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Deprimidos, cachorros devolvidos por Claudia Ohana buscam novos lares

Tigrão e Thor estão à procura de novos lares (Reprodução/Toca do Bicho)

Os cachorros devolvidos pela atriz Claudia Ohana à entidade de proteção animal Toca do Bicho estão à procura de novos lares. Apesar da artista afirmar que quer os cães de volta, a ONG reforçou que não os devolverá e que precisa encontrar novas famílias para os dois.

Em entrevista à Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA), o voluntário da ONG Mario Rangel revelou que Thor e Tigrão estão “bem tristes e acuados”. Segundo ele, tirar um animal do convívio com seu tutor, separando-o de quem ele aprendeu a amar e levando-o para um ambiente diferente, gera traumas. “Eles estavam acostumados com muito conforto, uma cama pra eles, uma casa e agora voltam para um abrigo, são muito bem tratados, mas é diferente. Especialmente o Tigrão, ele está muito triste. A devolução gera, sim, um trauma. Os animais não entendem o porquê e ficam muito deprimidos”, afirmou.

O caso mais preocupante, de acordo com Mario, é de Tigrão, que está sofrendo mais do que o irmão. “Ele está muito, muito triste mesmo, muito deprimido. Só fica acuado, quietinho, é muito complicado chegar perto dele, porque ele aparentemente tem medo”, lamentou. Assim como Thor, Tigrão tem oito meses. Eles poderão ser doados em conjunto ou separadamente, mas a entidade prefere entregá-los a famílias que não tutelam outros animais, porque eles não têm lidado bem com a companhia de cães e gatos no momento.

A respeito da declaração de Claudia Ohana sobre o uso de um pau contra Thor, a ONG desmente a afirmação de que o cão é agressivo. Em áudio enviado pela atriz à entidade e divulgado nas redes sociais, Claudia diz: “o Thor rosna para mim, eu tenho que pegar um pau para me defender dele”.

Mario nega que o cão, que é apenas um filhote, seja bravo. “Ele é muito agitado, gosta muito de brincar, tem muita energia para queimar. Mas é muito dócil, só é brincalhão e por estar um pouco grande acaba sendo bruto, mas não é agressivo”, explicou.

A Toca do Bicho reforçou, durante entrevista concedida à ANDA, que não quer incitar ódio à atriz e que o único intuito da entidade no momento é encontrar boas famílias para os cães. “Em momento algum queremos incitar ódio ou linchamento virtual, apenas expomos os áudios e fotos por conta de um vídeo que ela fez falando do abrigo, tivemos que expor a verdade pra não queimar o nome do abrigo. Pois são mais de 150 animais que necessitam de ajuda e ter desconfiança em cima do projeto atrapalharia isso, então fomos transparentes”, explicou Mario.

O vídeo ao qual o voluntário se refere foi publicado por Claudia e apagado logo em seguida. A atriz teria feito a publicação logo após a ONG disponibilizar os cães para adoção sem mencionar que eles tinham sido devolvidos por ela. No vídeo, a atriz afirma, entre outras questões, que não devolveu os cães, que estava com dores na coluna e que buscava um local para mantê-los até que seu problema de saúde fosse resolvido e a pandemia acabasse.

De acordo com a ONG, a atriz publicou as imagens após ser criticada nas redes sociais. Isso porque, apesar da entidade não ter citado o nome de Claudia ao divulgar novamente os animais para adoção, internautas que acompanharam o caso identificaram os filhotes e fizeram críticas a atriz, que decidiu publicar o vídeo para se explicar. “Não citamos o nome dela em momento algum, mas as pessoas que acompanharam pelo Instagram tanto da atriz quanto pelo nosso, viram que se tratava dos mesmos cães”, disse Mario.

A atriz adotou os cães quando eles tinham cerca de dois meses de idade (Reprodução/Instagram)

“Ela postou aquele vídeo, mas imediatamente apagou. Então a atriz Paula Burlamaqui postou o mesmo vídeo na própria rede social, o vídeo que a Claudia Ohana tinha postado e apagado. Quando ela publicou, as pessoas começaram a duvidar da nossa palavra e nos vimos obrigados a montar um vídeo contendo provas do que estávamos falando”, explicou.

Paula Burlamaqui também gravou um vídeo de si mesma falando sobre o caso. Nele, a atriz defende Claudia e afirma que tentou contato com Amanda Daiha, presidente da ONG, para tentar entender melhor a situação, mas que não foi atendida. Após o vídeo ser publicado, um comentário foi feito pelo abrigo na publicação. Nele, outra versão é apresentada.

