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Gorilas em cativeiro criam dilema para primatologistas

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Divulgação

Harambe, o gorila-ocidental de 17 anos morto no Zoológico de Cincinnati no final do mês passado, depois que um garoto de três anos caiu dentro de sua jaula, pode não estar mais aqui fisicamente, mas teve seus tecidos colhidos para pesquisa e seu esperma extraído para ajudar a diversificar o patrimônio genético da reprodução em cativeiro.

No entanto, o gorila de 200 quilos deixa outro animal metafórico para trás, levantando questões que vão muito além das particularidades do caso, incluindo a dúvida se o zoológico ou a mãe do menino deveriam ser culpados pela morte de Harambe.

Para os primatologistas e conservacionistas que devotam suas vidas ao estudo dos grandes macacos e fazem o que podem para proteger as populações de primatas que estão desaparecendo rapidamente na natureza, um intrincado conjunto de dilemas práticos e éticos é motivo de muita preocupação.

À medida que a pesquisa continua a revelar a amplitude de nosso parentesco genético, emocional e cognitivo com os quatro grandes macacos – gorilas, chimpanzés, bonobos e orangotangos – muitos primatologistas admitem que se sentem pouco confortáveis ao ver um macaco em cativeiro, mesmo que sua área no zoológico seja luxuosa ou “natural”.

“Quando vou a zoológicos, preciso desligar meus sentimentos e dizer a mim mesma que estou em um museu, admirando as obras de arte da natureza. De outra maneira, não posso realmente justificar a manutenção de grandes macacos em jaulas”, afirma a primatologista Sarah Blaffer Hrdy, professora emérita da Universidade da Califórnia em Davis.

Ao mesmo tempo, os pesquisadores reconhecem que os macacos nos zoológicos de hoje, pelo menos no mundo industrializado, todos nasceram e foram criados no cativeiro e seriam tão capazes sobreviver se fossem “libertados” nas florestas da África ou da Indonésia quanto um turista em um safári.

Ainda assim, apesar de os primatologistas concordarem que as pessoas têm a obrigação moral de cuidar dos milhares de macacos hoje cativos que podem viver até mais de 60 anos, eles possuem opiniões diferentes sobre como esses cuidados devem ser.

Catherine Hobaiter, da Universidade St. Andrews da Escócia, que estuda chimpanzés em Uganda, descreve a reação dos gorilas do zoológico que foram criados em jaulas fechadas quando finalmente o zoo abriu um anexo ao ar livre na exibição.

Foi doloroso ver. Com uma chuvinha de nada, os gorilas já estavam querendo voltar para dentro. Eles tinham medo de ficar molhados

Hobaiter
Barbara Smuts, primatologista de renome da Universidade de Michigan, recentemente distribuiu uma petição pedindo que outros gorilas do Zoológico de Cincinnati sejam realocados para santuários e fiquem longe dos olhares e dos gritos das multidões.

Os pesquisadores também discordam sobre se deveríamos ou não continuar a reproduzir macacos em cativeiro e, se sim, para que fim. Alguns especialistas acreditam que zoológicos bem projetados têm um papel educacional essencial, e que a exposição a um macaco de carne e osso pode ser uma experiência transformadora, especialmente para crianças.

“Eu me lembro de ir ao Zoológico de Milwaukee quando era criança e ver os gorilas. Fiquei extasiado. É como uma droga. Você não consegue esse tipo de ligação emocional com um filme no IMAX”, conta Peter Walsh, antropólogo biológico da Universidade de Cambridge que trabalha com conservação de gorilas na África.

Outros ridicularizam a maioria dos zoológicos como pouco mais do que parques de diversão com placas que poucas pessoas se dão ao trabalho de ler.

“Não há nenhuma evidência real de que os macacos em cativeiro estão tendo qualquer efeito positivo para seus parentes na natureza”, diz Marc Bekoff, ecologista comportamental e professor emérito da Universidade do Colorado. Quanto à educação, afirma ele, “uma das lições mais maravilhosas e educativas que já vi foi uma exibição de caramujos no Zoológico de Detroit”.

Peter Singer, especialista em bioética da Universidade Princeton, explica:
Nossa preocupação principal precisa ser com o bem estar dos gorilas, mas os zoológicos são construídos de modo contrário. A preocupação principal deles é que os humanos possam ver os animais.

Quaisquer que sejam suas opiniões sobre os zoológicos, os primatologistas se desesperam com as estatísticas chocantes dos macacos na natureza.

De acordo com a Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), todas as espécies e subespécies de macacos selvagens estão classificadas como ameaçadas ou criticamente ameaçadas e, em todos os casos, as tendências apontam para uma queda implacável no número de animais. Os macacos estão sendo mortos por caçadores, para o comércio de carne, pela destruição do habitat e por doenças.

