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Espécies de pássaros estão à beira da extinção

Por Natalia Cesana  (da Redação)

Foto: Reprodução

Uma das maiores espécies do mundo de ave está à beira da extinção de acordo com a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, publicada pela União Internacional pela Conservação da Natureza (IUCN). Os números também mostram que atualmente um em cada dez pássaros está ameaçado.

segundo informações do site Wild Life Extra, fatores como caça, desordem, fragmentação e perda de habitat reduziram o número de abetardas a pouco menos de 250, colocando esta magnífica espécie na lista de animais criticamente em perigo. Com um metro de altura e 15 kg de peso, a abetarda indiana já esteve presente na Índia e Paquistão, mas agora está restrita a um pequeno e isolado habitat remanescente.

“Num mundo cada vez mais populoso, as espécies que precisam de mais espaço, como a abetarda indiana, perdem lugar. No entanto, somos nós que perdemos a longo prazo pois o que a natureza nos proporciona começará a desaparecer “, disse Leon Bennun, diretor de ciência e política da BirdLife.

A atualização deste ano mostra que o número total de espécies de aves ameaçadas é de 1.253, 13% do total mundial de animais. “No espaço de um ano, 13 tipos de aves entraram para a categoria ‘ameaçada de extinção’”, disse Jean-Christophe Vié, diretor da IUCN. “Esta é uma tendência preocupante, mas a situação seria muito pior se as iniciativas de conservação não estivessem sendo feitas. A informação recolhida pela parceria com a BirdLife é crucial para nos ajudar a melhorar nossos esforços no trabalho de preservação. E isso é muito mais importante agora que a crise de biodiversidades já afeta nosso bem-estar e continuará assim até que façamos mais para frear isso.”

Stuart Butchart, da Birdlife, completa: “Aves são a janela da natureza, pois são um indicador muito importante para a saúde do ecossistema: se eles estão indo mal, então toda a vida selvagem também está com algum problema.”

Outra espécie em situação limítrofe é o corrupião, que também foi recentemente incluído na lista de ameaçados de extinção. Uma pesquisa recente indica que a população deste belo pássaro preto e amarelo, natural da região do Caribe pode ser menos que 180 aves.

O corrupião faz seus ninhos em coqueiros, mas uma doença típica desta árvore tem dizimado a vegetação, fazendo com que a presença do pássaro se torne mais rara. O corrupião está também ameaçado pela recente chegada de chupins, aves que colocam seus ovos nos ninhos de outras espécies.

“Apesar de a situação parecer sombria para muitas espécies, a atualização deste ano mostra também que o trabalho de conservação que tem sido feito ajudou algumas aves”, disse Andy Symes, do BirdLife. O pardal-do-novo-mundo ou escrevedeira está voltando à sua antiga condição, por exemplo.

O marreco da Ilha de Campbell também sido beneficiado por um programa intensivo de reprodução em cativeiro entre as aves remanescentes. A espécie já começa a repovoar a ilha da Nova Zelândia e seu status de ameaça foi reclassificado.

Três espécies de pombos de ilhas no Atlântico também foram beneficiadas pelas iniciativas de conservação e os níveis de ameaça também caíram depois que fatores como perda de habitat e caça foram cortados.
“Os pássaros são tão entrelaçados com a cultura humana que apresentam um cenário muito visível do estado da natureza. Bons exemplos de como podemos salvar aves ameaçadas não faltam. O que precisamos fazer é redobrar os nossos esforços, caso contrário corremos o risco de perder criaturas magníficas como a abetarda indiana. Temos ainda que desvendar toda a trama dos nossos sistemas de vidas”, disse Bennun.

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Por meio de blogs, rádio e escolas, população se mobiliza para preservar aves de Icapuí (CE)


O corrupião é apreciado pelo seu canto, belo e estranho, e pela sua plumagem nas cores preta, amarela e branca. Seu canto melodioso chega a imitar compassos do Hino Nacional (Foto: Cid Barbosa)

As queimadas estão afetando o habitat de aves e pássaros que ainda encontram nas áreas de mangue de Icapuí, no Ceará, o espaço para viver ou se “hospedarem”, em suas longas viagens. Três conhecidos pássaros nessa parte do litoral cearense correm o risco de desaparecer, e a população realiza a campanha aleatória e informal “Solte, não prenda o passarinho”, ou ninguém mais vai ver pelas bandas de cá graúna, cabeça-vermelha e corrupião.

