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Homem é autuado por estocar diesel e manter pássaros em cativeiro em Joinville (SC)

Um homem foi autuado na quinta-feira (7) pelos crimes ambientais de estocar irregularmente combustível e manter pássaros em cativeiro dentro de casa em Joinville, no Norte catarinense. A ação ocorreu no bairro Morro do Meio, na zona Oeste da cidade. Os produtos e os animais ficavam na garagem da residência.

De acordo com informações da Polícia Militar Ambiental, o homem trabalha como motorista de caminhão e a suspeita é de que o produto estocado tenha sido furtado, mas o caso será investigado porque não houve flagrante. Ele terá que pagar uma multa em torno de R$ 8,5 mil.

O homem deve pagar R$ 6,5 mil por manter quatro pássaros em extinção, dois papagaios – um deles em extinção (papagaio-de-peito-roxo) – um canário e uma coleira. Além disso, vai pagar R$ 2 mil pelo armazenamento de substância considerada perigosa – 180 litros de diesel – sem atender as exigências estabelecidas pela lei.

A polícia informou que o combustível e os animais foram apreendidos. Os agentes chegaram ao suspeito por meio de uma denúncia anônima. Conforme a polícia, o Ministério Público Estadual (MP-SC) será acionado para atuar sobre o caso.

Fonte: G1

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Mais de duas mil aves morrem durante incêndio em Lauro Müller (SC)

(Fotos: Cintia Justi/Rádio Cruz de Malta)
(Fotos: Cintia Justi/Rádio Cruz de Malta)

O Corpo de Bombeiros de Orleans foi acionado nesta quinta-feira (28), por volta das 12h40min, para atender um incêndio em um aviário, localizada na localidade de Quilômetro Cento e Sete, em Lauro Müller. O aviário ficava próximo a capela da comunidade e pertencia ao senhor Pedro Teixeira Bardine, conhecido como Macuco.

O galpão, que ficou completamente destruído, possuia mais de 1,2 mil metros quadrados. Dois ventiladores industriais e o ninho automático também ficaram destruídos, segundo relatos do Cabo Freitas do Corpo de Bombeiros. “Quando chegamos no local o fogo já havia consumido todo o espaço. O proprietário do aviário e algumas pessoas conseguiram retirar boa parte das aves antes que o incêndio se alastrasse.

Foi necessário seis mil litros de água para combater as chamas. O proprietário explicou aos bombeiros que o incêndio pode ter sido provocado por algum dispositivo elétrico da própria granja. “Como no local havia vários equipamentos elétricos, ele nos disse que possivelmente algum deles tenha dado problema, provocando o incêndio ”, finaliza Freitas.

Cerca de duas mil aves não sobreviveram ao acidente.

Fonte: Sul em Foco

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Você é o Repórter

Tutor de filhote de bull terrier pede ajuda para encontra-lo

Por ClicBRS

Um filhote da raça bull terrier fugiu de sua casa em Joinville, Santa Catarina. Ele foi avistado próximo a um posto de saúde no bairro Bom Retiro, na Zona Norte de Joinville.

Caso alguém tenha notícias do cão, por favor entre em contato.

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Contato: Renato Fuhrmann, tel: 47-9988-7747
ou e-mail:  renatonutrishop@hotmail.com

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Casal que maltratava animais recebeu multa de R$11 mil em Lages (SC)

(Foto: RBS TV Centro-Oeste / Reprodução)
(Foto: RBS TV Centro-Oeste / Reprodução)

O casal flagrado pela Polícia Militar Ambiental na tarde de segunda-feira (21) em Lages, na Serra Catarinense, por maus-tratos contra animais, pode ser multado em até R$ 11 mil, uma vez que foram resgatados 22 animais e a multa para cada um é de R$ 500.