Em Sumatra e Bornéu, as florestas foram destruídas para dar lugar às plantações de óleo de palma, com consequências devastadoras para os orangotangos. Desde os anos 1990, 80 por cento dos gorilas das planícies orientais da África Central morreram de ebola.

Recentemente, mesmo entre os famosos chimpanzés de Jane Goodall da floresta Gombe, na Tanzânia, a atividade humana reduziu a população em quase 40%.

Pelas contas da Lista Vermelha, o número total para todos os macacos selvagens chega a 350 mil indivíduos, bem abaixo dos valores da era pré-moderna que são estimados em milhões.

Também não ajuda, afirma Walsh, da Universidade Cambridge, que a preocupação do público sobre o ambiente esteja agora focada quase que exclusivamente nas mudanças climáticas. “Eu sinto vontade de gritar: ‘Ei, pessoal, poderíamos acabar com as mudanças climáticas amanhã e ainda estaríamos enfrentando a maior crise de extinção que já vimos’.”

Há uma razão pela qual os humanos e os grandes macacos foram colocados juntos pela taxonomia na superfamília Hominidae. Nós nos separamos dos outros macacos apenas cerca de sete milhões de anos atrás. O DNA de um chimpanzé é aproximadamente 98% análogo ao nosso.

Os macacos usam e produzem ferramentas avidamente. Os chimpanzés fazem varas para pescar insetos em cupinzeiros e caçar macacos escondidos em buracos de árvores. Os orangotangos podem aprender a remar um barco e virar panquecas em uma frigideira.

Em observações feitas no Zoológico de Praga, Khalil Baalbaki assistiu gorilas transformarem caixas vazias em uma série de objetos domésticos: mesas, cadeiras, degraus para alcançar mais alto, bandejas para carregar sua comida e armas para serem jogadas em uma luta. Uma gorila extraiu o revestimento de madeira de uma caixa para fazer um par de chinelos e proteger os pés antes de se aventurar na neve.

Segundo uma meta-análise de estudos de inteligência, a média dos macacos possui habilidades cognitivas, quantitativas e espaciais de uma criança de 2,5 a quatro anos. Ainda assim, o laboratório Tetsuro Matsuzakawa no Japão mostrou que uma chimpanzé excepcionalmente esperta chamada Ayuma era duas vezes melhor do que qualquer estudante universitário na hora de lembrar números que apareciam em uma tela.

Os grandes macacos também exibem diferenças básicas no temperamento. David Watts, primatologista da Universidade Yale que estudou chimpanzés e gorilas na natureza, descobriu que enquanto os chimpanzés geralmente não gostam das pessoas ou não demonstram muito interesse por seus assuntos, os gorilas são profundamente curiosos.

“Rapidamente descobri que os gorilas não apenas queriam me tocar como subir em cima de mim”, conta ele. Em um incidente famoso, uma gorila colocou a mão dentro da camisa de uma primatologista e começou a apalpá-la.

Essa curiosidade inata, dizem os pesquisadores, pode explicar parte do comportamento de Harambe visto no vídeo de seu encontro fatal com a criança que caiu em sua jaula – ele brincou com as roupas do menino e deu uma espiada enquanto puxava as calças do garoto para cima. Ele tentou enfiar a criança em uma gruta, talvez para protegê-lo ou para ter o fascinante e novo companheiro de brincadeiras só para si.

Mas, com o aumento da comoção e os gritos das pessoas que estavam olhando, explicam os pesquisadores, Harambe ficou agitado e rapidamente assumiu a postura de um gorila macho demonstrando dominância.

“É o que chamamos de pavonear-se, e gorilas machos fazem isso o tempo todo”, diz Watts. “Um gorila desses pode se levantar e andar em círculos com os braços e as pernas rigidamente estendidos, seus pelos eriçados, para parecer maior e mais impressionante. Harambe estava definitivamente fazendo isso quando chegou perto do menino.”

Esse comportamento é, na maior parte das vezes, brincadeira: se Harambe tivesse a intenção de matar o menino, explica Sarah Hrdy, como um gorila intruso macho pode matar filhotes de outros machos que ele acabou de depor – para mais rapidamente reivindicar as fêmeas para si – “ele o teria feito em segundos”, provavelmente com uma mordida no crânio.

De qualquer maneira, o comportamento tinha riscos, especialmente quando Harambe começou a arrastar o garoto por seu recinto, como gorilas em exibições às vezes fazem com grandes galhos.

Watts, que conta ter sido “furado, derrubado e arrastado” por gorilas machos, mas nunca gravemente ferido, gostaria de ter estado no Zoológico de Cincinnati quando a crise aconteceu. Ele teria voluntariamente entrado na jaula e assumido uma posição fetal submissa no chão para atrair a atenção do gorila e fazer com que ele largasse o menino. (Ele admite que é mais fácil falar depois que tudo aconteceu.)

