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Pantanal registra o maior número de queimadas dos últimos 23 anos

Foto: Fabiano Maisonnave/Folhapress

As queimadas registradas entre 1º de janeiro e 30 de setembro no Pantanal são as maiores dos últimos 23 anos. Foram identificados 18.259 focos de incêndio no período – o que representa um aumento de 82% em relação ao ano passado inteiro, que teve 10.025 focos.

O mês de setembro também registrou recorde negativo, tendo apresentado a sétima alta mensal consecutiva, com 180% de aumento em relação ao mesmo mês do ano anterior. Foram 8.106 focos de calor em setembro deste ano, ante 2.887 em 2019. O mês bateu o recorde do registro histórico para setembro. O bioma também alcançou o recorde anual em apenas nove meses.

Somente na última quarta-feira (30), 682 focos ativos foram identificados no Pantanal. Os dados são do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Levantamento do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa), da UFRJ, concluiu que 23% do bioma já foi destruído – são mais de três milhões de hectares. As primeiras chuvas que caíram na região em setembro, segundo o Instituto Centro de Vida (ICV), não foram suficientes para por fim ao fogo.

Com o passar dos dias, as chamas se alastram cada vez mais. A Estação Ecológica Taiamã já teve 27% da sua área queimada. No Parque Estadual Encontro das Águas, os incêndios já destruíram 93% do território considerado o maior refúgio de onças-pintadas do mundo – a espécie, que está ameaçada de extinção, corre sério risco por conta das queimadas.

Amazônia em chamas

Simultaneamente, Pantanal e Amazônia são destruídos pelo fogo. Em setembro, a floresta amazônica registrou 32.017 focos, alta de 60,6% em comparação ao mesmo mês do ano anterior, quando 19.925 focos foram registrados. Desde 2017 o bioma não registrava índices tão altos de queimadas em setembro.

Agosto, que em 2019 ficou marcado pelo “Dia do Fogo”, quando fazendeiros incendiaram várias regiões de maneira simultânea no Pará, registrou uma leve queda nos incêndios esse ano – foram 29.307 focos, ante 30.900 em 2019.

O Inpe alerta, no entanto, que essa queda tem relação com uma “indisponibilidade global de dados” na segunda quinzena de agosto do sensor de um dos satélites da Nasa. A expectativa, portanto, é que as queimadas na Amazônia tenham sido maiores do que o que foi registrado em agosto. Os dados, porém, ainda não foram atualizados.


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Polícia Federal já tem provas para indiciar fazendeiros por queimadas no Pantanal

Imagens: Ahmad Jarrah e Bruna Obadowski / A Lente

A Polícia Federal já reuniu provas suficientes para indiciar pelo menos quatro fazendeiros pelo início das queimadas na região da Serra do Amolar, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Cabe ao Ministério Público Federal decidir se irá denunciar os investigados à Justiça Federal.

As provas foram obtidas através de imagens de satélite da Nasa e do Inpe que indicam que as queimadas foram provocadas pela ação humana em propriedades rurais. A PF também colheu depoimentos de trabalhadores de fazendas e moradores da região que se somaram às provas contra os fazendeiros.

A PF e o MPF acreditam que é possível que os pecuaristas combinem entre si a prática das queimadas. Isso porque peritos concluíram que os incêndios na região tiveram início no dia 30 de junho, quase no mesmo horário, em quatro fazendas.

Testemunhas afirmam que dias antes dos fazendeiros ordenarem que os funcionários ateassem fogo na vegetação, eles providenciaram a retirada dos bois explorados para consumo que viviam nas fazendas.

Os pecuaristas foram ouvidos pela polícia e negaram as acusações. Eles devem ser indiciados por danos a áreas de preservação permanente e unidades de conservação, incêndio e poluição, crimes que podem levar a 15 anos de reclusão.

Daniel Rocha, delegado da PF que está à frente do caso, afirmou ao UOL que peritos de Brasília analisaram imagens de satélite e praticamente “deram o mapa da trajetória do fogo”. Para que o inquérito seja concluído, Rocha aguarda a transcrição das conversas telefônicas e os laudos da perícia.

“Quando sobrevoamos a região, vi uma imagem que jamais podia imaginar. Um mar de água doce transformado em fumaça e fogo”, disse. “Fizemos a perícia nas propriedades e temos indícios de que os incêndios foram provocados a fim de criar novas áreas de pastagens”, completou.

A motivação dos incêndios no Pantanal expõe um problema comum ao Brasil: a destruição ambiental causada pela agropecuária, que queima e desmata áreas de vegetação para criar pasto para bois explorados para consumo ou para o plantio de grãos, como a soja, usados na alimentação desses animais. Não é atoa que ativistas pelos direitos animais e ambientalistas incentivem a população a abandonar o consumo de produtos de origem animal por conta não só da crueldade animal, mas também da devastação do meio ambiente e do desperdício dos recursos naturais, como a água.

Uma outra frente da investigação reforça a relação entre o fogo no bioma e a agropecuária. Peritos das polícias Militar e Civil de Mato Grosso do Sul concluíram que as queimadas registradas nas fazendas da Nhecolândia, região central do Pantanal, também foram causadas por fazendeiros que devem ser multados e indiciados após a conclusão de um laudo pericial.