“Paula, já te mandei um áudio. Quando você ligou, não atendi porque estava na ponte dirigindo, voltando do abrigo com meu filho de 5 anos e com 3% de bateria. E eu já sabia que seria sobre o caso dos cães. Mas acho que nem tem mais o que ser conversado depois dos áudios que eu postei”, diz o comentário da Toca do Bicho.

Mario disse ainda que após entregar os cães para a ONG, Claudia Ohana não entrou em contato para saber se eles estavam bem ou para ajudar a entidade a mantê-los. “Após a devolução, esperamos e ela não procurou saber dos cães em nenhum momento, não mandou mensagem. Então, após um mês e meio sem nem perguntar dos cachorros, nem dar um telefonema ou ajudar de alguma forma com os custos deles, os colocamos para adoção”, contou.

Segundo a ONG, os cachorros foram adotados pela atriz no início de dezembro em uma feira de adoção. Mario afirmou que Claudia preencheu um formulário de adoção, onde constava que os cães teriam que ser castrados aos seis meses e que ela teria que completar a vacinação deles. Ele disse ainda que a atriz foi informada sobre a possibilidade dos animais destruírem móveis por serem filhotes cheios de energia para gastar. “Ela estava ciente de absolutamente tudo sobre eles”, reforçou.

No entanto, após a adoção, Mario revelou que a atriz “procurou o abrigo inúmeras vezes reclamando sobre móveis destruídos, dizendo que eles estavam muito bagunceiros e que nunca tinha saído com eles”.

“O abrigo ofereceu o adestrador do abrigo, mas ela disse que não queria, então ele deu suporte online, porém a atriz disse que não teria como fazer os exercícios pedidos por ele”, explicou. “Então ela propôs levá-los para uma fazenda de um amigo dela, sendo que a fazenda não era murada e o abrigo disse que não aceitaria sem antes entrevistá-lo e por não ter muro, senão eles fugiriam”, completou.

Mais de 150 animais vivem no abrigo da ONG (Reprodução/Toca do Bicho)

Nos áudios que enviou à entidade, Claudia afirma que “o maior problema é a destruição geral, de tudo” e que ninguém imaginava que isso aconteceria. “Eu não tenho condição de ficar com eles. Eu não tenho mais sala, eu não tenho mais nada. Eu boto um ovo em cima da pia, eles estão comendo tudo. Ou eu, ou eles”, diz a atriz, que em seguida afirma que está vivendo tempos difíceis. “Infelizmente, vou ter que devolvê-los. Eu sei que não deveria fazer isso, mas estamos em um momento muito complicado”, finaliza.

Mario, porém, rebateu o argumento da atriz sobre não saber que os cães poderiam destruir móveis. “Eles são filhotes e ela sabia que isso poderia acontecer quando adotou, isso tudo é passado, sobre destruição de móveis”, disse. “O abrigo vai oferecendo soluções e ajuda pra pessoa, mas é difícil quando tudo vai sendo negado”, acrescentou.

Depois de tanta polêmica, o único objetivo da entidade é encontrar famílias amorosas para Thor e Tigrão. A missão, no entanto, tem sido difícil. De acordo com Mario, apesar da repercussão que o caso gerou, não estão surgindo interessados em adotá-los. “Mas mesmo com toda repercussão que deu, ninguém se interessar ainda, é triste. Eles vão castrar esta semana”, disse.

O outro lado da história

Através das redes sociais, Claudia Ohana se posicionou sobre o caso. Na terça-feira (21), a atriz publicou um texto no Instagram por meio do qual negou mais uma vez ter devolvido os animais.

Na publicação, ela confirmou que adotou os cachorros em dezembro e disse que logo depois teve que se isolar em sua residência por conta do coronavírus. “Trancada em casa, sozinha e sem poder sair na rua para passear com eles, me encontrei em uma situação muito difícil”, escreveu.

“Em função da extensão da propagação da pandemia, diante da necessidade deles enquanto filhotes e das minhas limitações de saúde (comecei a ter crises agudas na minha coluna que comprometeram minha mobilidade), considerei a opção de devolvê-los. Inclusive, cheguei a falar sobre isso com a Toca do Bicho”, afirmou a atriz, que em seguida disse que repensou e voltou atrás na decisão de devolvê-los.

