem certificados, eles começarão a fazer visitas regulares a hospitais e casas de repouso para se encontrarem e se aconchegarem com os pacientes.

“Eu vejo que as pessoas são muito curiosas sobre eles, elas pensam que os coelhos não são animais domésticos para conviver com um bebê”, disse Eckert. “Com Bailey, eu tenho a oportunidade de mostrar às pessoas que só porque você tem um bebê não significa que você não pode manter seu coelho. Também aproveito para educar as pessoas sobre os cuidados com os coelhos – eles não são apenas um animal que você pode colocar em uma gaiola”.

Com uma vida útil de mais de 10 anos, os coelhos são altamente inteligentes e criam laços estreitos com seus parceiros e famílias humanas. Muitos coelhos, como Alfie e Amélia, vivem soltos pela casa, o que lhes permite muito exercício e socialização.

Foto: Jenn Eckert
Foto: Jenn Eckert

Embora, por natureza, eles geralmente não gostem de ser pegos, eles ficam felizes em se sentar ao lado de seus humanos e aceitar guloseimas ou carinhos. “Eles são animais gentis por natureza e podem ser menos intimidantes para uma criança porque não latem”, disse Eckert.

Eckert primeiro se apaixonou por coelhos gigantes há cerca de cinco anos, quando o marido trouxe para casa uma coelha da raça gigante de flandres chamado Betsy. Betsy tornou-se a maior companheira de Eckert, que acabara de perder a mãe na época. A família adotou um coelho chamado Walter logo depois, e Eckert se apaixonou ainda mais pelos animais.

Foto: Jenn Eckert
Foto: Jenn Eckert

O espírito de Betsy e Walter vive nos jovens Alfie e Amélia enquanto eles introduzem as pessoas à alegria dos coelhos domésticos. A filha de Eckert, Bailey, foi uma das primeiras crianças com quem os dois conviveram – e está claro que elas sempre a amarão um pouco mais.

“Os coelhos sempre foram meus bebês, então observar como eles reagiram imediatamente com minha flha foi incrível, e observar o vínculo crescer à medida que eles interagem mais é emocionante”, disse Eckert.

Foto: Jenn Eckert
Foto: Jenn Eckert

“Com Bailey ainda tão jovem, todos os três são completamente dependentes de nós para a alimentação, um lugar seguro para dormir, amor, e tudo mais. Eu acho que, em muitos aspectos, eles reconhecem isso. É como se eles tivessem sua própria linguagem particular”.

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Saiba qual é o momento correto de educar o cachorro

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Muitos tutores se identificam com essa sequência de fatos. Depois de um longo dia trabalho, você ao chegar em casa e encontra a cena do crime: papéis rasgados, vasos quebrados, lixo revirado. Tudo provocado por um pequeno furacão chamado Canis lupus familiaris, popularmente conhecido como cachorro.

A reação, espontânea e imediata, é bradar contra o animal e, em casos mais extremos, até o agredir. Se você segue esse roteiro, saiba que essa atitude pode prejudicar — e muito — o comportamento do cão. “A bronca tem que ocorrer na hora certa. Ou seja, exatamente no momento em que o cachorro está tendo aquele comportamento”, diz Carolina Fraga, adestradora da Cão Cidadão.

Pode ser difícil para alguns tutores, mas caso encontre alguma travessura do cão feita enquanto não estava presente, o certo é retirar o animal do ambiente e limpar o ocorrido. Mais importante é não dar uma bronca. “Infelizmente, já passou. Perdeu o timing”, conta Carolina. “Ele vai ficar chateado, com um estado interno alterado, mas a briga não vai ser efetiva para mudar o seu comportamento”.

Qual é a maneira correta de educar?
Tendo em mente que você encontrou o animal tendo uma atitude errada — ou seja, “pegou no flagra” –, o tom da sua voz vai depender muito da sensibilidade do cachorro.

