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“Churrasquinho” é substituído por jantar Vegano na UEPG

Nunca compactuei com a “tradição do churrasquinho” na universidade onde trabalho. Nem em lugar nenhum. Entretanto, nas universidades por aí afora é um evento muito comum. Sobretudo no final do ano letivo. Tenho tudo contra tais eventos, mas nada contra as pessoas que dele participam. Como me conhecem, os acadêmicos, um pouco reticentes, ainda me convidam. Mais pelo social que pelo “prato” principal. Ninguém que está ali é ingênuo. Todos sabem a origem da carne que vai nos seus pratos. Ainda mais se forem meus alunos. Mesmo sabendo de todas as conseqüências para os animais e sua saúde, mesmo sabendo de todo o sofrimento imposto a esses seres, da vida miserável que levam, mesmo fazendo de seus estômagos um cemitério e mesmo conhecendo a comida vegana, são livres para optar.

Esse ano, mais uma vez fui convidada para ser “nome de turma” dos acadêmicos de Licenciatura em Ciências Biológicas. Tradicionalmente os professores homenageados oferecem aos seus alunos um jantar, um almoço, um churrasquinho. Eu, então, opto pelo óbvio: nada de churrasco (que, como diz meu colega Zetti*, não é à toa que termina com ASCO).

Resolvi pois, oferecer no início deste mês, um jantar vegano para minha turma de formandos, para encerrarmos o ano letivo, em substituição ao famigerado “churrasquinho”. Os pratos preparados foram muito bem aceitos pelos acadêmicos, que puderam confraternizar e desfrutar de um jantar totalmente livre de produtos de origem animal. Alguns já conheciam minha comida, para outros, foi novidade. Mas todos apreciaram os pratos servidos. E de uma turma de 15 acadêmicos, 03 já são vegetarianos. O cardápio contou com um quibe vegano com azeitonas, regado com azeite de oliva, limão e molho de soja. Pão vegano com gergelim. Além de saladas de cebola e tomate com orégano, pimenta do reino e outras especiarias. De sobremesa, cupcakes veganos de morango, nozes, cacau e côco. Estes, feitos por minha amiga Maria, pessoa que se esmera para preparar com capricho, doces veganos, “impregnados de consciência”.

Quando vou a algum jantar mais informal entre os acadêmicos e colegas, faço disso uma oportunidade para divulgar sem alardes, o veganismo. Não fico “pregando” durante o evento. Mas, sem cerimônia, levo minha “marmita”. Quero dizer, levo minha comida (sempre extra), que é compartilhada com todos que apreciam e pedem bis. E também as receitas. Já acompanhei muitas pessoas optarem pelo vegetarianismo de forma permanente a partir de momentos como este. Momentos em que abrem suas mentes para provar outros gostos e posteriormente, adquirir informação. Acredito que ainda não há melhor forma de convencimento que um exemplo sem imposições.

Alguns depoimentos:

“Me fez sentir mais leve, é como se realmente estivesse me nutrindo com algo que não vai me fazer sentir pesada e cheia depois”.

Solange Ribas

Foto: Divulgação


“Participar do jantar vegano fez com que eu experimentasse algo diferente do meu habitual. Não posso falar que vou virar vegetariana, mas posso afirmar que gostei muito do paladar diferente que provei”.

Bianca Muchinski

Foto: Divulgação

“Comida leve, simples e saborosa”.
Mayara Juliane Swiech

Foto: Divulgação

“Sentir realmente o sabor de uma comida simples, leve, mas completa. É como eu descreveria um jantar completamente vegano para uma “expectadora de primeira viagem”.
Fernanda

Foto: Divulgação

“O jantar preparado pela profª Marcela foi mais um momento de integração e descontração para nossa turma. Além de ser um momento de diversão, tornou-se um momento de troca de sabores. Tornei-me vegetariana há um ano, após diversas conversas com a profª, que me emprestava livros, e através de várias conversas e exemplo, me ajudou a conseguir aquilo que eu queria desde o começo do curso: tornar-me vegetariana. O jantar foi uma delícia, pois nenhum dos pratos ofertados no jantar continha ingredientes de origem animal. Foi um jantar delicioso, e o mais importante, sem nenhum vestígio de sofrimento. Obrigada profª Marcela, não só pelo jantar, mas por me ajudar a tornar-me vegetariana”.
Anabelly Almeida

* Zetti Nunes, meu colega, nasceu durante a Segunda Guerra e optou pelo vegetarianismo em 1995. Escreve contos e poesias: http://www.zettinunes.blogspot.com/

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