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De ovo a galinha

A maioria das coisas na vida não é boa nem ruim. Isso depende do uso que fazemos delas. O dinheiro é um exemplo clássico que quando bem usado nos traz coisas boas e por outro lado pode ser a fonte de nossa perdição. A internet também pode nos trazer muita informação, entretenimento, lazer e muitos outros benefícios, mas quando cai em mãos e cérebros mal feitores… Sai de baixo! Arrasa a vida de qualquer um.

E assim sempre foi com outros tantos meios de comunicação como o rádio, televisão, celular, jornal e até os livros.

Capa do livro "De ovo a galinha"

Falando em livros, gostaria de dividir com vocês um recente achado que fiz em uma das minhas andanças pelas livrarias. Fuçando em uma das minhas prateleiras preferidas, ou seja, animais, me deparei com um título bem singelo: De ovo a galinha.

O livro faz parte de uma coleção chamada: Ciclos da vida da editora Zastras, que contém outros títulos como: De filhote a canguru, De girino a sapos, De semente a girassol e De lagarta a borboleta.

Curiosa sobre o que iria encontrar folheie a obra. Com ilustrações muito bem feitas e texto simples o conteúdo era o mais óbvio possível. Contava a trajetória de vida de uma galinha desde o ovo.

Uma bela ilustração mostrava a galinha chocando seus ovinhos, em um galinheiro espaçoso e um ninho bem feitinho. A galinha sorria por cuidar da sua prole. Logo em seguida, mostra-se o pintinho saindo do ovo e logo reconhecendo sua mãe e os dois felizes brincavam ciscando a terra em busca de alimento.

E assim todas as fases da vida são mostradas até que o pintinho se transforma num belo galo e nessa hora o autor aproveita para dizer que o macho da galinha é o galo. Tudo isso em um ambiente bucólico, sem nenhum ser humano por perto para atrapalhar.

Bom, mais o que isso tem a ver com o que falei antes, sobre as coisas serem usadas para o bem ou para o mal? Se você é uma pessoa que se preocupa com os animais, que os respeita e procura protegê-los, sabe muito bem que esse modelo de vida para as galinhas e galos só existe na casa da vovozinha e assim mesmo o fim deles é na panela.

Penso que um livro como esse não é nem bom nem ruim. Isso vai depender de como ele será apresentado às crianças. Talvez ao ler essa obra, o pequeno leitor não associe a galinha que ele vê ali retratada com a coxinha que ele come na festinha de aniversário ou com o nugget do restaurante ou com o frango do almoço de domingo. Para ele são coisas totalmente diferentes.

Por outro lado, a maioria dos pais não gosta que se conte a seus filhos a verdade. Se você é professor pode atestar isso.

Claro que não estou defendendo que se mostre cenas sangrentas de abates de animais para as crianças. Pessoalmente sou contra isso. Mas acho que se pode usar um livro como “Do ovo a galinha” para dizer a verdade. Verdade essa que fará bem tanto às crianças como aos animais.

E como fazer isso? Penso que cada educador, seja pai, mãe, professor deve desenvolver um método adequado ao perfil e a idade da criança. Estimulá-las por meio de perguntas pode ser uma boa estratégia. Questões sobre os ovos que elas comem, de onde vem, como são coletados, quem os coleta. Quanto tempo vive uma galinha, como elas vivem. Se já viram um galinheiro como o que é retratado no livro. Pode-se também mostrar a ela que o ideal para os animais seria ter uma vida feliz, mas que quase nunca os seres humanos permitem que isso aconteça. Enfim, de uma forma sutil e adequada ir formando na criança o senso crítico e a busca da verdade.

Acredito que existam outros tantos livros que podem nos ajudar nessa difícil tarefa de educação vegana, ou melhor dizendo, educação para o respeito a todas as espécies.

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