Os policiais tomaram conhecimento do caso após receberem denúncias de que vários animais estariam sofrendo maus-tratos em uma residência no bairro Guarujá. Na segunda-feira, os militares foram até o local e resgataram 10 cães e 12 gatos, todos em condições degradantes em um pequeno barraco de madeira sem janela e apenas com alguns furos na parede para ventilação. O local estava cheio de fezes e não havia qualquer preocupação quanto à higiene.

Todos os bichos foram levados inicialmente para a sede da Polícia Ambiental e, na manhã desta terça-feira (22), foi feito um acordo pelo qual a Associação Lageana de Proteção aos Animais (Alpa) ficará como depositária fiel dos cães e gatos até que seja formalizado o procedimento de adoação a pessoas interessadas e comprovadamente idôneas.

O comandante da Polícia Ambiental de Lages, capitão Frederick Rambusch, explica que, na esfera criminal, foi instaurado um Termo Circunstanciado (TC) por crime ambiental contra o dono da casa onde os animais foram resgatados.

A pena prevista no artigo 32 da Lei 9.605/98 é de três meses a um ano de detenção e pode ser convertida em serviços comunitários. Em até 30 dias o caso será encaminhado ao Ministério Público, que tomará as medidas jurídicas. Na esfera administrativa, a multa deve chegar a R$ 11 mil, considerando a quantia de R$ 500 por animal resgatado. O casal tem 20 dias para apresentar defesa.

Quem quiser contribuir com a Alpa no cuidado dos animais pode entrar em contato pelo telefone (49) 9972-2363 ou pelo site www.alpalages.com.br.

Fonte: Zero Hora

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Descoberta nova espécie de coruja em Omã

Foto: Dutch Birding
Foto: Dutch Birding

Na edição de outubro da revista Dutch Birding, uma equipe liderada por Magnus Robb, ornitólogo britânico, publica as primeiras fotos e descreve as características de uma ave de rapina noturna até então desconhecida para a ciência. A nova espécie foi nomeada “Coruja Omã”,  e tem o nome científico “Strix omanensis” .

A coruja foi detectada pela primeira vez em 23 de março deste ano, numa área montanhosa no extremo leste da Península Arábica de Al Jabal Al Akhdar , em Omã.

Os pesquisadores perceberam que tinham descoberto uma nova espécie graças às gravações de seu canto, sem ver diretamente o animal. Depois de um longo e complexo trabalho, os pesquisadores foram capazes de tirar fotografias detalhadas da espécie noturna, para tentar determinar se a coruja foi realmente uma espécie até então desconhecida, comparando suas características com outros tipos de aves que habitam a Península Arábica e na Ásia.

Até agora, poucos detalhes são conhecidos sobre à vida desta espécie indescritível e o número de indivíduos existentes. A tática de cientistas para observar diretamente pela primeira vez as corujas foi realmente curiosa: na amplificação do som de gravação de março, eles conseguiu atrair o animal e fotografá-lo. Depois de várias tentativas, a expedição liderada por Magnus Robb , Arnoud van den Berg e Mark Constantine tem uma valiosa coleção de imagens entre os dias 24 e 26 de maio.

A coruja de Oman é uma das primeiras espécies de aves a ser encontrada na Península Arábica ao longo dos últimos 77 anos.

Fonte: La Vanguardia

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Cachorros de pequeno porte estão sendo sequestrados em Curitiba (PR)

Muitos dos casos relatados acontecem quando o tutor e animal estão passeando (foto: Valquir Aureliano)
Muitos dos casos relatados acontecem quando o tutor e animal estão passeando (foto: Valquir Aureliano)

Cachorros de pequeno porte estão sendo sequestrados  em Curitiba. A suspeita é de que os ladrões vendam os animais ou peçam “resgate” e o dinheiro seja usado para comprar drogas. Já seriam vários os casos nas últimas semanas. Segundo as informações da Delegacia de Furtos e Roubos, pelo menos dois casos foram registrados nesta semana em bairros localizados em pontos extremos da cidade, como Mercês e Cidade Industrial de Curitiba (CIC). “Estamos chamando os tutores para serem ouvidos para tentar descobrir o motivo dos sequestros”, conta o delegado substituto da Delegacia de Furtos e Roubos, Rodrigo Souza.

