Homem com cabra vítima dos moradores locais
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Ovelhas e cabras são jogadas em vulcão em nome de crenças religiosas

Muitos vulcões estão associados à religião ou a rituais. Não é difícil entender o motivo: eles são uma fonte de vida com suas férteis encostas e de extermínio com suas brasas impetuosas.

Homem com cabra vítima dos moradores locais
Foto: Aman Rochman/AFP/Getty Images

Há mais de um milênio, o Monte Fuji do Japão é considerado sagrado e, embora hoje tenha perdido parte de sua reverência, as pessoas no país ainda o “respeitam”, assim como a beleza de sua cobertura de neve.

Porém, o vulcão Monte Bromo, localizado na Indonésia, ainda é adorado e temido por muitas pessoas. É um vulcão Somma, o que significa que possui um vulcão menor que vem à superfície.

Ele é certamente uma vista para contemplar, mas os povos locais de Tenggerese o enxergam de maneira diferente.

Todos os anos, a população de cerca de 100 mil pessoas, espalhadas por 30 aldeias ao redor do vulcão, nomeia alguns de seus clãs para escalar a cratera vulcânica ativa do Monte Bromo durante o mês do festival hindu de Yadnya Kasada.

Cabra, capturada pelos aldeões, é amarrada depois de lançada por adoradores hindus
Foto: Ulet Ifansasti/Getty Images

Para “contentar” a montanha, eles jogam todos os tipos de coisas no fogo, incluindo frutas e legumes, dinheiro e, infelizmente, até mesmo animais no 14º dia das celebrações, conforme mostra a reportagem da Forbes

Cabras e ovelhas são impiedosamente jogadas na lava, como se suas vidas não tivessem valor algum.
As pessoas acreditam equivocadamente que jogar os animais e muitos objetos valiosos asseguram uma boa colheita, boa saúde e talvez mais alguns anos sem erupção.

Embora lançar qualquer coisa em vulcões possa ter uma série de efeitos, os cientistas duvidam que tais rituais apaziguem um vulcão ativo. Se a vulcanologia nos ensinou algo – e é certo que nos ensinou muito – é que a natureza não se importa com o que fazemos a esse respeito.

Vulcão
Foto: Ulet Ifansasti/Getty Images

O Monte Bromo entrará em erupção quando for o momento correto e é lamentável que, mais uma vez, os animais sejam vítimas da ignorância e falta de compaixão da humanidade.

Nem todas as pessoas da região acreditam nisso. Muitas vezes, moradores de outras aldeias comparecem ao festival para conseguir algum dinheiro e objetos de valor.

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Notícias

A sexta 13, o gato preto e a manga

Por Marli Delucca  (da Redação)

O calendário é um sistema para contagem e agrupamento de dias que visa atender, principalmente, às necessidades civis e religiosas de uma cultura.

A religião foi a precursora do mito de azar da sexta-feira 13, devido ser atribuída a esta data a crucificação de Jesus Cristo.

Mas se você acha que algo diferente pode acontecer nessa data, prepare-se pois em 2012, teremos três sextas-feiras 13. Qualquer mês que comece num domingo irá conter uma sexta-feira 13.

A maioria das civilizações fundamentava suas crenças em deuses oriundos da própria natureza, como os celtas que entendiam que a terra comporta-se como um autêntico ser vivo. Também tinham conhecimentos de como viver em harmonia com o planeta, da importância de manterem a terra sadia – assim sendo evitavam mutilá-la inutilmente – e até mesmo da importância de tratá-la.

Também os primeiros egípcios tinham uma atitude de respeito em relação aos fenômenos da natureza- o Sol, a Lua, e às características marcantes dos animais – a ferocidade do leão, a força do crocodilo, etc. As primeiras divindades que surgiram eram quase sempre representadas sob a forma de um animal. E como cada povoado tinha seu próprio deus, e que era frequentemente associado a umanimal da região, com atribuições e poderes diferentes.

E foi ali no Egito que o culto a Deusa Bastet surgiu

Bastet, ou  Ailuros (palavra grega para “gato”) é na mitologia uma divindade solar e deusa da fertilidade, além de protetora das mulheres grávidas. Era representada como uma mulher com cabeça de gato, e um cesto onde colocava as crias. Nos seus templos foram criados gatos que eram considerados como encarnação da deusa e que eram por essa razão tratados da melhor maneira possível. Quando estes animais morriam eram mumificados, sendo enterrados em locais reservados para eles.

