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Fundador de organização cristã afirma que ser vegano é atitude fiel aos ensinamentos de Jesus

O fundador de uma organização cristã vegana afirmou que cristãos devem ser ativistas defensores dos animais.

Ele disse que os cristãos “têm razões convincentes para defender a causa dos animais” durante uma entrevista com o The Revd Steve Chalke, no dia 4 de novembro.

Daryl Booth é o fundador da Sarx, que “capacita os cristãos a defender os animais”.

Participantes no evento e Darryl Booth, fundador da Sarx (Foto: Plant Based News)

Em uma declaração enviada à Plant Based News, Booth descreveu a adoção de um estilo de vida vegano como “uma resposta fiel aos ensinamentos de amor e compaixão de Jesus”.

“A grande maioria das pessoas em nossa nação se preocupa profundamente com os animais e as questões que os afetam”, disse ele.

“Com uma crescente conscientização da crueldade envolvida na produção de carne, o veganismo no Reino Unido vem disparando nos últimos anos”.

“Muitos entre esses crescentes grupos veganos são pessoas de fé que querem ver a igreja reacender sua conexão e preocupação com todas as criaturas vivas na criação de Deus”.

A entrevista seguiu-se a um evento promovido pelo Sarx em 3 de novembro, no qual mais de 70 defensores dos animais de todo o Reino Unido se reuniram para interagir com outros de diversas origens e tradições.

O Christian Animal Advocate Connect Day, em comemoração ao World Vegan Month, apresentou entrevistas com os principais oradores, incluindo Jane Land e Matthew Glover, os Fundadores do Veganuary.

O evento teve a participação de celebridades veganas como Jay Wilde; o fazendeiro de Derbyshire que doou notoriamente seu rebanho de 56 animais a um santuário de animais no ano passado e Tomi Makanjuola; um chef vegan cristão, blogueiro de culinária.

O autor Dr. Philip J. Sampson, uma professora cristã vegana e autora de ética animal e Kerry-Jayne Wilson; um ativista vegano dos direitos dos animais do Anonymous for the Voiceless, além do próprio Booth, também compareceram.

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Ativista veste-se de Jesus para falar sobre Veganismo

(da Redação)

Neste domingo (22), um sósia da figura central do cristianismo, Jesus de Nazaré, realizou um manifesto pacífico assinado pelo coletivo Camaleão em diversos pontos da cidade de Taubaté, como a Catedral Católica da Praça Dom Epaminondas e em frente ao McDonald’s no principal shopping da cidade.

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Na primeira placa a mensagem dizia: “No Natal não coma o presépio! Torne-se Vegan!”, a proposta é trazer uma reflexão a comunidade católica sobre respeito às outras espécies e o não uso de produtos de origem animal tanto para evitar a sua exploração, quanto pela saúde humana e pelo meio ambiente.

A outra placa trazia uma mensagem ainda mais impactante. Segundo o grupo, foi uma forma de inverter o preconceito com as religiões ‘afro-brasileiras’ para falar do especismo na Ceia Cristã. A mensagem dizia: “É contra o uso de animais em Rituais Religiosos? Então… faça uma ceia de natal vegana!”.

Em ambos cartazes um link indicava um guia básico sobre veganismo e direitos animais, o Seja Vegan!, um projeto realizado pelo Camaleão e apoiado por diversas organizações de direitos animais, inclusive a ANDA.

Muitos cristãos justificam o consumo de animais através da passagem bíblica da multiplicação dos cinco pães e dos dois peixes, mas segundo o ativista Douglas Ribeiro do Camaleão, o uso da palavra “peixe” foi acrescentado por escritores posteriores para dar credibilidade à crença de que Jesus estava presente em carne e osso, e não apenas em espírito, além do fato de que os “peixes” mencionados na história da multiplicação são uma tradução errônea da palavra hebraica “fishweed”, que é um tipo de alga marinha largamente consumida no Oriente Médio e não um peixe (fish).

