Destaques, Notícias

Dia do Meio Ambiente: o que restará da natureza nas mãos de Bolsonaro?

DIEGO BRESANI/DIVULGAÇÃO

Bolsonaro prometeu e cumpriu. No período eleitoral, ao dizer, entre outras frases, que existia uma fábrica de multas ambientais no Brasil, expôs seu interesse em destruir a natureza. E durante seu governo não esqueceu um só dia do que prometeu.

Neste 5 de junho, Dia Mundial do Meio ambiente, instituído em 1974 pela Organização das Nações Unidas (ONU), fica a reflexão sobre a responsabilidade do voto de cada eleitor e a certeza de que ações individuais no combate à destruição da natureza são essenciais, mas sozinhas não são capazes de frear crimes ambientais, especialmente quando se tem no poder um político que banaliza esses crimes e os incentiva ao defender o desenvolvimento econômico a qualquer custo.

Dentre os retrocessos do governo federal, está a ação decorrente da tal “fábrica de multas imaginária” de Bolsonaro. Embora exista apenas na cabeça do presidente um esquema para multar indevidamente criminosos ambientais, ações foram tomadas pelo político de extrema-direita contra esse cenário criado por ele, começando pela implementação, em abril de 2019, de um órgão para perdoar multas ambientais. Nunca existiram, no entanto, multas indevidas. O que existe, e Bolsonaro sabe disso, são punições acertadas contra crimes ambientais. O presidente, porém, é contrário ao combate a desmatadores porque escolheu um lado: o do agronegócio, que destrói a natureza em nome do lucro.

E o perdão a multas ambientais já surtiu efeito. Conforme denunciado pela Human Rights Watch, organização internacional de direitos humanos, as medidas adotadas pelo governo levaram, na prática, à suspensão das multas aplicadas por desmatamento ilegal na Amazônia.

De acordo com a ONG, desde outubro de 2019 os agentes do Ibama estariam aplicando as multas e notificando o infrator sobre uma audiência de conciliação para revisão dos valores – medida adotada por iniciativa de Bolsonaro graças ao órgão criado para perdoar multas ambientais. Com isso, os autos de infração ficariam suspensos até a audiência ser realizada. No entanto, essas audiências não estão acontecendo, pelo menos não na frequência que deveriam ocorrer. Isso porque apenas cinco audiências foram feitas de outubro de 2019 até abril de 2020, segundo a entidade.

As provas de que essa tática do presidente de beneficiar a agropecuária em detrimento do meio ambiente tem funcionado são os dados oficiais sobre o desmatamento. Bolsonaro coleciona recordes. No entanto, eles não são nada positivos. Dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgados em maio, revelaram um aumento no desmatamento da Floresta Amazônica. Em abril deste ano, a área desmatada superou o que foi registrado nos últimos 10 anos. Foram 529 quilômetros quadrados destruídos.

Estudos também expõem o desmonte ambiental deste governo. Um deles, de autoria da MapBiomas, mostra que o país perdeu cerca de 12.000 km² de floresta no último ano. A outra pesquisa, feita pela Fundação SOS Mata Atlântica, sinalizou o aumento de 27% na destruição de florestas tropicais no leste do Brasil.

Queimadas na Amazônia aumentaram durante governo Bolsonaro (Foto: Daniel Beltrá/Greenpeace)

Os dados mostram, inclusive, que além da Amazônia, a Mata Atlântica não ficou livre da ação desastrosa do presidente. Entre 2018 e 2019, período da ascensão do governo Bolsonaro, foram desmatados 14.502 hectares da floresta, um crescimento de 27,2% em comparação ao período anterior. Os dados são do Atlas da Mata Atlântica, da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), publicado em maio de 2020.

Não bastasse o desmatamento registrado na Mata Atlântica, o ministro de Meio Ambiente, Ricardo Salles, publicou em abril um ato administrativo que anistia os desmatadores da floresta. A ação do ministro levou o Ministério Público Federal (MPF) a pedir ao Ibama que desconsidere a decisão de Salles e proteja a Mata Atlântica. O MPF entende que as instituições devem manter as interdições, autos de infração e outras sanções aplicadas aos proprietários rurais que ocuparem de maneira ilegal e degradarem o bioma.

