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Dia da Mulher: em nome do lucro, fêmeas são exploradas e mortas por humanos

No Dia Internacional da Mulher, devemos refletir: estamos fazendo o necessário para não colaborar com o sofrimento das fêmeas do mundo animal?


Objetificadas, violadas, exploradas, violentadas, feridas e mortas. Esse é o ciclo de vida ao qual fêmeas de diversas espécies são submetidas. Uma vida miserável, repleta de todo tipo de sofrimento, físico e psicológico. No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é necessário lembrar de cada uma delas, integrantes do sexo feminino que não têm um único dia de paz em nossa sociedade.

Cadela explorada para reprodução e venda de filhotes, resgatada em 2018 pelo Instituto Luísa Mell (Foto: Reprodução/Mercy For Animals)

Raras são as espécies que não são vítimas da ganância e da maldade dos seres humanos. Até mesmo as cadelas, tratadas por muitos com carinho, sofrem. As que nascem sem raça, muitas vezes vão parar nas ruas, abandonadas à própria sorte. Passam fome, sede, frio, calor. Suportam chuva, agressões, doenças, atropelamentos. Engravidam e assistem a morte de seus filhotes, que não sobrevivem ao abandono. Assim como elas que, hora ou outra, definham e morrem. As cadelas de raça, no entanto, não se livram do sofrimento por serem cobiçadas pelo ego humano. Pelo contrário, são exploradas para trazerem ao mundo filhotes que serão precificados como se fossem objetos para serem comercializados. Essas cadelas frequentemente vivem presas em gaiolas, submetidas a maus-tratos, em ambientes insalubres, engravidando a cada cio, sem descanso.

Outras fêmeas, como vacas, galinhas e porcas, também não são poupadas pela sociedade. Subjugadas, elas são vistas como objetos a serem usados para garantir algum tipo de benefício aos humanos, como o lucro. Forçadas a engravidar, por meio de um procedimento abusivo e invasivo de inseminação artificial – no qual humanos colocam seus braços quase que inteiros no ânus dos animais -, elas dão à luz bezerros que serão separados delas quase que de imediato. Normalmente, os filhotes permanecem com as mães apenas por 24 horas, para beberem o colostro. O momento da separação é doloroso para ambos. Imagine-se com um dia de vida sendo tirado dos braços da sua mãe. O desespero que um humano sentiria é o mesmo que o bezerro, desprotegido, sozinho, assustado, sente. A vaca, por sua vez, também sofre. É comum que elas fiquem mugindo e procurando pelos filhos. Sempre em vão. Eles nunca são devolvidos a elas. E logo o ciclo de gravidez e sofrimento físico e psicológico reinicia.

Tratadas como máquinas, vacas são exploradas pela indústria leiteira (Foto: Reprodução/Mercy For Animals)

A maternidade é difícil para todas as espécies exploradas por humanos. Neste contexto, nenhuma mãe pode viver ao lado da cria no mundo animal. Porcas, presas a celas gestacionais, onde passam grande parte da vida, sem espaço sequer para se movimentar, frequentemente assistem seus filhotes serem castrados sem anestesia. Desesperam-se, mas não podem fazer nada para protegê-los. A amamentação é feita entre as grades da cela, sem que possa haver um real contato de carinho, de aconchego.

Os pintinhos, quando nascem, nunca são vistos como filhotes que devem viver com as mães. Pelo contrário, são observados apenas de duas cruéis formas: fêmeas que serão exploradas impiedosamente para botar ovos assim que crescerem o suficiente ou machos que serão triturados vivos, ainda filhotes, por não servirem para a indústria dos ovos.

Modificadas geneticamente, vacas produzem leite em excesso e sofrem com infecções nas mamas (Foto: Reprodução/Mercy For Animals)

Mas não é apenas durante a maternidade que as fêmeas sofrem. Toda a vida desses animais é marcada pelo sofrimento. Impedidas de viverem em paz, na natureza, desfrutando de um sítio ou fazenda, na companhia de outros animais da espécie, elas são condenadas ao aprisionamento, muitas vezes em gaiolas, como acontece com as galinhas, que mal podem abrir suas asas, por conta da falta de espaço. Essas aves também sofrem ao terem seus bicos mutilados sem anestesia, sentem dor e são impedidas de fazer o que é próprio da espécie: selecionar o alimento que comem. O bico é cortado para que elas não se mutilem. O estresse ao qual são submetidas é tamanho que elas arrancam pedaços de seus corpos se tiverem os bicos inteiros.

As vacas, alteradas geneticamente para que produzam quantidades absurdas de leite, sofrem com infecções nas mamas, causadas não só pela produção antinatural do líquido, mas também por ferimentos causados pelos equipamentos de ordenha. Como toda infecção, há dor. Quando já estão velhas, doentes e não servem mais para produzir leite, elas são mortas. Muitas vezes, sem forças para andar, são arrastadas, agredidas e carregadas por equipamentos que as içam como se fossem objetos.

Porcas passam a maior parte da vida aprisionadas em celas minúsculas (Foto: Reprodução/Mercy For Animals)

Depois de tanta dor, sofrimento, abuso, essas fêmeas são mortas. E é comum que assistam a morte umas das outras e se desesperem. Em 2012, neurocientistas do mundo inteiro assinaram um manifesto na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, afirmando que mamíferos, aves e outros animais, como polvos, têm consciência. Isso significa que o desespero demonstrado pelos animais ao ver a morte de outro da espécie não é atoa. Eles sabem que serão os próximos. E suportam intenso sofrimento psicológico, seguido do físico, quando chega a vez deles.