“A perícia deixou claro que o incêndio teve origem nas fazendas e foi motivado pelo homem e pela seca”, afirmou o tenente PM Anderson Ortiz ao UOL.

O Pantanal queima há três meses, sem interrupção. Quase 3 milhões de hectares já foram destruídos, incluindo 85% do Parque Encontro das Águas, em Mato Grosso. A reserva abriga o maior número de onças-pintadas do mundo – espécie ameaçada de extinção que corre ainda mais risco por conta do fogo.

Presidente do Instituto Homem Pantaneiro, o tenente-coronel reformado da Polícia Militar Ângelo Rabelo atua no combate às queimadas. Segundo ele, “infelizmente quatro felinos ficaram com as patas feridas”. As chamas já chegaram na região das grandes lagoas, na fronteira do Brasil com a Bolívia, e destruíram as matas ciliares que protegem o rio Paraguai e seus afluentes.


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Fumaça de queimadas no Pantanal e na Amazônia chega a outros países

Reuters

A fumaça das queimadas que devastam a Amazônia e o Pantanal percorreram mais de 4 mil quilômetros e chegaram a países vizinhos, segundo uma imagem de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Após avançar em direção ao sul do Brasil, a fumaça encobriu o Peru, a Bolívia, o Paraguai, a Argentina e o Uruguai, colocando a população desses países, e também os animais, sob o risco de problemas respiratórios.

A fumaça resultante das queimadas na região pantaneira também atingiram várias partes do Brasil, conforme imagens de satélites do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Além de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde o Pantanal está situado, a fumaça está cobrindo os territórios de Rondônia, Acre, Amazonas, Pará, Santa Catarina, e parte de Paraná e São Paulo.

Em Santa Catarina, registrou-se uma chuva escura contaminada por partículas de fumaça provenientes dos incêndios. No estado, a fumaça tem sido vista com mais facilidade no amanhecer e no final do dia, quando o sol fica mais alaranjado.

Considerada a maior planície inundável do planeta, o Pantanal vive a pior queimada de sua história, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Foram identificados neste ano 15.756 focos de calor no bioma – número superior ao recorde batido em 2005 na região, quando 12.536 focos foram registrados.

Para tentar conter o fogo, brigadistas, bombeiros e oficiais da Marinha se uniram. Voluntários e membros de ONGs também participam das ações, que envolvem o resgate de animais feridos.

A Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) está movendo uma ação cautelar através da 8ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária de Mato Grosso (SJMT) para pedir que o governo federal envie aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) ao Pantanal para combater as queimadas.

A ANDA também é uma das 37 ONGs signatárias de uma representação contra os incêndios florestais. O documento foi protocolado no Ministério Público Federal no último sábado (19). Dentre os pedidos feitos, constam a urgência do combate ao fogo, a punição dos responsáveis e o resgate de animais feridos.


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Pantanal: animais que sobrevivem ao fogo ficam sem alimento em habitat devastado

Onça é vista em área destruída pelo fogo nas proximidades de Poconé (Foto: Andre Penner/AP)

A destruição ambiental e as mortes causadas pelo fogo que está devastando o Pantanal não são os únicos problemas das queimadas, que também condenam os animais que sobrevivem a um habitat destruído. Assustados e famintos, eles buscam água e alimento e se deparam com a escassez.

Para tentar amenizar o sofrimento dos animais sobreviventes, equipes montam e abastecem pontos de alimentação e água. A médica veterinária Carla Sássi integra um desses grupos voluntários.

Através das redes sociais, a profissional descreveu o difícil trabalho de amparo às vidas que sofrem com as chamas que já consumiram mais de 2,3 milhões de hectares, área equivalente a quase 10 vezes o tamanho das cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro juntas.

“Iniciamos mais uma semana de trabalho no Pantanal. Além de resgates, também estamos montando e abastecendo pontos de alimentação e água. Os animais que sobrevivem ao fogo não tem o que comer e beber”, afirmou a veterinária.

Segundo ela, a logística é bastante complicada por conta das longas distâncias a serem percorridas e pela ausência de internet na maior parte do tempo. “O trabalho começa cedo, mas não tem hora pra parar. São 145 km para serem cobertos. Estamos alinhados com o comando geral e SEMA. O que é possível nesse momento estamos fazendo, o impossível estamos articulando”, escreveu.

A profissional agradeceu ainda as doações que estão sendo feitas através Sociedade Mineira de Medicina Veterinária. Carla Sássi integra o Grupo de Resgate de Animais em Desastres (GRAD), que está realizando uma campanha de arrecadação de fundos em prol da fauna do Pantanal – clique aqui para contribuir com valores a partir de R$ 10.

Pantanal vive as maiores queimadas da história (Foto: Amanda Perobelli/Reuters)

A veterinária e diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, Vânia Plaza Nunes, afirmou à ANDA que “uma quantidade absurda de animais já morreu”. Segundo ela, quando não são vitimados pelo incêndio em si, muitos animais morrem por conta das consequências geradas pelo fogo.