Mas a postura destrutiva de Salles em relação à natureza – o que revela uma triste ironia, já que ele deveria proteger as riquezas naturais devido ao seu cargo – não se restringe ao ato administrativo condenado pelo MPF. Isso porque, em 14 de abril, o ministro assinou a exoneração do diretor de Proteção Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Olivaldi Azevedo, logo após o Ibama realizar uma megaoperação contra madeireiros e garimpeiros que, ilegalmente, estão avançando contra terras indígenas no Pará, devastando a natureza e colocando em risco a vida dos indígenas.

Dias depois, na madrugada de 30 de abril, duas semanas após coordenarem a mesma operação na qual Olivaldi esteve envolvido, dois chefes do setor do Ibama responsável por executar grandes operações de repressão a crimes ambientais no Brasil foram exonerados pelo ministro do Meio Ambiente e pelo presidente do Ibama, Eduardo Bim. Elogiados pelo trabalho que realizavam em prol da natureza, os servidores concursados Renê Luiz de Oliveira, coordenador-geral de fiscalização ambiental, e Hugo Ferreira Netto Loss, coordenador de operações de fiscalização, foram exonerados após executarem as ações em prol dos indígenas – povo que defende de maneira ferrenha os recursos naturais e é alvo do desprezo de Jair Bolsonaro, que afirmou repetidas vezes, durante o período eleitoral, que os indígenas não teriam, durante seu governo, direito sequer a 1 cm de terra demarcada. Os ataques renderam péssimos e esperados frutos: a morte de indígenas atacados por pecuaristas, garimpeiros e madeireiros.

Queimada na floresta amazônica na cidade de Boca do Acre (AM) (Lula Sampaio/AFP)

No caso do servidor Renê Luiz de Oliveira, a exoneração foi seguida da nomeação para o cargo do coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo Walter Mendes Magalhães Júnior, que já pertencia ao Ibama desde o ano passado. A prática de colocar militares em órgãos ambientais é constante no governo Bolsonaro. O aparelhamento tem razão de ser: militares são conhecidos por desprezar a preservação ambiental desde à época da Ditadura Militar e, portanto, se alinham à política antinatureza do presidente do Brasil, que, inclusive, submeteu ações do Ibama e ICMBio na Amazônia ao comando de militares, retirando a autonomia dos órgãos.

São muitas as medidas contrárias ao meio ambiente promovidas pelo político autoritário e antidemocrático que comanda a presidência do Brasil, e também por seus ministros e aliados. Bolsonaro, que já afirmou que políticas ambientais prejudicaram o crescimento do país, revogou decreto que protegia a Amazônia e proibia a expansão da cana-de-açúcar na floresta, e apresentou projeto de lei, de sua autoria, que pretende autorizar a exploração de terras indígenas por meio da construção de hidrelétricas, prospecção de petróleo e gás, agricultura, pecuária, mineração, extrativismo e turismo.

Além disso, em reunião ministerial realizada em 22 de abril, o ministro de Meio Ambiente afirmou que a pandemia de coronavírus estava tomando a atenção da imprensa e que, por isso, isso seria uma “oportunidade” para “ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas [ambientais] (…) de baciada”. Numa declaração que deixa claro seu interesse de levar adiante sua agenda desenvolvimentista pautada na destruição da natureza, Salles afirmou que este momento vivido pelo país é uma “oportunidade que nós temos, que a imprensa (…) está nos dando um pouco de alívio nos outros temas (…) e passar as reformas infralegais de desregulamentação”.

(Foto: Mayke Toscano/Gcom-MT)

Uma única reportagem publicada pela Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA), no entanto, é insuficiente para citar todos os retrocessos do governo no que se refere à agenda ambiental.

Antes mesmo das eleições, ativistas, ambientalistas, políticos e instituições fizeram alertas sobre o risco que Bolsonaro representava para o meio ambiente e, por consequência, para os animais. Não foram ouvidos. Hoje, após a “tragédia anunciada” que se tornou o governo de Jair Messias Bolsonaro, não faltam críticas muito bem fundamentadas contra a agenda ambiental inexistente do governo federal. E apesar de um número maior de pessoas ter passado a considerar tais críticas, muitos ainda não entendem que não se trata apenas de Bolsonaro, mas sim de qualquer político que coloque os interesses de um pequeno grupo detentor de dinheiro e poder na sociedade acima da preservação ambiental.

