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Psicologia: emoções aproximam animais dos seres humanos

O que leva os cachorros a latirem furiosamente para certas pessoas? Ou uma chimpanzé a velar seu filhote morto precocemente? Embora as reações dos vertebrados sejam muito semelhantes às humanas, as razões para que ajam assim divergem das nossas.
Chimpanzé lamenta a morte do filhote em uma área de preservação no Zâmbia, na África. Foto: Katherine Cronin/Divulgação

De acordo com Ceres Faraco, médica veterinária e doutora em Psicologia, especialista em comportamento animal, os animais vertebrados em geral têm sentimentos como raiva e afeição. Porém, não compreendem por que ou de onde vem estes sentimentos. Apenas os manifestam instintivamente. Enquanto que os humanos sabem o motivo de sua raiva ou compaixão, e, além disso, conseguem controlá-las – ao contrário dos outros vertebrados.

“A alegria e tristeza dos elefantes, a aflição dos chimpanzés e gansos e a alegria e amor dos cães não deixam dúvidas sobre nossas semelhanças. Como nós, os animais experimentam medo, alegria, felicidade, prazer, vergonha, raiva, ciúmes, irritação, desconcerto, desespero e compaixão”, diz Faraco.

Os animais vertebrados não-humanos são seres sencientes, ou seja, que sentem, mas não pensam. Eles têm a capacidade de avaliar as ações dos outros, lembrar suas próprias ações e consequências, avaliar riscos e ter certos sentimentos e grau de consciência. Porém, não são seres conscientes como os humanos.

Segundo César Ades, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em comportamento animal, os primatas cujos filhotes morrem os carregam durante dias, às vezes até que se decomponham. O professor lembra o estudo da pesquisadora inglesa Jane Goodall, que conviveu por anos com chimpanzés em seu habitat natural. Ela relatou que um filhote, quando perdeu a mãe, ficou encolhido e imóvel, sem interesse por nada, deprimido e acabou morrendo algum tempo depois.

Outro exemplo de laço extremo entre os animais lembrado por Ades está entre o ganso macho e a fêmea, onde há um vínculo que dura a vida inteira. Quando morre a fêmea, o macho perde a sua combatividade e se mostra bastante perturbado e sem energia.

Recentemente, o Instituto Max Planck de Psicolinguística (MPI, na sigla em inglês), da Holanda, divulgou um vídeo em que uma mãe chimpanzé lamenta a morte do filhote, velando-o por horas. Atualmente, quase nada se sabe sobre como os primatas reagem à morte, o que eles entendem, e se eles choram. Entretanto, os pesquisadores do MPI acreditam ter relatado um período único de transição de como a mãe aprendeu sobre a morte de seu filho, um processo nunca antes relatado em detalhe.

“Os vídeos são extremamente valiosos, porque eles nos forçam a parar e pensar sobre o que pode estar acontecendo na mente dos outros primatas”, diz Katherine Cronin, uma das autoras do estudo.

Alguns pesquisadores defendem que não existe amor maternal entre os animais. Para eles, o instinto protetor é considerado um comportamento de sobrevivência da espécie. Ceres repudia essa hipótese com o relato de Pierre Pfeffer, especialista em estudo de elefantes, que testemunhou, em Botswana, na África, o encontro entre uma mãe elefante e seu filhote que haviam se perdido fazia muitos anos. Eles estavam vivendo em manadas distintas e, quando o filhote se aproximou, a mãe abandonou o grupo e balançava-se demonstrando imensa alegria.

“As emoções são absolutamente verdadeiras como nos demais animais sencientes. É notório o sofrimento diante da perda de um ser querido. Na minha experiência como clínica de comportamento de cães e gatos, vivencio diariamente as emoções e os distúrbios emocionais desses animais, não há dúvida sobre isso”, diz. Outro caso interessante, conta Ceres, é o de Alex (um papagaio participante de vários estudos da pesquisadora Irene Pepperberg sobre conhecimento, que conseguia somar, dizer palavras e expressar conceitos). Ao ser levado ao veterinário para uma cirurgia, o animal gritou angustiado ao vê-la sair: “vem aqui, te quero muito, quero voltar”.

