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População se manifesta e governo autoriza a alimentação de colônias de gatos

Cerca de 300 gatos se encontram trancados em dois parques de Madri. Ministério da Saúde diz que permitirá que sejam alimentados. Foto Eveline de Bruin/Pixabay

Depois de algumas manifestações populares contra uma medida do governo espanhol que impedia que as colônias felinas recebessem assistência de voluntários, o Ministério da Saúde publicou uma Instrução por meio da qual será possível alimentar os gatos e outros animais que foram trancados nos parques de toda a Espanha, como resultado das medidas tomadas contra a pandemia da covid-19. Em dois parques de Madri, por exemplo, há 300 gatos sem receber alimentação e  cuidados.

Mercedes González, porta-voz do Grupo Socialista Municipal de Madri, que foi um dos que mais criticaram as medidas proibitivas, publicou nota dizendo que “a Saúde desbloqueou uma situação que estava gerando agitação social e os gatos podem finalmente receber alimentos normalmente”.

Muitas pessoas escreveram para o Conselho Geral de Bem-Estar Animal de Madri, indicando que, por exemplo, em Barcelona as colônias felinas continuavam sendo alimentadas sem atrapalhar as medidas de segurança contra a doença. Em Madri, no entanto, o bloqueio do acesso aos animais comunitários e de colônias chegou a ser absoluto.

“Fomos ao Ministério da Saúde para esclarecer essa situação e então o Orgão declarou que entre as atividades permitidas deve-se incluir o deslocamento de pessoas cujo objetivo é a alimentação, o resgate e os cuidados veterinários de animais domésticos que vivem em espaços públicos urbanos, quando essa atividade não é realizada no âmbito de uma provisão de trabalho, profissional ou comercial”, disse González ao Diário 16.

Para evitar um impacto negativo à saúde pública, as entidades deverão se cadastrar junto às administrações locais a fim de terem autorização para os devidos deslocamentos. Esses movimentos devem ser realizados individualmente e com a documentação de suporte correspondente para ser apresentada quando necessário.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.

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O efeito cascata da covid-19 nos animais em situação de rua

Eles estão vagando nas ruas sem nada entender. Os restos de comida tornaram-se raros e a luta pela sobrevivência ficou ainda mais acirrada

Diminuiu drasticamente a oferta de comida para os animais em situação de rua. Foto Kenky/Pixabay

Pedrinho é um cão em situação de rua que vive numa praça de SP. Todo dia, religiosamente às 7h30, ele se levanta abanando o rabo porque a dona Joana chega com a sua refeição. Mas já faz algum tempo que ela não aparece porque dona Joana pegou a covid-19. Pedrinho é paciente e espera até ás 9h.

Então sai em busca de comida. Vai até o bar onde costumeiramente os frequentadores lhe jogam restos – mas não tem ninguém tomando café lá. Pedrinho passa pelo ponto de ônibus que está sempre cheio de gente e onde ele também ganha umas migalhas. Vazio. Então ele avista uns sacos de lixo e se anima em vasculhá-los, mas logo percebe a presença de outros dois cães rasgando os sacos e eles não parecem querer dividir os restos.

Pedrinho e dona Joana foram criados para ilustrar essa matéria, mas eles representam, de verdade, centenas de casos que estão ocorrendo como “efeito cascata” da pandemia da covid-19. Muitas protetoras e protetores estão doentes ou, devido à idade, em restrito isolamento. Alguns voluntários que ajudam nos abrigos de animais também não estão podendo sair de casa ou porque já foram infectados ou porque estão cuidando de parentes doentes.

E o pior é que o abandono de animais também se acentua como consequência de uma falsa informação de que cães e gatos podem transmitir a covid-19. Não podem. Orgãos de saúde pública e associações internacionais de veterinários atestam que os animais domésticos não são infectados e nem transmitem a covid-19 para as pessoas. Existem sim coronavírus caninos e felinos que atingem exclusivamente esses animais por meio de doenças já conhecidas de todo mundo que tem animais.