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, fica o pedido de socorro feito pela natureza, que implora por mais consciência por parte da humanidade em todos os momentos, inclusive diante da urna eleitoral.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


​Read More
Notícias

Dia Mundial do Meio Ambiente: aumento da devastação ambiental é alarmante

O Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho, foi criado em 1972 pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Na data, ONGs lançam, todos os anos, manifestos e medidas para alertar sobre a necessidade de preservação do meio ambiente. No mesmo dia é celebrado também O Dia da Ecologia.

(Foto: iStock.com / eppicphotography)

A exploração irresponsável e gananciosa dos recursos naturais tem causado devastação em todo o mundo. No Brasil, o cenário está se tornando cada vez mais preocupante. Dados indicaram que os primeiros 15 dias de maio foram os piores no mês em uma década, com 19 hectares de floresta amazônica sendo destruídos por hora, em média. O número é o dobro do que foi registrado no mesmo período em 2018.

Além disso, um estudo feito pela ONG Conservação Ambiental concluiu que o Brasil e os Estados Unidos lideram uma tendência mundial de retrocessos ambientais. De acordo com o levantamento, 85 atos legislativos foram promulgados no Brasil, entre 1900 e 2017, atingindo uma área de 114.856 quilômetros quadrados de floresta – o equivalente a praticamente metade do estado de São Paulo. Desses, 60 afetaram a Amazônia, região que perdeu mais de 90 mil quilômetros quadrados de proteção devido a mudanças legislativas.

O Brasil, ainda de acordo com o estudo, é responsável por 87% dos retrocessos em áreas protegidas da Amazônia, em um levantamento que abrange outros oito países amazônicos.

Ministra do Meio Ambiente entre 2010 e 2016, a bióloga e ambientalista Izabella Teixeira explica que retrocessos ambientais podem ter diversas origens. “Precisaríamos identificar caso a caso para saber. Mas há natureza técnica, política e econômica. Do ponto de vista político, isso remete a uma situação de fragilidade e de não priorização da política ambiental. É muito comum que interesses econômicos sejam preponderantes a interesses da biodiversidade, mas isso é só um contexto: vejo como algo muito grave”, disse Teixeira, em entrevista à BBC News Brasil.

(Foto: AP Photo/NOAA Pacific Islands Fisheries Science Center)

Para o geógrafo Carlos Minc, que foi ministro do Meio Ambiente entre 2008 e 2010 e atualmente é deputado estadual, o cenário, que ele considera assustador, “reflete a força da bancada ruralista e a cumplicidade de vários governos estaduais”.

O jurista, historiador e diplomata Rubens Ricupero, ministro do Meio Ambiente entre 1993 e 1994, reforça que “o atual governo vem contribuindo para agravar o quadro pela posição pessoal e o exemplo altamente negativo do próprio presidente da República”.

“O sistemático desmantelamento do sistema já precário do Ibama e do ICMBio estimula maiores violações dos espaços ainda protegidos e desencoraja a ação dos fiscais. Isso sem mencionar os numerosos projetos em tramitação no Congresso, que terão certamente impacto igualmente destruidor”, disse Ricupero à BBC.

O desmatamento, no entanto, não é o único problema que tem afetado o meio ambiente no mundo. A poluição, especialmente aquela causada pelo plástico, tem devastado ecossistemas e tirado a vida de animais, principalmente os marinhos. No oceano Pacífico, entre a costa do estado norte-americano da Califórnia e o Havaí, 80 mil toneladas de plástico compõe um “ilha de lixo” de 1,6 milhão de quilômetros quadrados. As consequências dessa quantidade extrema de plásticos nos oceanos, caso ações para reverter esse cenário não sejam executadas, são graves: segundo um estudo feito pelo Fórum Econômico Mundial de Davos em parceria com a fundação da navegadora Ellen MacArthur e a consultoria McKinsey, os oceanos terão mais plástico do que peixes até 2050. A pesquisa concluiu que a proporção de toneladas de plástico por toneladas de peixes era de uma para cinco em 2014, será de uma para três em 2025 e vai ultrapassar uma para uma em 2050.

(Foto: Pixource/Pixabay)

A poluição do ar também é considerada alarmante e será tema, inclusive, da conferência internacional do Dia Mundial do Meio Ambiente, sediada pela China e promovida pela Organização das Nações Unidas no quadro da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima. O objetivo é incentivar governos, indústrias, comunidades e indivíduos a usar a energia renovável e as tecnologias verdes, bem como melhorar a qualidade do ar em todo o mundo, já que a poluição tem gerado cerca de 7 milhões de mortes humanas e afetado, também, os animais.