Mas como toda crença aproveita algum dado para que possa ser assimilada e considerada verdadeira por muitos anos, a associação do gato ao culto da fertilidade, não foi em vão.

Os gatos  salvaram os egípcios da fome e de doenças. Por respeitarem os ciclos naturais das enchentes do Rio Nilo, que na verdade adubavam suas plantações, tinham uma enorme safra de colheita de grãos armazenada. Mas nos tempos antigos armazenar grãos era um chamariz para roedores, que não só devoravam tudo, como se multiplicavam ainda mais. A única forma de combate aos roedores eram os gatos, que não são só venerados e cuidados como deuses vivos, como também era crime punido com pena de morte levar qualquer gato para fora do país. Dessa forma, as outras nações não teriam como combater os roedores, e sem grãos, se submeteriam as imposições e aos valores que o Egito quisesse para lhes vender.

O avanço do império romano sobre as outras civilizações, podiam com o uso de armas até lhe tirar as terras, mas para dispor da mente desses povos, os romanos começaram por denegrir alguns de seus costumes.

A imagem dos gatos associados à Deusa Bastet, que era toda adornada de ouro e pintada de preto, para dar mais ênfase à associação de riqueza e de fertilidade, foi deturpada pelo romanos que passaram a caçar e matar os gatos pretos na tentativa de acabar com o culto à Deusa.

O Papa Gregório IX afirmava na bula Vox in Roma que o diabólico gato preto, “cor do mal e da vergonha”, havia caído das nuvens para a infelicidade dos homens.

Como também o povo celta possuía muitos conhecimentos da natureza, pois viviam nas florestas, todos conheciam o poder curativo das plantas. Para acabar com a resistência dos celtas ao catolicismo, a Igreja Católica pregava que os sacerdotes druidas eram bruxos. Como os druidas viviam isolados e rodeados por muitos gatos, a Igreja começou a associar os gatos às trevas, devido aos seus hábitos noturnos, pois eles plantavam de dia e se reuniam à noite, e afirmava terem parte com o demônio, principalmente os de cor preta. Milhares de pessoas foram obrigadas a confessar, sob tortura, que haviam venerado o demônio em forma de gato preto, sendo logo depois, condenadas à morte.

A Igreja Católica foi a maior perseguidora de gatos da história, e na Idade Média, travou uma dura e longa cruzada contra os gatos e os seus admiradores. No ano 1232, o Papa Gregório IX fundou a Santa Inquisição, que atuou barbaramente durante seis séculos, torturando e executando, principalmente na fogueira, mais de um milhão de pessoas, sobretudo mulheres, homossexuais, hereges, judeus e muçulmanos. Igualmente médicos, cientistas e intelectuais, e também os gatos, “ad majorem gloriam Dei”.

A mesma perseguição foi realizada no Século XV, contra os povos, adoradores de uma outra divindade a Deusa Freya, sendo que a Igreja considerava o seu culto um ato de heresia, associando-o à adoração de maus espíritos. Foram destruídas imagens da Deusa e mulheres que tinham gatos foram torturadas e queimadas vivas. Os gatos, que eram protegidos pela Deusa Freya, foram acusados de serem demoníacos, capturados, enforcados, e jogados nas fogueiras da Santa Inquisição.

A tradição mágica e outras habilidades naturais sobreviviam em alguns locais, durante a Idade Média, mas eram não-oficiais e eficazmente perseguidas pela Igreja, cuja religião monoteísta tornar-se-ia um instrumento institucionalizado do Estado. A magia tornou-se uma atividade suprimida simplesmente porque os sacerdotes da Igreja não eram adeptos da mesma, e também por não quererem correr o risco de que alguém pudesse sobrepujar as suas habilidades limitadas, e o fato de serem considerados a via única para Deus. Desta forma, tudo o que a Igreja considerava “não ideal”, seria identificado na forma de várias imagens do mal.

Dali até a Idade Média, Roma também continuou sua perseguição aos gatos pretos (poupando os gatos de outras cores que eram necessários para combater os roedores), e ao longo dos anos, enraizou na mentalidade das pessoas a crendice das bruxas e dos gatos pretos e aproveitando-se de novos conhecimentos de gênios da época como Nostradamus e Galileu Galilei, foi reforçando o mito em torno do número 13, recontando a história da última ceia, onde Judas traiu Cristo por estarem em 13 pessoas a mesa.