Claudia Ohana ao lado de Thor e Tigrão (Reprodução/Instagram)

“Fui em busca de soluções que, além de garantirem que fossem bem tratados enquanto não estivessem comigo, também permitiriam que eles tivessem espaço para correr e brincar. Em um primeiro momento, pensei em mandá-los (temporariamente) para o sítio de um amigo meu de longa data. Lá, eles teriam mais espaço e poderiam gastar mais energia”, disse.

Na publicação, Claudia Ohana contou que a ONG não concordou com a estadia dos cães na propriedade de seu amigo “porque o sítio não tinha muros e que, pelo contrato que assinei com eles, isso era proibido”. “Foi quando, eles mesmos, depois de perceberem que talvez eu não tivesse outra opção a não ser devolver, sugeriram que os cachorros ficassem (temporariamente) o período da pandemia no abrigo, onde estariam acompanhados da mãe e dos irmãos – opção que aceitei na hora por acreditar que, certamente, lá seriam bem tratados e, inclusive, mais felizes até o momento de retornarem pra minha casa”, escreveu.

Sobre não ter buscado notícias dos cães após o retorno deles ao abrigo da entidade, Claudia admitiu que errou e disse que não fez o contato porque estava concentrada em se recuperar da dor na coluna e em resolver outros problemas. “Não liguei para a ONG Toca do Bicho e errei, sim, por não ligar”, afirmou.

A atriz disse ainda que não quer “travar uma guerra com a Toca do Bicho, pois o trabalho que eles fazem é muito importante”, mas afirmou ter ficado surpresa ao ver os cães serem colocados para adoção “sem, ao menos, me consultar”.

“Confesso que não vi abandono nisso, apenas achei que era a única coisa possível de se fazer em uma situação como a minha. Ao contextualizar os fatos, não acho que agi corretamente, mas não tinha, e até agora não tenho, outra solução. Sinto falta dos meus cachorros e sei que eles também sentem de mim, mas infelizmente, nada se deu como eu imaginei”, escreveu Claudia Ohana, que logo em seguida reforçou que não entregou os cães para a ONG por conta dos móveis estragados. “Bens materiais a gente trabalha e compra de novo. O amor, não”, reiterou.

“Peço desculpas, mais uma vez, com a esperança de encontrar uma solução, o mais rápido possível, para receber os meus ‘dogs’ outra vez. Sei que, talvez, vocês não entendam minha atitude de ter pedido para eles acolherem os meus cachorros durante a pandemia, mas só eu sei o quanto eu me esforcei para dar conta de tudo e o quanto sofri por ter que me afastar deles”, finalizou.

Até a conclusão desta reportagem, a publicação já havia recebido quase 4 mil comentários. Embora alguns internautas tenham apoiado a atriz, a maior parte fez críticas. “Sou testemunha de tudo e o quanto você sofreu no dia que eles foram. Sei do seu amor pelos animais”, disse uma internauta. Outra, no entanto, discordou. “Nada justifica o abandono. Seja esse abandono como forma de devolução à instituição. Os cães sentem amor verdadeiro e sofrem muito. Espero que você não pegue mais nenhum animal. O que você fez é como dar um filho porque ele dá trabalho. E sabemos que dão mesmo. Mas o amor é maior. Fique em paz e tente ajudá-los à distância. Fique bem e leve tudo isso como uma lição”, escreveu.

“Eles querem amor e atenção”

Os cachorros devolvidos pela atriz são apenas dois entre mais de 150 animais mantidos pela Toca do Bicho, situada em Itaboraí, no Rio de Janeiro. Extremamente carentes, segundo Mario Rangel, os cães e gatos só “querem amor e atenção”.

Recentemente, o voluntário começou a fotografá-los para criar um projeto de incentivo à adoção. “Eu estou indo com ela [Amanda, a presidente da ONG] no abrigo e fotografando os animais para, junto de outra voluntária, criar um projeto para mostrar ao longo do tempo todos os cães para adoção”, explicou.

Cão com deficiência mantido pela ONG busca família sem preconceitos (Reprodução/Toca do Bicho)

Segundo Mario, quanto mais velho o animal é, mais difícil é conseguir um lar para ele. Os que não são mestiços de alguma raça também sofrem mais. “Geralmente os mestiços que parecem alguma raça são adotados até mais fácil, mas os outros é muito difícil, ainda mais adulto e idoso”, disse. Os últimos resgatados do abrigo foram dez filhotes de cachorro, que já comem ração seca e buscam adotantes, e uma cadela atropelada.