“A China será uma grande anfitriã global das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente em 2019. O país demonstrou liderança no combate à poluição do ar internamente e, agora, pode ajudar a estimular outras partes do mundo a agirem. A poluição do ar é um desafio global e urgente que afeta a todos. A China irá, agora, liderar o impulso e estimular a ação global para salvar milhões de vidas”, declarou Joyce Msuya, diretora-executiva interina da ONU Meio Ambiente, ao portal Nações Unidas Brasil.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. Doe agora.


 

​Read More
De olho no planeta

Taj Mahal desenvolve ações para combater à poluição plástica

O ponto turístico mais importante da Índia, o Taj Mahal, juntamente com outros 100 monumentos indianos, está pronto para combater o descarte de lixo em seus arredores.  

A ação é resultado de um comprometimento pioneiro da liderança indiana para proteger os marcos históricos do país da poluição do plástico.

O Ministro de Estado da Índia para o Meio Ambiente, Floresta e Mudança Climática, Sr. Mahesh Sharma, liderou os participantes em uma declaração de compromisso a longo prazo para combater a poluição por plásticos na cidade de Agra e outras arredores.

“Com a nossa promessa hoje, a Índia está enviando hoje uma mensagem ao mundo de que podemos vencer a poluição do plástico. Estamos empenhados em tornar as periferias de 100 monumentos históricos na Índia livres de lixo ”, disse o Sr. Sharma.

Alguns dos compromissos incluem: criar um limite de até 500 metros ao redor do Taj Mahal para evitar o lixo; segregar resíduos de plástico gerados perto do monumento para reciclagem; encorajar o turismo consciente com o tema ‘Beat Plastic Pollution‘ e lançar campanhas de conscientização dos consumidores sobre o impactos negativos de plásticos de uso único, mudando assim os padrões de consumo na cidade.

“O Taj Mahal é um símbolo mundialmente reconhecido da beleza da Índia, então é ainda mais importante que Agra envie uma mensagem de sustentabilidade para o mundo!” disse Erik Solheim, chefe do ambiente da ONU.

Além de Agra, a ação de combate à poluição plástica também se estenderá para periferias de 100 monumentos históricos na Índia livres.

A atriz Dia Mirza também elogiou a declaração: “Estou extremamente orgulhosa e honrada por estar aqui, não apenas como Embaixadora da Boa Vontade da ONU, mas como cidadã deste país. O Taj Mahal é um símbolo de amor e com esta declaração, queremos enviar uma mensagem ao mundo sobre o amor que precisamos devolver à nossa terra, unindo-nos ao movimento para vencer a poluição plástica e reduzir nosso consumo de plástico descartável.”

Taj Mahal, monumento mais famoso da Índia
O Taj Mahal recebeu cerca de 6,5 milhões de visitantes em 2016. No início do ano autoridades indianas restringiram o número de turistas por dia.

O Taj Mahal é um mausoléu secular na margem do rio Yamuna de Agra. Sua fachada de mármore branco é o marco mais reconhecido da Índia, e as pessoas viajam de todo o mundo para testemunhar sua beleza. Comprometendo-se a proteger o patrimônio histórico da poluição por plásticos, a liderança da Índia se comprometeu a tomar medidas drásticas para a mudança.

​Read More
De olho no planeta

Imagens mostram população de Nova Delhi imersa em lixo plástico

Um mar de lixo assola a favela Taimur Nagar na capital da Índia, Nova Delhi, uma das cidades mais poluídas do mundo. De todos os ralos jorram lixo, que fica abandonado em meio aos barracos, configurando um estado de calamidade.

Garrafas de plástico, sacos, embalagens de comida e outros detritos saem a todo momento de um dreno que termina na favela, deixando a água malcheirosa e entupindo as estradas.

Local cheio de lixo
Taimur Nagar é uma das muitas favelas em Delhi e inúmeras outras cidades indianas que lutam para lidar com o lixo, particularmente a poluição plástica que é o tema principal do Dia Mundial do Meio Ambiente.