“Se o cachorro já é medroso e se assusta com movimentos bruscos, uma bronca agressiva pode apavorar o animal”, ressalta. “Não há uma fórmula certa, tudo depende do cão. Mas não podemos fazer nada muito exagerado, nem muito sensível”, completa. Carolina também conta que deve-se tomar cuidado com expressões faciais. Falar um “não” com um sorrisinho na boca ou dar uma bronca com uma voz carinhosa não são atitudes eficazes.

A violência nunca é uma resposta
Nem mesmo quando o cachorro destruiu aquele seu trabalho de escola ou derrubou o vaso de cristal. “Se você agredir o cão, ele pode entender que a sua presença é algo ameaçador e ficar receoso, além de ficar mais agressivo, dependendo da personalidade do animal”, conta.

Dar tapas no cão também pode ser trágico: o animal pode entender que a sobrevivência dele está em risco e pode ser reativo, atacando o agressor para machucar.

Dar bronca não é a única maneira de educar
Carolina ressalta que o mais importante é entender que não se pode depositar na bronca todo o aprendizado do cachorro. “Temos que ir na fonte do problema. É preciso entender o que está fazendo o cão agir daquela maneira”, diz. Por exemplo: o certo não é pensar o que um cão destrutivo não pode fazer e sim direcionar ele para o acerto. “Caso ele fique ansioso, o tutor pode deixar um brinquedo recheado com comida ou brinquedos duros para ele roer”, indica. “O tutor precisa entender a motivação do cachorro e aprender a controlá-la”, completa.

Fonte: Pet Cidade

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Série de palestras incentiva o cuidado das crianças com os animais

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Com o intuito de ensinar os cuidados devidos em relação aos animais, o Canil Municipal em parceria com a Associação de Amigos e Protetores dos Animais (AAPA) iniciou uma série de palestras nas Escolas Municipais de Ensino Infantil.

A Emei Vera Lucia Peyrot foi a primeira a receber a ação. Entre os temas abordados na estão responsabilidade, castração, abandono e adoção. O evento conta com o apoio das Secretarias de Educação e de Desenvolvimento Rural.

Segundo a Diretora Alcione Lopes Santos é importante incentivar e sensibilizar desde cedo o carinho das crianças com os animais.

A Voluntária da APPA e palestrante, Patrícia De Vit ressaltou que espaços como esses contribuem para diminuir o número de abandonos e maus tratos.

Fonte: Cruzalta Online

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Grupo de defesa animal denuncia crueldade contra animais na Tanzânia

Por Natalia Cesana  (da Redação)

Foto: s/c

A Sociedade de Prevenção à Crueldade Animal da Tanzânia está desenvolvendo uma campanha pública contra a violência aos animais.

A diretora executiva da instituição, Johari Gessan, explicou ao jornal Daily News que o projeto treinará interessados no dia 4 de outubro, data em que se comemora o Dia Internacional dos Animais. O treinamento envolverá jornalistas, oficiais de polícia e magistrados com o objetivo de familiarizá-los com as leis existentes.

A diretoria disse ainda que entre os dias 01 e 07 de outubro haverá uma exposição contra a crueldade animal, em Dar es Salaam.

Durante a realização da campanha, a sociedade lançará um plano estratégico para os próximos três anos para erradicar a crueldade animal e inaugurará o website da instituição. Johari Gessan observou que a sociedade usará esta semana para educar a população sobre os direitos animais, especialmente nas escolas.

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Olhar Literário

Educação Sentimental

Longe se vai o tempo em que o professor José Sérgio Matta lecionava português aos meninos da Escola Estadual “Alexandre Von Humboldt”, na enevoada São Paulo daqueles anos antigos. O colégio ficava na Vila Anastácio, velho reduto de expatriados húngaros e lituanos, às margens do rio Tietê e junto à ponte do trem que ligava o bairro da Lapa às regiões periféricas da cidade. Tempos em que a capital paulistana ainda era conhecida como “a terra da garoa”, sem tantas intempéries, sem tanta poluição, sem tanta violência.  Eu tive o privilégio de estudar nessa escola pública, de uniforme azul e tudo, na época em que os professores eram mais respeitados em sala de aula e seus pupilos saíam até que bem preparados para encarar os vestibulares.