O visual e a lógica dos zoológicos mudaram drasticamente ao longo do tempo. Quando os primeiro primatas foram exibidos no Ocidente, no final do século XVIII, eram vistos como troféus, evidência da vitória imperial sobre a selvageria. Os souvenires infelizes normalmente morriam alguns meses depois da chegada, de doenças e desnutrição.

À medida que os zoológicos procuraram melhorar a saúde dos macacos que abrigam, as jaulas frequentemente assumiam uma configuração de suave esterilidade, sem folhagens e brinquedos que pudessem apresentar riscos. Essa abordagem também causou problemas como tédio, comportamentos repetitivos e depressão.

Mais recentemente, a maioria dos zoológicos tem trabalhado duro para dar aos macacos o estímulo mental e emocional que precisam, com pneus para balançar, pedras para subir, grupos sociais para sessões de asseio mútuo e ataques contagiantes de riso e de bocejos.

Frans de Waal, da Universidade Emory e do Centro Nacional de Pesquisas de Primatas Yerkes, diz que é um “grande fã” da qualidade dos zoológicos, talvez não para animais grandes e gregários como baleias assassinas e elefantes. “Mas para os grandes macacos, o que temos agora é excelente”, afirma.

Sua saúde é boa, eles se reproduzem facilmente em cativeiro e vivem dez ou mais anos a mais do que seus colegas na natureza. Na verdade, a primeira gorila que nasceu em cativeiro, chamada Colo, ainda está viva no Zoológico de Columbus, Ohio, de onde tirou seu nome. Ela vai fazer 60 anos em dezembro, um aniversário que a tataravó não celebrou, dizem os funcionários do zoológico, usando o adorável avental e o chapéu de palha com que seus tratadores costumavam vesti-la quando era jovem.

De Waal diz que hoje é muito mais fácil manter os macacos felizes e entretidos.

Eles gostam de mexer em computadores. Quando você traz uma tela sensível ao toque, ficam animados, e é uma ótima maneira de ensinar ao público como são inteligentes

Mas o que o público precisa aceitar, diz ele, é que a noção de jardins zoológicos como viveiros para o repovoamento de populações selvagens de animais em risco de extinção se provou uma fantasia em praticamente todos os casos, com a notável exceção da bem sucedida reintrodução do mico-leão-dourado criado em cativeiro na mata atlântica da América do Sul.

Por outro lado, quando o aristocrata britânico Damian Aspinall soltou 11 de seus gorilas criados em cativeiro na selva do Gabão no ano passado, cinco foram mortos de modo violento, possivelmente por um gorila local, e os outros desapareceram.

Ainda assim, os críticos dizem que a vida no zoológico também tem suas graves desvantagens, o que a história de Harambe deixa claro.

O macaco em cativeiro é designado o “embaixador” de sua espécie, um exemplo prático da fraternidade evolucionária e do destino compartilhado para aqueles entre nós que se mantém do outro lado do vidro, afirmando a primazia das vidas, dos desejos e das necessidades dos humanos.

Fonte: Notícias UOL

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O dilema de Fábio Porchat

Por Lobo Pasolini (da Redação)

Foto: http://rd1.ig.com.br
Foto: http://rd1.ig.com.br

O ator e comediante Fábio Porchat escreveu para o Estadão uma crônica onde ele expõe, de forma muito sincera, seu dilema em relação à carne e outros produtos de origem animal. Ele começa o artigo dizendo o quanto gosta de carne mas como odeia o sofrimento dos animais que serão comidos. Ele menciona os paradoxos da carne orgânica e também a contradição que é comer ovo e leite se a questão com a carne é ética – afinal das contas, a produção de leite é ovo é tão horrível quanto.

Depois de ponderar tudo, Fábio pergunta se existe um meio termo, se é possível escapar do 8 ou 80 para onde a análise da situação aponta. Sem verbalizar explicitamente, ele admite que o veganismo parece ser a única saída ética mas alimenta uma esperança de que talvez exista uma outra via, onde ele possa consumir produtos animais sem culpa.

É interessante como o ator descreve um dilema pessoal como forma de ilustrar uma indagação que está longe de ser exclusivamente sua. Eu acredito que muitas pessoas sensíveis se questionem e se culpem por financiarem a exploração animal, mas algo as impede de dar o passo e tornar-se veganas.

É fácil dar uma resposta à Porchat: sim, é uma situação 8 ou 80. Não existe produto de origem animal que não seja baseado na exploração e que não envolva dor e morte. Qualquer operação onde o corpo de um ser senciente se torna propriedade de um animal humano envolve uma relação de poder violenta, mesmo quando as aparências enganam.