Hoje a Índia sedia o Dia Mundial do Meio Ambiente, mas a conscientização que promove está longe da realidade dos habitantes de Taimur Nagar. O evento ocorre em meio a esforços globais para reduzir a dependência do plástico descartável. No início deste ano, Theresa May prometeu eliminar os resíduos de plástico da Grã-Bretanha até 2042.

O país deve organizar limpezas de praia, uma exposição de tecnologia verde e instalações de arte – símbolos de sua crescente influência econômica. Um engenheiro, Rajagopalan Vasudevan, desenvolveu um processo em que os resíduos plásticos são triturados e usados ​​em novas estradas.

Porém o problema da Índia ainda é muito maior. Anualmente a nação produz cerca de 5,6 milhões de toneladas de resíduos plásticos, segundo dados do governo, com Delhi entre as piores cidades para consumo de plástico.

Taimur Nagar é um grande exemplo disso, e de quão grande é o desafio de enfrentar seu desperdício. Apesar da cidade ter proibido as sacolas plásticas em 2009, pouco tempo depois as expandiu para todas as embalagens plásticas e descartáveis ​​de uso único. A proibição de embalagens plásticas e sacos raramente é aplicada. Os sacos de plástico ainda são o alimento básico para o transporte de vegetais, frutas, carnes e delivery de restaurantes.

Criança no meio do lixo
‘Você pode ver quão ruins são as condições aqui. Está completamente entupido de plástico – disse Bhola Ram, uma moradora da periferia.

Os residentes de Taimur Nagar conhecem pouco dos perigos do plástico não biodegradável para o abastecimento de água, e devido a isso continuam a a frequentar as águas infectadas.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  Acostumados com a sujeira, alguns moradores dizem que estão resignados com seu destino. “É como viver no inferno. Você pode ver que há lixo plástico em todos os lugares. Somos pobres e não temos escolha senão viver e morrer aqui ”, disse Shreepal Singh, um comerciante de lixo.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          
Na estação chuvosa, a água suja dos esgotos entra nas casas com as famílias tendo que lidar com o lodo e o mau cheiro. Os moradores dizem que as crianças da comunidade freqüentemente faltam à escola porque estão com problemas no estômago ou malária.

Apesar de ter proibido o uso de sacolas plásticas em 2009, a cidade não teve melhoras pois falta fiscalização. A miséria também piora a situação.



“Minha neta continua ficando doente. Todas as crianças aqui frequentemente faltam à escola porque estão com diarréia ou malária”, disse Birambati Devi, dona de casa, enquanto muitos porcos se alimentavam em um malcheiroso depósito de lixo nas proximidades.

O Taimur Nagar está espremido entre os empreendimentos residenciais de qualidade superior. O subúrbio de Delhi permanece escondido das principais estradas, e de medidas efetivas para o combate ao plástico.

Suas condições insidiosas contam uma lamentável história sobre o crescimento econômico desequilibrado da Índia, bem como sobre décadas de negligência, apesar da promessa do primeiro-ministro Narendra Modi de limpar o país até o final do mandato, em 2019.

Porém as condições nem sempre foram tão ruins. “Quando cheguei aqui, há 40 anos, o ralo tinha água limpa. A área não estava tão suja. Mas como mais e mais pessoas começaram a viver aqui, as coisas pioraram ”, disse Saroj Sharma, mãe de três filhos.

A Índia, terceira maior economia da Ásia, teve 14 das 15 piores cidades do mundo em ar sujo, em recente pesquisa da Organização Mundial de Saúde. Delhi melhorou seu ranking para o sexto lugar da cidade mais poluída em 2014.

‘Eu não acho que a cidade jamais será limpa. As condições nunca vão melhorar ”, disse Sallu Chowdhary, que usava uma máscara preta quando se preparava para a faculdade. “Ninguém é sério sobre este problema, nem mesmo os locais que têm que sofrer todos os dias”.

A esperança é que sediando o Dia Mundial do Meio Ambiente, focado justamente no plástico, a Índia possa exercer ações mais efetivas em locais que a miséria faz vítimas.

​Read More
Dados da UNEP mostram que 89% dos lixos plásticos no mar são itens de plástico de uso único, escancarando a irresponsabilidade da utilização dessas embalagens (Foto: Pixabay)
De olho no planeta

ONU lança relatório com materiais alternativos ao plástico

Com o intuito de reduzir o lixo plástico no mundo, a ONU Meio Ambiente publicou nesta sexta-feira (1) um relatório listando materiais e métodos alternativos para um consumo consciente.

