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Estação Ecológica de Murici é ameaçada por queimadas e caça

A maioria dos animais ameaçados de extinção do país está na Mata Atlântica. São mais de 300 espécies. Muitas sequer foram estudadas, como o tamanduá-mirim, a cuíca, o coandu. “Na Mata Atlântica nordestina, qualquer animal de médio porte para cima está automaticamente ameaçado de extinção devido à falta de espaço suficiente para eles se multiplicarem”, comenta o pesquisador Rossano Mendes, da Universidade Federal de Pernambuco.

O tráfico de animais movimenta um comércio macabro: para cada animal capturado que chega vivo às cidades, nove morrem no caminho. O desmatamento também não para. A cada ano, 34 mil hectares da mata são devastados, como em um engenho em Gameleira, Zona da Mata de Pernambuco. Protegidos por pistoleiros, madeireiros derrubam centenas de árvores. “Sabemos que eles têm armas e um grande número de pessoas que realmente faz parte deste grupo”, aponta o policial Barreto.

Uma das florestas mais ricas em biodiversidade do planeta é também a mais ameaçada. Restam apenas 8% do bioma que ocupava toda a faixa litorânea. No lugar dela, cresceram grandes cidades – onde vivem 61% dos brasileiros.

Partida em pequenos pedaços, pressionada pela criação de gado e pelas plantações de cana-de-açúcar, a Mata Atlântica pede socorro. “A nossa urgência é de proteger o que sobrou. Proteger os remanescentes que ainda existem”, diz o professor de ecologia florestal da USP Ricardo Ribeiro Rodrigues.

A Estação Ecológica de Murici é considerada um santuário de aves muito raras. É o pedaço da Mata Atlântica nordestina que reúne a maior quantidade de aves ameaçadas de extinção. São 14 espécies e quatro delas endêmicas – não existem em outro lugar do mundo. Se esta mata for destruída, as espécies estarão condenadas à extinção.

Criada há 8 anos, a área está vulnerável. Sem receber indenização pela desapropriação das terras, agricultores continuam o plantio e a criação de gado. Além disso, duas mil pessoas de quatro acampamentos de sem-terra e de dois assentamentos da reforma agrária vivem ao redor da mata, com hábitos nocivos à floresta. “Principalmente caça, retirada de lenha pra subsistência para o pessoal cozinhar tem muito e a ampliação de pasto pelo fogo”, comenta o chefe da estação ecológica Jailton Fernandes.

Os ambientalistas promovem cursos para ensinar os moradores a retirar da mata só o que ela pode oferecer. Os jovens aprendem artesanato. “Já vi que dá para aproveitar bastante da natureza, a gente pode fazer uma ótima atividade”, elogia uma jovem.

Dona Ângela e Seu José mudaram e hoje não desmatam, não usam agrotóxicos e plantam mudas em áreas devastadas. “Se a gente quiser, a gente muda e a mata sendo a nossa vizinha – uma parceira da gente e a gente vivendo sem mexer nela, não?”, aponta a moradora Ângela Maria Borges.

O comerciante aposentado Osvaldo Timóteo criou uma reserva particular e pretende plantar 30 mil árvores: “Nós precisamos agora recompensar este desmatamento, esta degradação pra que nossos futuros netos, bisnetos, tataranetos também eles tenham melhor condição de vida”.

No sonho de Osvaldo, na consciência dos agricultores, no esforço dos ambientalistas, está a esperança de salvar a Mata Atlântica.

Fonte: Portal MS

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