De acordo com Souza, há duas linhas de investigação. Uma deles seria que, devido ao fato dos animais de raça menor — especialmente yorkshires — serem pequenos e dóceis, seria mais fácil de sequestra-los para depois revendê-los como filhotes. O dinheiro serviria para a compra de drogas. Outra hipótese avaliada é a possibilidade de que os animais estejam sendo usados por viciados para trocar por drogas. O traficante aceitaria o animal como forma de pagamento e depois o revenderia ao mercado de pet shops.

De acordo com o delegado, em julho deste ano um cachorro da raça poodle foi sequestrado e trocado por três pedras de crack em Curitiba. A mulher que estava com o animal exigiu R$ 100 para devolvê-lo para a tutora.

Um dos últimos casos ocorreu no bairro Cidade Industrial de Curitiba (CIC), quando dois jovens  sequestraram o pequeno Luc  e agrediram seu tutor , Salvador Iran Ferreira, de 78 anos. “Eles estavam me seguido há alguns dias. Passavam por mim e me chamavam de velho, me diziam para eu tomar cuidado com o meu cachorro, mas eu nem imaginava que eles iriam levar meu animal”, disse.

Ferreira relata que na última segunda-feira, quando passeava com Luc, dois jovens saltaram de dentro de um carro e levaram o cão. “Eu estava com a guia enrolada na mão e ainda tentei evitar que eles levassem meu cachorro. Aí me deram com o pé no peito e quando cai, levaram o Luc”, conta.

Segundo Ferreira, na região da CIC houve outros três ou quatro casos de roubos de cachorros.

Fonte: Bem Paraná

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Respeito à vida humana ou animal: De que lado a ética se posiciona?

Para o acadêmico em Biologia Róber Bachinski, se um ser possui o interesse de não sentir dor, esse interesse deve ser respeitado, independentemente de ser humano ou não.

Entrevista Róber Bachinski

 IHU On-Line – Ao acompanhar algumas entrevistas do filósofo australiano especialista em ética, Peter Singer,  uma frase marcante foi “A vida humana não tem mais valor que a dos outros animais”. O que representa, para você, enquanto acadêmico de Biologia, e para quem luta pela defesa dos animais, esta afirmação?

Róber Bachinski – P. Singer segue um pensamento baseado na igual consideração de interesses, ou seja, se um ser possui o interesse de não sentir dor, esse interesse deve ser respeitado, independentemente de ser humano ou não. Esses interesses são baseados em um nível de consciência chamado subjetividade ou senciência. Os organismos “sencientes” devem ter seus interesses respeitados. Se desconsiderarmos os interesses de um animal que não quer sentir dor apenas por ele não ser humano, estaremos agindo preconceituosamente. Assim, um interesse humano não tem mais valor que o mesmo interesse de outro animal. Singer avalia apenas o interesse de não sentir dor, por ele considerar o mais básico. Eu discordo: se um ser não sente dor, mas tem consciência da sua liberdade, esse interesse em ser livre deve ser respeitado. O mesmo ocorre para outros interesses, como procurar comida, água e conviver em seu hábitat. Ao desconsiderar os interesses de outros animais apenas por eles não serem da espécie “Homo sapiens”, estamos agindo tão errado quanto quando desconsideramos os interesses de algumas pessoas apenas por elas participarem de outro sexo ou de outra etnia. Esses casos são chamados, respectivamente, de sexismo e racismo, enquanto aquele é denominado especismo.

IHU On-Line – Como podemos estabelecer uma relação entre a já citada afirmação de Singer e outras culturas que integram, por exemplo, a prática do vegetarianismo, além da moda, que também faz uso de peles de determinados animais?