O relatório destaca algumas alternativas convencionais, bem como soluções menos óbvias: incluindo algas, fungos e folhas de abacaxi.

O oceano tornou-se um depósito de plásticos e microplásticos descartados. O acúmulo de lixo nos mares é responsável por impactos sociais, econômicos e ambientais significativos.

Não é possível, nem desejável, remover todos os plásticos da sociedade. No entanto, é imprescindível a consciência acerca da gravidade da situação. E ela parece estar sendo conquistada.

 O número de governantes e consumidores que já constataram a necessidade de alternativas sustentáveis ao plástico é crescente.

O relatório descreve uma variedade de materiais alternativos que podem substituir plásticos de uso único, sempre que possível. Existem situações – particularmente na área médica – em que o plástico fornece um uso essencial. 

Mas muitas vezes, materiais naturais e tecnologias alternativas podem ser usados ​​para romper a dependência de plástico descartável.

Sacola plástica boiando no oceano
Embalagens e outros itens de uso único constituem grande parte do lixo plástico despejado no oceano

“Mudar de plástico descartável para alternativas sustentáveis ​​é um investimento no futuro a longo prazo do nosso meio ambiente”, disse Erik Solheim, diretor da ONU para o Meio Ambiente.“O mundo precisa adotar outras soluções além do plástico descartável de uso único”

Já são 25 estudos de caso no mundo que ilustram várias aplicações para reduzir o uso desnecessário de plásticos descartáveis.

O relatório contribui para o debate de como tornar o uso do planeta mais sustentável, citando vários dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

É essencial aumentar a conscientização global sobre os impactos sociais, econômicos e ambientais de nossa atual relação com plásticos descartáveis. Delinear um amplo conjunto de alternativas é uma missão assumida pela ONU, que dispõe de alternativas sobre como quebrar o vício global plásticos de uso único.

“A ciência pode ajudar as empresas a desenvolver soluções verdes e inovadoras”, disse Jian Liu, cientista-chefe da UN Meio Ambiente. “Há grandes oportunidades de negócios e emprego no desenvolvimento de novos materiais alternativos que podem substituir os plásticos descartáveis”

O relatório é lançado coincidindo com o Dia Mundial do Meio Ambiente de 2018, comemorado anualmente no dia 5 de junho, com o tema: “Beat Plastic Pollution”. O dia é um apelo à ação das comunidades para combater este crescente desafio às nossas sociedades

​Read More
Você é o Repórter

Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorar o quê?

Aramy Fablicio
aramy.fablicio@gmail.com

Em 5 de junho comemora-se o dia mundial do meio ambiente, mas comemorar o quê? A devastação das florestas, a extinção dos animais, o eco das motosserras floresta adentro, a agonia das plantas e dos animais ardendo no fogo. Animais aprisionados em jaulas, gaiolas e correntes servindo como objeto de prazer sádico dos humanos. Os animais abatidos pelo caça. Os maus-tratos sofridos pelos animais, sejam selvagens, domésticos ou domesticados. O sofrimentos dos animais usados como cobaias para testes e vivissecções. O extermínio dos índios e suas terras tomadas, as leis ambientais estúpidas que favorecem os interesses dos latifundiários e não a conservação da natureza. A construção de usinas nucleares, a fabricação de bombas atômicas, como se não bastassem os exemplos de Hiroshima e Nagasaki, o vazamento nos anos oitenta nas usinas nucleares de Chernobyl na Rússia e Angra dos Reis aqui no Brasil e até o recente problema no Japão, na usina de Fukushima. O vazamento de óleo no Alasca do navio Exon Valdez e na Baia de Guanabara pela Petrobrás e tantos e tantos exemplos. Comemorar a ambição e ganância dos governantes que só visam progresso desordenado sem respeitar o meio ambiente. Comemorar as ONG’s picaretas que usam o nome da natureza para ganhar dinheiro. O enriquecimento das multinacionais com ddt’s causando a extinção de plantas e animais e envenenando os humanos e todo o planeta. A hipocrisia das grandes empresas que usam a mídia para mascarar todo mal que causam à natureza. Comemorar a desertificação que causa mais miséria e fome em todo mundo, a água potável cada vez mais escassa e o aquecimento global. O comprometimento com a qualidade de vida da atual geração e das futuras gerações.

