De olho no planeta

Monte Everest se transforma em uma enorme pilha de lixo

Fotos publicadas recentemente revelaram o real impacto do turismo no monte Everest. As imagens, capturadas pelo geólogo Alton Byers, sanam as dúvidas de quem ainda não sabia o destino de todo o lixo descartado pelos visitantes. De acordo com o profissional, a montanha da maneira que está retratada é uma versão relativamente limpa, devido a expedições de limpeza muito divulgadas todos os anos. A situação poderia ser ainda pior.

Reprodução | The Daily Mail

Muitos dos resíduos gerados pelos turistas são simplesmente queimados e enterrados, deixando os locais realmente sem terra, já que a maioria da área é usada pelos aterros sanitários. “Isso porque a publicidade sempre se concentrou no lixo no acampamento base do Everest e em uma ‘expedição de limpeza’ anual”, conta em entrevista ao jornal The Daily Mail.

Para ele, essa tentativa de resolução foi sempre muito rasa e pouco efetiva. “O verdadeiro problema são as toneladas e toneladas de plásticos, latas de cerveja, garrafas de uísque, recipientes de alimentos de aço e outros resíduos sólidos que os proprietários de lojas importam”, explica.

Reprodução | The Daily Mail

As empresas de turismo compram todos esses produtos para satisfazer as demandas dos visitantes, que beiram os 50 mil ao ano. E esse número pode duplicar, dependendo do período, o que torna a situação cada vez mais alarmante. “Isso é chamado de ‘lixo incinerável’ pelos donos dos chalés, que o despejam em aterros, queimam quando está cheio e depois enterram”, explica.

“Um proprietário de uma pousada em Dingboche disse que eles estavam ‘ficando sem terra para usar como aterros’. É provavelmente um exagero, mas se você caminhar uma curta distância do rio Que Toward lodge, o rio parece um terraço paisagem lunar com todas as novas e velhas marcas de aterro”, ele lamenta. Aterros sanitários variam em tamanho de 270 a 2150 m² – e pode haver centenas deles em poucos passos andados.

Reprodução | The Daily Mail

Mas a queima libera venenos tóxicos no ar, e o lixo enterrado e queimado faz o mesmo com os lençóis freáticos, contaminando ambos. Nada disso contribui para uma mudança no cenário observado atualmente, e não traz problemas apenas para a flora e fauna local, mas também para as próprias pessoas. O Dr. Byers, da Universidade do Colorado em Boulder, acrescentou que muitos turistas estavam doentes por causa do lixo humano sendo despejado nos rios locais. “A maioria das lojas tem sistemas sépticos com vazamentos, ou as dependências ficam próximas ou diretamente sobre os córregos”, disse.

Reprodução | The Daily Mail

O Comitê de Controle de Poluição de Sagarmatha, que lida com resíduos no lado nepalês da montanha, disse ao Dr. Byers que não tem controle sobre os resíduos gerados pelas lojas ao redor do Everest. Mas ele não aceita essa explicação, e tem certeza de que eles tem total noção do que é feito, só não podem realmente fazer nada porque a Associação de Proprietários de Lojas é muito poderosa.

O Dr. Byers disse que as tentativas de resolver o problema devem se concentrar na redução do lixo sólido que chega ao Parque Nacional Sagarmatha, do qual o Everest faz parte, enquanto melhora a reciclagem. Não deveria ser uma medida remediadora e, sim, preventiva. Além disso, uma análise científica detalhada do problema deveria ser conduzida, para que fossem encontradas possíveis soluções, baseadas em estudos.

Reprodução | The Daily Mail

Em última análise, isso poderia levar, por exemplo, ao banimento de todas as garrafas plásticas de água que entram no parque, assim como proibiram garrafas de cerveja de vidro anos atrás. “Também poderia levar ao desenvolvimento de incentivos para os proprietários de lojas de reciclagem de alumínio, aço e vidro”, ele finaliza.

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De olho no planeta

Pecuária tem se mostrado incapaz de combater o aquecimento global

Uma iniciativa de investimento britânica chamada Farm Animal Investment Risk and Return (FAIRR), divulgou na semana passada um estudo de sustentabilidade chamado “O índice de produção de proteína Coller FAIRR.”

Os resultados apontaram que a maior parte das empresas relacionadas à pecuária (carne, laticínios, fornecedores de peixe) tem tido grandes dificuldades para controlar de maneira eficaz as contribuições para o aquecimento global.