Organizações como a PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) já levantaram a mesma bandeira nos Estados Unidos através de uma campanha nacional organizada pelo católico romano, Bruce Friedrich. Recentemente, o padre nova-iorquino Frank Mann tem feito uma revolução em sua igreja pregando que o amor e a compaixão cristã deve se estender a todos os seres sencientes.

O Camaleão também realizou simultaneamente dialogo com o público explicando sobre a atividade, além de ter servido degustação vegana para os transeuntes.

Para saber mais sobre Veganismo, acesse: www.sejavegan.com.br.

Saiba mais sobre a reação do público e outras fotos da atividade no Flickr e Facebook do Camaleão.

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A sexta 13, o gato preto e a manga

Por Marli Delucca  (da Redação)

O calendário é um sistema para contagem e agrupamento de dias que visa atender, principalmente, às necessidades civis e religiosas de uma cultura.

A religião foi a precursora do mito de azar da sexta-feira 13, devido ser atribuída a esta data a crucificação de Jesus Cristo.

Mas se você acha que algo diferente pode acontecer nessa data, prepare-se pois em 2012, teremos três sextas-feiras 13. Qualquer mês que comece num domingo irá conter uma sexta-feira 13.

A maioria das civilizações fundamentava suas crenças em deuses oriundos da própria natureza, como os celtas que entendiam que a terra comporta-se como um autêntico ser vivo. Também tinham conhecimentos de como viver em harmonia com o planeta, da importância de manterem a terra sadia – assim sendo evitavam mutilá-la inutilmente – e até mesmo da importância de tratá-la.

Também os primeiros egípcios tinham uma atitude de respeito em relação aos fenômenos da natureza- o Sol, a Lua, e às características marcantes dos animais – a ferocidade do leão, a força do crocodilo, etc. As primeiras divindades que surgiram eram quase sempre representadas sob a forma de um animal. E como cada povoado tinha seu próprio deus, e que era frequentemente associado a umanimal da região, com atribuições e poderes diferentes.

E foi ali no Egito que o culto a Deusa Bastet surgiu

Bastet, ou  Ailuros (palavra grega para “gato”) é na mitologia uma divindade solar e deusa da fertilidade, além de protetora das mulheres grávidas. Era representada como uma mulher com cabeça de gato, e um cesto onde colocava as crias. Nos seus templos foram criados gatos que eram considerados como encarnação da deusa e que eram por essa razão tratados da melhor maneira possível. Quando estes animais morriam eram mumificados, sendo enterrados em locais reservados para eles.

Mas como toda crença aproveita algum dado para que possa ser assimilada e considerada verdadeira por muitos anos, a associação do gato ao culto da fertilidade, não foi em vão.

Os gatos  salvaram os egípcios da fome e de doenças. Por respeitarem os ciclos naturais das enchentes do Rio Nilo, que na verdade adubavam suas plantações, tinham uma enorme safra de colheita de grãos armazenada. Mas nos tempos antigos armazenar grãos era um chamariz para roedores, que não só devoravam tudo, como se multiplicavam ainda mais. A única forma de combate aos roedores eram os gatos, que não são só venerados e cuidados como deuses vivos, como também era crime punido com pena de morte levar qualquer gato para fora do país. Dessa forma, as outras nações não teriam como combater os roedores, e sem grãos, se submeteriam as imposições e aos valores que o Egito quisesse para lhes vender.

O avanço do império romano sobre as outras civilizações, podiam com o uso de armas até lhe tirar as terras, mas para dispor da mente desses povos, os romanos começaram por denegrir alguns de seus costumes.

A imagem dos gatos associados à Deusa Bastet, que era toda adornada de ouro e pintada de preto, para dar mais ênfase à associação de riqueza e de fertilidade, foi deturpada pelo romanos que passaram a caçar e matar os gatos pretos na tentativa de acabar com o culto à Deusa.

O Papa Gregório IX afirmava na bula Vox in Roma que o diabólico gato preto, “cor do mal e da vergonha”, havia caído das nuvens para a infelicidade dos homens.