Róber Bachinski – É um grande erro moral desconsiderarmos os interesses mais básicos dos outros animais (como o de não sentir dor, de ser livre, de conviver no seu hábitat, de procurar comida e água) em prol de interesses fúteis humanos (como vestir peles e couros, comer carne, ovos, leites e derivados ou usar um produto testado em animais). Não há um real conflito entre o nosso interesse de comer um pedaço de carne e um interesse básico de um animal em viver a sua própria vida? Assim, se realizarmos essas práticas, estaremos abusando do nosso poder, como antes os brancos já fizeram contra os negros e os homens contra as mulheres.

IHU On-Line – Qual é o limite entre uma ética que, ao mesmo tempo em que defende a vida humana, desconsidera a vida animal? O que é parâmetro para um conceito de ética, diante deste contexto?

Róber Bachinski – Infelizmente, muitas vezes a ética é usada não como uma ferramenta para refletir sobre os atos humanos, mas sim para justificá-los. A escravidão animal é uma prática muito arraigada na nossa cultura e isso torna difícil para muitos filósofos analisar as ações humanas quando os seus interesses estão em jogo. Muitos argumentos arbitrários já foram usados para justificar a exploração animal: a incapacidade de falarem como humanos, ou de pensarem, ou ainda a de autoconsciência. Se considerarmos esses argumentos para determinar quem são os pacientes morais (seres que devem ser protegidos moralmente), muitos humanos ficarão fora desse círculo. Recém-nascidos, por exemplo, não pensam, não falam e provavelmente não são conscientes de si mesmos no mundo, porém consideramos que eles possuem certos direitos. Se analisarmos a maioria dos critérios para justificar as atitudes humanas perante os animais, notaremos que, se expuséssemos a nossa própria espécie a esses critérios, uma grande parte da população humana estaria também excluída das considerações morais. Não há sequer um critério que separe todos os humanos de todos os outros animais.

IHU On-Line – Como é para você ter que lidar com a prática de execução dos animais para fins de pesquisas? De que maneira a comunidade acadêmica lida com esta questão?

Róber Bachinski – Thomas Kuhn,  um importante filósofo da ciência, identificou que a evolução do conhecimento acontece através de revoluções de paradigmas. Quando um paradigma não consegue mais explicar certos fenômenos, é substituído por um mais abrangente. Assim também devemos considerar os limites éticos da ciência. Hoje, é inaceitável utilizar animais, como é inaceitável utilizar crianças. Animais e crianças possuem ainda outra similitude com base nos princípios da bioética: ambos não podem consentir com um teste. Não se pode realizar experiências em humanos que não têm condições de entender a pesquisa e consentir com ela (como pessoas em risco social, crianças e pessoas com problemas mentais). Os animais também não possuem condições de consentir, então eles também deveriam ser protegidos por esse princípio. A experimentação animal também está transpassando a linha da ética, quando desconsidera todos os interesses dos animais em nome de um suposto benefício humano ou em nome do simples conhecer. Assim, faz-se necessário derrubar o paradigma científico baseado na utilização dos animais e construir outro através de metodologias substitutivas, fazendo com que a ciência evolua não apenas em termos de conhecimento, mas de considerações éticas.

Embora haja muitos interesses envolvidos no uso de animais (por parte da indústria que vende animais, equipamentos, rações, entre outros e também por parte de muitos pesquisadores que montaram seus currículos baseados na experimentação animal), esses interesses não são mais básicos que aqueles que negamos aos animais. Também noto que muitos professores que utilizam animais se sentem agredidos com essa prática, mas continuam por não saberem trabalhar com outro tipo de pesquisa. A formação acadêmica, que não questiona essas práticas e também dá pouca liberdade para uma pesquisa com outras metodologias, forma profissionais que dificilmente conseguem fugir da experimentação animal e conceber outras metodologias.

