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Como evitar estresse dos gatos diante do isolamento social

Veterinária explica que alguns gatos reagem mal à presença constante dos tutores em casa, mas existem formas de amenizar o problema

O gato precisa se exercitar física e mentalmente. Foto Tookapic/Pixabay

Alguns posts cômicos nas redes sociais mostram fotos de gatos aparentando irritabilidade ao ter que “aguentar” os tutores o dia inteiro em casa. Mas embora a situação esteja sendo tratada com humor (e por vezes chega a ser engraçada mesmo), a verdade é que a mudança repentina da rotina pode mesmo irritar os gatos.

“Os gatos gostam de ter seu ambiente sob controle, por isso, qualquer alteração em seu ambiente e rotina podem ser muito estressantes. Perante as mudanças pelo isolamento social, os felinos estão lidando com uma nova realidade e essa é uma situação desafiadora para eles”, diz a veterinária da Ceva Saúde Animal, Priscila Brabec.

Ela explica que os gatos conseguem identificar que algo está diferente e, por isso, o ideal é tentar manter a rotina do animal: “Se possível, evite a reorganização dos móveis e alterações nas disposições dos objetos utilizados pelos gatos, pois isso pode gerar desconforto e aumentar os níveis de estresse. É importante também manter a mesma rotina de alimentação”, comenta.

O tutor não deve interromper as longas horas de sono aos quais o gato está habituado. Foto Annette Meyer/Pixabay

O trabalho no formato home office, ao qual muitas pessoas estão precisando se adequar, pode introduzir no ambiente objetos perigosos e pelos quais os gatos podem ter interesse: “É imprescindível não deixar tesouras, agulhas, sacos plásticos, entre outros objetos que possam oferecer algum risco em locais de fácil acesso. É importante também redobrar os cuidados com os produtos de limpeza, que estão sendo ainda mais utilizados nesse período. Guarde todos em um espaço onde o felino não tenha acesso”.

Como os felinos passam muitas horas dormindo, segundo a veterinária, é importante respeitar esse período ao invés de explorar a atenção dele com brincadeiras. Por outro lado, exercícios físicos e mentais também são fundamentais desde que sejam realizados na hora certa, ou seja, a hora que o gato quer e não seu tutor.

Entre as brincadeiras preferidas dos gatos, até mesmo dos adultos, estão “esconde-esconde” (quando o tutor se esconde, chama o gato e espera ele ir procurá-lo, mas também pode ser feita escondendo petiscos embaixo de tapetes); bolinha de papel amassado (recomenda-se fazer pelo menos umas 15 por dia porque o destino de todas é debaixo dos móveis); caixa de papelão com buracos (para enfiar varetas, bichinhos de pelúcia ou os dedos – no caso de tutores mais corajosos); cobra falsa (amarre uma bolinha na ponta de um barbante com cerca de um metro e meio de comprimento e arraste pela casa) e brincadeira da cabana (enfie as mãos debaixo de um edredon grosso e simule movimentos – os gatos adoram caçar coisas escondidas debaixo de cobertas).

Brincadeiras são essenciais. Os gatos brincam em todas as fases da vida. Foto Free-Photos/Pixabay

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Miados podem ter sotaque de acordo com região onde os gatos vivem

Estudo compara sons de gatos de duas áreas da Suécia com diferentes dialetos: Estocolmo, na parte central e Lund, ao sul do país

A pesquisadora Susanne com seus gatos na Suécia. Foto Site “Meowsic”

Será possível que um gato de uma zona rural tenha um miado diferente de um gato nascido na cidade? Será que gato nascido em São Paulo mia diferente de gato do Rio de Janeiro ou de qualquer outro estado?

De acordo com o projeto “Meowsic”, pioneiro dentro da comunicação homem-gato, de Susanne Schotz, professora de fonética da Universidade de Lund, na Suécia, os miados podem variar de acordo com o país em que os gatos vivem ou até mesmo conforme regiões diferentes de um mesmo país.  Essa diferença de miado teria, inclusive, relação com a linguagem da população humana com a qual os gatos convivem.

O estudo, com duração de cinco anos, deve ser concluído até 2021 e já causa impacto na mídia e entre os amantes de gatos. As várias fases do  “Meowsic” podem ser acompanhadas pelo blog do projeto.

Os miados podem ter sotaque?