Como também o povo celta possuía muitos conhecimentos da natureza, pois viviam nas florestas, todos conheciam o poder curativo das plantas. Para acabar com a resistência dos celtas ao catolicismo, a Igreja Católica pregava que os sacerdotes druidas eram bruxos. Como os druidas viviam isolados e rodeados por muitos gatos, a Igreja começou a associar os gatos às trevas, devido aos seus hábitos noturnos, pois eles plantavam de dia e se reuniam à noite, e afirmava terem parte com o demônio, principalmente os de cor preta. Milhares de pessoas foram obrigadas a confessar, sob tortura, que haviam venerado o demônio em forma de gato preto, sendo logo depois, condenadas à morte.

A Igreja Católica foi a maior perseguidora de gatos da história, e na Idade Média, travou uma dura e longa cruzada contra os gatos e os seus admiradores. No ano 1232, o Papa Gregório IX fundou a Santa Inquisição, que atuou barbaramente durante seis séculos, torturando e executando, principalmente na fogueira, mais de um milhão de pessoas, sobretudo mulheres, homossexuais, hereges, judeus e muçulmanos. Igualmente médicos, cientistas e intelectuais, e também os gatos, “ad majorem gloriam Dei”.

A mesma perseguição foi realizada no Século XV, contra os povos, adoradores de uma outra divindade a Deusa Freya, sendo que a Igreja considerava o seu culto um ato de heresia, associando-o à adoração de maus espíritos. Foram destruídas imagens da Deusa e mulheres que tinham gatos foram torturadas e queimadas vivas. Os gatos, que eram protegidos pela Deusa Freya, foram acusados de serem demoníacos, capturados, enforcados, e jogados nas fogueiras da Santa Inquisição.

A tradição mágica e outras habilidades naturais sobreviviam em alguns locais, durante a Idade Média, mas eram não-oficiais e eficazmente perseguidas pela Igreja, cuja religião monoteísta tornar-se-ia um instrumento institucionalizado do Estado. A magia tornou-se uma atividade suprimida simplesmente porque os sacerdotes da Igreja não eram adeptos da mesma, e também por não quererem correr o risco de que alguém pudesse sobrepujar as suas habilidades limitadas, e o fato de serem considerados a via única para Deus. Desta forma, tudo o que a Igreja considerava “não ideal”, seria identificado na forma de várias imagens do mal.

Dali até a Idade Média, Roma também continuou sua perseguição aos gatos pretos (poupando os gatos de outras cores que eram necessários para combater os roedores), e ao longo dos anos, enraizou na mentalidade das pessoas a crendice das bruxas e dos gatos pretos e aproveitando-se de novos conhecimentos de gênios da época como Nostradamus e Galileu Galilei, foi reforçando o mito em torno do número 13, recontando a história da última ceia, onde Judas traiu Cristo por estarem em 13 pessoas a mesa.

Hoje, resumindo ao máximo, mitos criados há mais de 2000 mil anos e perpetrados na metade destes, parece inconcebível que as pessoas se deixassem levar por essas alegações, e passassem a acreditar e viver suas vidas com base nessas superstições.

Em especial porque segundo a lógica, a feroz perseguição aos gatos incitada pela Roma, dizimando quase por completo a população europeia destes animais no Século XIV, contribuiu decisivamente para a multiplicação de ratos, que eram portadores da Peste Bubónica. A terrível consequência disso foi a proliferação da Peste Negra (Peste Bubónica), que dizimou um terço da população europeia (de 1347 a 1350).

Talvez com o advento da internet, e a facilidade na obtenção das informações, as pessoas comecem a repensar seus hábitos que foram passados de geração em geração há milênios, com base não em crenças que aprimoram e aproximam o ser humano de sua essência e da natureza, que por mais que muitos não queriam admitir tem o seu lado divino. Tem a sua beleza, os seus mistérios e as suas intempéries.