“Os animais não têm o que comer e muito deles não morrem de imediato, mas ficam queimados, se desidratam e morrem. Então, além do incêndio em si, têm as consequências que o incêndio deixa: o calor da terra, a secura, a falta de alimento e de uma fonte de água, a baixíssima umidade do ar e a fumaça. Todas essas questões são pontos cruciais para os animais”, explicou.

Em relação à temperatura do solo, que aumenta por conta dos incêndios, e à péssima qualidade do ar, Vânia aponta a dificuldade dos animais para caminhar nesse ambiente hostil e relata a ocorrência de problemas respiratórios a curto e longo prazo. “Eles vão andando, tentando fugir para achar um local onde estejam protegidos e o solo se mantém muito quente, o ar seco, além disso há a fumaça, que vai causar problemas em todo o aparelho respiratório superior desses animais. A gente tem ainda o problema da fuligem, que pode causar outros problemas respiratórios. Só o tempo vai poder dizer para nós o impacto de tudo isso”, disse.

E embora o resgate seja uma notícia positiva para os animais encontrados feridos, há desafios para salvá-los. Vânia lembra que não existem pontos oficiais suficientes para receber esses animais. “Não tem política para estabelecimento de Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) para receber, triar os animais e encaminhá-los ou para cuidar dos animais, recuperá-los e depois devolver para a natureza os que tenham condições e encaminhar os que não têm para locais adequados”, criticou.

Médica veterinária Carla Sássi carrega animal resgatado das queimadas (Foto: Reprodução/Facebook/@carlasassivet)

Para a diretora técnica da entidade, a falta de um plano de contingenciamento diante dos incêndios torna a situação ainda mais caótica, em um nível muito pior do que o registrado nos anos anteriores. Ao rebater o argumento falacioso de que não há nada de diferente acontecendo no Pantanal, já que ele pega fogo todos os anos, Vânia lembrou que “os incêndios são recorrentes há décadas no Pantanal, mas não desse tamanho”.

“Porque o que a gente ouve é que todo ano pega fogo, mas não é como está sendo agora. É importante as pessoas entenderem que a gente está vivendo um momento muito crítico de mudanças ambientais. Aqui em São Paulo, a gente está no inverno e está um calor de mais de 30 graus todos os dias a mais de 15 dias. Então, o que está acontecendo é que, em primeiro lugar, as mudanças climáticas estão aí, e elas facilitaram a não ocorrência de chuvas em toda a região do Pantanal, que ocorrem durante um determinado período para que quando chegue a seca a condição não seja tão grave. Não choveu e iniciaram as queimadas. E o fogo foi colocado propositadamente por diferentes pessoas no Pantanal”, explicou.

A especialista criticou ainda a inércia dos governos. “Não existe serviço por parte do Estado, seja o governo federal ou o estadual. Não existe um plano de contingenciamento para essas situações de incêndio que tenha como foco as áreas vegetadas e os animais. É absurdo o pessoal do ICMBio dizer que  nenhuma atitude foi tomada por eles porque os parques não tinham sido incendiados. Os animais não se restringem ao limite que nós impomos em relação à divisão geográfica do que é um parque ou do que é uma fazenda ou seja lá o que for que eles usem de demarcação. Os animais transitam pelo território, cada um tem seu comportamento, suas necessidades comportamentais, sociais e reprodutivas e precisam de um espaço determinado”, disse.

Equipe de voluntários resgatam animais feridos no Pantanal (Foto: Reprodução/Facebook/@carlasassivet)

Na opinião de Vânia Plaza Nunes, há um descaso com o Pantanal, com exceção das propriedades que usam a região de maneira positiva através do turismo sustentável. “As propriedades estão sendo destruídas, mesmo assim muitos proprietários desses locais com características turísticas e pessoas que moram ali estão abrindo os espaços para receber voluntários para montar locais para resgatar e tratar os animais que precisam de tratamento”, reforçou.

A quantidade de agentes públicos envolvidos no combate às chamas é ínfima. Por outro lado, lembrou Vânia, há um grande número de voluntários que trabalham incansavelmente com os próprios recursos para tentar proteger a fauna e a flora do bioma. Os esforços feitos através do voluntariado, porém, não são suficientes para por fim às queimadas, que necessitam de uma ação mais incisiva do poder público, incluindo o governo federal.

Voluntários prestam socorro à onça vítima das queimadas no Pantanal (Foto: Reprodução/Facebook/@carlasassivet)

“O Grupo de Resgate de Animais em Desastres (GRAD) foi para o Pantanal assim como outros grupos que já que estavam lá. Outros estão se programando para chegar nos próximos dias, como a Associação Mata Ciliar, que está a caminho. Isso mostra que realmente a situação é muito crítica e as consequências vão ser muito graves para os animais”, disse Vânia.