IHU On-Line – Que outras práticas poderiam substituir o uso de animais em pesquisas?

Róber Bachinski – São inúmeros os tipos de pesquisa e, cabe ao profissional, que possui mais conhecimento na área, pesquisá-las. Caso não exista uma metodologia livre do uso de animais, então aí já há um trabalho para o pesquisador: criá-la. Não queremos apenas pesquisadores que repitam antigas metodologias, mas que desenvolvam outras novas considerando os apelos da ética e da sociedade. Algumas tecnologias já estão disponíveis, como o uso de cultura de células, microchips que interpretam a toxicidade de substâncias, estudos de casos etc. Porém, há muito ainda que se pesquisar e desenvolver. Diferentemente do uso de animais na pesquisa, em que não sabemos ainda como substituir as diversas metodologias, a substituição do uso de animais no ensino faz-se necessária urgentemente não apenas pelas questões éticas já citadas, mas porque muitas instituições já aboliram essa prática. Na Inglaterra, Alemanha e Áustria, por exemplo, é proibida a utilização de animais na graduação, como também em 71% das faculdades da Itália. Em 75% das faculdades de Medicina dos Estados Unidos, essa prática também é proibida, incluindo Columbia, Harvard, Johns Hopkins, Stanford e Yale. No Brasil, a primeira Faculdade de Medicina que proibiu o uso de animais foi a ABC Paulista. Todos esses cursos demonstram que a substituição no ensino se faz totalmente possível, embora também devamos pesquisar mais nessa área e divulgar para a comunidade científica através de artigos com análise do aproveitamento dos métodos pelos alunos e professores.

IHU On-Line – Em sua opinião, o que torna os animais menos importantes que os homens, no pensamento de quem desconsidera que ambos são vida?

Róber Bachinski – Muitos humanos consideram os animais menos importantes apenas por preconceito. Muitos não conseguem se deslocar do pensamento dominante e cultivado por milênios do ser humano como uma espécie superior que deve dominar todas as outras. Assim, se tornam incapazes de se colocar em posição de igualdade com os seres que compartilham o mundo e que possuem interesses. O mesmo acontece quando um homem se considera mais importante que uma mulher ou certa etnia se coloca como superior. É o uso da força e do poder para subjugar outros seres em nome do próprio prazer

FonteUnisinos

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A Loba Capitolina e as ‘delícias’ do descobrimento

Do que sabemos dos medas, persas, assírios, babilônios, fenícios, cartagineses, gregos, romanos, germânicos, hebreus, árabes, Idade Média, Renascimento é uma sinistra relação de fomes e empanturramentos”
(Luís da Câmara Cascudo)

A estátua de bronze que reproduz, em tamanho natural, uma loba alimentando os lendários gêmeos Rômulo e Remo transformou-se no símbolo da cidade de Roma e num dos ícones culturais que povoam o imaginário coletivo dos italianos. A estátua da Lupa Capitolina assim denominada por integrar o acervo dos Museus Capitolinos em Roma, traduz, sob determinada ótica, a própria interação simbiótica entre o homem e o mundo natural. De fato, o acolhimento, o cuidado e a relação interespécies é algo relativamente disseminado na natureza como um todo.

Segundo consta, Rômulo e Remo eram filhos de Marte, deus da guerra, e da vestal Rea Silvia, uma sacerdotisa que, em virtude de seus compromissos religiosos, deveria manter-se virgem, sob pena de castigo capital. Não lhe sendo, portanto, permitido criar os gêmeos, a mãe colocou os recém-nascidos num pequeno cesto e os jogou no Tibre, rio que atravessa Roma.  A correnteza, que poderia tê-los levado para alto-mar, conduziu-os até uma margem seca. Marte então, na tentativa de salvar os filhos, envia uma loba que os amamenta junto com suas crias. Pouco depois são encontrados pelo pastor Fausto, que deles se apiedou e os recolheu, fazendo-os criar pela sua mulher, Larentia. Quando já crescidos, tal como narra a lenda, Rômulo mata Remo na disputa pelo comando da cidade, iniciando o período monárquico subsequente.