Post que faz parte da campanha do PAN- Partido pelas Pessoas, Animais e Natureza

Por causa do alto índice de abandono e da queda brusca de adoções de animais, vários abrigos americanos estão fazendo uma campanha que pede para que as pessoas dêem lar temporário para os animais durante a crise. A falta de funcionários e de espaço compromete o acolhimento de cães e gatos que podem, inclusive, serem mortos em câmaras de gás em diversos canis públicos e privados dos EUA. Vários desses abrigos ainda matam os animais que estão alojados há mais tempo para abrir vagas aos que estão chegando.

Felizmente, no Brasil, o bom senso ainda existe em alguns parques e cemitérios onde protetores estão podendo levar a alimentação diária para colônias de gatos. Aliás, essa medida tem sido aplicada em outros países como Espanha e Portugal, que já estão permitindo a circulação de um protetor por vez entrando nos locais onde dezenas de gatos dependem unicamente do cuidado humano. A receita é simples: cuidar dos animais em situação de rua implica diretamente em também proteger a saúde humana de zoonoses.
Mas os protetores e todos que amam animais sabem que o pior ainda está por vir.

Muitos filhotes nas ruas, parques e cemitérios dependem exclusivamente da ajuda humana. Foto loveombra/Pixabay

Os protetores de todo o Brasil têm hoje um sentimento de medo por eles mesmos e por todos que dependem deles seja nas ruas, nas praças, nos parques, nos cemitérios ou nos abrigos. E deles vem um apelo: coloquem ração e água em suas portas e na calçada de suas casas. Fique em casa, mas ajude um animal carente com um gesto simples e seguro.

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista  e atuante na causa animal

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Gatos do Parque da Aclimação (SP): castrar e cuidar é o melhor caminho

O controle da colônia felina do Parque segue as recomendações da OMS – Organização Mundial de Saúde, mas mesmo assim os gatos viraram foco de um conflito entre protetoras de animais e alguns frequentadores do local

Chaplin é um dos gatos castrados e bem-cuidados do Pq Aclimação. Foto: Arquivo Pessoal

Eles são bem alimentados em pontos específicos do Parque da Aclimação, estão castrados, vermifugados e têm até carteirinha de vacinação emitida pela DVZ – Divisão de Vigilância de Zoonoses de SP. O controle dos cerca de 70 gatos do Parque da Aclimação (SP), instalados no local há mais de 15 anos, está de acordo com as medidas recomendadas pela OMS – Organização Mundial de Saúde e aplicadas com sucesso em vários parques e pontos turísticos do mundo como Roma, Nova York e Lisboa. Em São Paulo, outros parques que servem de referência são o do Ibirapuera e o da Independência – cartões postais da cidade!

A recomendação da OMS é o método conhecido como CED – Captura, Esterilização/Vacinação e Devolução ao local de origem como praças, parques e outras áreas públicas ou privadas. Isso porque a remoção de uma colônia de gatos só tem um resultado, negativo tanto para os animais quanto para a população humana: a formação, muito rapidamente, de uma nova colônia não-castrada e nem vacinada – é o chamado “efeito vácuo” (a retirada dos felinos abre imediatamente espaço para que outros animais se apoderem do local tornando esse procedimento, além de antiético, também inútil para o controle populacional).

July provavelmente já teve um lar, mas hoje depende da solidariedade dos humanos. Foto: Arquivo pessoal

Por isso, monitorar (e não remover) uma colônia de gatos é a melhor opção, principalmente, sob o ponto de vista de saúde pública, pois, gatos castrados, vacinados e saudáveis têm muito menos chance de ficarem doentes e, consequentemente, transmitirem doenças. Além disso, os gatos são ótimos para evitar colônias de ratos, que oferecem um risco muito maior à saúde dos frequentadores dessas áreas públicas.