E que somente há 200 anos atrás, os senhores de engenho do Brasil conseguiram fazer com que os escravos se alimentassem menos, somente dizendo a eles que Manga com leite, fazia mal à saúde. Do leite, eram feitos a manteiga e os queijos. Como os escravos gostavam de mangas e as comiam abundantemente, os feitores espalhavam que manga com leite era veneno. Para confirmar a história chegavam ao ponto de envenenar o escravo que comia manga e bebia leite. Tudo isso em função de poupar o leite para a casa grande.

Mas, da mesma forma que o mito do azar, e do veneno, ainda hoje impera na memória de algumas pessoas, temos pelo menos muito mais formas de difundir a realidade e a verdade para elas.

Se mesmo assim você for uma dessas pessoas com medo de sexta-feira 13, saiba que isso tem nome. O medo específico (fobia) da sexta-feira 13, é chamado de parascavedecatriafobia ou frigatriscaidecafobia. E triscaidecafobia é um medo irracional e incomum do número 13.


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Cristianismo e Vegetarianismo/Entrevista com Arnaldo Sisson Filho

Nome: Arnaldo Sisson Filho
Idade: 54
Profissão: Economista
Religião: Cristão-católico
Vegetariano desde: 1973

1. Em sua opinião, na questão religiosa, por que é importante ser vegetariano?

Dentro do tipo de cristianismo que pratico, baseado nas interpretações e iluminações místicas da Dra. Anna Kingsford, destacaria dois aspectos; o primeiro está dentro da frase do apóstolo Paulo quando escreveu: “Não vos iludais, de
Deus não se zomba. De acordo com o que semeardes, assim colhereis.” Essa é a leia da Justiça Divina. Então, nesse primeiro aspecto, se semearmos dor, não colheremos felicidade, alegria, mas sim colheremos dor. É só olhar para o mundo e perceber isso. Semeamos dor e colhemos dor.

O segundo é que a alimentação baseada na carne embrutece, ou, alegoricamente, mata, nossos sentidos mais nobres, isto é, nossas intuições, ou nossa percepção espiritual.

Nossos veículos, tanto o físico quanto os psíquicos, são as lentes por meio das quais vemos o universo, o mundo. Se não forem sensíveis (o que depende, inicialmente, de uma alimentação pura e vitalizante), trocaremos nossa herança divina por um mísero prato de lentilhas, como na parábola bíblica.

2. Você acredita que a religião pode influenciar a pessoa para escolher uma dieta vegetariana?

Seguramente. Se uma religião não fizer isso, não merece sequer o nome de religião. O que vemos hoje em nosso país, majoritariamente, não é religião, mas sim “re-perdição”.

Cristianismo é fazer nascer e crescer em nós o Cristo Jesus que há em nosso
interior. Novamente, na linguagem do apóstolo Paulo, “o Cristo em nós, a esperança de glória”. Isso depende, basicamente, de pureza e bondade em nossas vidas.

O comer carne é o oposto disso, é impureza e crueldade. É o predomínio do materialismo, dos sentidos externos, da ilusão de que é possível nos beneficiarmos por meio da dor alheia. Enquanto não acordarmos para isso, a dita religião continuará, na verdade, re-perdição: cegos perdidos conduzindo cegos também à perdição da cegueira espiritual.

E o vegetarianismo, como regra geral, é o ABC desse processo de aproximação do ser humano a Deus, do nascimento do Cristo em nós, da luz divina que nasce no seio de nossas almas e de nossas mentes.
 
3. Você acha que as religiões devem determinar ou indicar aos seus seguidores que sigam uma dieta vegetariana?

Como disse, isso é o início, o alicerce, o ABC da vida religiosa. É verdade que o que sai de nossas bocas é mais importante do que aquilo que entra por nossas bocas. Isso, contudo, não significa que o que entra por elas não seja importante. Significa apenas que o que pensamos e falamos é mais importante ainda.
 
4. Sua religião tem tradição em vegetarianismo?

Infelizmente a tradição vegetariana dos primeiros cristãos, que era muito forte, ao longo dos séculos ficou quase perdida. Ela, no entanto, era muito forte entre o cristianismo dos primeiros tempos, a ponto o apóstolo Paulo se ver obrigado a intervir, de forma conciliadora e fraternal, entre grupos que se acusavam mutuamente, uns vegetarianos e outros não.
 
