Colunistas, Vanguarda Abolicionista

Da violência contra éguas e mulheres

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No vídeo, o cavalo está caído no chão, com as patas amarradas, e preso a um poste de madeira. Ele se debate, tenta se levantar – sem sucesso. Um gaúcho se aproxima – aquele bem caricato, com roupa típica, bigodão – e, com o chicote, espanca o rosto do cavalo. A cena é brutal. A pessoa que filma dá risadas. Pela voz, percebe-se que é uma mulher.

Trata-se da doma, à moda tradicional do Rio Grande do Sul.

No outro vídeo de faça-você-mesmo, uma égua é presa pela primeira vez pela boca, em um campo cercado. A corda, firme, está em um palanque. O gaúcho dá um susto no animal, que sai correndo, na sua força, sem saber do resultado. A corda estica é dá um tranco daqueles, inesperado. Dor e pavor. O processo se repete, e a égua dispara pelo gramado e então recebe o impacto. Chama-se ‘quebra de queixo’, uma espécie de ritual que diverte certa parcela da população ligada ao RS.

Não, o cavalo não é uma motocicleta que já vem de fábrica com acelerador, freio, marcha-a-ré e embreagem. Esses comandos todos são aprendidos, à custa de dor e, dali pra diante, temor para o resto da vida. Claro que a patricinha-de-feicibúqui que ‘adora cavalos’ e volta e meia vai a um sítio com passeios de montaria, jamais ficou sabendo disso. Não foi aos bastidores ver o choro do palhaço.

Porque estamos acostumados a ver o cavalo já com os arreios, com os apetrechos todos, na boca, cabeça, pescoço, costas, barriga. A propaganda é pesada, e mesmo um cavalinho de pelúcia, fofo, para dar de presente à namorada, já tem um arreio na boca. Reparem.

E há quem se auto-intitule vegano, aboliticonista ou defensor dos direitos animais, algo cool, e ao mesmo tempo passeia no lombo de um equino. Falo aqui 1% da dor física – sim, já existe a ‘doma racional’, parente do abate humanitário – e 99% da dor moral, uma vez que aquele quadrúpede vai passar o resto da vida obediente, Joãozinho-do-passo-certo, temeroso da próxima vez em que *aquela* dor vai voltar. A prova é que o ‘freio’ do cavalo-motocicleta é um puxão nas cordas, com mais ou menos força.

NInguém ousa se mexer na cadeira do dentista, quando *aquela* dor apita, não é mesmo?

E não citarei aqui a parte, digamos, odontológica aplicada ao nosso amigo cavalo, a seco, para fins de encaixe dos acessórios apropriados.

Bem, em 1984 fez muito sucesso uma música gauchesca – sim, há que se ter trilha sonora para o narrado acima – composta por Roberto Ferreira e Mauro Ferreira, chamada ‘Morocha’, cantada por um conjunto intitulado Davi Menezes Junior e Os Incompreendidos.

“Aprendi a domar amanunciando égua / E para as mulher vale as mesmas regras / Animal, te pára, sou lá do rincão / Mulher pra mim é como redomão / Paleador nas patas e pelego na cara”, diz o refrão da música. Traduzindo para a língua falada no Brasil, mais ou menos quer dizer que o autor aprendeu a amansar éguas, e aplica o mesmo procedimento às fêmeas de sua própria espécie, inclusive com uso de uma espécie de algemas e venda para os olhos – que fazem parte da doma equina, conforme o caso.

No vídeo disponível no YouTube, o cantor se apresenta com chicote na mão, e uma elegante senhora da platéia – com uma estola no pescoço equilvante a umas quatro raposas – passa o tempo todo vaiando e xingando os músicos. As demais mulheres focalizadas pela câmera aplaudem ou permanecem comportadas.

Curiosamente, uma música similar foi lançada em resposta à primeira. Intitulada ‘Morocha, não’, de Leonardo, um dos mais conhecidos cantores-compositor da música regional do RS, já falecido, respondia às bravatas. “Ouvi um qüera largado, gritando em uma canção / que as regra pra um ser humano é a mesma dos animais / que trata que nem baguais
maneando patas e mão” diz um trecho. Nota-se, claro, o especismo. Não podemos ser ingênuos. O refrão é “morocha não, respeito sim / Mulher é tudo, vida e amor / Quem não gostar que fique assim / Grosso, machista e barranqueador”.

Barranquear, traduzindo, é estuprar – isto vai ser contestado, mesmo que mentalmente, por muitos, que não vão se manifestar por vergonha – uma égua fazendo uso de um pequeno declive para que, digamos, os genitais fiquem na mesma altura.

Uma espécie de ritual que diverte certa parcela da população ligada ao RS.

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Notícias

Rodeios na Serra Gaúcha têm até globo da morte com burros

Por Marcio Bueno (da Redação)


Flagrante do Rodeio de 2012 Foto: divulgação

No último final de semana, a pequena cidade de Cotiporã, na região da Serra do Rio Grande do Sul, sediou o 18º Rodeio Crioulo Estadual de Cotiporã, em seu Parque Municipal de Rodeios. “Sucesso” foi a definição do evento pelo patrão do CTG Pousada dos Carreteiros, Ronei Fialho. Além das provas campeiras e artísticas, a cancha B teve a pega do porco engraxado, gineteadas, montaria em pôneis e globo da morte com burros.