Como diminuir o tráfico de animais

“Os governos deveriam investir em políticas socioambientais, melhoria na capacitação dos policias florestais, abrir concurso público com critérios que busquem atrair pessoas que realmente tenham interesse com a causa ambiental. Hoje temos sede do IBAMA e policiais florestais apenas em grandes cidades dos estados, creio que esse trabalho de combate aos crimes ambientais deveria ser descentralizado, em cada município pequeno deveria existir pelo menos uma sede ou posto do IBAMA com funcionários para que a população pudesse recorrer em caso de crimes ambientais e melhor fiscalizar. Apenas ligar para o 0800 da Linha Verde não resolve, pois hoje não temos pessoas suficientes para fiscalizar”. Como melhorar a qualidade de vida no planeta se o homem nem se quer respeita os direitos dos animais?”, alega o ambientalista Aramy Fablício.

Além dessas medidas, é necessário que se mude a lei de crimes ambientais. “Acredito que se o Ibama e a polícia tivesse autonomia para agir como se age contra o tráfico de drogas a coisa funcionava. Assim como não se tolera o uso de drogas, não devia ser tolerado qualquer cidadão manter um animal silvestre aprisionado em sua casa. Quem estive com a guarda de qualquer animal silvestre deveria ser autuado, pagar multas, ser processado ou preso dependendo do caso. Hoje é comum vermos pessoas circulando livremente com animais silvestres presos”.

Mesmo que tenhamos um bom aparato policial para fiscalizar os crimes ambientais, mas se não houver conscientização da sociedade civil para não comprar os animais selvagens, pouco vai adiantar. Na cidade de Fagundes, muitos já tomaram consciência através dos projetos do ambientalista Aramy Fablicio. Entre esses projetos destacam-se o Biqueira Velha, que utiliza plaquinhas feita de zinco reaproveitado de biqueiras velhas (calhas). As placas com os dizeres “Proibido caçar e capturar animais” são afixadas nas propriedades com o consentimento dos proprietários.

O sucesso desse projeto é tanto que fez surgir outro denominado de Natureza Livre que é uma área de soltura de animais na zona rural de Fagundes. Hoje a maioria dos proprietários de terra do município de Fagundes e cidades vizinhas aderiram ao projeto Biqueira Velha, fazendo com que diminuam os crimes ambientais na região. São atitudes aparentemente simples, mas de grandes resultados, pois hoje podemos encontrar um grande número de animais silvestres. Esses projetos envolvem reciclagem do zinco, educação ambiental para os donos das propriedades e a população, e preservação da natureza.

“Os meios de comunicações tem grande importância na conscientização da sociedade. Na Paraíba e em outros estados do Brasil felizmente temos encontrado bastante apoio da mídia para nos ajudar nas causas ambientais através da divulgação de informações e matérias sobre o assunto. As apreensões realizadas pelo Ibama e outros órgãos ajudam, mas a melhor prevenção é a informação, sensibilização e conscientização da população para não manter animais em cativeiro, nem caçar. As escolas ainda estão longe de cumprir seu papel como agente de conscientização da população, pois pouco se fala em educação ambiental nas salas de aula, imagine agir!”, desabafa Aramy.

Enquanto existem muitos projetos teóricos, a realidade ambiental da Paraíba e do Brasil é bem diferente. Aqui na Paraíba, por exemplo, as aves migratórias como o Bigodinho (Sporophila lineola), Caboclinho Lindo, Papa Capim, Gaturão, entre outras, que vem se reproduzir no período chuvoso corre risco de extinção. O alerta é do Ambientalista Aramy Fablicio que conhece bem essas aves e as observa desde a década de setenta. Segundo ele, cada ano que passa diminui o numero de aves migratórias e nativas devido aos predadores humanos que apreendem ou caçam essas aves e outros animais para comercializar clandestinamente.

“Os capturadores estão cada vez mais com equipamentos sofisticados, como GPS, gaiolas com oito alçapões, redes que capturam de beija-flor a gavião, o que importa é a quantidade e a biodiversidade de animais capturadas, pois assim se ganha mais dinheiro. O mais preocupante é que essas capturas ocorrem justamente no período da reprodução. Eles aliciam jovens e adultos. Alguns jovens deixam até de estudar para capturar animais por ver nesse negócio uma forma lucrativa. Os predadores vêm de várias cidades e estados para capturar os animais. Em Fagundes (PB), muitos moradores já tem consciência e não permitem a captura de animais e chegam a expulsar os traficantes. O que preocupa é que em outras cidades nem todos os moradores não têm essa mesma consciência”, explica o ambientalista Aramy Fablicio.