Além do cenário desolador que já pode ser observado, há outro problema com o qual os animais resgatados terão que lidar futuramente: o retorno à natureza em meio a um habitat degradado. “Como está tudo destruído, quando os animais se recuperarem e chegar a fase de reintroduzi-los na natureza, eles não vão encontrar alimento. O tempo para a recomposição vegetal vai ser bastante grande e isso com certeza vai piorar muito as condições que a gente está observando nesse momento”, lamentou.

 

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Projeto de pavimentação de rodovia na Amazônia agravaria desmatamento

Foto: DNIT/Divulgação

Um projeto de pavimentação da BR-319, de autoria do governo federal, coloca a biodiversidade brasileira em risco. A rodovia em questão – construída entre 1968 e 1973 e abandonada em 1988 – corta a floresta amazônica, ligando Manaus (AM) a Porto Velho (RO). Caso seja pavimentada, a estrada abrirá mais espaço para desmatadores, conforme alertado por especialistas.

Em junho, um edital para a pavimentação de um trecho da rodovia foi publicado no Diário Oficial da União. Por conta da falta de estudos ambientais, o Ministério Público Federal questionou a legalidade da obra.

Após a revista Science publicar uma carta de dois cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), escrita para denunciar à comunidade internacional o impacto negativo da pavimentação da BR-319, a BBC News Brasil entrevistou um dos autores do documento.

De acordo com o biólogo e ecólogo Lucas Ferrante, um estudo do INPA mostrou que o desmatamento entre os rios Madeira e Purus, por onde passa o trajeto que seria pavimentado, aumentaria em 1.200%, em relação a 2011, caso a obra realmente seja feita.

“Temos plena compreensão do que essa estrada vai gerar nessa área. E os impactos são perturbadores. O carbono emitido por conta do desmatamento e das queimadas [no trajeto e no entorno] tem capacidade para alterar ainda mais o clima global”, alertou.

“Um dos blocos mais conservados da floresta” será alvo de “desmatadores e madeireiros” caso a pavimentação seja realizada, o que, para Ferrante, é “algo muito preocupante em uma área que hoje é conservada”.

Na opinião do pesquisador Tiago Reis, que estuda ações de combate ao desmatamento na Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, “quando você constrói e asfalta, sem planejamento e estudos de impacto, você permite a proliferação de todo um ambiente deletério e serviços de baixíssimo valor agregado. Construir estrada não é desenvolvimento. Há diversos casos assim no Brasil”.

“Projetos de infraestrutura são grandes vetores de desmatamento e destruição na Amazônia. A construção de uma rodovia viabiliza que madeireiros ilegais e grileiros cheguem a porções da floresta a que antes eles não chegariam”, reforçou Reis.

Estudos que provam que a construção de rodovias impacta negativamente os ecossistemas cortados por elas foram apontados pelo biólogo Filipe França, pesquisador da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, e da Rede Amazônia Sustentável.

“Se olharmos o histórico da Amazônia, a situação se repete: sempre depois da estrada, chegam os distúrbios. A facilitação do acesso aumenta a ação de madeireiros, favorece a instalação de população, há a introdução de pastagens, mais desmatamento… E tudo isso resulta em perdas para a biodiversidade”, explicou.

Em 2014, uma pesquisa publicada no periódico “Biological Conservation” mostrou que 95% do desmatamento na Amazônia é realizado dentro de um raio de 5,5 km de estradas ou 1 km de um rio. Os pesquisadores descobriram ainda que a construção de uma rodovia gera outras pequenas estradas não oficiais, o que intensifica o desmatamento.

Ferrante relatou à BBC que o principal argumento do governo é de que estudos ambientais não são necessários porque a rodovia já foi pavimentada na década de 1970.

“Só que esses estudos precisam ser refeitos. A via deixou de ser trafegável, basicamente ficou fechada e sem manutenção. As dinâmicas populacionais e as perturbações ambientais mudaram de escala nesse período. Hoje a capacidade de causar desmatamento na área é muito maior, os processos de degradação são maiores”, afirmou o biólogo.

Apesar disso, o edital de licitação para contratação de empresa responsável por pavimentar 52 quilômetros da rodovia – do km 198 ao 250 -, foi publicado em junho pelo Ministério da Infraestrutura e pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Na época, o ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas publicou nota por meio da qual afirmou que a pavimentação é compromisso do “governo do presidente Jair Bolsonaro” como forma de garantir o desenvolvimento do Amazonas e de Rondônia.

“Esperamos que a contratação esteja concluída ainda em 2020”, disse o ministro, em entrevista concedida na ocasião à Agência Brasil.

Contrário à obra, o MPF protocolou impugnação do edital no dia 1º de julho por conta da ausência de estudo de impacto ambiental. O órgão afirmou que a interpretação do governo federal era “eivada de má-fé” e “não deve ser admitida pelo juízo da execução, sob pena de grave afronta e desprezo à autoridade das decisões do Tribunal Regional Federal da 1ª Região”.

No mês passado, o Ministério da Infraestrutura publicou novo comunicado informando que obras de manutenção e conservação da rodovia foram iniciadas em 3 de julho, o que representaria uma preparação para a pavimentação. O reinício dos trabalhos, segundo a nota, foi possibilitado após um pedido de suspensão de tutela provisória ser feito pela Procuradoria Federal Especializada ao Tribunal Regional Federal. “O Ministério Público agiu com base em relatório do Ibama, entendendo que o DNIT estava executando obras, e não apenas serviços de manutenção/conservação licenciados. O entendimento foi contestado pelo superintendente regional do DNIT”, informou o órgão.