Minha satisfação maior, porém, foi a de ter sido aluno do “professor Serjão” – era assim que o chamávamos -, e poder ouvir, durante três anos letivos, as preleções linguísticas desse notável mestre de voz vigorosa, cuja presença nunca se apagou em mim. Com seu jeito severo de ser, talvez por mera estratégia docente, José Sérgio Matta tinha natural vocação ao magistério. Exímio gramático e latinista, ele nutria particular apreço pela literatura, a ponto de deixar transparecer, na gravidade de seu rosto, resquícios de uma nostalgia atávica, sempre que declamava os versos de algum poeta que lhe tocava a alma. Nunca me esqueço quando nos apresentou Tomás Antônio Gonzaga, Álvares de Azevedo, Fagundes Varella, Cruz e Souza, Augusto dos Anjos, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, em meio a outros grandes escritores brasileiros.

E sua missão não era nada fácil, reconheço. Despertar o gosto pela leitura nos filhos de imigrantes e de operários parecia, de fato, um trabalho de Sísifo. Mas o mestre não esmorecia. Enérgico, aquietava a turma nas carteiras e, com um sorriso sisudo, injetava na garotada doses homeopáticas de acentuação, concordância nominal, conjugação verbal, figuras de linguagem e, principalmente, literatura. Sim, a literatura…. Era este o caminho que nos levaria – segundo suas próprias palavras – à compreensão do mundo e, mais tarde, da alma humana. Como forma de estimular a classe, nas aulas de redação, o professor Sérgio lia em alto e bom tom, um ou dois textos que escolhia como os mais representativos de cada mês. Ser eleito por ele era a suprema glória no colegial.

E não tardou que ele me escolhesse. Justo eu, que tinha medo de fazer uso da palavra, que tinha vergonha de me sobressair, que tinha horror a ser chamado à lousa, que me aterrorizava com a simples possibilidade de aparecer.   No dia em que o professor leu “O mundo em que vivemos”, que escrevi aos 15 anos, eu quis me esconder embaixo da mesa, cavar um buraco no chão, fugir para qualquer ilha perdida no atlas geográfico, mas não teve jeito. Ele havia gostado da minha redação e não poupou elogios, repetindo a dose em outros textos que elaborei nos meses seguintes. Devo a esse professor não apenas o incentivo constante ou as preciosas sugestões literárias que me nutriram vida afora, mas, acima de tudo, o aflorar da ternura e a educação dos sentimentos, lapidados por uma frase que me marcou demais (aqui não a direi, perdão), como se me apontasse uma estrada mágica a ser trilhada no futuro.

Mas não pude seguir o vaticínio do mestre. É que o meu destino já estava comprometido com o direito. Sabe como é, aquele negócio de casamento arranjado: a tradição familiar, o caminho já aberto, a expectativa de ingresso em carreira pública e de tranquilidade no futuro, essas coisas todas. Quando chegou a época do exame vestibular, não deu outra, lá estava eu colocando a cruzinha na opção de ciências jurídicas. E assim se fez… Nada me impediu de ler, entretanto, nos intervalos dos tratados penais, os romances que me foram recomendados pelo professor Sérgio em sala de aula, e nem de cometer aqueles versos ingênuos tão próprios da mocidade. A literatura continuaria pulsando, secreta ou não, dentro de mim. Até o interesse pelos animais e suas histórias pungentes vem desse tempo de semeadura.  Mas uma coisa sempre me intrigou: por que o professor me dissuadia do direito?

Vim saber, bem depois, que José Sérgio Matta era um autêntico lobo das estepes. Havia saído do Paraná quando moço, sozinho como sempre foi, no firme propósito de ser advogado em São Paulo. Acreditava nas leis e na justiça. Para isso deixou sua cidadezinha longínqua, veio para a metrópole, estudou, estudou e estudou, até ingressar na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, a mais renomada do país. Não se sabe, todavia, porque cargas d´água ele abandonou o curso jurídico para seguir o que lhe batia no peito, as letras. Razões que o coração desconhece? Pouco importa, o fato é que se tornou professor de ensino secundário, na simplicidade rústica de quem jamais se importou com o poder, com as vaidades ou com as conquistas materiais.  Iria apenas ensinar, sob o signo do sol, sob a inspiração da lua.  E assim se passaram trinta anos de dedicado magistério, dias brancos e tardes de chuva, manhãs geladas e noites de brisa, três décadas plantando e cuidando e esperando pelas colheitas.