Nesse sentido, entre outros, vemos a importância da obra da Dra. Anna Kingsford,
uma grande mística e profeta cristã, ainda não reconhecida pelo cristianismo materialista e idólatra que predomina hoje, e desde muitos séculos.

5. Sua religião tem alguma determinação ou recomendação para que as pessoas sigam o vegetarianismo ? Em caso afirmativo, por quê?

Penso que a melhor forma que posso responder é trazendo algumas palavras da Dra. Kingsford e de seu grande colaborador Edward
Maitland:”Em todos os lugares na cristandade católica os pobres e pacientes animais, que não podem falar, suportam todas as espécies de tormentos sem uma única palavra ser pronunciada em sua defesa pelos instrutores da religião. Isso é horrível – é deplorável. E a razão para tudo isso é que os animais são popularmente considerados como não possuindo almas. Digo, então, parafraseando as palavras de Voltaire que “se fosse verdade que eles não possuem almas, seria necessário inventar almas para eles”. A Terra se tornou um inferno para os animais por causa dessa doutrina. Vejam a vivissecção, e a tolerância da Igreja para com ela. (…) Quais sofrimentos são mais amargos do que os deles, quais injustiças tão profundas, e que necessidade de compensação tão espantosa? Como uma mística eu sei que os animais não são destruídos pela morte, mas se eu pudesse duvidar disso – digo isso solenemente – eu também deveria duvidar da justiça de Deus. Pois como eu poderia dizer que Deus seria justo para o homem se ele fosse tão amargamente injusto para com os queridos animais?”
(Vol. II, p. 312) [Anna Kingsford – Her Life, Letters, Diary and Work. 3ª.

Edição, editada por Samuel Hopgood Hart. John M. Watkins, Londres, 1913. Vol. I, 442 pp.; Vol. II, 466 pp.]

“Indo além dos limites dos iniciados e adentrando a esfera dos ignorantes, a religião sempre se tornou degenerada em alguma forma de adoração de fetiches, variando em seus graus de crueldade e sensualismo de acordo com o estado geral do povo e de seus sacerdotes. E essas duas regiões de sua manifestação, a interna e a externa, a espiritual e a material, a compassiva e a egoísta, a intuicional e a dos sentidos, se tornaram nas mãos dos seus respectivos representantes – o profeta e o sacerdote – tão essencialmente antagônicas uma à outra quanto a luz e a escuridão.
 
“O profeta cultivando as intuições e a empatia, apelando diretamente para a alma e para Deus, representando o lado espiritual da natureza humana; enquanto o sacerdote, cultivando formas e aparências, apelando para os sentidos e o ser externo, e fazendo a salvação dependente do sacrifício de outros em prol de seu próprio ser, ao invés do sacrifício do ser inferior em prol do ser superior por meio de viver uma vida melhor.
 
“O processo por meio do qual eu fui levado a descobrir a verdadeira natureza e fonte do conflito sempre furiosamente ocorrendo no mundo, entre a alma e os sentidos externos, entre o ser e a aparência, entre o profeta e o sacerdote – um processo no qual o abandono de uma dieta de carne foi uma parte essencial – se provou indispensável para minha preparação para o trabalho ao qual estava destinado a realizar.” (pp. 46 e 47) [Edward Maitland – The Soul and How It Found Me. Tinsley Brothers, Londres, 1877. 307 pp.]
 