A chamada carne humanizada e outras formas de marketing suavizador que injetam uma anestesia moral no comedor de carne são parte de uma categoria maior de greenwashing, o marketing verde elaborado para aliviar a culpa de consumidores mais sensíveis. Mas vários artigos e livros já demonstraram que todas essas operações não são tão verdes e éticas como parecem e, no final das contas, como qualquer outro negócio, visam lucro. Se for necessário fazer algum corte de despesas, adivinha quem é o primeiro a ser sacrificado? O animal, obviamente, porque ele é quem vai ser literalmente sacrificado no final das contas, é esse o propósito maior de qualquer operação dessa natureza.

E aqui está o problema maior que talvez tenha passado despercebido para o ator: o animal como propriedade alheia, como produto, como coisa. Esse é o X da questão. Não estamos falando apenas de consumo, estamos falando de filosofia e ética. Ser dono de alguém é errado, é o maior afronto que qualquer ser vivo pode sofrer. Tratar uma entidade viva, com sentimentos complexos, um corpo que clama por liberdade e satisfação de seus instintos e de realizar suas paixões alegres, como diria o filósofo Spinosa, é uma forma de violência e de abuso. Assim como a homofobia, o racismo, sexismo e outros preconceitos são inaceitáveis, o especismo, que é o sistema ideológico que sustenta a falácia antropocêntrica, é uma aberração ética.

Então fica aqui a mensagem para Porchat: sim, é verdade que podemos comer carne. Somos onívoros. Sendo assim, temos a escolha. É comprovado cientificamente que o ser humano pode viver de uma dieta vegana em qualquer estágio de sua vida. A dieta vegana é tão variada quanto a imaginação do vegano. Hoje em dia, nas principais cidades do Brasil existem vários restaurantes veganos, dos mais simples aos mais gourmet, que surpreendem mesmo os paladares mais exigentes.

Ao invés do dilema, Porchat, escolha a certeza de que no seu prato não existe crueldade ou culpa. O que talvez ainda te impede de eliminar esses produtos de sua dieta é o apego, memórias afetivas, talvez um receio de ficar antissocial. Mas tudo isso é bobagem. Desapega e o problema estará resolvido.

 

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Destaques, Notícias

Participantes dissecam carneiros durante programa “Solitários”, exibido pelo SBT

Por Fernanda Franco  (da Redação)

Carneiros foram mortos e tiveram seus corpos pendurados para realização do programa "Solitários" (Imagem: Reprodução/SBT)

Às 23h15min desta quarta-feira (9) foi ao ar mais um polêmico episódio do programa “Solitários”, criado originalmente nos EUA, e exibido no Brasil pelo SBT, em formato adaptado.

Uma das provas do programa iniciou ao som da conhecida trilha usada no filme “Psicose”, enquanto os participantes eram inseridos em salas com um cadáver de carneiro pendurado. Isso significa que nove carneiros foram mortos para a realização dessa prova de absoluto mau gosto. O desafio proposto a cada participante era arrancar com as próprias mãos 3 kg das carcaças suspensas.

Uma das participantes ficou indignada com a prova e se recusou a cumpri-la. “Que judiação, que maldade”, afirmou Stephanie, mineira de 25 anos, com a voz embargada de horror ao ver o corpo do animal pendurado no meio da cabine. “Que cruel fazer uma prova dessa com o bichinho, tadinho”, disse a participante, muito emocionada. Ela começou a chorar e se negou a fazer a prova: “não quero fazer essa prova, eu não acho certo colocar um animal morto pendurado aqui pra gente tirar a carcaça dele…”, revoltou-se Stephanie. “Acho isso muito desumano”, completou a participante.

Stephanie fica em estado de choque diante do corpo do animal pendurado (Imagem: Reprodução/SBT)

A personagem Val, responsável pela apresentação e condução do programa, provoca a participante dizendo que não entende sua indignação com relação à prova. Stephanie responde, então: “isso é um absurdo: deixar um animal assim é muito cruel, ainda mais com a cabecinha virada para trás”.

Com exceção de Stephanie, todos cumpriram a prova com poucas dificuldades.

Em determinado momento do programa, Val perguntou à participante 1 (Stephanie) se ela usava couro. A participante ficou confusa, dizendo que sim, que usava artigos de couro, mas que não era obrigada a ver a realidade brutal por trás do que ela veste.

Apesar de afirmar usar couro, Stephanie declarou ao final da prova que é vegetariana e que não consome carne há algum tempo.

Já o participante André, 41 anos, vegetariano, não teve grandes dificuldades para cumprir o desafio e sentiu-se injustiçado ao saber que uma outra participante recusou-se a fazer a prova. Além de não se recusar a fazer a prova, André reprovou agressivamente a atitude de Stephanie, alegando que todos deveriam fazer o que é solicitado – independentemente do que fosse. O comportamento de André mostra que seu vegetarianismo não está ligado à compaixão pelos animais e que o prêmio de 50 mil reais, dado ao vencedor do programa, é o fator mais importante dentre os seus princípios.