Ficaram em mim, disso tudo, as suas lições de vida. A arrebatadora descoberta da poesia romântica, o lirismo de Gonçalves Dias, a inquietação de Castro Alves, a fé de Alphonsus de Guimarães, a pérola bissexta de Alceu Wamosy, o humor britânico de Machado de Assis, a cadência de Jorge de Lima, as estrelas de Bilac, o olhar agreste de Graciliano, a nostalgia de Bandeira, os mistérios de Clarice, dentre outras maravilhas da mais bela literatura do mundo. Ah, antes que me esqueça, ao me despedir do colegial tive a audaciosa atitude (quem diria…) de reunir meus poemetos juvenis em um caderninho e dá-los de presente ao mestre, como meio de expressar gratidão e reconhecimento a quem tanto me ensinara. Confesso que nesse dia o homem se emocionou…

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Artigos

Educar para o veganismo: enfrentar ou recuar?

“Como introduzir o veganismo em sala de aula?”

Essa é a questão que intriga uma grande parcela de docentes do Ensino Fundamental e do Médio após sua adoção do modo de vida vegano.

Tendo sempre como norte a definição e importância desse modo de vida ético para todos os seres vivos do planeta, a pergunta que me intriga sempre é outra: “como não introduzir o veganismo em sala de aula?”

Ao folhear os livros de Ciências do Ensino Fundamental e os de Biologia do Médio vejo o veganismo em todos os capítulos e penso: “Ah, se eu fosse um biólogo”. O mesmo acontece ao folhear os livros de Geografia. Que ciência formidável, é possível demolir o especismo, tanto com a geografia física quanto com a humana, em especial a geopolítica. História! E a História? Em todas as culturas, em todas as épocas, a supremacia do antropocentrismo sufocando o legado estrategicamente escondido das vozes dissidentes. Língua Portuguesa, Química, Artes, Educação Física… Filosofia, a disciplina que ministro, essa eu exploro bem.

Acredito que na maioria das vezes a preocupação maior dos docentes veganos não é sobre que material didático usar, porque isso, é “mamão com aveia” (popularmente se diz “mamão com açúcar”, mas como não sou simpático ao uso desse doce veneno, fico com a aveia). Pois, mesmo com material não vegano é possível dar uma bela aula sobre os direitos animais1.

É visível que o que mais preocupa os docentes veganos é a reação dos colegas de trabalho, da direção da escola e dos pais após o tema ter sido introduzido em aula. Minha experiência particular mostra que qualquer tentativa, a mais sutil que seja de falar de veganismo nas escolas de nível médio será recebida com hostilidade por parte dos outros professores e com represália da direção e dos pais.

Professores e professoras, se vocês são veganos de fato e têm consciência dos “desafios do modo de vida vegano”2, que magnificamente foram apresentados pela eticista Sônia Felipe no lançamento da Sociedade Vegana, qual o temor? O que lhes falta? Coragem?

Coragem é uma das principais virtudes ensinadas por muitas das artes marciais orientais. Em Jiu-Jítsu, por exemplo, coragem é representada pela “arte de não andar para trás”3. Na edição 157 da Gracie Magazine há um artigo sobre essa arte de não recuar perante um forte oponente ou obstáculo. Vemos uma foto de um encontro entre um cão husky siberiano e um urso negro numa floresta coberta pela neve. Diante desse hercúleo obstáculo o husky, diferentemente do que muitos de nós faríamos, não recua um passo no seu trajeto. Como o bravo husky defronte o urso negro, o docente vegano deve posicionar-se com uma base sólida diante do gigantismo do mundo escolar especista e não recuar no propósito de educar para o veganismo. Veganismo também é um esporte de combate.