E embora os animais tenham diferenças de comportamento e aparência, todos têm algo em comum: querem uma oportunidade para dar e receber amor. “Eles são muito, muito carentes mesmo, ficam doidos querendo carinho e atenção”, contou.

O voluntário explicou à ANDA que por mais que a ONG ofereça o melhor tratamento possível aos cães, garantindo que todas suas necessidades básicas sejam supridas e que eles tenham uma vida digna, o abrigo “é um lugar muito triste, pois a maioria acaba passando o resto da vida lá”.

“Dentro de um abrigo eles ficam em canis e tem até hora de brincar, mas não é a mesma coisa que ter uma família só pra eles, por meio da qual receberão carinho e atenção exclusiva”, disse Mario, que lembrou ainda que a ideia de que apenas cachorros pequenos podem viver em espaços menores, como apartamentos, é um mito que precisa ser quebrado. “Para cães não faz diferença se o apartamento é grande ou pequeno, o que eles querem mesmo é amor e atenção”, reforçou.

Carentes, gatos mantidos pela ONG esperam por adotante (Reprodução/Toca do Bicho)

Os animais doados pela Toca do Bicho são entregues às novas famílias castrados, vacinados e vermifugados. Apenas os filhotes com menos de seis meses de idade não são submetidos à castração antes da adoção. “Mas ao assinar o termo de adoção, a pessoa concorda com a responsabilidade de castrar quando eles tiverem 6 meses, é obrigatório”, explicou. Quando a idade do animal não permite que todas as doses de vacinas tenham sido dadas, o adotante também tem que se comprometer a finalizar a vacinação no período adequado.

Atualmente, um dos casos mais emblemáticos do abrigo é de uma cadela idosa. A história de Lola é pautada no sofrimento. Comovidos com essa realidade, os voluntários da ONG estão se esforçando para encontrar uma família sem preconceitos, que entenda que mais importante do que escolher um animal pela idade é dar uma chance a quem tanto precisa, proporcionando amor a quem só conheceu a dor.

“Lola foi abandonada, os tutores se mudaram e a deixaram na antiga casa. Ela ficou lá sem comer esperando os tutores, desenvolveu depressão, chegou ao abrigo anêmica, muito magra”, contou Mario. A cadela tem por volta de 10 anos e espera pela chance de ser adotada há longos dois anos, vividos no abrigo.

“As pessoas nunca querem adotar esses animais por conta da idade deles”, lamentou Mario, que não perde a esperança de encontrar um lar para Lola e ver a vida da cadela ser transformada.

Lola vive há dois anos no abrigo da ONG (Reprodução/Toca do Bicho)

Para adotar um animal resgatado pela Toca do Bicho, basta acessar as redes sociais da entidade. “No Facebook e no Instagram, o interessado em adotar vai falar com uma voluntária que vai explicar exatamente como preencher os requisitos para adoção”, disse o voluntário.

Dificuldades para manter o abrigo

Os gastos para a manutenção de um abrigo com mais de 150 animais são altos. Somado a isso, há o registro de queda nas doações por conta da crise financeira gerada pela pandemia de coronavírus. Enfrentando dificuldades, a Toca do Bicho conta com a colaboração da sociedade para seguir com a missão de salvar vidas vulneráveis.

“Aceitamos todo tipo de ajuda, financeira, doação de ração, produto de limpeza, panos, cobertas, de voluntariado”, explicou Mario, que disse ainda que os animais consomem muita ração – alimento que também é fornecido pela ONG para animais tutelados por famílias carentes que moram nas proximidades do abrigo.

Filhotes de cachorro resgatados recentemente procuram novos lares (Reprodução/Toca do Bicho)

O voluntário lembrou ainda que no início do ano fortes chuvas alagaram o abrigo, dificultando ainda mais a situação da entidade. Uma “vaquinha” foi criada em um site de financiamento coletivo para arrecadar fundos para a reconstrução dos canis – para doar, clique aqui. 

“O objetivo é construir mais canis pra poder manter os animais seguros e fazer os resgates. Mas durante esta pandemia a ajuda caiu muito, o abrigo enfrenta essa dificuldade”, concluiu.

Nas publicações feitas nas redes sociais da ONG é possível encontrar os dados bancários da Toca do Bicho. Moradores de Itaboraí e região também podem fazer as doações presencialmente, após entrar em contato com a entidade.

 

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Peixes explorados em fazendas sofrem de atrofia e depressão grave

Estes peixes são conhecidos como “abandonos”. Segundo uma pesquisa da Royal Society Open Science, eles exibem comportamentos e química cerebral quase idênticos aos de pessoas muito estressadas e deprimidas.