Ao final da prova, foi servido a cada participante um bife supostamente feito a partir da carne obtida na prova do carneiro. Quem não quisesse comer a carne poderia optar por uma barra de cereal.

Além de Stephanie e André, recusou-se a comer o bife a participante Tatiana, de 28 anos. Apesar de adorar comer carne, Tatiana sentiu nojo do prato oferecido. Ao ser questionada por que se recusava a comer a carne, já que fazia isso todos os dias, a participante foi acusada de incoerência pela apresentadora Val. A jovem designer de moda ficou confusa e emitiu a seguinte resposta: “eu não sou contra comer carne vermelha, mas sim contra maltratar os bichinhos”, demonstrando não ter a mínima compreensão do que estava dizendo, já que a carne que ela adora comer todos os dias é feita a partir da tortura e do assassinato de seres inocentes.

Participantes expôem suas incoerências durante programa. À esquerda, André; à direita Tatiana (Imagem: Reprodução/SBT)

Retrato da sociedade

Ao mesmo tempo que o programa utiliza recursos cruéis e desnecessários com a evidente intenção de ganhar audiência, acidentalmente acaba por trazer à tona uma incongruência vivida por grande parte da nossa sociedade.

O quadro apresentado, em especial o dilema vivido por Stephanie e a contraditória postura de Tatiana, revela um triste retrato que é o fenômeno produzido pela indústria da exploração de animais, a que chamamos de dissociação.

Essa dissociação consiste em consumir o produto do sofrimento e da exploração de animais, sem conseguir associar os horrores vividos por eles para a obtenção desses mesmos bens de consumo.

Essa dissociação é fruto do condicionamento da mente humana a uma espécie de esquecimento, provocado, por sua vez, pelo distanciamento da cruel realidade a que são submetidos os animais torturados e mortos por essa mesma indústria.

Com o apoio de uma grande mídia voltada para as futilidades e não para formação de humanos dignos, e de uma lei pouco funcional no que se refere aos direitos animais, a indústria da exploração de animais segue com o extermínio de vidas inocentes, oferecendo os seus produtos cruéis a um público cego pelo condicionamento.

Muitas pessoas sentem afeição e compaixão por cães ou gatos, e no entanto consomem carne, leite ou ovos – todos produtos obtidos a partir do sofrimento de outras espécies de animais. Neste fato reside a prova da dissociação ou especismo: devemos compaixão apenas a algumas espécies e às outras, devemos apenas a nossa indiferença, passividade e crueldade.

Todos os animais são dotados de senciência, ou seja, todos sentem e sofrem da mesma forma que nós, humanos.

O programa “Solitários”, ainda que com uma intenção sensacionalista, funcionou como um espelho, expondo uma grande verdade a todos que quisessem ver: nossa sociedade vive de mentiras, tem atitudes incoerentes com seus discursos e está muito longe de ser pacífica e compassiva para com todos os seres vivos que habitam este planeta.

Mas não é preciso matar animais para fazer esse tipo de provocação. Existem formas mais inteligentes e éticas de ensinar as pessoas a verem a si mesmas – ou mesmo, de angariar audiência.

Para assistir ao vídeo do programa, acesse aqui.

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Você é o Repórter

Tutor fala sobre a superação da perda de um animal querido

Mila Fernandes Rocha
mila-rocha@uol.com.br

Os mortos, a gente enterra: temos que cuidar dos vivos. Diante de toda a tragédia que assola a Região Serrana/RJ, o tema eutanásia em animais volta a ser debatido.

Tive quatro gatas que foram humanizadas. Só me restou uma e todas tiveram nome, sobrenome, documentos, álbuns de fotografia, pastas de exames que guardo até hoje…

Quando eu tinha 6 anos, fomos viajar e sem ter com quem deixar a Fafi (minha gatinha) minha família se desfez dela. Carrego até hoje a culpa por não ter chorado mais, gritado mais e dito: Não viajo sem Fafi.. e Fafi se foi.

Minha segunda filha (a da foto) chamava-se Minnie Rocha e me deu sua companhia por oito anos. Um câncer a levou. Vi minha filha agonizar por oxigênio, segurei suas mãozinhas (patas, para os “humanos”) até vê-la partir em cima da minha cama. Não fiz “eutanásia” como muitos propuseram.