Hoje, resumindo ao máximo, mitos criados há mais de 2000 mil anos e perpetrados na metade destes, parece inconcebível que as pessoas se deixassem levar por essas alegações, e passassem a acreditar e viver suas vidas com base nessas superstições.

Em especial porque segundo a lógica, a feroz perseguição aos gatos incitada pela Roma, dizimando quase por completo a população europeia destes animais no Século XIV, contribuiu decisivamente para a multiplicação de ratos, que eram portadores da Peste Bubónica. A terrível consequência disso foi a proliferação da Peste Negra (Peste Bubónica), que dizimou um terço da população europeia (de 1347 a 1350).

Talvez com o advento da internet, e a facilidade na obtenção das informações, as pessoas comecem a repensar seus hábitos que foram passados de geração em geração há milênios, com base não em crenças que aprimoram e aproximam o ser humano de sua essência e da natureza, que por mais que muitos não queriam admitir tem o seu lado divino. Tem a sua beleza, os seus mistérios e as suas intempéries.

E que somente há 200 anos atrás, os senhores de engenho do Brasil conseguiram fazer com que os escravos se alimentassem menos, somente dizendo a eles que Manga com leite, fazia mal à saúde. Do leite, eram feitos a manteiga e os queijos. Como os escravos gostavam de mangas e as comiam abundantemente, os feitores espalhavam que manga com leite era veneno. Para confirmar a história chegavam ao ponto de envenenar o escravo que comia manga e bebia leite. Tudo isso em função de poupar o leite para a casa grande.

Mas, da mesma forma que o mito do azar, e do veneno, ainda hoje impera na memória de algumas pessoas, temos pelo menos muito mais formas de difundir a realidade e a verdade para elas.

Se mesmo assim você for uma dessas pessoas com medo de sexta-feira 13, saiba que isso tem nome. O medo específico (fobia) da sexta-feira 13, é chamado de parascavedecatriafobia ou frigatriscaidecafobia. E triscaidecafobia é um medo irracional e incomum do número 13.


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Artigos

Os animais deuses

As religiões ancestrais visualizavam o universo como uma grande mãe. As grandes deusas representavam a Terra Mãe ou o princípio gerador da vida. A capacidade de conceber uma nova vida humana, dar à luz, produzir leite e nutrir a vida. Sem ela a nova vida extinguir-se-ia.

Na Babilônia a grande deusa é Ishtar, a mãe de Tamuz. Astarte é adorada pelos hebreus, fenícios e cananeus, de acordo com a liturgia. No Egito temos Isis. Na Frígia temos Cibele, posteriormente identificada com as deusas Rea, Gea, Deméter, e com suas equivalentes romanas, Tellus, Ceres e Maia.

O culto à Grande Deusa é muito anterior à escrita e encontramos pinturas rupestres que mostram bisões, cavalos, ursos, veados e dezenas de outros animais. São centrais nos rituais de caça expressando agradecimento aos animais sagrados que constituem poderosa fonte de vida, a própria energia vital de quem o ingere. Nesse estágio eram freqüentes também representações da Grande Deusa como Senhora dos animais (com seus animais sagrados), como Deusa mãe coruja, ou como Madona com seu filho ao colo.

Acreditava-se que a mulher engravidava do sangue da menstruação. Por isto sempre se ofereciam sacrifícios de sangue à mãe Terra para pedir abundância de alimentos. Até que milhões de anos depois se trocou o sacrifício de sangue pelo auto sacrifício (a culpa).

Na Grécia arcaica, a imagem da Grande Mãe animal alimentava o pequeno Zeus como cobra, porca ou vaca. Réia – Cibele, para os romanos, é representada assentada num trono e ladeada de animais.

O xamanismo

Xamanismo é um nome genérico de origem siberiana para designar as práticas dos curadores e feiticeiros das culturas arcaicas . O xamanismo é um fenômeno cultural, social e espiritual. As mais antigas manifestações xamânicas datam da era paleolítica (os rituais de caça nas pinturas). Ele sobrevive quase sem alterações na Ásia, Oceania, no Ártico (esquimós) e principalmente na África e nas Américas.