Por sua composição de mangues, floresta, falésias e uma praia rica em matéria orgânica trazida da própria natureza pelas marés, Icapuí é reconhecido berçário de várias espécies de árvores e pássaros. Ainda. Mas o aumento da degradação ambiental tem causado a diminuição desses seres vivos, e ao menos por enquanto, o maçarico (Limosa lapponica) vindo do Ártico em direção à Patagônia, ainda escolhe esse pedaço da costa cearense (a única no Brasil) para pousar com maestria e elegância, com seu grande bico levemente curvado para cima. A cada nova viagem, as notícias não são nada boas para o maçarico.

A graúna é encontrada em campos de cultura, pastos e plantações com árvores isoladas, mortas, remanescentes da mata. Alimenta-se principalmente de grãos e frutas (Foto: Diário do Nordeste)

E o que era comum gradualmente se revela raro na natureza icapuiense. Cadê corrupião? Cadê graúna? Pássaros comuns, mas sumidos do cenário, não sendo vistos nem ouvidos. Os motivos principais: a natureza alterada pelo homem está afastando esses animais e, num acesso de posse, os pássaros são apreendidos em gaiolas, sequestrados dos ninhos para ficar entre paredes das casas, sítios, pousadas. A falta de senso de preservação está ameaçando a beleza de se ver e ouvir ao pôr do sol o grito rouco das garças no ninhal da Praia de Requenguela, localizada em Icapuí.

Nos blogs e escolas do município, tem início a campanha “solte, não prenda o passarinho”. O estímulo foi dado pelo vereador Marcos Nunes, da Câmara Municipal de Icapuí, que em seu blog e no plenário da Casa Legislativa, esbravejou que “a natureza de Icapuí pede socorro!”. Desmatamento, queimadas e captura desenfreada fazem as populações de graúna, galo-de-campina e corrupião diminuírem passo a passo na região.

Crianças e jovens

“É necessário que a população tome consciência do que estes danos poderão acarretar a esses animais da nossa fauna. É imprescindível conscientizar as crianças e jovens que utilizam alçapão para aprisionar estes bichinhos, quando não são sequestrados ainda nos ninhos de suas mães. É necessário coibir a sua comercialização e sobretudo é preciso fazer um trabalho de conscientização nas escolas, igrejas, associações, principalmente nos Sindicatos Rurais, ou em todos os lugares onde o povo esteja. O mais importante é que todos se envolvam na preservação e manutenção dessas espécies”, alerta Marcos Nunes.

O cabeça-vermelha habita em áreas de caatinga. É granívoro mas também come sementes amargas (Foto: Diário do Nordeste)

O município de Icapuí apresenta vários ambientes costeiros, como manguezais e lagos, e até áreas florestadas sobre falésias, dunas vegetadas e praias arenosas com planícies de maré, e cada local tem suas aves típicas. Essa á e principal região das aves migratórias no Ceará. As principais áreas para observação de aves costeiras no município são Ponta Grossa, Matas de Tabuleiro, Banco dos Cajuais, Manguezal da Barra Grande e Córrego do Sal. A conformação geomorfológica das praias, aliada à dinâmica das marés, possibilita que se acumulem materiais trazidos pelas ondas, notadamente resto de algas e cascalhos, que abrigam invertebrados e, por sua vez, servem de alimento para as aves.

Sem preservação não há mangue, sem mangue não há tamatião, espécie de ave que se alimenta de caranguejos e peixes. Vive oculto nos mangues, mas em Barra Grande, Icapuí, pode ser avistado, com esforço. Mais facilmente, nem por isso de forma despreocupada, ainda se vê e ouve o cabeça-vermelha (Paroaria dominicana), corrupião (Icterus jamacaii) e a graúna (Gnorimopsar chopi), “ave preta” (em tupi), considerado um dos pássaros de voz mais melodiosa do Brasil.

Fonte: Diário do Nordeste

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