Minha outra filha, Tereza Rocha Potiguar (a gatinha de Natal que resgatei), também se foi vítima de FIV (Aids felina).UTI”s, picadas, exames.Ventilação artificial por mais de uma hora. Sem temperatura, sem batimentos cardíacos. Sem dignidade, sem milagres, após meses de luta. Se voltasse do coma (o que era 99% improvável), com gravíssimas sequelas. Deixá-la agonizar sem ar, por quantas horas ficaria em ventilação artificial? Seu corpo já estava tão frio, não respondia a nenhum estímulo. Pela equipe médica da UTI e pela própria veterinária que a acompanhava há anos, fui aconselhada a deixá-la descansar.

É uma desculpa para a eutanásia, não. Apenas um relato. Dois casos por mim vividos, dois finais diferentes. Não aceitamos o fim, a morte do ente querido, a saudade, a falta de seus miados. Restou-me a dor da saudade, e uma só filha: Brigite Rocha, também com FIV. As outras se foram e preciso lutar pela vida de quem ficou.

Será esse o verdadeiro ditado: os mortos a gente enterra….vamos cuidar dos vivos!?

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O dilema do sacrifício

Por Luís Antônio Giron

Luís Antônio Giron, Editor da seção Mente Aberta de ÉPOCA, escreve sobre os principais fatos do universo da literatura, do cinema e da TV (Foto: Reprodução/Época)

A praga de São Longuinho continua. O santo dos pulinhos tem pegado no meu pé desde o Ano Novo, quando saltei as sete ondinhas, não levando a sério sua oração. Longuinho é o santo que o devoto invoca para achar objetos ou causas perdidas. E que, no Reveillon, é o emissor dos bons augúrios. Descobri, porém, que o santo dos achados também é o dos perdidos. Quando você o despreza, parece que é capaz de extraviar ainda mais o que você queria achar. Agora passei a levar o santo a sério – e, na dúvida, vou acender uma vela para ele todo fim de ano, sem zoar quem salta as ondas.

Acaso ou coincidência, o fato é que desde que cometi o deboche herético o meu cotidiano desandou: minha casa destelhou, meu carro submergiu em uma onda de lama (onda, repare bem!) que resultou em perda total. O carro que peguei na seguradora pifou. E, para culminar, uma grande tristeza se abateu sobre minha família: nossa cachorrinha, Sissi, está agonizante há cinco dias. Sei que pode soar leviandade falar de fé, superstição e pequenos reveses caseiros num momento que cidades inteiras foram submersas pela lama no Rio e em São Paulo – e que mais de 600 pessoas morreram por causa disso. Apesar de tudo, em especial o sofrimento maior dos outros, é preciso tocar a vida e enfrentar também os azares mais miúdos. Até porque eles contêm ensinamentos. Vou contar o que se passou.

Odeio lições da vida, mas elas acontecem e ter de ser aprendidas. No último fim de semana, eu me preparava para cobrir o show de Amy Winehouse na Arena Anhembi e, na noite seguinte, assistir pela televisão à entrega dos prêmios do Globo de Ouro, quando a cachorrinha começou a se sentir mal. Sissi está com a gente há oito anos. É um dachshund, o popular salsicha. Sempre foi um animalzinho atento e sensível. Tomava conta da casa, com aquela fúria que só os cães pequenos são capazes de transmitir. Também era a grande amiga de minhas filhas, que se afeiçoaram a ela como se fosse uma filha. Ainda crianças, elas conversavam com Sissi. E se acostumaram a entender seus sentimentos e pedidos. De fato, Sissi criou um código de gemidos, latidos e gestos para se fazer entender.

Pois é, ela se tornou uma integrante da família em um momento histórico em que os animais de estimação estão sendo humanizados a ponto de terem os mesmos direitos de qualquer cidadão racional. Isso ao mesmo tempo que nós, humanos, estamos cada vez mais parecidos com animais domesticados. Os cachorros e gatos já não vão ao veterinário, mas ao médico. Veterinário de hoje quer ser tratado como “doutor”. Eles não comem ração, mas “comida”.

Não são filhotes, mas “bebês”. Suas mandíbulas viraram “bocas”. Seus focinhos, “narizes”. Há cachorros aprendendo a falar como gente por aí. Eles já têm opções de consumo, de alimentação (há até cães vegetarianos), moda e habitação. Agora contam até com seguro de saúde privado.

Desatento como sempre às mudanças do mundo, fui imprevidente e não contratei nenhum seguro para Sissi e Milly, a outra cachorrinha, beagle. Já pressupondo que cães e gatos são gente, imaginei que eles pudessem ser protegidos pelo poder público. Errei. Enquanto dentro das casas os pets são membros da família, fora delas continuam a ser bichos sujeitos à captura e à morte, sem nenhum tipo de direito. Muitos mascotes são reis na vida privada, mas retornam à situação primitiva na vida pública.