No caminho do husky havia um obstáculo, um grande obstáculo. Na longa jornada do educador vegano também sempre haverá grandes obstáculos. Enfrentar ou recuar? Seguir ou andar para trás?

Não defendo o confronto direto com o corpo burocrático, docentes e pais especistas. Não recuar não é bater o pé contra a oposição aberta ou dissimulada deles, mas não recuar no objetivo de passar o veganismo adiante.

Em outra arte marcial, o Judô, aprendemos a usar a força do adversário contra ele mesmo. Quando digo que mesmo com material didático não vegano é possível dar uma boa aula sobre os direitos animais, falo fundamentado nesse princípio judoca. Como ainda não dispomos de livros didáticos de todas as disciplinas revisadas de modo a

adequar seu conteúdo ao veganismo, retirando-lhes todo o conteúdo especista, cabe ao educador vegano usar o especismo dessa disciplina contra ela mesma. Como? Mostrando a gritante contradição e incoerência do discurso e afirmações especistas. O antropocentrismo não se sustenta lógica, biológica e filosoficamente.

O educador vegano não pode recuar diante da repressão do corpo burocrático escolar, representante dos pais e dos docentes esquizofrênicos morais. Represálias, coações e ameaças surgirão. No entanto, se o objetivo é educar para por fim ao biocidio defendido pela incoerente moral tradicional. O educador deve começar a praticar “a arte de não andar para trás”. Comece com o que é fundamental: muito conhecimento sobre a filosofia dos direitos animais. O conhecimento traz coragem e segurança. Educar para o veganismo é ter coragem de desfazer primeiro as próprias pregas, rugas e dobras morais que a tradição nos legou. Sócrates chamaria de “conhece-te a ti mesmo”; depois é só mostrar maieuticamente as crianças e adolescentes o caminho do modo de vida eticamente refletido.

Acredito que a pergunta inicial sobre como introduzir o veganismo em sala de aula, foi respondida.


Notas
1. Esse não ter material vegano para usar na escola não se aplica à filosofia, mas as outras disciplinas.

2. FELIPE, Sonia T. “A desanimalização do consumo humano: desafios da ética vegana”. In: http://www.sociedadevegana.org

3. NOGUEIRA, Raphael. A arte de não andar para trás. Gracie Magazine, Rio de Janeiro, 157, p.24, mar. 2010.

Leon Denis

Leon Denis,leon.denis@sociedadevegana.org
Professor de Filosofia da rede estadual de ensino do Estado de São Paulo,autor do projeto Arte Suave na escola e co-autor do projeto Mens sana in corpore sano, pioneiro no ensino de Direito Animal e Veganismo em escolas públicas no Brasil.Membro fundador da Sociedade Vegana.

Artigo postado em: Sociedade Vegana

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Destaques, Notícias

Vídeo investigativo mostra a cruel realidade das chocadeiras, nos EUA

Por Lobo Pasolini (da Redação)

A ONG americana Compassion Over Killing (COK) lançou recentemente um vídeo investigativo que documenta a realidade de chocadeiras onde milhões de galinhas e patos sofrem com a inevitável negligência da máquina de produção animal. As imagens foram obtidas no ano passado na Cal-Cruz Hatcheries, uma chocadeira de pintos e patos em Santa Cruz, California.

Cena do documentário

As imagens somente foram lançadas agora porque aguardavam a apuração das denúncias até que pudessem ser divulgadas. Vários órgãos da imprensa noticiaram a denúncia, inclusive canais de televisão. Uma das matérias inclui uma entrevista com um responsável pela chocadeira, que demonstra total falta de empatia com o sofrimento apresentado no documentário.

Patinhos resgatados

Apesar de as denúncias terem sido confirmadas pela investigação conduzida por autoridades policiais, a promotoria norte-americana decidiu não processar a empresa pelas denúncias documentadas no vídeo. No entanto, COK conseguiu salvar 88 patinhos, que foram enviados para um santuário.

COK reitera que seu objetivo é educar o público sobre a rotina dessa indústria e educar as pessoas para o veganismo.

Esse foi o segundo vídeo de denúncia contra a agricultura animal lançado nos Estados no decorrer da última semana. O primeiro foi feito em uma fazenda de laticínios.

