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Cão morto após mutilação demorou a ser socorrido, diz veterinário

Foto: Divulgação/Polícia Militar
Foto: Divulgação/Polícia Militar

O veterinário que fez o atendimento ao cachorro que morreu após ter as duas patas traseiras cortadas em Pires do Rio, no sudeste de Goiás, relatou que, quando o animal foi socorrido, a mutilação já tinha ocorrido há pelo menos dois dias. “Pela aparência do ferimento e pelo grau de infecção, constatamos que aquele animal já tinha perdido muito sangue”, afirma José Ricardo Garcia Mansur, 36. Para ele, se tivesse sido socorrido com rapidez, o cão poderia ter sobrevivido.

De acordo com o veterinário, além das patas cortadas, o cão também tinha sinais de cortes na região próxima ao abdômen e estava muito sujo. Para o médico, a terra acumulada na área cortada estancou o sangue e impediu que o cachorro sangrasse até a morte logo após ser agredido.

Segundo informações da Polícia Militar, o cão foi encontrado se arrastando, sem as patas, pelo quintal da casa do tutor, que acionou a corporação. O caso aconteceu no último dia 14 deste mês. Os policiais que atenderam a ocorrência suspeitam que o crime tenha sido algum tipo de retaliação ao tutor do animal, mas o autor da agressão ainda não foi identificado.

Cirurgia

Ainda de acordo com o veterinário, ao chegar à clínica, o cachorro recebeu analgésicos para diminuir a dor e passou por um procedimento cirúrgico. “Onde estava a lesão não tinha o que fazer. Então, fizemos a amputação mais para cima para tirar a área infeccionada porque do jeito que estava não tinha nem como suturar e pele. Correu tudo bem, mas no terceiro dia após a cirurgia ele morreu”, lamenta.

José Ricardo relata ainda que o caso teve grande repercussão na cidade e muitas pessoas tentaram ajudar o cão. “Ele tinha a possibilidade de sobreviver. A gente vê animais que usam cadeirinha de rodas e, inclusive, já tínhamos ganhado a cadeirinha pra ele porque a mobilização pelo caso foi grande na cidade. Mas, infelizmente, a infecção já estava muito avançada”, diz.

Investigação

Apesar de ter ocorrido no último dia 14, o caso só foi registrado na Polícia Civil na terça-feira (22).

De acordo com os policiais militares que atenderam a ocorrência, no dia em que o animal foi encontrado ferido, um homem solicitou ajuda da PM afirmando que tinha chegado em casa após o trabalho e se deparado com o cão agredido. O homem afirmou que criava o cachorro e não sabia quem tinha sido o autor da agressão.

Ainda segundo a PM, os agentes identificaram, por marcas de sangue e relato de testemunhas, que as patas do cão foram cortadas em frente a uma casa localizada uma rua acima de onde ele foi encontrado.

Até terça-feira as patas do cachorro e a arma do crime não haviam sido localizadas. Vizinhos da região não deram informações à PM sobre quem teria cometido a agressão.

Segundo o delegado Luziano Severino de Carvalho, titular da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), o animal sofreu o crime de mutilação, previsto no artigo 32 da Lei 9.605/98.

“A pena para esses casos é de 3 meses a 1 ano de prisão e multa, que varia entre R$ 500 e R$ 3 mil”, explicou. Em caso de morte, de acordo com o delegado, a pena pode aumentar em até 1/3.

Fonte: G1

 

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