Prova do porco engraxado em 2011.  Foto: divulgação

No ano passado, Cotiporã, ‘A Jóia da Serra Gaúcha’, sediou a III Festa Campeira promovida pelo CTG Pousada dos Carreteiros. Naquela ocasião ocorrera a inauguração da Cancha B, para crianças montarem em ovelhas e lançarem terneiros, além de porcos cobertos de graxa e peões montando cavalos que não aceitaram ser domados. Na ocasião, protetores da região contataram com Ronei Fialho, que disse que objetivo era “afastar as crianças das drogas”.

Foto: divulgação

E neste feriadão de Carnaval, a cidade vizinha, Fagundes Varela, realiza o 18º Rodeio Crioulo do CTG Alma Nativa, com laço, ordenha da vaca parada, cura dos terneiros, dança do cepo e gineteada em ovelhas. A Prefeitura Municipal, através de vários setores, está auxiliando na realização do evento.

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Imagens

O cruel e triste treinamento que os elefantes recebem nos circos

A doma já tem seu significado explicado no dicionário Aurélio: “Vencer, dominar, subjugar”. Conheçam como os elefantes são treinados em circos, subjugados, maltratados e explorados para se comportarem de forma anti-natural diante de um picadeiro onde o “respeitável público” paga para que aconteça.

Cliquem aqui para assinarem a petição pela abolição do uso de animais em circos no Brasil e ajudem divulgando essas imagens para que mais pessoas conheçam esta realidade e digam NÃO aos circos com animais.

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Você é o Repórter

Grupo Fauna encaminha ação contra o Rodeio na EFAPI 2009

Andresa Jacobs
andresa.jacobs@gmail.com

Olá pessoal,

Informamos que encaminhamos hoje ação civil pública contra os promotores do rodeio country da EFAPI. Isso porque não admitimos o uso do sedém com lã, como alternativa para que os animais não sofram maus-tratos. Se realmente não sofrem maus-tratos, não precisam de sedém para pular, é essa a nossa grande alegação. Nossa ação solicita dos organizadores do rodeio:

I) Absterem-se as requeridas, seus prepostos e contratados, nas provas de rodeio em que forem responsáveis e/ou promoventes, de forma direta ou mediante terceirização, na 32ª EFAPI 2009 e também nos anos vindouros, no âmbito desta Comarca,  de:

a) fazer uso de todo e qualquer subterfúgio capaz de provocar nos animais sofrimento atroz e desnecessário, como o sedém (qualquer que seja seu material), a “corda americana” e as esporas (rombudas ou pontiagudas);

b) fazer uso de meios que visem a estimular a inquietação nos animais, como choques elétricos e/ou mecânicos e espancamento nos bretes;

c) realizar provas que, conforme demonstrado, são torturantes e causadoras de maus-tratos aos animais, como o bulldogging (derrubada de boi) o team roping (laço em dupla), calf roping (laço do bezerro), ou quaisquer outras provas de laço e de derrubada;

d) perfazer o chamado rodeio mirim  para crianças e adolescentes, com a utilização de pôneis, bezerros, ovelhas ou carneiros em simulação de montaria ou em práticas sugestivas de laçamento,  doma ou subjugação.

Multa em caso de não se cumprir.

Agora há pouco houve pronunciamento do Marcius nos representando na ACP, no Jornal da TVE local.

Amanhã sai alguma coisa no Diário dos Campos.

Pedimos que, quem puder, se manifeste com comentários no site do DC, contra essa prática cruel, retrógada, sendo a voz dos que não têm voz, daqueles seres subjugados por nossa “superioridade” que deveria estar a serviço da vida em toda a sua manifestação, e não lucrando com seu sofrimento.

É uma mudança de paradigma. O pessoal do movimento de defesa dos direitos animais de São Paulo tem lutado arduamente contra os rodeios de lá. Agora a mesma empresa de Barretos está em PG, com esse rodeio country.

Não podemos admitir isso. Precisamos evoluir, avançar.

Solicitamos às pessoas que vão à festa da EFAPI para registrar tudo, fotografando, filmando – principalmente – e depois passando para nós, pois é muito importante o acompanhamento e registro, independentemente da decisão judicial. Parte dos voluntários estará na 1° Conferência Estadual de Saúde Ambiental no final de semana, em Faxinal do Céu.

Precisamos de apoio da sociedade agora. Todos podem ser os olhos e ouvidos dos que defendem os animais. Por uma cultura e tradição de paz e respeito a todas as formas de vida, torcemos para que a liminar seja concedida.

Abraço,

Andresa Jacobs

“Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada.”

Edmund Burke

Grupo Fauna

Ponta Grossa PR

Site: www.grupofauna.org

Blog “Adota Eu!”: www.grupofauna.blogspot.com

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