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Anonimato na internet facilita tráfico de animais

O último relatório emitido pelo Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW) é alarmante. Intitulado Disrupt: Wildlife Cybercrime (Interromper: cibercrime contra a vida selvagem), o documento destaca a sofisticação dos métodos utilizados por traficantes e compradores de vida selvagem e o anonimato como aliado.

Sabe-se que as cifras da caça e comércio ilegal são altas. Envolve bilionários e redes complexas. Não à toa, o relatório identifica o uso de tecnologia de ponta nos processos criminosos, especialmente para a caça.

Internet da anonimato aos traficantes | Foto: Pixabay

A investigação que deu origem ao documento ocorreu por seis semanas no ano passado na França, Alemanha, Rússia e Reino Unido. Foram excluídos grupos fechados ou privados no Facebook, sites protegidos e páginas na dark web, camada de navegação aberta via meios não convencionais.

Entre 5381 anúncios locados em 106 mercados online e quatro redes sociais, foi possível identificar 11772 espécimes selvagens protegidas. Quatro em cada cinco posts tratavam de animais vivos. Os demais, partes e produtos de origem animal. Répteis, aves e marfim eram os mais populares.

Sites e páginas em redes sociais são facilmente derrubáveis com o auxílio de provedores. Porém, criminosos têm feito cada vez mais uso da dark web. As páginas nelas hospedadas não são acessadas pelos navegadores disponíveis, nem aparecem nas buscas. São necessários softwares e credenciais específicos, tornando a tarefa de rastreio difícil.

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Destaques, Notícias

Caçadores utilizam informações de hackers para matar tigres

(da Redação)

Foto: Care2
Foto: Care2

O crime cibernético – ou “cybercrime” – não tem poupado nem os animais não-humanos.

Alguns caçadores em busca de peles ou chifres de animais selvagens perceberam que não precisam mais ficar em uma selva por vários dias procurando indivíduos de espécies ameaçadas para matar. Ao invés disso, eles podem contratar um gênio da informática.

Oficiais do Departamento de Vida Selvagem que mantêm o controle sobre Tigres-de-Bengala na reserva indiana protegida de Satpura-Bori  declararam recentemente que alguém hackeou o seu computador. Os dados roubados continham informações de uma coleira de tigre com GPS. As informações são da Care2.

Os dados de localização do tigre monitorado chamado Panna-211 estão provavelmente comprometidos. Infelizmente, se aspirantes a caçadores são capazes de rastrear esta coleira, eles podem saber informações em tempo real sobre onde está Panna-211. Tudo o que eles têm que fazer é ir até ele e matá-lo. Uma vez que ninguém descobriu quem hackeou esses dados, os melhores funcionários da área de vida selvagem do governo indiano deverão manter estrita vigilância sobre Panna-211 durante os próximos meses.Muitos programas e organizações estão usando coleiras com GPS em animais selvagens com propósitos de estudos e preservação.

Utilizadas nos ameaçados antílopes no Quênia e até em guepardos asiáticos no Irã, coleiras com GPS têm valor inestimável na luta para salvar espécies à beira da extinção.

Esse recurso permite aos cientistas monitorar movimentos e rotas dos animais e com isso apreender dados importantes a respeito de necessidades relativas ao habitat, comportamento social, técnicas de prevenção contra predadores, metodologia de caça, e padrões de migração e de interação com outros animais selvagens e domésticos.

Um bom exemplo foi o trabalho feito no Quênia em 2008, rastreando a zebra de Grevy. Os dados coletados com a coleira de GPS das zebras proveu aos pesquisadores informações críticas sobre como esses animais conciliam a necessidade de encontrar alimento com a constante ameaça de predadores.

“Nós conseguimos saber como as zebras mudam o comportamento acentuadamente quando usam as planícies à noite, para minimizar o risco de serem predadas por leões”, disse Daniel Rubenstein, diretor do Departamento de  Ecologia e Biologia Evolucionista da Universidade de Princeton, à CNN.

Pesquisadores também estão usando coleiras de GPS para acompanhar os gorilas-do-rio-cross (“Diehli”) próximos à fronteira que divide a Nigéria e Camarões. Caçadores e outras ameaças como o desmatamento e a perda de habitat forçaram esses macacos a se mover para áreas montanhosas, o que fez com que o rastreamento de seus movimentos se tornasse desafiador. Dados obtidos pelo GPS ajudam os pesquisadores a entender para onde os gorilas vão e como eles lidam com ameaças de humanos à sua existência.

Segundo a reportagem, é imensamente frustrante quando avanços tecnológicos que servem para ajudar animais são, ao invés disso, desviados por criminosos e usados para prejudicá-los, e esse evento deve servir como alerta para que os conservacionistas que trabalham com coleiras de GPS em animais reforcem as medidas de segurança aos seus computadores.

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