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Dia do Índio: precisamos aprender com os indígenas a preservar a natureza

Yanomami em fileira durante encontro de lideranças Yanomami e Ye’kwana contra o garimpo (Victor Moriyama/Divulgação/ISA)

Os índios são grandes defensores da natureza. Frequentemente, eles travam batalhas contra o homem branco para proteger florestas, como ocorreu recentemente em São Paulo, quando índios do povo Guarani-Mbya ocuparam uma área de preservação ambiental para impedir que uma obra da construtora Tenda continuasse levando as árvores ao chão. A ocupação aconteceu no dia 30 de janeiro e se estendeu até o dia 10 de fevereiro. No início de abril, a Justiça proibiu a construtora de realizar obras no local por entender que “há potencial risco de dano ao meio ambiente e ao direito indígena”.

E é pela postura dos índios diante da natureza que a data de hoje, 19 de abril, Dia do Índio, deve ser vista como uma oportunidade para observarmos o que nós, pessoas que vivemos na cidade, estamos fazendo para preservar a natureza e, em seguida, nos questionar: porque fazemos tão pouco ou, pior, muitas vezes não fazemos nada?

Vivendo tão longe da natureza, como a maior parte de nós vive, é importante não só tomar pequenas atitudes – como preservar árvores existentes nas cidades em que vivemos e plantar outras -, como também promover uma mudança em nossos hábitos de consumo.

A devastação da natureza não está só na retroescavadeira que derruba uma árvore na Amazônia. Ela está também no prato de cada pessoa que se alimenta de produtos de origem animal, mesmo havendo uma imensa quantidade de produtos vegetais à disposição.

Nos últimos 30 anos, aumentou em 74% a quantidade de terras amazônicas transformadas em pasto para criar bois, segundo dados do Mapbiomas. Estimativas do Museu Emílio Goeldi indicam que 80% das áreas desmatadas na Amazônia são destruídas pela pecuária.

Líderes indígenas do povo Kayapó em protesto pela manutenção de seus direitos (Foto: Agência Câmara)

E embora quem dê a determinação para a derrubada das árvores – ou para que seja ateado fogo nelas -, sejam os pecuaristas e madeireiros, a responsabilidade não é só deles, é compartilhada. De nada adianta pedir a preservação da Amazônia, colocar filtros com dizeres como “salvem a floresta amazônica” nas fotos nas redes sociais, enquanto se consome produtos de origem animal – que não só destroem a natureza através do desmatamento, como também por meio da poluição e do uso de recursos naturais.

Os dejetos dos animais poluem a água e o solo. Os gases liberados pelos animais são de efeito estufa e colaboram com as mudanças climáticas. E durante toda a cadeia produtiva, a pecuária desperdiça quantidades exorbitantes de água. Enquanto produtos de origem vegetal necessitam de menores quantidades de água para serem produzidos – a soja, por exemplo, demanda 1.800 litros por quilo produzido, enquanto o milho utiliza 900 litros por quilo -, os de origem animal desperdiçam muitos litros. Para se produzir um quilo de queijo, 5.000 litros são usados; 2.400 litros em um único hambúrguer de carne; 3.900 litros para cada quilo de frango e surpreendentes 16.000 litros para cada quilo de carne produzido. Os dados são da organização Water Footprint Network.

Diante desta realidade, a lição que fica no Dia do Índio é: devemos respeitá-los e apoiá-los, posicionando-nos a favor das demarcações de terras indígenas e exigindo que o Estado os proteja de madeireiros, garimpeiros e pecuaristas que invadem suas terras, muitas vezes matando-os. Protegê-los significa não só proteger a vida humana, mas também a natureza, da qual eles são guardiões. E o respeito que devemos ter por eles não deve se restringir a palavras afetuosas ditas por nossas bocas. É necessário embutir esse respeito em nossas ações, mudando nossos hábitos de consumo para deixarmos de ser os responsáveis por sustentar as grandes empresas que os oprimem e destroem a natureza em nome do lucro.

Protesto na Terra Indígena Ianomâmi (Victor Moriyama/Divulgação/ISA)

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