Onde falta informação, pode sobrar atitudes prejudiciais a todos

Apesar do esforço conjunto entre protetoras de animais, Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente e administração do Parque da Aclimação para manter o bem-estar dos gatos, seu controle populacional e também preservar a saúde humana seguindo as orientações da OMS, um grupo de frequentadores do local insiste que os gatos sejam retirados.

Parte da queixa contra os gatos, segundo as protetoras, é de um grupo de mães e pais de crianças que frequentam os três parquinhos – um em funcionamento e dois fechados para reforma. Os pais alegam que é comum encontrar fezes de gato nesses parquinhos cujo chão é revestido de areia.

A Organização Mundial de Saúde recomenda castração e monitoramento de gatos de vida livre como uma forma de evitar doenças tanto para os animais quanto para os humanos. Foto: Arquivo pessoal

A preocupação desses pais para com os filhos é totalmente compreensível, mas é preciso levar em conta que alguns procedimentos drásticos, além de serem cruéis para com os animais, colocam em risco a saúde das próprias crianças (como dito acima), em função de novos gatos (sem vacina ou cuidados veterinários) que chegarão ao local (especialmente vítimas de abandono).

Contar com um grupo de voluntários que cuida desses animais com recursos próprios não é o problema, mas a solução para evitar a superpopulação de gatos não-monitorados.

Além disso, não há local mantido pela prefeitura com espaço para abrigar todos esses animais e as ONGs (todos sabem) estão lotadas, endividadas e fazendo milagres para manter cães e gatos resgatados das ruas.

A gatinha chamada Loira está entre os gatos do Pq Aclimação que têm até carteirinha de vacinação emitida pela DVZ de SP. Foto: Arquivo Pessoal

Parquinhos

Quanto aos parquinhos, em muitos lugares, são aplicadas uma dessas soluções: piso emborrachado ou de algum material próprio para a segurança das crianças, ou cerca no local onde estão os brinquedos e areia – nesse caso a cerca teria revestimento que permita a visibilidade, mas impeça a entrada de gatos ou outros animais, inclusive, com portinhola – essa medida é interessante também para evitar que as crianças saiam do parquinho numa distração dos pais e sejam vítimas, por exemplo, de sequestro.

LEI em SP protege “Animais Comunitários”

Vale lembrar ainda que a Lei 12.916/2008 (a mesma que acabou com a “carrocinha” em SP) diz: “O animal reconhecido como comunitário será recolhido para fins de esterilização, registro e devolução à comunidade de origem, após identificação e assinatura de termo de compromisso de seu cuidador principal. Para efeitos desta lei considera-se cão comunitário aquele que estabelece com a comunidade em que vive laços de dependência e de manutenção, embora não possua responsável único e definido”. Embora a lei use o termo “cão comunitário”, fala também em “animal comunitário” no qual os gatos de parque, por analogia, podem se encaixar se tiverem essa relação de dependência com humanos.

Outra Lei (federal), a 9.605 de crimes ambientais, pune quem maltrata, fere ou mutila animais. Condutas como de envenenamento de gatos, além de ser crime previsto por essa lei, coloca em risco também toda a fauna local (inclusive pássaros que podem bicar o veneno), cães e crianças que tenham acidentalmente contato com vestígios de venenos como o chumbinho cuja venda e uso que são também proibidos por lei.

Palavra de especialista sobre fauna nativa

O Parque da Aclimação, inaugurado em 1939, abriga 85 espécies de animais, sendo 65 de aves. Por conta disso, uma preocupação de vários frequentadores é também a preservação dos pássaros. Ocorre que os gatos que vivem em parques não são selvagens. Alguns são arredios devido ao trauma do abandono ou de maus-tratos, mas a maior parte deles já teve um lar. São animais completamente dependentes do alimento ofertado pelas protetoras.

Quando se observa a diminuição de pássaros em um determinado parque, geralmente é por causa de outros fatores como explica a bióloga Francielli Vergino que, durante oito anos, participou do grupo que acompanha a colônia felina do Parque da Independência em SP.