“A interrupção em meu trabalho foi causada por ter sido colocado sob um forte impulso de tomar parte nos esforços que estavam sendo feitos para salvar nossos irmãos animais dos horrores da vivissecção e dos laboratórios de pesquisa. Eu estava consciente de um claro estímulo espiritual para esse propósito, e sob sua influência fui capacitado para produzir algumas palavras de apelo que foram diretamente ao coração da Inglaterra. Pois as duas cartas que escrevi sobre esse assunto foram reimpressas aos milhares, tanto por sociedades quanto por indivíduos, e ambas serviram para conquistar novos adeptos da causa humanitária, e fortalecer as mãos dos trabalhadores então existentes dessa causa.
“Ao uso que se fez de minha pessoa em favor da questão da vivissecção, e ao vívido insight que me foi dado acerca da verdadeira natureza da influência que se manifesta entre nós sob o nome de ciência materialista – como sendo uma encarnação do princípio do mal em seus mais baixos níveis e em seus mais abomináveis aspectos – eu posso claramente encontrar a causa da plena abertura da visão espiritual que me qualificou para o trabalho que em breve eu seria chamado a realizar. Pois me foi mostrado que os sacerdotes da ciência, possuídos pelo demônio do egoísmo, foram conduzidos a arrastar o mundo a um inferno pior do que jamais os sacerdotes da religião o tinham levado. E o princípio de ambos os sacerdotalismos era o mesmo – a busca da salvação do seu próprio ser por meio do sacrifício de outro.”
(pp. 51-52) [Edward Maitland – The Soul and How It Found Me. Tinsley Brothers,  Londres, 1877. 307 pp.]
 
6. Você acredita que ser vegetariano influencia na aproximação com Deus? Por quê?

Acho que já respondi antes: – porque purifica nossos veículos, facilitando sobremaneira a percepção espiritual, e porque é uma expressão do amor divino. Como disse um filósofo, o olho só pode ver o sol porque antes se fez semelhante a ele, ainda que em miniatura. Então, talvez possamos dizer que o homem só pode ver a Deus se se fizer semelhante a Ele, ainda que em miniatura. Penso que é isso que está no Sermão da Montanha:

“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.”
“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra.”
“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos”.
“Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”.
“Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão o Deus”.

O vegetarianismo é o fundamento, a base dessa vida. O vegetariano chora e é manso para com nossos irmãos menores, os pequeninos, ele tem fome de justiça para com os pequeninos, ele é misericordioso para com eles, e é o início da purificação de nossos corações, mentes e corpos.

7. Por que você é vegetariano? A religião teve alguma influência sobre essa decisão?

Sou vegetariano por amor aos nossos irmãos menores. Somos para eles como seres semi-divinos, pois para eles nós detemos faculdades para-normais, por assim dizer. Se os tratamos de forma cruel, a Justiça Divina não nos trará bem-aventuranças, não nos trará a luz, a glória de Cristo, mas nos trará a dor, a tristeza e a cegueira espiritual.

8. Você acredita que Cristo era vegetariano? Em caso afirmativo, como
explica o milagre da multiplicação de peixes? Você crê que comer carne
não corresponde à visão de vida de Cristo?


Como dizia o próprio Cristo Jesus: “exceto para vocês (os seus discípulos ou apóstolos), eu não falo NADA que não seja em parábolas”. Os evangelistas seguiram o preceito do seu Mestre. Escreveram de forma alegórica seus evangelhos. A alegoria da multiplicação dos pães e dos peixes é uma linda parábola, onde o pão representa o conhecimento religioso superficial, e os peixes o conhecimento religioso profundo, místico. São símbolos milenares. E o alimentar em abundância as multidões com esses conhecimentos é característica dos Filhos de Deus, dos Cristos de todas as épocas e nações.

A leitura literal dessa e de outras tantas parábolas é conseqüência da cegueira espiritual. Quando fazemos essa leitura literal, pretendendo ser fatos históricos o que é uma alegoria, cometemos, assim, um dos piores pecados, a idolatria.
Adoramos a forma, e matamos o sentido vivificante.Hoje é fato considerado mais do que provável que Cristo Jesus esteve com os essênios, ao menos em boa parte de sua vida. E os essênios eram todos vegetarianos.

