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Participante do programa ‘A Fazenda’ defende exploração de animais em testes

Diego, participante do programa “A Fazenda 2019”, defendeu a exploração de animais em testes científicos, que os condenam a intenso sofrimento e à morte. O rapaz também se mostrou favorável às crueldades cometidas contra os animais para a fabricação de produtos como carne, leite e ovos.

As declarações de Diego foram dadas durante uma conversa com outros participantes do programa nesta segunda-feira (7).

“Foi o que Deus criou, eu vou negar?”, afirmou Diego ao tentar justificar as atrocidades as quais os animais explorados para consumo humano são submetidos. A alegação dele, no entanto, não faz sentindo, nem mesmo pela perspectiva religiosa. Isso porque não se pode dizer que Deus prega o bem, o amor e a paz e, ao mesmo tempo, condenar animais a viver o inverso de todas essas coisas.

Além disso, há menções ao vegetarianismo na Bíblia. Uma delas: “Sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros. Não destruas por causa da comida a obra de Deus. É verdade que tudo é limpo, mas mal vai para o homem que come com escândalo. Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça. (Romanos, 14: 19-21)”. Outra menção pode ser encontrada em Isaías, 1:11-12: “de que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? Diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes”.

Diego, no entanto, ignora essas questões e usa a crença em Deus para justificar atos cruéis. Não satisfeito em incentivar a matança de animais para consumo, ele também apoia os experimentos científicos envolvendo animais e, mais uma vez, mostra desconhecimento e falta de informação ao tratá-los como essenciais.

A defesa de Diego aos testes veio após Guilherme, outro participante do programa, condenar essa prática. “Isso eu acho mancada, porque você só faz eles sofrerem”, disse Guilherme.

“É complicado, mas se não for testar em animal, vai testar em quem? Gente?”, rebateu Diego.

A resposta da pergunta de Diego é dada pelo médico norte-americano Ray Greek, que há 20 anos milita contra os testes em animais por considerá-los ineficazes. Em entrevista à Veja, Ray afirmou que “a pesquisa científica com animais é uma falácia”.

A motivação do médico não é ética. Ele não age em prol dos animais, mas sim em benefício da ciência que, segundo ele, tem seu avanço atrasado pelo envolvimento de animais nos testes.

“As drogas deveriam ser testadas em computadores, depois em tecido humano e daí sim, em seres humanos. Empresas farmacêuticas já admitiram que essa será a forma de testar remédios no futuro”, explicou o médico.


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Especialista alerta que policiais desconhecem lei para animais em risco de vida

A intervenção das autoridades policiais quando um animal sofre maus-tratos é obrigatória, alertou esta sexta-feira a especialista em Direito Penal Maria da Conceição Valdágua, referindo que existe um desconhecimento desta condição por parte dos agentes policiais.

A docente da Faculdade de Direito da Universidade Lusíada de Lisboa falava no I Congresso Nacional de Direito Animal promovido pelo Observatório Nacional para a Defesa dos Animais e Interesses Difusos (ONDAID), que decorreu em Cascais e que juntou magistrados, advogados, órgãos de polícia e veterinários para a partilha de conhecimentos e análise da evolução deste ramo do direito.

Tiago Petinga/LUSA

Quando existe uma denúncia de que um animal corre risco de morte numa propriedade privada, explicou, as autoridades policiais têm a obrigação de intervir, é um dever. Esta atuação é justificada quando, por exemplo, os animais são deixados dentro de um carro ao sol ou existe a denúncia de que num determinado local existe um animal cujo tutor não providencia cuidados básicos de bem-estar como alimento ou água. Ao não atuarem, observou, as autoridades estão cometendo um crime de omissão, violando os seus estatutos.

“Há um flagrante delito permanente. O crime está em execução e por vezes as autoridades acham que não podem entrar”, disse, acrescentando que o fato [crime] está presente desde que quem deve cuidar do animal não cumpre esse dever.

Maria da Conceição Valdágua, mestre em Direito e presidente da Associação Pravi – Projeto de Apoio a Vítimas indefesas (pessoas e animais), considera que “é uma pena que esta matéria seja tão pouco conhecida dos cidadãos, que também podem intervir, e das autoridades que são obrigadas, mas que não atuam por desconhecimento”. “Muitos agentes de autoridade até pelas respostas que dão quando pedimos ajuda claramente não tem consciência que o crime está sendo cometido. Se o crime está em execução, eles têm de atuar, é obrigatório”, frisou.

No I Congresso Nacional de Direito Animal foram abordadas questões como o Estatuto Jurídico Civil dos Animais e a prática judiciária, os desafios na interpretação e aplicação da lei que criminaliza os maus-tratos e o abandono de animais domésticos, os crimes praticados contra animais e a prática judiciária, a medicina legal veterinária e os crimes praticados em defesa dos animais.

O Observatório Nacional para a Defesa dos Animais e Interesses Difusos (ONDAID), entidade organizadora do congresso, é uma associação nacional que tem como objeto a proteção jurídica dos animais e a defesa do seu bem-estar, através da sensibilização do poder público e político, tendo por missão disseminar o conhecimento do direito animal, assim como, estudar, avaliar e propor a adoção de medidas que promovam o bem-estar animal.

Fonte: Observador

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