As crianças também estão sendo discriminadas por serem adeptas do veganismo nas escolas escocesas.
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Pesquisa revela discriminação sofrida por veganos na Escócia

Uma pesquisa realizada pela organização vegana escocesa Go Vegan Scotland, em tradução livre “Vá Vegana Escócia”, destaca a discriminação vivida por veganos nos espaços públicos no país. A pesquisa, mostra que os veganos estão sendo discriminados em locais públicos como hospitais, escolas, universidades, além de terem seus direitos civis contrariados por autoridades locais escocesas. De acordo com a organização, essa discriminação compromete a saúde e a educação dos veganos.

O relatório da Go Vegan Scotland afirma: “Em 2017, realizamos uma pesquisa on-line para descobrir quais os problemas que os veganos da Escócia enfrentavam, em termos de suas condições de vida vegana quando eram dependentes do governo. As respostas de aproximadamente de 480 veganos vivendo na Escócia revelaram a falta de compreensão da convicção moral em que vivem os veganos, o que significa ser vegano em termos de evitar todas as formas de exploração e morte de animais, e como as convicções veganas devem ser levadas em conta pelas entidades estatais “.

Um porta-voz da Go Vegan Scotland disse á Plant Based News (PBN): “Não estou surpreso com os resultados, pois estava ciente da posição geral por meio de informações anedóticas de outros veganos. No entanto, a extensão da questão e algumas das experiências individuais de mal-entendidasbullying e falta de suprimento, colocando a saúde em risco e prejudicando a educação, são muito preocupantes. Essa é uma situação é que deve ser levada a sério pelo governo escocês”.

Algumas das alegações mais preocupantes vieram de experiências de pessoas veganas nos hospitais. Entre as citações, os pacientes que sofreram de distúrbios alimentares foram proibidos de terem acesso a alimentos veganos e foram obrigados a comerem ou utilizarem produtos com base aniamal, e os pacientes que ficam sem alimentos por dias ou que se retiraram do leito com a falta de alimentação vegana.

As crianças também estão sendo discriminadas por serem adeptas do veganismo nas escolas escocesas.
Crianças veganas também sofrem discriminação nas escolas escocesas. (Foto: SBIE)

Alguns entrevistados disseram que foram submetidos a comentários depreciativos, ou informações nutricionais imprecisas, de profissionais da medicina. Problemas também foram enfrentados por estudantes e seus pais em instituições educacionais. Alguns afirmaram que as crianças ficavam perdidas em refeições gratuitas devido à falta de opções veganas. Além disso, houve relatos de crianças e outros estudantes sendo forçados a participarem de experimentos em animais ou pressionados a participarem de viagens escolares para locais que consideram antiéticos, como os jardins zoológicos. Alguns professores também foram acusados ​​de zombar da escolha ética de crianças e estudantes, introduzindo tendências no ensino, promovendo a exploração e a morte de animais.

Além de todas estas denuncias feitas durante a pesquisa, veganos que são funcionários do estado relataram algumas situações preocupantes no local de trabalho, a falta de opções de alimentos veganos em cantinas e reuniões, e nenhum alimento vegano no setor militar como o exército e a polícia, incluindo a recusa de fornecer roupas de trabalho produzidas sem a exploração de animais. Presidiários veganos também relataram que sofrem bullying por policiais na cadeia. Em outras ocasiões, nota-se a falta de opções veganas em instalações judiciais, e os veganos desempregados são forçados a se candidatarem a vagas de emprego em matadouros.

O representante da Go Vegan Scotland disse à (PBN) que realizou o estudo – e compartilhou os resultados – para “trazer à tona a convicção moral que é o coração do veganismo”.

Ele acrescenta: “Existe um equívoco geral de que o veganismo é sobre alimentos, ou restrição dietética, quando de fato o veganismo não é “sobre comida”.

“Os veganos são pessoas que perceberam em algum momento de suas vidas que os animais são seres conscientes, assim como nós, e consideramos que é errado explorá-los como mercadorias, para que possamos tirar as coisas deles e depois matá-los. Veganos são moralmente opostos à mercantilização dos animais e, portanto, vivem suas vidas, na medida do possível, evitando qualquer envolvimento na exploração e morte de animais. Uma vez que isso seja entendido, espero que a maioria das pessoas respeite a nossa convicção moral e veja a necessidade de nos suprir, para garantir que possamos viver de acordo com nossa convicção fundamental”.

