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Estudo revela segredos da linguagem dos orangotangos

Foto: Phys.org/Reprodução
Foto: Phys.org/Reprodução

No primeiro estudo de campo aprofundado de gestos entre orangotangos selvagens, os cientistas da Universidade de Exeter, localizada no condado de Devon, na Inglaterra, identificaram 11 sinais vocais e 21 “tipos de gestos” físicos.

“Suba em mim”, “eu subo em você” e “retome a brincadeira” estão entre os pedidos que os orangotangos selvagens fazem entre si, dizem os pesquisadores.

Os sons incluíam atitudes e sons batizados pelos cientistas como: “chiado do beijo” (um forte ruído de beijo criado durante a inspiração), o “grumph” (um som baixo que dura um ou dois segundos após a inspiração), o “gorkum” (um chiado do beijo seguido por uma série de grumphs) e a “framboesa”.

Os gestos incluíam acenos, batidas com o pé, colocar o lábio inferior para frente, sacudir objetos e “apresentar” uma parte do corpo, exibindo-a.

As descobertas revelam que os orangotangos respondem de forma ampla e variada à comunicação, reagindo antes do término dos gestos ou em menos de um segundo em 90% das comunicações (excluindo aqueles gestos em que não foi notada expressão de comunicação).
“Observamos orangotangos usando sons e gestos para atingir oito objetivos diferentes – coisas que eles queriam que outro orangotango fizesse”, disse a cientista da Universidade de Exeter, Dra. Helen Morrogh-Bernard, fundadora e codiretora da Bornean Nature Foundation ou BNF (Fundação de Bornéu para Natureza).

“Os orangotangos são os mais solitários de todos os macacos, razão pela qual a maioria dos estudos publicados até hoje foi feita por observação em macacos africanos, e pouco se sabe sobre gestos de orangotangos selvagens.

“Passamos dois anos filmando mais de 600 horas de orangotangos na floresta de turfeiras de Sabangau, em Bornéu, na Indonésia. Enquanto algumas de nossas descobertas apoiam o que foi revelado por estudos em zoológicos, outros aspectos são novos – e destacam a importância de estudar a comunicação em seu contexto natural”.

Uma das novas descobertas é que, enquanto os orangotangos preferem as mãos sobre os pés ao fazer gestos, eles usam seus pés mais que os chimpanzés para esse fim.

As filmagens de 16 orangotangos (sete pares mãe-filho e um par de irmãos) produziram um total de 1.299 sinais comunicativos – 858 sinais vocais e 441 gestos.

Os pesquisadores dizem que mais sinais provavelmente serão identificados no futuro.

Os oito “objetivos” identificados da comunicação foram: “adquirir objeto” (o orangotango que está emitindo a comunicação quer alguma coisa), “subir em mim”, “subir em você”, “subir em cima”, “afastar-se”, “mudar de jogo: diminuir intensidade”, “retomar a reprodução” e “parar com isso”.

Em termos de comunicação física, os orangotangos mais jovens usavam principalmente gestos visuais – enquanto os adultos usavam gestos e toques físicos igualmente.

O toque era mais comumente usado ao se comunicar com um orangotango que não estava prestando atenção.

Os cientistas também observaram que a comunicação vocal aumentava quando o outro orangotango estava fora de vista.

A equipe de pesquisa incluiu o BNF, a Universidade de St. Andrews e o Centro de Cooperação Internacional em Gerenciamento Sustentável de Turfeiras Tropicais (CIMTROP) da Universidade de Palangkaraya.

O artigo, publicado no International Journal of Primatology (Jornal Internacional de Primatologia), é intitulado “Uso de gestos na comunicação entre mães e filhos em orangotangos selvagens (Pongo pygmaeus wurmbii) da floresta de turfeiras de Sabangau, Bornéu”. As informações são do Phys.org.

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