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Para não perder excedentes produzidos pela indústria leiteira, empresários norte-americanos têm focado vendas em população latina

A organização internacional pelos direitos animais People for the Ethical Threatment of Animals (PETA) conduziu uma pesquisa recentemente para desvendar o funcionamento interno da indústria de laticínios. O intuito era descobrir quais artifícios os grandes empresários têm usado para solucionar o problema crescente na queda da procura por derivados do leite de vaca, que tem deixado dezenas de galões excedentes.

O que eles descobriram foi que, para aumentar a venda e tentar de alguma maneira salvar os proprietários das fazendas leiteiras, eles têm focado a publicidade nos filhos de pais imigrantes – principalmente latinos.

Reprodução | LiveKindly

Ao longo do século 20, o leite da vaca tornou-se um alimento essencialmente norte-americano. Campanhas com as frases “Got Milk?” se tornaram emblemáticas. Elas eram dirigidas por celebridades em revistas, na televisão e em escolas públicas, enfatizando a importância de beber o leite de vaca diariamente para crescer forte. Como resultado, o leite tem sido considerado um alimento básico da dieta americana padrão.

O problema é que o consumo de lácteos nos EUA diminui gradual e constantemente desde meados da década de 1970. De acordo com dados coletados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), norte-americanos bebiam uma média de 30 litros por ano, e este número despencou para cerca de 18 litros por ano a partir de 2017.

A produção de leite, no entanto, tem seguido o caminho oposto – apesar da queda nas vendas de leite. Ela aumentou em cerca de 12% ao longo de um período de 10 anos. Como resultado, há anos a indústria do leite vem experimentando o que é conhecido como “excesso de leite” ou superprodução de leite.

Em outubro de 2016, o Wall Street Journal informou que os produtores de leite despejaram 43 milhões de galões do produto – o equivalente a 66 piscinas olímpicas – como resultado do excesso de produção. A alta produção de leite de vaca também elevou o estoque de queijo americano a uma alta de 100 anos, com 1,39 bilhão de quilos de queijo feito com leite não vendido sendo armazenado em depósitos. O número representa um aumento de 16% desde a compra federal de 2016.

A indústria de laticínios, então, enxergou nas crianças latinas um ‘portal’ para aumentar as vendas. Mas não levaram em consideração uma quantidade considerável de estudos na área de medicina que comprovam que etnias que não as anglo-saxônicas estão mais propensas a apresentarem altos níveis de intolerância à lactose, marcada por sintomas como dor de estômago, inchaço, diarréia e náusea.

De acordo com um relatório de 2010 intitulado “Uma Correlação Mundial do Fenótipo e Genótipos de Persistência de Lactase”, por exemplo, apenas 21% dos Anglos são intolerantes à lactose contra 90% dos asiáticos orientais, 75% dos afro-americanos e 51% dos latinos.

Além de visar novos consumidores latinos, a indústria de lácteos tem pressionado o leite em grupos que são intolerantes à lactose por anos, sob o pretexto de fazer o bem. No início deste mês, o USDA comprou um inédito 50 milhões de litros de leite para combater o excesso, que seria distribuído para as famílias que não têm “acesso regular” ao leite.

“Esta compra aborda um dos desafios significativos do nosso país – a fome – e, ao mesmo tempo, terá um impacto positivo na indústria de laticínios em um momento de incerteza significativa no mercado”, disse Michael Dykes, presidente e diretor executivo da International Dairy Foods Association, disse à ABC News. “Os processadores de leite da nação aceitam a oportunidade”.

Enquanto o ato de doar leite, em teoria, parece positivo, de acordo com dados coletados pelo Escritório do Censo dos Estados Unidos, a pobreza afeta desproporcionalmente os não-brancos. Como Dykes afirmou acima, o movimento parece ser mais uma jogada de marketing por parte da indústria de laticínios.

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