Foto: Animals Australia

“Os peixes são capazes de ter um comportamento complexo e seu sistema cerebral possui diversas semelhanças com os mamíferos, incluindo os humanos”, explica Marco Vindas, principal autor do estudo.

Foi revelado que os peixes “abandonados” apresentavam níveis significativamente maiores de cortisol, um hormônio de resposta ao estresse, assim como uma maior atividade do sistema serotoninérgico, que está envolvido no sono, apetite, respiração, humor e muito mais. Problemas com esse sistema neural foram relacionados a doenças mentais graves, como a depressão.

“Eu não iria tão longe a ponto de afirmar que eles estão se suicidando, mas, fisiologicamente falando, eles estão no limite do que conseguem tolerar e, como permanecem nesse ambiente, morrem em decorrência de sua condição”, acrescenta Vindas.

Segundo a Animals Australia, os peixes vivem em condições muito estressantes em fazendas, que são muito diferentes da natureza. Eles são mantidos em tanques lotados e suportam interações indesejadas com outros peixes, além do manejo de humanos, da luta para conseguir alimento e mudanças  na iluminação, na profundidade da água e nas correntes. Assim como porcos e galinhas, os peixes sofrem nessas instalações.

A pesquisa sugere que o modo como os peixes enfrentam ambientes estressantes não se difere da maneira dos humanos. Outros estudos descobriram que a inteligência dos peixes é maior do que as pessoas pensam.

Culum Brown, especialista em comportamento de peixes da Macquarie University (NSW), declarou; “Os peixes são mais inteligentes do que aparentam. Em muitas áreas, como a memória, seus poderes cognitivos combinam ou excedem aqueles de vertebrados “superiores”, incluindo primatas não humanos”.

Infelizmente, os peixes que vivem no oceano não estão livres da crueldade. Todos os anos, bilhões de animais são capturados por grandes redes para serem mortos para a alimentação humana. Conforme os animais são puxados para a superfície, muitos são esmagados até a morte devido ao peso de outros animais.

Outros sofrem com a ruptura dos olhos e órgãos devido à mudança repentina de pressão. Aqueles que não falecem antes de atingirem o convés embarcação têm uma morte lenta e dolorosa por meio do sufocamento. O sofrimento causado por isso pode exceder a agonia do afogamento de um ser humano.

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Ursos enclausurados em zoo exibem sinais de desespero e depressão profunda

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: LAV Nazionale
Foto: LAV Nazionale

Em uma fotografia tirada em um zoológico italiano, um urso pardo inclina seu corpo contra a parede de concreto de seu recinto. Ele parece desesperado, deprimido, desanimado. Ele olha para cima, parecendo procurar uma saída.

Este urso não é o único: dois outros ursos no recinto parecem igualmente deprimidos.”É muito triste. Pensar que são forçados a viver todas as suas vidas nestas condições é terrível”, disse Gaia Angelini, ativista do LAV Nazionale, um grupo de bem-estar animal na Itália.

Por razões legais, Angelini não pode revelar o nome do zoológico onde os três ursos estão ou a sua localização exata, mas ela confirmou que as condições são tão precárias como parecem na foto.

Foto: LAV Nazionale
Foto: LAV Nazionale

“O piso é feito de concreto coberto com uma fina camada de terra. Nenhum esforço real é feito para tentar reproduzir habitats naturais”, disse Angelini, observando que os únicos aspectos positivos para os ursos são alguns troncos de árvores e uma pequena piscina.

Embora os ursos possuam uma área interna e outra ao ar livre, ela estima que o espaço total dos três animais tem em torno de 820 pés. Na natureza, ursos pardos podem percorrer uma distância muito maior para procurar alimento.

Os ursos não são os únicos animais que vivem nesse estado precário no zoológico, apontou Angelini. Grandes felinos, elefantes, primatas, pássaros e rinocerontes também vivem em recintos com pouco ou nenhum enriquecimento ambiental.

Foto: LAV Nazionale
Foto: LAV Nazionale

Além disso, alguns animais são forçados a executar performances para os visitantes, mesmo que isso seja considerado ilegal pela legislação italiana, de acordo com a Born Free Foundation.

“O zoológico chama de ‘sessões educacionais’, mas os exercícios realizados são claramente destinados apenas para entreter o público”, explicou Angelini. O público também pode alimentar os animais e, em algumas circunstâncias, recebe autorização para tocá-los, de acordo com a ativista.