Dessa forma, quando Sissi começou a sentir dores e ter convulsões, não pude recorrer a São Francisco, o padroeiro dos animais. Descobrimos que só nós mesmos tínhamos que fazer tudo para salvá-la. Corremos a veterinários, clínicas, hospitais, farmácias, atrás de socorro. E, claro, tudo a preços iguais aos pagos por pacientes humanos. A agonia do cãozinho acontece na mesma velocidade com que o dinheiro sai da conta. É necessário salvar uma vida, e não se economiza numa situação dessas. Afinal, animais domésticos viraram pessoas. Neste momento, minhas filhas estão preocupadas com o destino de seu “bebê”, chorando com um desespero que não posso dizer que não seja legítimo.

Não era assim até uns 20 anos atrás. Antes, o recurso ao sacrifício do animal era legítimo e banal. Mas agora, da mesma forma que não aguentamos mais matar galinha para prepará-la no almoço, não conseguimos mais pensar em executar um bicho, mesmo que seja por misericórdia. Não existe mais eutanásia para os bichos de estimação. O sacrifício se converteu em tabu. Até o verbo “sacrificar” é proibido de ser mencionado.

Como as coisas mudaram. Quando eu tinha 8 anos, em 1968, perdi meu cachorro de estimação. Ele foi envenenado com um bolo de carne. Lembro como sofri ao ver o animal estirado, agonizante, olhando para mim como dizendo adeus. E de meu pai dizendo que o veterinário daria uma injeção para que ele descansasse e não sofresse mais. Anos mais tarde, outro cachorro meu teve de ser sacrificado porque já não conseguia mais andar. Tive de me acostumar com a situação. Esses acontecimentos para uma criança dos anos 60 e 70 funcionavam como um ensaio para enfrentar os fatos da vida, da morte da finitude. Éramos assim treinados para lidar com a morte de entes queridos, que cedo ou tarde ia acontecer. No meu caso, quando aconteceu, não adiantou nada. Sofri a perda de meu pai, de parentes e de amigos do modo mais doloroso possível.

Com o tempo e a maturidade, vamos perdendo a sensibilidade para sentir a perda de mascotes. Desenvolvi uma carapaça, um escudo, que, na impressão de minhas filhas, por exemplo, me faz parecer duro com os animais. Explico a elas que é uma forma de anestesia para não sofrer tanto. Uma anestesia cujo efeito passa tão logo me deparo com um animalzinho como Sissi sofrendo desamparado na minha frente. Não acredito na tal “escola do sofrimento”. A gente sofre, tem de sofrer – e pronto. É um fato inevitável e devastador da existência.

Fiz essa digressão para explicar que o sacrifício de um animal é algo que para mim não é escandaloso. Não gosto da ideia da eutanásia humana, mas compreendo que o indivíduo tem direito de não sofrer. Os animais não têm vontade, e, por isso, somos responsáveis por eles. Se notamos que a vida deles está insustentável, não vejo por que não aliviar o sofrimento com uma injeção.

Por isso, como um ser arcaico, tentei explicar às minhas filhas sobre a situação de Sissi, sobre o destino dos bichos, que vivem menos que a gente e têm de morrer, e precisamos enfrentar a situação. “Mas ela ainda resiste, ela vai melhorar, ela não pode morrer, ela é meu bebê”, disseram.

Não prossegui na conversa, com medo de parecer um monstro. Mas o que fazer se ela continuar a ter convulsões? Os recursos da veterinária evoluíram de forma a prolongar a vida dos bichos – e isso não me parece ter sentido. Até os veterinários devem me considerar um ser cruel e impiedoso. Antigamente, eles executavam os animais condenados. Hoje, pensam trezentas vezes antes de praticar o ato. Eles também são contaminados pelo tabu da humanização dos bichos. Hoje é obrigação ser politicamente correto até com os vira-latas. Hoje eles são chamados “cães sem raça definida”. Não há mais carrocinhas, mas “centros de controle de zoonoses”. E assim por diante.

Vou ser muito sério agora. Se você, domesticado tutor de animal de estimação tivermos de sacrificá-lo porque foi desenganado – e, pior, tiver crianças em casa -, terá de enfrentar o seguinte dilema: ou proceder à execução sem dar maiores explicações, o que é encobrir a realidade, ou manter o bicho agonizando até morrer, e assim mostrar a pessoas imaturas como a vida é dura e triste. Você terá de optar por dois tipos de sacrifício. De qualquer das duas formas, não há religião que console quem sofre, com a promessa de um céu para cães e gatos. O que você faria no meu lugar? Eu continuo a alimentar a esperança de que Sissi viva. Vou enfrentar quaisquer das situações, mas minhas filhas não estão preparadas para isso. Elas e muita gente.

A mudança de condição dos mascotes, de animais de estimação a seres quase-humanos, requer uma mudança no plano ético e moral de nossa parte. Os antigos valores em relação aos animais já não valem mais nada. Talvez a solução seja criar um sistema legal, religioso e médico que nos ajude, animais e cidadãos, a prevenir os danos de sermos mortais.