Fato é que por muito tempo os italianos atribuiram aos etruscos a autoria da referida estátua de bronze. Essa atribuição muito se deve à admiração que os primeiros nutrem em relação aos últimos. Até cerca de 500 a.C. os etruscos representavam a nação Etúria, Tuscia ou Tirrena e seu território abrangia a atual região da Toscana e Úmbria. Eram tidos como grandes escultores e artistas, trabalhando o metal com esmero. Todavia, essa pretensa ligação entre a origem da estátua representativa do mito de fundação de Roma e os etruscos sofreu severo golpe em agosto de 2008, quando cientistas da Universidade de Salerno contestaram sua idade por meio da datação com carbono-14. Descobriu-se que a estátua era bem mais nova do que se imaginava e que fora feita por volta do século XIII ou XIV d.C. e não 1.800 anos antes.

A notícia causou alvoroço e certa decepção para a maior parte dos italianos. Mal comparando, seria como se descobríssemos que as magníficas obras de Da Vinci não fossem de sua autoria, ou que os afrescos da Capela Sistina tivessem sido pintados séculos depois do que se supunha. Os romanos, como mencionado, possuem uma forte identificação com os etruscos, dos quais efetivamente receberam fortes influências nas artes, na política, na religião e na gastronomia.

A história da Loba Capitolina, na realidade, serviu como uma introdução para que chegássemos ao ponto que nos interessa em particular: a transmissão irrefletida da influência gastronômica de nossos antepassados e a tradição do elogio da dita “boa” mesa ou da “boa” cozinha, que utiliza necessariamente produtos de origem animal. No caso específico dos antigos habitantes da Toscana, se é certo que não foram os responsáveis pela famosa obra de arte, foram conhecidos como grandes banqueteiros. Tal como assinala a jornalista Jadia Lopes, “descreviam-nos como amantes do luxo e da ostentação. Observando as cenas dos banquetes eternizadas nos afrescos e relevos dos túmulos, qualificavam-nos de ‘escravos do ventre’ (gastriduloi). O poeta veronês Catulo (84 a.C. – 54 a.C.) chamou-os de gordos (etruscus obesus), embora naquela época também se associasse a obesidade à boa saúde e prosperidade material. O banquete tinha para os etruscos duplo significado.

 O primeiro era religioso. A comilança acontecia durante uma cerimônia fúnebre e homenageava o morto. O outro era social. A qualidade da comida atestava o status social do defunto. No início, só os homens compareciam aos banquetes. As mulheres foram admitidas mais tarde e, pela posição em que aparecem nos afrescos e relevos, seriam as esposas dos convivas e não prostitutas, como nas comilanças em Pompeia. O ovo era o primeiro prato servido. Seguiam-se peixes do mar e água doce, moluscos, morcelas, carnes assadas em geral, de caça, galinha, faisão, ganso e a obrigatória porcheta ao forno – leitoazinha desossada e recheada. A seguir, vinham frutas e tortas de queijo e mel. Bebia-se vinho misturado com água e ervas que suscitassem alegria ou facilitassem a digestão. O poeta romano Horácio (65 a.C. – 8 a.C.) contou que em um desses banquetes foi servido um ‘riquíssimo grou (ave pernalta) ao sal’”.

A maior parte das pessoas, ainda hoje, enxerga nessa descrição um elogio à chamada “boa mesa”, ou à cozinha tradicional, exclusivamente voltada aos supostos prazeres sensoriais dos pratos servidos e, simultaneamente, completamente alheia e descompromissada com a moralidade daquilo que se come. Essa desconexão é perturbadora e também se faz notar na recente obra Delícias do Descobrimento: A Gastronomia Brasileira no Século XVI, de autoria de Sheila Moura Hue (Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008). O livro, que já no próprio título valora positivamente a culinária ibérica medieval, aborda os textos de missionários, senhores de engenho, aventureiros e viajantes de diversas nacionalidades que por aqui aportaram e põem o leitor em contato com a cozinha brasileira do século XVI.