Ao ser questionado pela BBC, o Ministério afirmou que as obras não são de reconstrução, mas de manutenção. “Os serviços [em andamento] não contemplam a reconstrução da rodovia, mas apenas da manutenção do revestimento primário da pista, não asfaltado, substituição de bueiros e reformas de pontes de madeira, garantindo mais segurança aos usuários da BR-319”, disse a pasta.

“Em relação à reconstrução da BR-319, é importante esclarecer que o que está em processo licitatório pelo DNIT é a contratação de projeto e obra relativa exclusivamente ao trecho de 52 quilômetros denominado Lote C, entre os Km 198 e 250. Tal medida foi tomada após autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), a partir de Termo de Acordo e Compromisso, viabilizando o devido licenciamento ambiental para o segmento”, completou.

O Ministério do Meio Ambiente não se pronunciou sobre o caso.

Legislação ambiental

Um artigo publicado no informativo de julho do Observatório BR-319, grupo formado por ONGs ambientais, lembra que a rodovia original foi construída antes da legislação ambiental entrar em vigor no Brasil, o que reforça a necessidade de novos estudos de impacto.

“É importante notar que a rodovia BR-319 se diferencia de outros licenciamentos, pois quando ela foi construída, na década de 70, o governo federal ainda não tinha instituído a Política Nacional do Meio Ambiente, de 1981”, diz o texto, que reforça ainda que as exigências de estudos ambientais são de uma resolução de 1986.

“É importante lembrar que tais estudos ambientais são obrigatórios por lei. O governo está passando por cima da legislação brasileira. É arbitrário tentar fazer a estrada dessa forma”, criticou Ferrante.

O argumento de que a pavimentação aumentaria o desmate é reforçado pela bióloga e ecóloga Adriane Esquivel Muelbert, pesquisadora na Universidade de Birmingham, no Reino Unido. Entre 2015 e 2016, a especialista coletou dados durante seis meses no entorno da BR-319, que recebe manutenção desde 2014.

“Já era possível notar o aumento do tráfego de carros e caminhões mesmo com trechos muito ruins. Com a pavimentação, aumentaria o fluxo e, consequentemente, o desmatamento”, afirmou à BBC.

No período em que elaborou sua pesquisa no local, a pesquisadora viu árvores centenárias serem derrubadas. “É terra sem lei. Ficamos com medo e decidimos sair porque nos sentimos ameaçados”, lamentou.

Ferrante lembrou ainda que a região é um “polo de exploração de madeira ilegal”. “Está se falando em levar acessibilidade para áreas onde a principal atividade econômica é o desmatamento ilegal. Isso vai acelerar a destruição desse bloco [de floresta] e [aumenta] as emissões de carbono a partir do desmatamento da Amazônia”, disse.

Indígenas também demonstraram preocupação em relação à estrada, conforme relatado por Ferrante. Eles afirmam que a rodovia atrai invasores e prejudica as aldeias e pedem para serem consultados em relação a pavimentação.

O biólogo Filipe França, que pesquisa besouros na Amazônia, teme pelos impactos aos animais. “O atropelamento é o impacto direto que mais chama a atenção. Mas existem também os impactos por perda de habitat”, afirmou.

Além de desmatar, a rodovia também fragmenta ecossistemas que eram únicos. “Há estudos na Europa que mostram como a presença de estradas está associada à redução de diversidade genética de besouros, o que aumenta a chamada endogamia e, consequentemente, o risco de extinção”, explicou.

“Os produtos químicos que são transportados ou utilizados na construção de estradas, levados pela chuva, afetam ecossistemas aquáticos. Ou seja, a construção da rodovia vai muito além da floresta”, completou.

Para Muelbert, “a nova pavimentação da BR-319 é uma notícia muito triste. Acredito que será uma das principais portas de entrada para o desmatamento no que resta da Amazônia brasileira”. Segundo ela, a região é “completamente um deserto verde”, com potencial para descobertas científicas de espécies ainda desconhecidas.

“Se o desmatamento avançar, vamos perder espécies sem nem mesmo as termos conhecido e estudado”, lamentou.

Ao publicar a carta, Ferrante espera alertar a comunidade internacional para que o governo brasileiro seja pressionado. “Espero que cobrem do Brasil que a legislação seja seguida à risca, já que o país tem demonstrado graves sinais de não respeitar as normas ambientais e não estar comprometido com o desmatamento. Que os estudos sejam realizados para evitar um dano ainda maior do que a rodovia pode gerar”, concluiu.


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Agropecuária é responsável por 71% das queimadas em imóveis rurais neste ano na Amazônia

(Foto: Daniel Beltrá/Greenpeace)

Dados do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) revelaram que 71% das queimadas em propriedades rurais na Amazônia, no período de janeiro a junho de 2020, foram causadas pela agropecuária.