O animal sempre teve um papel crucial no xamanismo. No plano inicial arcaico o animal e o ser humano não se diferenciavam, eram como uma única entidade. Isto pode ser constatado através de pinturas rupestres como as da caverna Très Frères, na França (25.000 aC.) Nesse local pode-se ver um xamã vestido com a pele e a cabeça de um cervo, a cauda do animal passando-lhe entre as pernas. As inúmeras representações da grande Deusa, Senhora dos animais e a lenda do primeiro xamã, vem selar essa comunhão entre o homem e o animal.

Os buriates e iacutes da Sibéria nos contam a lenda do surgimento do primeiro xamã, que teria sido gerado pela águia (símbolo da consciência) e por uma mulher (identificada à liberdade). Portanto, desde o início o xamã é um misto de divino, de humano e de animal.

O poder dos xamãs relaciona-se diretamente com seus totens , ou em outras palavras, seus aliados animais. Para um xamã um homem não é melhor e nem mais consciente do que um animal. O xamã oferece ao espírito do animal respeito e devoção, enquanto o animal oferece orientação e assistência. Os animais, assim como as pedras, para os xamãs tem espíritos poderosos, cada qual com seus próprios talentos, e tem a qualificação de ajudar as pessoas nas tarefas específicas. Um dos principais dons oferecidos pelo poder dos animais ao xamã em suas tarefas é a proteção e tutela. Eles costumam descobrir seus animais de poder permitindo que aflorem durante uma dança espontânea ou tendo uma visão do animal.

Para os xamãs, as crises do mundo de hoje não são surpresa. São o resultado do desequilíbrio causado pela falta de respeito, e este desequilíbrio em última análise acarreta a perda de poder para um xamã.
Os xamãs ensinam que à medida que uma pessoa for aprendendo a se comunicar com as pedras e os animais, deve ter em mente que o segredo do sucesso é o respeito. Para ter sucesso é preciso cooperar com o meio ambiente.

O panteão Egípcio

Os egípcios adoravam os animais e várias figuras de divindades teriomórficas são encontradas nos templos egípcios. As figuras significam que o poder pode se encarnar de diversas formas. As representações semi-humanas de deuses exprimem um pensamento que aceita o homem sem rejeitar o animal. Thot, deus da escrita, tem uma cabeça de íbis. Harsaphs, tem cabeça de carneiro. Hátor, deusa das mulheres, dos céus e das árvores, tem uma cabeça de vaca. Montu, deus da guerra, e Hórus, deus dos céus, tem cabeça de falcão. Sobek, trem cabeça de crocodilo e Seth tem cabeça de animal não identificado. Khnum tem cabeça de carneiro e Anúkis tem dois chifres de gazela.

A base do aprendizado do conhecimento de qualquer iniciação era o livro de Thot. Esse conhecimento está contido nas vinte e duas cartas do Tarô Egípcio. Cada carta do tarô representa uma etapa do desenvolvimento. Na carta ” a balança da consciência” há um coração sendo pesado em um dos pratos. No Egito, o coração era a sede da consciência – ele é pesado pelos animais e pelos deuses. Aos pés da balança aparece um cão, o deus Anúbis e um crocodilo comilão, a quem cabe comer o coração se este estiver pesado. A cabeça da deusa Maat está em segundo plano, representando a Justitia. O deus Horus, o falcão, vigia a pesagem da consciência.

Segundo as leis celestes nenhum ser humano pode subestimar qualquer animal e matá-lo ou torturá-lo impunemente. A descoberta do ” Livro dos Mortos” revela elementos que aproximam o ordenamento ético-jurídico do Antigo Egito da moral e do Direito. Dele consta o juramento negativo que as pessoas deveriam fazer durante o julgamento final: ” Não aumentei o sofrimento dessas pessoas, não coloquei a injustiça no lugar da justiça, nunca desequilibrei o travessão da balança, nunca pequei contra a natureza”.

No Egito o gato era considerado um animal sagrado, que recebia após a morte curiosas homenagens. Um templo foi erigido para a deusa – gata Batest. Ela era representada com o corpo de mulher e cabeça de gata, e sustentava em uma das mãos o instrumento musical das bailarinas e no outro a cabeça da leoa, o que significava que a qualquer tempo poderia se metamorfosear numa das três deusas leoas – Sekmet, Pekhet e Tefnut. .O templo de Batest foi descrito pelo historiador grego Herodoto, que viajou para o Egito no ano 450 a.C. Este luxuoso templo situava-se na cidade de Bubasti, numa ilha cercada pelos canais do Nilo.