O mundo moderno sofre consequências ambientais com a ação do homem que tende não só exterminar a vida selvagem, mas também o próprio habitat onde está destinado a viver. “Então, comemorar o quê?”, alerta do ambientalista Aramy Fablício.

Mais informações: www.aramyfablicio.org / E-mail: aramy.fablicio@gmail.com / Tel.: (83) 9955-5534 ou 8868-7218

*Reportagem de Edimilson Camilo

​Read More
Notícias

Dia Mundial do Meio Ambiente: “Muitas espécies. Um planeta. Um futuro”


Os gorilas são uma das espécies seriamente ameaçadas. Foto: AP

“Muitas espécies. Um planeta. Um futuro”. Esse é o slogan que marca o Dia Mundial do Meio Ambiente, que é comemorado hoje. A preocupação com a vida selvagem tem como objetivo reforçar a reflexão sobre o Ano Internacional da Biodiversidade, celebrado em 2010.

Um acordo assinado numa conferência mundial em Johannesburgo em 2002 previa o comprometimento das principais nações do planeta em reduzir em 90% o número de espécies ameaçadas de extinção em 8 anos. Nenhum país conseguiu cumprir a meta – atualmente milhares de espécies estão ameaçadas de extinção – quase 300 delas apenas no Brasil. Contribuem para este quadro deplorável a exploração comercial, expansão populacional desordenada e desastres ambientais – o vazamento de petróleo no Golfo do México, fora de controle desde abril, é a maior catástrofe ambiental da história, com a morte de milhões de animais, entre aves e espécies marinhas nos Estados Unidos.

O Dia Mundial do Meio Ambiente tem suas ações concentradas em Ruanda, na África, país que luta para preservar sua excepcional fauna da extinção, que conta com 50 espécies ameaçadas. No mundo todo serão realizados eventos, concertos e palestras para celebrar a data. Em São Paulo, o Parque Villa Lobos e o Jardim Botânico prepararam programação especial para a data.

Gorilas

Em relatório e documentário recentes, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, adverte para ação urgente necessária para proteção dos gorilas da Bacia do Congo.

Segundo a agência da ONU, se nada for feito para fortalecer as leis ambientais e combater a caça, eles podem desaparecer da região nos próximos 15 anos.

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972, durante a Conferência Mundial do Clima em Estocolmo, para estimular ações mundiais para preservação da fauna e da flora.

Extinção em massa

Ban ressaltou que é preciso parar com a extinção em massa e aumentar a sensibilização sobre a importância vital de espécies que habitam os solos do planeta, florestas, oceanos, recifes de corais e montanhas.

Um novo site lançado pela ONU nesta sexta-feira vai incluir inventários de gases de efeito estufa de 49 organizações das Nações Unidas, com dicas e ferramentas para redução das emissões de carbono.

Com informações de Urbanpost e EcoAgência

​Read More
Notícias

ONG de proteção animal é convidada a palestrar em evento organizado pelo CCZ, no ES

(Da Redação)

O Centro de Controle de Zoonoses de Aracruz, no Espírito Santo, realizará um seminário no dia 03/06 em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente. A coordenação está por conta do Sr. Vicente, daquela entidade. Conforme Dra. Carla/CCZ Vitória-Serra, haverá palestrantes de São Paulo (do CCZ de São Carlos e do CCZ/Guarulhos). A ONG SOPAES (Sociedade Protetora dos Animais do ES) também foi convidada para palestrar, e o médico veterinário Dr. Bruno Hosken/SOPAES já confirmou presença no evento.

A ONG ressalta a importância do apoio a esse tipo de ação, que pode indicar uma aproximação importante para solucionar o problema da superpopulação animal sem crueldade, e sim com projeto de castração em massa, conceitos de posse responsável, parceria CCZ-ONG e outras iniciativas no mesmo sentido.

Quem quiser comparecer pode entrar em contato com a ONG, com antecedência, pelo e-mail administrativo@sopaes.org.br .

(Com informações da Sociedade Protetora dos Animais do ES)

​Read More