O fogo é usado para limpar o terreno recém-desmatado para que a área seja usada na criação de bois explorados para consumo ou no plantio de vegetais – em sua maioria esmagadora, grãos utilizados na alimentação desses animais, como a soja.

Um relatório sobre o levantamento foi elaborado com base na plataforma Modis, da Nasa. De acordo com os números, 24% foram incêndios florestais e 5% são desmatamentos recentes.

As queimadas para manejo agropecuário são as mais comuns na Amazônia e são usadas para limpar o terreno desmatado. Há, no entanto, outros tipos. São eles: os incêndios florestais, que atingem a floresta em pé ou a vegetação nativa não-florestal e normalmente surgem a partir de outros tipos de queimada, como desmatamento e manejo agropecuário; e o desmatamento recente, que se caracteriza pela queima de árvores derrubadas após desmate.

Metade dos focos de calor identificados no primeiro semestre ocorreram em propriedades rurais de médio e grande porte, onde o manejo agropecuário predominou.

“Esses números demonstram como o fogo é ainda amplamente utilizado no manejo de pastos e áreas agrícolas, independentemente do tamanho do imóvel, do lote e do negócio, e a despeito da existência de técnicas mais modernas que o substituem”, diz o relatório.

O levantamento apontou ainda queimadas detectadas de 2016 a 2019, sendo 22% em áreas recém-desmatadas e 42% em locais convertidos para uso agropecuário. Outros 36% foram causadas por incêndios florestais.

“Em 2019, o fogo na Amazônia se distribuiu de forma relativamente equilibrada entre os três tipos mais comuns. As queimadas associadas ao manejo agropecuário e o fogo ligado ao desmatamento recente responderam por 36% e 34%, respectivamente, enquanto os incêndios florestais responderam por 30% dos registros”, explicou o Ipam.

A Amazônia, no entanto, não é o único bioma a sofrer as consequências do fogo. No Pantanal, 1.684 focos de incêndio foram identificados em julho – o que garantiu um recorde negativo durante o mandato do presidente Jair Bolsonaro (que já soma diversos recordes de devastação ambiental): o mês registrou o maior número de queimadas desde o início das medições do Inpe, em 1998.


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Incêndio em reserva no RJ destrói o equivalente a 673 campos de futebol

Foto: Divulgação/Inea

Um incêndio florestal destruiu 673 hectares da Reserva Biológica de Araras, em Petrópolis, no Rio de Janeiro – o correspondente a 17% do território. O fogo foi controlado na última quarta-feira (29).

O tamanho da destruição se equivale a 673 campos de futebol, isso é, 6,7 milhões de metros quadrados. A reserva tem 3.862 hectares e está localizada na Serra dos Órgãos.

Trata-se do maior incêndio registrado na região neste ano. As chamas se originaram em um carro incendiado por seu proprietário. O aposentado de 66 anos tentou dar um golpe no seguro do veículo.

O caso foi descoberto após imagens de câmera de segurança flagrarem o homem comprando gasolina em um posto de combustíveis em Três Rios no dia anterior ao crime. O motorista, que compareceu à delegacia para denunciar que seu carro havia sido roubado e incendiado por criminosos, foi preso após a polícia desconfiar de sua versão. Ele responderá pelos crimes de estelionato tentado e incêndio.

Mais de 100 pessoas se uniram para interromper o incêndio, que só foi controlado após três dias. Faziam parte da força-tarefa militares do Corpo de Bombeiros e agentes do Inea, Ibama, ICMBio, Defesa Civil e Guarda Civil Municipal.


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MPF vai investigar JBS pela compra de bois criados em reservas e terras indígenas

Foto: Editora Globo

A empresa JBS, que atua no seguimento agropecuário, será investigada pelo Ministério Público Federal de Rondônia (MP-RO) após ser denunciada pela Anistia Internacional pela compra de bois criados em áreas protegidas da Amazônia, como terras indígenas e reservas extrativistas de Rondônia.

O anúncio de que uma investigação será realizada foi feito na quarta-feira (15). A JBS divulgou nota negando a acusação apurada pelo MPF.

“Todos os procuradores que atuam na área ambiental participam destas investigações, e propõem as medidas judiciais cabíveis, tanto na área criminal, como na área cível. A invasão e exploração de terras públicas dão origem também a conflitos e disputas por áreas, aumentando a violência no campo e na floresta”, disse a procuradora da República Gisele Bleggi à Rede Amazônica.

Um relatório da Anistia, denominado “Da floresta à fazenda”, aponta indícios de que bois explorados para consumo foram criados de maneira ilegal em áreas de preservação ambiental e, depois, foram comprados e mortos pela JBS para terem sua carne comercializada. O documento foi produzido após seis meses de investigação.

De acordo com a ONG, a empresa comprou bois criados dentro da Reserva Extrativista Rio Ouro Preto, em Rondônia. O local é uma unidade de conservação federal. Outros animais criados na Reserva Rio Jacy-Paraná e na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau também teriam sido comprados pela JBS.