Fonte: Terra

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Processo de adaptação de cão com novo bebê deve começar ainda na gravidez

Ele era tratado como filho pelos tutores, até que um dia é surpreendido com a chegada de um bebê na família. Esse momento tão especial na vida de qualquer ser humano pode ser também sinônimo de problema para cachorros acostumados a reinar sozinhos em seus lares.

Segundo a adestradora Hetyene Borges, o impacto da chegada de um bebê na vida de um pet que vive nessa situação é grande. “A maioria deles pode ter problemas comportamentais como: ciúmes, ansiedade, compulsões, agressividade, depressão, entre outros distúrbios emocionais”, afirmou.

A adestradora, que já foi contratada para socorrer vários casais nessa situação, orienta que o melhor a fazer é começar a preparar o cachorro antes mesmo da chegada do bebê. “A partir do momento em que a mulher descobre a gravidez, ela deve começar a diminuir a atenção dada ao animal e passar a ignorá-lo algumas vezes. Desta forma, ele não vai estranhar tanto quando não receber atenção dos futuros pais”, disse.

Caso o casal não queira que o cachorro entre no quarto da criança é preciso também começar a educá-lo antes da chegada do filho para que ele não relacione a criança às coisas negativas. “O ideal é que os futuros papais peguem uma boneca e simulem com ela as atitudes que terão quando o bebê nascer. Só assim será possível observar o comportamento do pet e, caso ele reaja de forma agressiva, será possível corrigir”, afirmou Hetyene Borges.

Toquinho

A jornalista Luciana Tibúrcio tutora do shitzu Toquinho está grávida de sete meses. Em breve, o cão terá que se acostumar com a presença da pequena Ana Laura, que tomará boa parte do tempo da jornalista.

A futura mamãe acredita que no início o shitzu vai sentir a falta do seu colo “O Toquinho foi o centro das atenções da casa desde que nos casamos, há cinco anos”, disse.

Para que Toquinho não sofra com a chegada da Ana Laura, a jornalista deixa que ele fique deitado debaixo do berço enquanto ela organiza o quarto da filha. “Eu também deixo que ele cheire o enxoval da neném e coloco a cabecinha e a patinha dele na minha barriga para que ele possa sentir a Ana Laura se mexer. O mais engraçado é que, quando ela escuta o latido dele, ela chuta”, disse.

A jornalista acredita que, mesmo com essas atitudes, o cão ficará enciumado com a chegada de Ana Laura. “Ele adora ficar no meu colo e agora não vai poder ficar mais sempre que quiser. Já falei para meu marido não deixar de dar atenção para ele, pois é só isso que o Toquinho quer.”

Tutores também correm o risco de falhar

De acordo com adestradora Hetyene Borges, o trabalho de educação do cão não termina com a chegada do bebê. “É importante que os tutores façam várias associações positivas entre a criança e o cachorro. Por exemplo, quando a mãe estiver com o filho no colo, outra pessoa deve dar um petisco e carinho para o animal. Outra dica que funciona é colocar uma fralda com o cheiro da criança nos locais onde o cachorro costuma dormir e debaixo do seu comedouro. Desta forma, o cheiro do bebê estará associado a duas coisas que os animais adoram fazer, comer e dormir”, afirmou.

Hetyene Borges afirma que, se os responsáveis seguirem todos esses passos, será difícil que o cão estranhe o bebê. Mas, se mesmo assim isso acontecer, ainda é possível contornar a situação e evitar que o cão seja doado. “Todo animal está preparado para mudanças, mas estas devem respeitar o nível de entendimento do animal. Caso o processo de adaptação seja demorado ou não ocorra, um especialista em comportamento canino (não um adestrador), depois de verificar em quais pontos os responsáveis falharam, pode conseguir bons resultados”, disse a adestradora.

O que deve ser feito para que o cachorro não estranhe o bebê

Realizar mudanças gradativas na vida do animal.

O casal deve diminuir a atenção dada ao cão e ignorá-lo em alguns momentos nas semanas antes da chegada do bebê.

É muito importante que o cachorro associe a criança a coisas positivas, como petisco e carinho.

Colocar uma fralda com o cheiro do bebê nos locais em que o animal dorme e come também ajudam a reforçar a associação positiva do cão com a chegada da criança.

Fonte: Correio de Uberlândia


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