Assista ao vídeo (aviso: contém imagens gráficas de violência) :

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Educação vegana: dois caminhos, o mesmo objetivo

 “Não se pode facilmente ensinar valores as pessoas”

                                                         A.S. Neill
 
Vejo dois caminhos para a efetivação da educação vegana abolicionista: o primeiro vou chamar de educação vegana não formal, é aquela não realizada em sala de aula sistematicamente, ou seja, desenvolvida fora dos muros da escola. O segundo, chamarei de formal, aquela realizada dentro da sala de aula, onde o veganismo faz parte do conteúdo programático do ano letivo, trabalhado sistematicamente pelo professor.

As duas formas de educar para o veganismo têm o mesmo objetivo: abolir a exploração dos animais não-humanos.

Hoje no Brasil a principal maneira de divulgação do veganismo é a educação vegana não formal, através de pequenos grupos de estudos de Direito Animal ou de ação, ou de ativistas independentes. Individual ou coletivamente, essas pessoas utilizam os mais diversos meios para levar ao conhecimento popular o que é veganismo e a importância de adotá-lo como base para a abolição da exploração dos animais não-humanos – e concomitantemente dos animais humanos. A educação vegana não formal é realizada no tête-à-tête, na fila do banco, no supermercado, no exemplo que se dá a parentes e amigos ao boicotar produtos de origem animal, na elaboração e distribuição de panfletos informativos sobre o que é Direito  Animal/Abolicionismo Animal, na realização de palestras pró-veganismo, na criação de sites e blogs que divulgam o estilo de vida vegano, entre outros.

No caso da educação vegana formal, aquela desenvolvida em sala de aula, tenho recebido e-mails de muitos Estados da federação elogiando o trabalho que tenho desenvolvido nas escolas que leciono; mas pouquíssimos relatando uma experiência semelhante. Parece-me difícil acreditar que num país tão vasto territorialmente tenhamos poucos professores veganos, do ensino infantil ao médio, trabalhando sistematicamente o veganismo e o Direito Animal com os alunos. É fato que precisamos de uma educação vegana de base.

Será  que é tão difícil aos pedagogos e psicopedagogos se engajarem nessa nova forma de educar não-violenta?

Como nos disse o poeta Laerte Fernando Levai,

“A excelência espiritual, que se adquiri com uma pedagogia voltada aos sentimentos, talvez seja a última esperança para neutralizar as desilusões geradas por um mundo materialista e insano, em que os animais nascem, vivem e morem em função da vontade humana… Daí porque o único jeito de inventar um mundo novo é por uma educação que privilegie valores e princípios morais elevados. Algo que nos faça compreender, desde cedo, o caráter sagrado da existência. Mostrar às pessoas que a natureza e os animais também merecem ser protegidos pelo que eles são, como valor em si, não em vista do beneficio que nos podem propiciar.”  

Portanto, para por fim a coisificação, ao status de propriedade dos animais não-humanos, precisamos de mais educadores engajados na formação de uma nova geração não-violenta.

Acredito que ser vegano é fundamental para os animais não-humanos, humanos e ecossistemas. Mas só adotar o veganismo não é o suficiente; é necessário educar as outras pessoas para essa nova consciência, essa nova maneira de ver o mundo. Professores veganos de todo o país, uni-vos!

A causa é  muito maior, não podemos nos deixar levar pelas dificuldades de se trabalhar sistematicamente o tema em sala de aula sob a pressão do corpo burocrático, dos pais e de uma parcela dos próprios alunos. A causa é muito maior; os animais não-humanos, as crianças e adolescentes precisam ser libertos do resultado dessa visão antropocêntrica e especista que fomos formatados.

Educação vegana de base. Seja na rua, no shopping, na escola, o objetivo é  o mesmo: abolicionismo animal.
 
: Professor de Filosofia da rede estadual de ensino do Estado de São Paulo, co-autor do projeto Mens sana in corpore sano, pioneiro no ensino de Direito Animal e Veganismo em escolas públicas no Brasil.

Leon Denis

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