No Dia Internacional da Mulher, a reflexão que fica, em relação ao mundo animal, é: estamos fazendo tudo o que podemos? No dia a dia, devemos promover mudanças em nossos hábitos para não sermos responsáveis por tamanho sofrimento. Deixar de consumir tudo aquilo que advenha da dor de um ser que sente e que quer viver e se esforçar para conscientizar as pessoas acerca dessa realidade é o melhor presente que podemos dar a essas fêmeas no dia de hoje.

Desesperada, porca assiste seu filhote gritar de dor ao ser castrado sem anestesia (Foto: Reprodução/Mercy For Animals)
Aprisionadas em gaiolas minúsculas, galinhas sofrem ao serem exploradas para a produção de ovos (Foto: Reprodução/Mercy For Animals)
Após seleção, pintinhos machos são triturados vivos e as fêmeas são separadas para que botem ovos quando crescerem (Foto: Reprodução/Mercy For Animals)

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Notícias

Presidente da ANDA é homenageada por entidade internacional

Foto: Arquivo pessoal/Silvana Andrade
Foto: Arquivo pessoal/Silvana Andrade

Março é considerado o mês da mulher em homenagem a morte de 125 mulheres em um incêndio de grandes proporções na fábrica da Triangle Shirtwaist, em Nova York, em 25 de março de 1911. O acidente chocou o mundo, pois as operárias que eram forçadas a trabalhar mais de 14 horas em condições precárias de segurança do trabalho, estavam sendo mantidas trancadas no local para impedir que tirassem pausas de descanso e para supostamente evitar roubo de materiais. Em homenagem, ONU decretou o Dia Internacional da Mulher no dia 08 de março. Em todo o mundo são realizados eventos, palestras e ações em prol da visibilidade feminina e sua importância como pilares das engrenagens que sustentam esse planeta durante todo o mês de março.

Não é incomum que durante esse mês muitas artistas, escritoras e outras celebridades sejam lembradas e exaltadas por se tornarem ícones de movimentos femininos, mas a rede social suíça Horyou resolveu homenageou cinco ativistas que se esforçam diariamente para a construção de um mundo melhor sem se preocupar com os holofotes da fama.  A Horyou é uma rede social sediada em Genebra, na Suíça, e fundada por Yonathan Parienti. Faz parte de suas ações uma grande plataforma em formato de rede social que reúne 250 mil usuários e 1000 organizações sem fins lucrativos em todo o mundo, entre elas a ANDA, que foi convidada em 2016 e foi a primeira ONG dedicada à defesa dos direitos animais a fazer parte da comunidade.

A entidade é uma plataforma voltada para a promoção do bem social que atua reunindo organizações, personalidades e apoiadores conectados em uma comunidade global por meio da internet. Ela representa uma nova filosofia no meio virtual, onde ideais nobres se tornam ações e a mídia social está a serviço de todos e defende que todas as gerações podem desenvolver um relacionamento mais construtivo por meio da tecnologia.

Entre as homenageadas este ano pela rede social está Silvana Andrade, jornalista, ativista em defesa dos direitos animais e presidente fundadora da ANDA, a primeira agência de notícias dedicada a difusão dos direitos animais em todo o mundo e atualmente a maior da América Latina. “Silvana é presidente da ANDA, a maior agência de notícias sobre direitos animais. Ela e sua equipe ajudaram a aumentar a conscientização sobre a mídia tradicional nos últimos 10 anos, além de defender causas pontuais, como o fim da exploração animal em rodeios e políticas de transporte de animais domésticos por companhias áreas”, diz parte do texto publicado pela Horyou.

“Fiquei muito feliz e honrada com a menção espontânea ao meu nome, entre cinco mulheres homenageadas, no Dia Internacional da Mulher pela Horyou, uma rede social orientada para a ação pelo bem comum, que reúne cerca de 2 mil ONGs em 200 países e mais de 250 mil usuários. Isto desperta ainda mais responsabilidade e compromisso com a causa em defesa dos animais, do planeta e dos mais vulneráveis”, agradeceu emocionada Silvana Andrade através de um post em seu perfil  no Facebook.

Foram homenageadas também Maria Guzman da Fundación Somos Vida, um projeto de apoio a crianças com câncer na Venezuela; Souad Dibi da Association Féminine de Bienfaisance El-Khir a associação oferece apoio legal e educacional para mulheres no Marrocos; Pierrette Cazeau da Haiti Cholera Research Foundation que capacita e ajuda jovens com programas de prevenção do HIV, e assistência médica no Haiti; Marie Louise Kongne da Water Energy and Sanitation for Development que educa a população nas áreas rurais em Camarões em questões como como a gestão sustentável de recursos hídricos.

As mulheres homenageadas fazem a diferença em suas realidades, lutando pela melhoria da vida das pessoas e do planeta. Segundo um estudo do White House Project (Projeto Casa Branca, na tradução livre), ao contrário da maioria das indústrias e postos de trabalho em muitos países onde a desigualdade de gênero é a regra, no setor “sem fins lucrativos” as mulheres representam cerca de 75% de toda a força de trabalho (incluindo voluntários).

Clique aqui e saiba como ajudar a ANDA a defender os direitos animais.

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