9. Se Cristo era vegetariano, por que nem todos os cristãos são, já que, em tese, seguem o caminho do Mestre Jesus?

Porque os que se chamam cristãos, desde muitos séculos, têm pouco de cristãos.
São grupos dominados pelo materialismo e pela idolatria (pelos sentidos e pela cegueira espiritual). Nesse contexto, com grande freqüência os santos e profetas foram incompreendidos e às vezes até mesmo perseguidos pelos próprios ditos cristãos. Veja os exemplos, entre muitos e muitos outros, de Roger Bacon (aprisionado por longos anos), de Thomas More (aprisionado e decapitado), de Giordano Bruno (aprisionado e queimado), de Malagrida, o taumaturgo do Brasil (aprisionado por anos e queimado em Portugal pela “santa” Inquisição), e de Anna Kingsford, ridicularizada e desprezada até nossos dias. Todos por pessoas e grupos que se diziam e se dizem cristãos.

Os símbolos sagrados do cristianismo precisam ganhar a vida de uma interpretação espiritualmente lúcida, isto é, cristã, ou crística. Como na profecia dos ossos secos que recobram a vida.

É o espírito dessa interpretação de vivifica a letra e os símbolos, e sua leitura literal e materialista mata, como escreveu o apóstolo Paulo. Mata primeiro espiritualmente, e depois fisicamente.

E a alimentação de carnes é uma expressão típica dessa matança. Pior do que ela só a tortura da vivissecção e dos testes da dita ciência usando os pequeninos inocentes e indefesos, a qual é a apoteose dessa cegueira espiritual dessa época idólatra e materialista.

10. Você acha que se a comunidade cristã soubesse e/ou acreditasse que
Cristo era vegetariano, mais pessoas deixariam de comer carne?

Certamente que sim. Mas como saberão se os seus líderes religiosos, a quem seguem, são cegos espiritualmente, que defendem a matança, a crueldade e até mesmo a tortura diabólica da vivissecção e dos testes ditos científicos com os pequeninos? A religião, algum dia, se tornará re-ligação com Deus, e deixará de ser, como hoje, re-perdição na idolatria e no materialismo.
 
11. Explique um pouco sobre os principais conceitos e bases da sua religião.
 
Já algo foi dito, mas, resumindo: a religião do Cristo Jesus, no Alto, à
direita do Pai, e também dentro de nós, em nossos corações e mentes, é
a religião da pureza e da bondade. E o vegetarianismo é uma expressão, ainda que básica, desses preceitos eternos.
 
12. Fique à vontade para acrescentar o que considerar necessário.
 
Apenas mais uma citação da Dra. Kingsford, que gosto muito:”Considero o movimento vegetariano o mais importante movimento de nossa época. Acredito nisso porque vejo nele o começo da verdadeira civilização.

Minha opinião é que até o presente momento não sabemos o que significa
civilização. Quando olhamos para os cadáveres dos animais, sejam
inteiros ou cortados – que com molhos e condimentos são servidos em
nossas mesas – não pensamos no horrível fato que precedeu esses pratos;
e, não obstante, é algo terrível saber que a cada refeição que fazemos
foi a custo de uma vida. (…) Milhares de pessoas são degradadas pela
presença de abatedouros em suas vizinhanças, o que condena classes
inteiras a uma ocupação aviltante e desumana. Aguardo pelo tempo em que
a consumação do movimento vegetariano tenha criado homens perfeitos,
pois vejo nesse movimento o alicerce da perfeição. Quando percebo as
possibilidades do vegetarianismo e as alturas a que ele pode nos elevar, me sinto convencida de que ele se provará o redentor do mundo.”
[Anna Kingsford – citada por Samuel H. Hart, em In Memoriam Anna Kingsford. Este livreto contém o texto completo da palestra proferida por ele para a Sociedade Vegetariana de
Leeds, em 15 de setembro de 1946, na comemoração do Centenário do nascimento de Anna Kingsford.]

 

“A vida é uma escuridão se não houver um impulso.
Todo o impulso é cego se não houver o saber.
Todo o saber é vão se não houver o trabalho.
Todo o trabalho é vazio se não houver amor”.
(Hermes)


Fonte
: SitioVeg

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