Reprodução | LIVEKINDLY

Esse índice surgiu como uma ferramenta para os investidores avaliarem os riscos envolvidos nas 60 maiores produtoras de carne, laticínios e aquicultura. Promete ser a primeira avaliação mais abrangente da situação das maiores empresas de proteína animal do mundo, e a capacidade delas se adequarem às resoluções do Acordo de Paris.

As questões observadas são bem amplas, e incluem a emissão de gases estufa, o desflorestamento e perda de biodiversidade, o uso de água, o bem-estar animal, o desperdício e a poluição, o comprometimento com uma produção sustentável de proteínas vegetais, e também a segurança do trabalhador.

60% das companhias avaliadas foram consideradas como tendo um “alto risco” de dano, observando todas as categorias. Entre as empresas estão grandes nomes como McDonald’s, KFC, Nestlé, Danone e Walmart.

Em relação à emissão de gases estufa, 72% foram identificadas como de “alto risco”, enquanto só 32% apresentaram planos e metas de redução desses números. Apenas uma das 60 empresas conseguiu atingir nota máxima na redução dos gases estufa.

Além disso, 87,5% das companhias de carne e laticínios não divulgaram nenhuma maneira de controlar a emissão dos gases, e este é o maior empecilho para implementação do Acordo de Paris, que deve ser aplicado a partir de 2020.

Reprodução | LIVEKINDLY

Em uma entrevista ao jornal The Guardian, o diretor do Instituto para Agricultura e Políticas de Troca, o europeu Shefali Sharma, diz que “está claro que a indústria da carne e dos derivados de leite já ficaram longe da avaliação pública em termos de seu significativo impacto climático. Para que isso mude, essas companhias precisam ser responsabilizadas pelas emissões e devem apresentar uma estratégia confiável e verificável de redução de emissões.”

Apenas cinco das empresas observadas contabilizam o setor de proteínas de origem vegetal. E inúmeros estudos já comprovaram que a produção e consumo de carne e derivados do leite são os grandes responsáveis pelas mudanças climáticas que vemos atualmente.

O veganismo, por sua vez, é encarado como uma saída sustentável e extremamente viável, talvez a melhor delas, para que consigamos causar menos impactos aos ecossistemas terrestre e marinho.

“É sempre bom lembrar que não existe isso de carne barata – essas indústrias têm sido subsidiadas há anos pelo público porque nós pagamos pela poluição ambiental causadas por elas, e os gastos com saúde pública eles não contam em seu modelo de negócio. É aí que os governos devem interceder,” finaliza Sharma.

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De olho no planeta

Empresas norte-americanas são multadas por desmatar cerrado brasileiro

Aproximadamente quatro milhões de hectares do ecossistema amazônico são desmatados ilegalmente todos os anos. Em grande parte, para plantação de soja – a ser exportada e usada como ração para animais explorados pela indústria da carne.

Reprodução | Greenpeace

Duas empresas agropecuárias estadunidenses, Bunge e Cargill, contribuem de forma decisiva para que esses números sejam atingidos regularmente. Depois de anos juntando informações e documentos como provas contra as companhias, o Ibama pode, enfim, multá-las.

A ação batizada de “Operação Shoyo”, realizada em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), está investigando todas as companhias que desmataram áreas embargadas do Cerrado para o plantio ilegal dos grãos.

Até agora, as empresas americanas devem pagar ao governo brasileiro R$ 5 milhões e R$ 1,8 milhão, respectivamente. Contando com os outros grandes nomes do agronegócio envolvidos, o valor das multas totalizam cerca de R$ 105,7 milhões –  resultado da aplicação de 62 autos de infração.

A Bunge justificou suas ações alegando que, antes de mais nada, “consultou dados públicos sobre áreas banidas” e que em todos os locais em que atuou estava “alinhada com as melhores práticas.”

Em uma declaração à imprensa, o CEO da organização não-governamental Mighty Earth, Glenn Horowitz, ironiza a resposta dada pela empresa. “A Bunge se defende dizendo que pensou que a destruição dessas áreas era legalizada. O governo brasileiro claramente não concorda.” E completa, “mas se a Bunge desse o simples passo de banir todo desflorestamento em sua rede de fornecedores, eles não estariam encarando qualquer um desses riscos.”

Já passou da hora das empresas serem punidas de verdade pelas práticas ilegais na Amazônia, que estão acabando com o ecossistema, e levando muitas espécies à extinção.

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