Nessa foto é fácil notar o corte na orelha que indica que o gato foi castrado. Foto: Arquivo pessoal

“O maior problema não está nos gatos, mas na irresponsabilidade das pessoas que os abandonam e que retiram dos parques os alimentos dos pássaros. Além disso, gato alimentado não sai caçando. Os gatos do Parque Independência são bem alimentados com ração. Eles comem e dormem. É isso que eles fazem”.

Ela aponta que os pássaros estão enfrentando escassez de comida e água: “Quando as poucas árvores frutíferas dão jacas e abacates no Parque Independência, por exemplo, os munícipes levam tudo embora. Os pássaros tendem a migrar para áreas onde o alimento é mais abundante. E não tem fonte de água no Parque Independência, por isso, é comum vermos os passarinhos se banhando nos potes de água dos gatos”.

A bióloga ressalta: “Nas florestas esses mesmos pássaros contam com um número muito maior de predadores como répteis e aves maiores como gaviões, falcões e corujas, mas nem por isso desaparecem. No Parque tem ainda os macaquinhos na lista de predadores. Devido a isso tudo, caso a população de pássaros esteja menor (o que nunca ficou provado), certamente não é culpa dos gatos!”.

Gatos, inclusive de raça, são fruto de abandono no Pq Aclimação, por isso é preciso também um trabalho de vigilância e conscientização. Foto: Arquivo pessoal

Em outras palavras, o maior inimigo da fauna é o ser “desumano” que desmata, acaba com as árvores também nas cidades e polui. Portanto, cabe ao poder público combater o abandono de gatos e investir na castração em massa, ajudando assim os voluntários em sua árdua tarefa de controle da população felina urbana.

O exemplo da Itália

Num estudo realizado com 103 colônias de gatos em Roma (Itália), onde houve a castração e devolução ao local de origem de 8 mil felinos em 10 anos, constatou-se que em paralelo a esse trabalho, a população cresceu em torno de 21% por conta de novos abandonos. A fim de tornar as colônias mais estáveis, desde o ano 2.000, foram instaladas câmeras e criados programas de consciencialização nos principais pontos turísticos que os gatos escolheram para viver.

Gato que vive em ponto turístico da Itália exibe corte na orelha – mesma marcação usada no Brasil para identificar gatos castrados. Foto: divulgação

O governo italiano assimilou que, mesmo com esse residual de 21% de crescimento de gatos registrado ao longo dos anos, ainda é mais seguro, tanto para os animais quanto para a população humana, que os gatos sejam castrados pelos órgãos públicos e tratados pelos voluntários. Afinal, se o governo tivesse optado pela remoção contínua dos felinos, novas colônias iriam se formando, uma atrás da outra, sem tratamento veterinário e controle de natalidade.

A American Society for the Prevention of Cruelty to Animals/ASPCA (Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade contra Animais), importante instituição internacional de proteção animal, considera esse procedimento como o mais ético, eficaz e economicamente viável para controle de gatos em áreas públicas.

Os gatos bem alimentados aprendem a conviver com a fauna nativa. Foto: Arquivo pessoal

Petição pede a permanência dos gatos no Parque da Aclimação

Uma petição na Change.org com mais de 7 mil assinaturas diz:

“Os gatos nunca incomodaram as pessoas nesses anos todos. Ao contrário, frequentadores assíduos, idosos e crianças, passam momentos de lazer, eliminando seu estresse ao acariciar os bichanos. Há uma troca de energia, confiança e sociabilização entre humanos e animais altamente benéfica à saúde física e mental. Além disso, as protetoras contam com apoio da DVZ para atuar no Parque e o fazem com dedicação e zelo. Os gatos não transmitem zoonoses por conta desse zelo. Já está provado que gatos bem cuidados e alimentados perdem seu instinto de caça, não representando risco à vida das aves, muito pelo contrário, prestam um enorme serviço de utilidade pública aos usuários, frequentadores e às crianças ao afastar a presença dos ratos”.

Para assinar clique aqui

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