Há dois pontos capitais que sobressaem da leitura do texto: o primeiro deles é a triste percepção de que o abuso e a exploração dos animais não-humanos são frutos de uma longeva e impressionante continuidade histórica; o segundo é que a obra não se limita a trazer um relato histórico dessa cozinha, mas também se presta a elogiá-la e, também aí, desvela uma anacrônica apologia da utilização de animais para a configuração da dita “boa mesa”.

Nesse trabalho de recuperação do que se comia no Brasil logo após o descobrimento, a autora divide a obra começando pelas plantas e, em seguida, passando aos animais. Para cada espécie de animal abordada, há uma receita típica, trazida dos tratados de cozinha portuguesa e do livro de cozinha da infanta D. Maria (Lisboa, INCM, 1986). Não há como resistir à tentação de citar alguns trechos relativos à essa última parte, que demonstram, à toda prova, uma insensibilidade exploratória sem limites, aumentada em nossos dias com o advento da criação industrial de animais para abate.

Segundo consta, naquele período a carne de paca era muito valorizada. “Era uma das melhores que há na terra”, segundo Gândavo, o primeiro a descrever esse mamífero roedor. Todos os portugueses comparam o sabor da carne de paca (Agouti paca) ao da carne de porco. Mas o francês Jean de Léry achava o gosto parecido com vitela, e via para a bela pele do animal um mercado certo na França: ‘É muito bonita, manchada de branco, pardo e preto e se o tivéssemos seria muito apreciado no vestuário’. As cutias também não escapavam de melhor sorte: “para que todas as suas potencialidades se revelassem, requeria os mesmos cuidados que a carne de paca: não as esfolavam, apenas pelavam-na, como um leitão. A pele crocante era seu grande atrativo”.

Curioso notar a enorme gama de crendices populares que, felizmente, poupavam parcialmente algumas espécies, como no caso da própria cutia, que não era ingerida pelas índias grávidas com o receio de que as crianças nascessem magras; dos tamanduás, que também não eram comidos pelos índios, pois deles tinham nojo pelo fato de se alimentarem de insetos; ou ainda dos quatis, pouco consumidos por serem considerados impuros: “vivem na beira de regatos, alimentando-se de restos de animais mortos que ali se encontram”.

O livro continua com o seu rol de animais utilizados como instrumentos na gastronomia. O relato atroz segue com a narrativa a respeito do abate, bem como de receitas, de macacos, gambás, golfinhos, aves das mais diversas espécies, peixes, moluscos, répteis e anfíbios. Todos impressionam. Sobre a captura do peixe-boi, por exemplo, a autora reproduz o que afirma Soares de Sousa: “a estes peixes se mata com arpões muito atados a um barril ou boia, porque lhe largam com o arpão a arpoeira, e o arpoador vai numa jangada seguindo o rastro do barril ou boia, que o peixe leva atrás de si com muita fúria, até que o peixe se vaza todo de sangue, e se vem acima da água morto. Ambrósio Fernandes Brandão relata que havia grandes pescarias de peixe-boi, animais dóceis que se deixam pegar facilmente, e que eram capturados em grupos, com pouco esforço”.