A organização está convocando o governo a garantir que boas opções para os veganos estejam disponíveis em todas as entidades estatais (hospitais, escolas, prisões, etc.), educar os trabalhadores do setor público sobre o significado do veganismo e seu status legal e promover a alimentação baseada em plantas para profissionais médicos e professores. Além disso, também querem incentivar o governo escocês a apoiar alternativas diferentes de testes da indústria farmacêutica e cosmética sem agredir os animais.

“Nós enviamos nosso relatório à Comissão de Igualdade e Direitos Humanos na Escócia, que é responsável pelo monitoramento da implementação da legislação internacional e europeia. É algo que nosso governo e entidades estaduais podem não apreciar, ou apreciar plenamente, mas o veganismo é uma convicção protegida sob o Reino Unido e direito europeu, e tem o mesmo status legal que as crenças religiosas. Isso não significa que o veganismo é uma religião (não é), mas como sociedade, reconhecemos a importância de proteger o direito das pessoas de manter e viver de acordo com convicções fundamentais na mesma medida em que respeitamos o direito deles para manter e viver de acordo com as crenças religiosas”, afirmou o porta-voz.

A Comissão de Igualdade e Direitos Humanos informou que considerará os resultados e “adicioná-los à sua base de evidências sobre questões de igualdade”.

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A lógica do especismo também discrimina seres humanos

Uma das características essenciais do especismo é alegar razões de ordem racional-cognitiva para afirmarem a “superioridade” moral das espécie humana sobre os demais animais. Raciocínio, artes, cultura, tecnologia, demonstrações racionais de sentimentos, muitos aspectos exclusivamente humanos são usados como pretensos justificadores dessa qualidade de “ser superior” que tem o “direito” de dominar os “inferiores” da Natureza.

Porém essa arrogância é um tiro no pé da humanidade, visto que justifica também o capacitismo mental, preconceito baseado na inferiorização de pessoas com limitações psico-intelectuais. Em outras palavras, ser especista implica racionalizar a inferiorização também de outros seres humanos.

Isso porque os humanos não possuem todos as mesmas capacidades cognitivo-intelectuais. Existem muitas pessoas com tais capacidades limitadas, que não podem raciocinar nem abstrair tão avançadamente quanto aquelas ditas “normais”. Há também aquelas com graves deficiências mentais, cujas habilidades mentais-intelectuais são equivalentes ou muito próximas às de mamíferos não humanos.

Se a lógica especista diz que os animais não humanos são inferiores aos humanos porque não possuem as mesmas propriedades mentais que os humanos “normais”, automaticamente essa linha de raciocínio implica que aquelas pessoas mencionadas que estão no meio termo também são moralmente inferiores às “normais”. E dependendo do caso, existem aqueles que poderiam ser considerados tão “inferiores” quanto os não humanos.

Ou seja, o especismo não só hierarquiza os animais em geral, colocando os humanos acima de todos os outros, como também estabelece a discriminação dentro da própria espécie humana, através do capacitismo mental-intelectual. Mas nenhum especista tem coragem de assumir isso, embora possa estar sendo capacitista de forma velada, tal como a maioria dos racistas brasileiros não admitem sê-lo mas demonstram racismo de maneiras sutis.

No mais, especismo e capacitismo são mais dois preconceitos incluídos entre a vasta gama fundamentada na dicotomia “civilização boa e superior X Natureza ruim e inferior”, na qual os seres mais próximos dos humanos “civilizados” e “normais” são moralmente superiores em contraste com aqueles humanos e demais seres “bárbaros” e “aberrantes” que são alegadamente mais próximos das características demonizadas da Natureza.

Holisticamente, quando aprendemos a respeitar os animais não humanos e lhes reconhecer a igualdade moral entre eles e os humanos, aprendemos também a abandonar o preconceito contra outros seres humanos quando levamos o veganismo e seu caráter libertário e igualitário a sério. Acabar com o especismo é também pôr um fim no capacitismo e em todos os demais preconceitos baseados na inferiorização e dominação da Natureza.

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