O panteão hinduNa Índia os animais são considerados sagrados e o hinduísmo adota a idéia de um panenteísmo (Deus está em tudo), diferente de panteísmo (Deus é tudo).

 

O Código Védico, da Índia, fundamenta-se na unidade da vida. Para o hinduísmo a única diferença que existe entre os animais e o ser humano é o grau de evolução. Os avatares, encarnações de deuses, apresentam-se em formas de animais. Vishnu, o preservador, aquele que toma muitas formas, manifestou-se no mundo numa série de dez encarnações, três em forma animal. Matsya, o peixe salvou a humanidade e os sagrados textos vedas do dilúvio. Kurma, a tartaruga, ajudou a criar o mundo sustentando-o em suas costas. Varaharha, o javali, elevou a terra para fora d’ água com suas presas.

A importância de Hanuman, o deus-macaco, aparece no texto sagrado Ramayana, onde deu grande assistência a Rama na vitória contra o demônio Ravana, rei da ilha de Sri Lanka, que seqüestrara sua noiva.
Ganesh, o deus-elefante, o removedor de obstáculos, é filho de Parvati, filha da montanha sagrada, o Himalaia, com o deus Shiva, o destruidor.

Segundo a lenda ele tem uma cabeça de elefante, porque seu pai não o reconheceu e o degolou. Ao perceber seu erro Shiva prometeu repor-lhe a cabeça tomando-a da primeira criatura que visse, que foi um elefante.
Shiva, costuma ser representando com uma serpente, a divindade feminina Durga, com um leão e Sarasvati com um pavão.

Ainda na Índia, constitui-se, no século VI a.C., juntamente com o budismo, a tradição jainista, fundada por Mahavira Vardhamana. Os membros do movimento jainista, ao qual pertencia Gandhi, pautam sua vida na não violência, são vegetarianos e reverenciam a natureza ao extremo. Em seu juramento renunciam à destruição de seres viventes sejam sutis ou grosseiros, andem ou estejam parados.

São vários os santuários do jainismo, onde animais injuriados podem ser tratados. No povoado de Deshnoke, no templo Karni Mata, os ratos passeiam livremente enquanto os devotos oram. Os sacerdotes do templo e os ratos comem nas mesmas tigelas e bebem água no mesmo lugar. Os sacerdotes dizem que os ratos são mensageiros dos deuses e que os sacerdotes do templo, ao morrerem, alcançarão a libertação, nascendo como ratos. Os ratos, ao morrerem, renascerão como sacerdotes.

Deus é o espírito da Terra

Molinero, em seu livro ” Terralogia, ecologia mágica” nos ensina que ” “Não eram mais primitivos os que adoravam o sol do que os que acreditaram encontrá-lo em um ídolo de pedra ou de ouro. Não eram mais errados os que buscaram a Deus zoolatricamente e adoraram a rã, por seu sentido de fecundação, a cobra que tem o veneno, a vida e consegue seu corpo em círculo, que é em si o mandala infinito do universo. Não estão mais errados os que adoraram a pantera negra, o lobo ou o elefante branco, do que aqueles que o humanizaram reverenciando os avatares, os profetas e os santos. Deus está em toda parte, em todas as formas, porque é o espírito da Terra e a única energia que nasce do nada na ausência do todo, sendo em si a vida”.[1]


Nota
[1] MOLINERO, (Yogakrishnanda). Terralogia, ecologia mágica. Mandala – livreiros/editores importadores. Ltda. São Paulo, sem data, pg. 11.


Edna Cardozo Dias
,Doutora em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Autora dos livros “A tutela jurídica dos animais”, “SOS animal”, “O Liberticídio dos Animais” e “Manual de Crimes Ambientais e Manual de Direito Ambiental”. Professora de Direito Ambiental na Faculdade de Ciências Humanas da FUMEC. Presidente da Comissão de Direito Urbanístico da OAB/MG. Membro suplente do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, representante das ONGs da região sudeste (de 1992 a 2002). Ex-membro da Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção de Minas Gerais (1993/2003). Ex-membro do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica. Presidente fundadora da Liga de Prevenção da Crueldade contra o Animal, Vice-Presidente para as Américas da Organisation Internacionale pour la Protection des Animaux, com sede na Suíça.

Fonte: Pensata Animal

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