As descrições aterradoras não se limitam aos animais ditos “silvestres”. Há inúmeras receitas culinárias cujas vítimas são vacas, porcos, cabritos, galinhas, perus etc. As porcas, vistas como mero mecanismo reprodutivo, “pariam uma infinidade de leitões, todos muito tenros e saborosos”. Os mutuns, ave parecida com o pavão, “eram mortos a flechadas ou caçados com cães”. Os tucanos, segundo o padre Fernão Cardim, “eram bons para comer”. A “fartura” dos peixes do mar também já era bastante explorada. O diário de navegação de Pedro Lopes de Sousa, relativo ao dia 16 de outubro de 1531, conta que: “fomos com os batéis fazer pescaria e em um dia matamos dezoito mil peixes, entre corvinas e pescadas e anchovas; pescávamos em fundo de oito mil braças; quando lançávamos os anzóis na água, não havia aí vagar de recolher os peixes”. Os polvos, por sua vez, eram capturados sem clemência nas marés baixas e, “para se comerem os açoitam primeiro, e quanto mais lhe derem mais então ficam moles e gostosos”.

Assim como os italianos admiram a voracidade etrusca e tentam manter as suas práticas culinárias, nós tendemos a valorizar as nossas cozinhas tradicionais e toda sua absurda glutonia. Os relatos tanto de lá como de cá revelam esse cruel e egoísta descompromisso com a vida. Como mencionado, há uma triste rotina de continuidade histórica da culinária que se utiliza de produtos de origem animal e que explora a vulnerabilidade alheia. Devemos quebrá-la. Os hábitos alimentares, os pratos e as formas de comer devem merecer contínua reflexão ética. Termino, de forma propositadamente irônica, com a frase da contracapa do livro Delícias do Descobrimento: “o leitor está servido”?

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Crescem as desovas de tartarugas na Costa do Descobrimento (BA)

Foi registrado um aumento de 33% nas desovas de tartarugas, em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com os resultados de monitoramentos de tartarugas marinhas na região de Belmonte, realizado pela ONG PAT Ecosmar. De acordo com Paolo Botticelli, coordenador da organização não governamental, as desovas vêm aumentando nos últimos anos, inclusive com comemorados registros das raras tartaruga-de-couro (Dermochelys coriácea) e tartatuga-de-pente (Eretmochelys imbricata).

Esse ano, nasceram mais de 42 mil filhotes de tartaruga marinha nos 35 km de praia próximos ao Terminal Marítimo de Belmonte (TMB). O relatório elaborado pela PAT Ecosmar revela que o aumento das desovas em relação à temporada passada se deve a dois fatores: a oscilação natural do número de matrizes e aos trabalhos de manejo e de proteção que possibilitaram a redução da predação humana das fêmeas de tartarugas marinhas. O monitoramento de quelônios marinhos é realizado nessa região desde 1997. Foram registradas 413 desovas, superando a temporada 2007/2008, quando ocorreram 312 desovas.

No período de 2007/2008, registrou-se ainda 296 ocorrências reprodutivas no entorno do TMB. Segundo o coordenador da PAT Ecosmar, essa região é área de reprodução da tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), da tartaruga-de-papo-amarelo (Caretta caretta) e da tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea). Também foram registradas nove desovas da raríssima tartaruga gigante (Dermochelys coriacea). Em toda a costa brasileira, desovam a cada ano, de três a seis fêmeas dessa espécie. Os ninhos encontrados na área de influência direta do terminal são transferidos, para garantir a segurança das tartaruguinhas.

Na temporada 2006/2007, foram registradas pela primeira vez duas ocorrências reprodutivas de tartaruga-verde (Chelonia mydas). Como resultado do trabalho de preservação e para a alegria dos ambientalistas envolvidos no projeto, na temporada 2007/2008, foram registradas mais ocorrências dessa espécie. Portanto, na área em questão, já foram monitorados ninhos de todas as cinco espécies de tartarugas marinhas encontradas no Brasil. Esse é um importante indicador de eficiência das metodologias preservacionistas adotadas.

O programa tem por objetivo monitorar as ocorrências reprodutivas e não-reprodutivas de quelônios marinhos nas áreas de influência do TMB, com atenção especial para ações que minimizem o efeito da iluminação artificial, da erosão costeira e das atividades industriais na área, conforme as condicionantes ambientais para funcionamento do terminal marítimo.

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