A agropecuária está intimamente ligada à devastação ambiental. Além do desmatamento promovido para criação de bois, o meio ambiente é prejudicado também pelas flatulências dos animais, que emitem gases de efeito estufa; pelo desperdício de grandes quantidades de água (são usados 16 mi litros do líquido na cadeia produtiva de apenas 1 kg de carne, por exemplo); e pela poluição gerada pelos dejetos dos animais, que poluem a água e o solo.

De acordo com um relatório da organização internacional Trase, 81% das áreas desmatadas na Amazônia brasileira em 2018 foram ocupadas por pastos para criação de bois explorados para consumo humano.

Por conta da destruição ambiental, da crueldade ao qual os animais são submetidos e dos efeitos nocivos dos produtos de origem animal à saúde humana, a ANDA incentiva aos seus leitores a adoção do veganismo.

 


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Notícias

Foto de focas em cima de gelo flutuante gera debate sobre mudanças climáticas

Nature TTL Photographer of the Year 2020/Florian Ledoux

Uma foto de focas descansando em cima de um gelo flutuante deu origem a um debate a respeito do efeito das mudanças climáticas sobre a natureza. A imagem, feita com um drone pelo renomado fotógrafo francês Florian Ledoux, foi premiada na edição 2020 do Nature TTL Photographer of the Year 2020.

Fotógrafos de todo o mundo foram premiados na competição em três categorias: Paisagem, Vida Selvagem e Macro. Mais de 7 mil imagens foram analisadas.

“Para mim, é muito importante mostrar o estado das regiões ártica e antártica, e ter uma imagem de lá ganhando esse prêmio é uma exposição importante. É importante que qualquer pessoa inspirada nesse estilo de imagem de drone entenda a importância da vida selvagem e seja ética em sua abordagem. Garanta que seu drone não assuste animais”, afirmou Ledoux.

A camada de gelo do Ártico nunca esteve tão perto de desaparecer. Previsões indicam que ela pode sumir por completo em 5 anos, destruindo o habitat de diversos animais e colocando a existência dele em risco. As informações, divulgadas pelo portal Hypeness, integram um relatório publicado em 2019 pelo National Snow and Ice Data Center (NSIDC), órgão dos Estados Unidos que estuda regiões polares.


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Destaques, Notícias

Covid-19: é preciso repensar nossa relação com o planeta

SBV sustenta que o novo coronavírus surgiu como consequência da degradação do habitat de animais silvestres (Foto: Asian News International)

Na segunda-feira (6), o presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV), Fernando Spilki, concedeu uma entrevista ao programa Salão Verde, da Rádio Câmara, explicando como a degradação do meio ambiente tem influenciado a propagação do coronavírus e de outros vírus.

Clara relação com o impacto ambiental

Spilki deixou claro que é preciso repensar a relação com o planeta, já que o meio ambiente é um definidor de como teremos doenças emergentes. “Pelo menos 60% das doenças que surgem, nós vemos uma clara relação com o impacto ambiental”, defendeu e lembrou que 80% das doenças que atingem seres humanos já circularam em animais.

O presidente da entidade que reúne profissionais da saúde e cientistas de diversas áreas sustenta que o novo coronavírus surgiu como consequência da degradação do habitat de animais silvestres e da diminuição de espaços para as espécies.

Fernando Spilki explicou que cada vez mais têm surgido vírus em decorrência de uma aproximação e intervenção no estilo de vida dos animais. A partir de alguma espécie que é uma hospedeira natural ou de uma segunda espécie que também recebeu o vírus, as doenças zoonóticas estão chegando com muito mais facilidade aos seres humanos.

Atividades pecuárias e caça

“Destruindo habitats, fazemos com que essas espécies selvagens não tenham uma circulação adequada pra viver e assim fazemos com que hajam surtos, transmissão de surtos e amplificação de vírus na natureza. Em momentos de caça, consumo [de animais] e utilização de animais como de estimação ou exibição, ficamos expostos a esses agentes.”

O presidente da SBV, que é professor da Feevale, do Rio Grande do Sul, e tem doutorado em genética e biologia molecular e atua nas áreas de virologia animal e ambiental, aponta que uma intensificação das atividades pecuárias atingindo o habitat dos animais favorece esse cenário. A caça também é apontada como outro fator de influência pela intervenção humana na natureza.

“Expansão desenfreada de fronteira agrícola, mineração e acúmulo de pessoas em áreas de conservação são determinantes para a introdução de novos vírus”, acrescenta.

Fenômenos locais e globais têm influência

Fernando Spilki conclui que as mudanças climáticas também são um fator de contribuição à disseminação do vírus, já que promovem alterações no regime hídrico de chuvas e aumentam as temperaturas médias anuais. “Fenômenos locais e globais têm influência [na disseminação do coronavírus].”

Ele cita ainda que o que facilita maior circulação do vírus, como registrado até agora principalmente nos Estados Unidos e em alguns países da Europa e da Ásia, é um fenômeno de origem antrópica, que são as viagens internacionais.

“Hoje se viaja muito. São três bilhões de passageiros ao ano, e esses países têm conexões muito frequentes e numerosas – Europa, Ásia e EUA – o que espalha rapidamente uma pandemia como essa.”