Fonte: Época

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Projeto de lei prevê acordo para guarda de animais de estimação após separação

Um projeto de lei determina que um juiz deve decidir quem vai ficar com o animal de estimação nos casos de separação litigiosa de casais. O texto está tramitando no Congresso Nacional.

Há oito anos, Gucci chegou à casa da fonoaudióloga Camila Starling, como presente de um namorado. Quando a relação terminou, eles tentaram fechar um acordo. “Ele falou que gostaria de ver o cachorro às vezes. Falei que tudo bem. Só que, depois, a situação se inverteu. Ele fica com o cachorro e, sempre que posso, pego”, contou ela.

A advogada Simone Andrade disse que, depois da separação, Arthurzinho e Jade ficaram com ela. O ex-marido sempre visitava os bichinhos. Mas ele casou de novo e resolveu, por conta própria, pagar uma pensão para os dois. “Eles são como filhos para mim”, afirmou a advogada.

Mas nem sempre a partilha dos animais de estimação é tranquila. A veterinária Eliane Silva da Criz já presenciou mutias brigas.

O Congresso Nacional está analisando um projeto de lei para os casos de separação litigiosa. Segundo o texto, se não houver acordo, o juiz decide com quem fica o animal. De acordo com a proposta, há possibilidade da guarda unilateral ou compartilhada, e os tutores devem combinar, em audiência, os direitos e deveres de cada um. Quem descumprir, perde a guarda.

Assista ao vídeo da reportagem, clicando aqui.

Fonte: G1


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Serviço de cat sitting garante a tranquilidade de gatos e tutores

(da Redação)

Os gatos são animais muito sensíveis a mudanças na rotina, por isso costumam apresentar uma difícil adaptação em hotéis e em ambientes com que têm pouca familiaridade.

foto da gatinha tica em seu ambiente familiarPensando nisso, foi criado em São Paulo um serviço que já é bem conhecido e utilizado na Europa e nos Estados Unidos: o Cat Care, um tipo de pet sitting especializado em gatos, que consiste em oferecer cuidados aos gatos em domicílio, quando seus tutores viajam ou precisam se ausentar de casa por períodos mais longos. O cat sitter (profissional especializado em cuidados com gatos) vai até a casa do tutor e permanece no local por um período de horas predeterminado para cuidar especialmente do animal.

Entre os cuidados oferecidos pelo Cat Care estão a higienização do pipicat e a reposição de água e comida, além da recreação e a aplicação de medicamentos. Alguns serviços especiais como enviar fotos do animal e consultoria e aplicação de florais também fazem parte do cardápio de cuidados oferecidos pelo projeto.

O serviço, que ainda é uma novidade no Brasil, já começa a atrair interessados, conta a idealizadora paulistana Fernanda Franco, que diz ter criado o projeto por ter percebido uma preocupação muito comum entre as pessoas que cuidam de gatos: “Confesso que fui motivada pela minha paixão por gatos, animais com quem eu sempre tive uma grande identificação e com os quais convivo há 20 anos. Mas a ideia veio mesmo quando me dei conta de que, como eu, muitas pessoas viajam e não têm alguém de confiança para cuidar do seu animalzinho de estimação, durante esse período de ausência. Conheço gente que não viaja nunca por esse motivo. E a proposta do Cat Care vem com um diferencial importante: levar os cuidados de que o animal precisa, mantendo-o no conforto da sua casa, que, diferentemente dos hotéis para animais, proporciona o aconchego por ser para eles um ambiente conhecido. Gatos sofrem muito com mudanças e o nosso objetivo é fazer com que eles se sintam bem e seguros, enquanto seus tutores estiverem ausentes”, afirma Fernanda.

imagem do portal de atendimento do Cat CareEla relata que o trabalho realizado é muito gratificante e ao mesmo tempo exige muita responsabilidade e dedicação. “Antes de iniciar o trabalho, o tutor preenche um questionário completo com informações sobre a saúde do animal, sobre o temperamento, preferências, sobre a casa, e todos os detalhes possíveis para garantir o conforto do animal”, declara a criadora do projeto.

O serviço, que é cobrado por hora de permanência no local, pode ser solicitado pelo portal Cat Care Service – um site simples e objetivo, que contém também um pequeno guia de informações sobre animais disponíveis para adoção em vários lugares do país.

O atendimento, por enquanto, contempla a região de São Paulo, mas, segundo a idealizadora do projeto, promete expandir para outras regiões dentro do estado paulista.

Para receber informações mais detalhadas sobre o trabalho de cat sitting realizado pelo Cat Care ou para esclarecer eventuais dúvidas, é possível acessar pelo site ou enviar um email para catcareservice@yahoo.com.br .

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