Foto: LAV Nazionale
Foto: LAV Nazionale

Isso não acontece apenas em um zoo,  ela esclareceu que vários zoos italianos mantêm animais em condições semelhantes. Quando os animais não estão sendo usados em “sessões educacionais”, eles ficam sozinhos dentro de seus recintos.

“Eles basicamente não têm muito que fazer e andam para frente e para trás, mostram comportamentos estereotipados, como ir para o mesmo canto para tocar a parede, em seguida, andar em círculos”, disse Angelini.

Os ursos também bateram paredes para tentar obter a atenção dos seus detentores, de segundo Angelini. O que eles provavelmente estão fazendo é pedindo comida, ela disse.

Devido à criação em cativeiro, esses animais não podem mais voltar à natureza, mas os ativistas têm lutado para aprovar uma lei que proíbe o uso de animais em performances e pela indústria do entretenimento, informou o The Dodo.

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Após morte de tutor, cachorros ficam deprimidos e adoecem em Hortolândia (SP)

Labradores Hortolandia 6
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Os cachorros Salomão e Lalila, da raça labrador, eram cuidados como filhos pelo antigo tutor e os cães eram extremamente apegados a ele, mas hoje os animais estão órfãos. Francisco Pedro Teododio, de 50 anos, morreu há 3 meses de cirrose hepática decorrente de hepatite C, e os cães caíram em depressão.

Emagreceram cerca de 15 Kg e estão com anemia. Dormiam na cama do tutor, que entrou em coma em casa. Nesse dia, a família teve que prender os cachorros porque eles não deixavam que tirassem Francisco, inerte, da casa. Ele foi levado para o HC da Unicamp, onde morreu.

Labradores Hortolandia 2
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Devido à depressão e à baixa imunidade, o macho (Salomão) está com sarna negra (que é causada por um ácaro, mas só se manifesta em cachorros debilitados). A doença é controlável, não é contagiosa e desaparece com tratamento. “Os dois estão com a saúde precária”, informa a protetora Christina Lee Mac Fafden, que os levou para uma clínica veterinária, onde começaram a ser tratados.

Apesar de doentes, não precisavam ser internados, mas mesmo assim permaneceram na clínica, por não terem mais para aonde ir. E se Cristina não encontrar alguém que os adote ou lhes ceda um lar temporário, terá que devolvê-los para a mãe de Francisco, que não tem como cuidar dos animais.

Dona Maria Merci está com 80 anos e mora em Hortolândia. Francisco e os cães moravam junto com ela. Depois da morte dele, os cachorros ficaram sem banho e pegaram carrapatos.

Labradores Hortolandia
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“Chegou a um ponto que tive que chamar um vizinho pra dar banho neles”, conta a irmã de Francisco, Imenezes Maria Ortiz, de 59 anos, que assim como a mãe não tem condições físicas, psicológicas nem financeiras para assumir os animais. “Além da minha mãe já idosa, e da casa dela, tenho uma filha especial pra cuidar e um poodle doente”, revela. “E do que adianta ficar com eles se não posso trata-los?”, questiona. “Seria muito egoísmo”.

Tanto a família como a protetora fazem um apelo para que os labradores encontrem um novo lar. “Precisamos de alguém que ceda um espaço enquanto eles se recuperam e enquanto procuramos um lar definitivo”, pontua Christina. “Precisamos de adoção conjunta porque eles são inseparáveis”.

O protetor Guilherme Ferrari, que também está ajudando no caso, comenta a atual situação dos cães: “é muito triste. Você vê a expressão deles de saudade, a angústia de ‘estamos abandonados’. É é um pecado porque eles são extremamente amorosos e dóceis”.

De acordo com Maria, mesmo depois que o irmão morreu, os cachorros continuavam esperando Francisco no portão.”É de cortar o coração”. Devido às questões práticas e às lembranças que o lugar traz aos cães, Cristina não quer que eles voltem para Hortolândia.

Salomão e Lalila já tomaram vermífugo, mas precisam de ajuda com remédios, shampoo Cloresten (para dermatite) e ração premium. Quem puder ajudar com doações deve entrar em contato com Christiana pelo WhattsApp (19) 78054538 ou com Guilherme Ferrari pelo (19) 995345336. Aos interessados em ceder um abrigo para os cachorros, pode contatar os protetores ou mesmo a irmã de Francisco, Maria, pelo WhatsApp (19) 988359157.

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Fonte: Correio Popular

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