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Notícias

Aves migratórias são atingidas por óleo em área de proteção ambiental

Desde a chegada do óleo no Nordeste, 409 locais foram atingidos em todos os estados da região e pelo menos 95 animais morreram em oito estados


Aves migratórias foram afetadas pelo óleo que atingiu o Nordeste há mais de dois meses. Os animais estavam na Área de Proteção Ambiental Litoral Sul (Apa-Sul), no Sergipe, quando foram vítimas do petróleo.

Foto: Serhma/Governo de Sergipe

Pesquisadores da Universidade Federal da Bahia resgataram 353 animais entre os dias 1 e 3 de novembro. Desses, pelo menos 12 foram afetados pelo óleo e apresentam vestígios nas patas, o que indica que o contato ocorreu na areia e não no mar, segundo o biólogo e gestor da APA Sul, Paulo César Umbelino.

A suspeita é de que o contato tenha ocorrido em bancos de areia do Rio Real, na divisa entre Sergipe e Bahia – área considerada de interesse global para conservação pela ONG BirdLife International.

Foto: Serhma/Governo de Sergipe

Os animais atingidos migram do hemisfério norte para se alimentar e se reproduzir na ilha da Sogra, na cidade de Estância, que abriga 48% do território da Apa-Sul. Eles foram resgatados entre os dias 1º e 3 de novembro por estudantes da UFBA, servidores da Sedurbs (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade) e da Sehrma (Superintendência Especial de Recursos Hídricos e Meio Ambiente).

Criada em 1993, a Apa-Sul abriga cerca de 100 mil aves, sendo 10 mil migratórias. No local, vivem aves de três famílias e 35 espécies, sendo três ameaçadas de extinção.

Desde a chegada do óleo no Nordeste, 409 locais foram atingidos em todos os estados do Nordeste e pelo menos 95 animais morreram em oito estados.  As informações são do jornal Folha de S. Paulo.


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Mais de 11 mil cientistas declaram que planeta enfrenta emergência climática

Os cientistas assinaram um artigo alertando sobre as mudanças climáticas e afirmaram que “para garantir um futuro sustentável, devemos mudar nossos modos de vida”


Mais de 11 mil cientistas de 153 países assinaram, na terça-feira (5), um artigo para declarar que o planeta enfrenta uma emergência climática. O documento foi publicado no periódico “Bioscience”.

“Os cientistas têm a obrigação moral de alertar claramente a humanidade sobre qualquer ameaça catastrófica e de ‘dizer como é’. Com base nessa obrigação e nos indicadores gráficos apresentados, declaramos, com mais de 11 mil signatários cientistas de todo o mundo, clara e inequivocamente que o planeta Terra está enfrentando uma emergência climática”, diz o artigo.

Pixabay/TheDigitalArtist

De acordo com o documento, desde a Primeira Conferência Mundial do Clima, realizada em 1979 em Genebra, já eram feitos alertas sobre as tendências de mudança no clima – o que também foi feito na Eco 92, no Rio de Janeiro, durante a elaboração do Protocolo de Kyoto, em 1997, e no Acordo de Paris, em 2015.

“No entanto, as emissões de gases de efeito estufa (GEE) ainda estão aumentando rapidamente, com efeitos cada vez mais prejudiciais ao clima da Terra. É necessário um imenso aumento de escala nos esforços para conservar nossa biosfera, a fim de evitar sofrimentos incalculáveis devido à crise climática”, atesta o documento.

O artigo foi publicado um dia depois dos Estados Unidos enviarem notificação à ONU para confirmar a saída do Acordo de Paris, que estabelece metas para os países manterem o aquecimento global abaixo de 2ºC, com o objetivo de reduzi-lo a 1,5ºC.

Segundo os cientistas, além do debate sobre o aumento da temperatura no planeta, é preciso considerar também outras questões, como o aumento da população mundial e de bois explorados para consumo humano, produto interno bruto mundial, consumo de combustíveis fósseis, emissões de CO2 per capita, entre outros fatores.

O manifesto cita também o desmatamento da Amazônia como fator que incentiva as mudanças climáticas. Em relação a essa questão, a criação de animais para consumo humano é uma das principais causas desse desmatamento.

“Para garantir um futuro sustentável, devemos mudar nossos modos de vida”, afirmam os cientistas.

Nota da Redação: a ANDA recomenda que cada pessoa faça a sua parte no que se refere às mudanças climáticas. É preciso por fim à incoerência de lamentar os estragos causados pelo aquecimento global enquanto se consome produtos de origem animal, que são devastadores para o meio ambiente. Áreas extensas são desmatadas para dar lugar a pasto para criar animais, que produzem grande quantidade de excrementos, poluindo o solo e a água, e que liberam gases de efeito estufa. Além disso, imensas quantidades de água são desperdiçadas para a fabricação de produtos de origem animal – 1 kg de carne, por exemplo, demanda 16 mil litros de água em toda sua cadeia produtiva. Sendo assim, a ANDA recomenda aos leitores que façam escolhas éticas e adotem o veganismo.


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