Midias nacional e internacional já divulgaram o projeto previsto para ser concluído em 2021. Foto Site “Meowsic”

Segundo a professora Susanne os gatos não podem miar em diferentes idiomas como os humanos, mas é bem provável que os miados tenham “sotaques” regionais: “Os gatos podem adaptar seus sons aos humanos com quem convivem para serem mais bem entendidos e, talvez, até mesmo emprestarem alguns padrões melódicos da fala de seus tutores. Não é impossível que algumas das características de sotaque ou dialeto da fala humana estejam incluídas na vocalização do gato também. Então, alguns gatos podem miar um pouco diferente, dependendo da língua de seus tutores”.

Conforme o estudo, a maioria dos gatos compartilha o mesmo repertório vocal: podem miar, ronronar, rosnar, assobiar e assim por diante. “No entanto, os gatos podem variar seus sons de várias maneiras (o tom e a melodia, ou os sons de vogais e consoantes que eles usam em um miau, por exemplo) para melhor expressar suas necessidades, desejos e intenções”, comenta a pesquisadora.

O projeto estuda a prosódia, ou seja, como a melodia (entonação), ritmo e o estilo da fala – tanto na vocalização humana quanto nas vocalizações dos gatos – influenciam a comunicação vocal que os pequenos felinos estabelecem com seus tutores.

O projeto “Meowsic” analisa a melodia e entonação de miados de gatos de duas regiões da Suécia. Na foto gato da professora Susanne Schotz que faz parte do estudo

Qual a utilidade de um estudo sobre os “sotaques” felinos?

“Os resultados podem levar a uma melhor qualidade de vida para os gatos e outros animais de companhia. Entender as estratégias vocais usadas por humanos e gatos na comunicação homem-gato terá profundas implicações para nossa compreensão de como nos comunicamos com nossos animais e tem o potencial de melhorar a relação entre animais e humanos em vários campos, incluindo terapia animal, medicina veterinária e abrigo de animais. Se entendermos a variação nos sons de gatos, poderemos perceber se ele está amigável, agressivo, assustado, estressado ou até mesmo se está com dor”, diz Susanne.

Ela explica que gatos selvagens geralmente não têm necessidade de continuar miando na idade adulta. Eles utilizam predominantemente sinais visuais e olfativos, limitando os sinais vocais. Tendem a se comunicar apenas em três contextos básicos: mãe-prole, sexual e territorial. Mas os gatos domésticos formam laços sociais com outros gatos e continuam miando depois de crescidos para chamar a atenção dos humanos.

“Eles aprenderam que as pessoas são muito sensíveis e respondem rapidamente diante um miado. Aprendi muito sobre as personalidades e estados mentais dos meus gatos observando seus padrões de comunicação. A diferença está principalmente na entonação, qualidade da voz e intensidade. Isso ajudou a entender quando meus gatos estão contentes, estressados ou ansiosos”, explica.

A pesquisadora Susanne Schotz acredita que o projeto “Meowsic” pode ajudar os tutores a compreenderem melhor os gatos. Foto Site “Meowsic”

Outros animais também podem ter “sotaques”?

“Parece que alguns animais têm alguma variação regional. Notamos em suas vocalizações algo semelhante a sotaques ou dialetos. Por exemplo, as aves são conhecidas por terem sotaques ou dialetos diferentes, e lobos, focas, golfinhos e baleias parecem ter dialetos também.  Diferentes raças de gato podem ter diferentes comportamentos vocais. Além disso, parece que as melodias que eles captam de seus tutores e de outros gatos influenciam o dialeto também”, comenta a pesquisadora.

Parte desse e de estudos anteriores estão no livro lançado pela pesquisadora “The secret of language cats”, ainda sem tradução para o português. Ela mora em Landskrona (Suécia) junto com seu parceiro e cinco gatos: Donna, Rocky, Turbo, Vimsan e Kompis, que ela mesma denomina como “cinco personalidades felinas com diferentes vozes”.

A professora Susanne recebe relatos sobre vocalização de gatos do mundo todo: “Recebo muitos e-mails e, infelizmente, não tenho tempo para responder a todos. No entanto, se alguém tiver um testemunho interessante das vocalizações de seus gatos, pode escrever para mim se puder aceitar que não tenho tempo para responder”. O relato pode servir para o estudo e o email é susanne.schotz@med.lu.se

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal

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