Notícias

Policiais reforçam a fiscalização contra a farra do boi em Florianópolis (SC)

Por Sophia Portes / Redação ANDA (Agência de Notícias de Direitos Animais)

Fonte: Vegetarianismo

A farra do boi, prática ilegal desde 1997, volta a ganhar força na Quaresma, período de quarenta dias após a Quarta-feira de Cinzas, em Santa Catarina. A última ocorrência foi  em Governador Celso Ramos, neste domingo (02), quando um homem foi detido ao tentar colocar o animal dentro de um caminhão. A Polícia Militar acabou com três ocorrência do evento nesta região desde o mês passado.

A prática se tornou ilegal há vinte anos atrás quando o Supremo Tribunal Federal (STF) publicou a decisão qualificando a suposta “tradição” como crime de maus-tratos contra os animais, fazendo com que a farra do boi caísse na ilegalidade. A crueldade acontece geralmente na véspera da Páscoa.

O presidente do Instituo Ambiental Ecosul Halem Guerra Nery, trabalha há 40 anos em defesa dos animais e falou em entrevista ao ND Online sobre a cruel prática. “Já tivemos várias fases no combate à farra. A primeira foi a policial, na qual achávamos que a polícia poderia resolver tudo. Depois veio a tribunalização, com ações judiciais pelo fim da prática. E agora estamos na fase da consciência educacional, com foco nas crianças. Já evoluímos bastante e houve uma redução, mas ainda tem político financiando a farra fora de época nos mangueirões eleitorais”, lamenta.

O major Fabio Henrique Machado, subcomandante da Polícia Militar Ambiental, afirmou que a fiscalização está reforçada de quinta-feira a domingo com o apoio da Polícia Militar Rodoviária (PMRv). “A PM tem a Operação Farra do Boi, que começou em março. O efetivo ostensivo já combate a prática quando recebe as denúncias ou se depara com o fato. E a Polícia Ambiental e a PMRv realizam operações especiais em locais onde é a farra é frequente”, informa.

O Coordenador do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente do Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC), o promotor Paulo Antonio Locatelli, falou ao ND Online sobre a atuação da Polícia Militar na contenção da prática e da dificuldade de punir os responsáveis. “Estávamos em uma situação de que a PM estava responsável por quase tudo. Na verdade, a polícia precisa intervir para o fim da farra, identificar o guardião do animal e o responsável pelo transporte. O problema é que qualificar alguém nestes casos é muito difícil, porque ninguém denuncia e nem assumem a responsabilidade”, afirma.

Locatelli explica que os farristas podem ser presos pelo crime de maus-tratos, dano ao patrimônio e formação de quadrilha. Ela também ressalta a importância das ações educativas com as novas gerações, gerando maior conscientização. Alunos da rede pública de ensino em cidades onde a prática da farra é comum participaram de um concurso de redação com esse tema. Três alunos serão premiados nesta quinta-feira (06), no comando geral da Polícia Militar.

​Read More