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Abrigo recebe animais tutelados por vítimas de violência doméstica

A organização Humane Society (HS) do estado de Missouri (EUA) fez uma pesquisa que revelou que 25% das pessoas vítimas de violência doméstica retornam aos seus lares abusivos por preocupações com os animais que continuam lá.

Desses casos, em 71% das vezes, os animais também sofrem agressão. Ainda assim, são raros os abrigos direcionados a essas pessoas – não apenas no estado, mas no país – que aceitam animais.

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Foi pensando nestes dados que a sede da HS no estado norte-americano resolveu criar abrigos direcionados a esses animais, chamada de The Animal Safety Net (A rede segura de animais, em tradução livre).

A ideia do projeto é encontrar lares provisórios para que eles estejam seguros enquanto seu/a tutor/a consegue ajuda, se estabiliza – financeira e emocionalmente – e então esteja novamente apto a cuidar adequadamente do animal.

A diretora assistente da HS de Missouri conta que as pesquisas foram feitas depois de muitas pessoas, vítimas de violência doméstica, chegarem até a organização pedindo por abrigo temporário aos animais.

“Presenciamos muitas pessoas que se dirigiam até nós, que estavam em uma situação de abuso, e tinham muito medo de deixar seus lares porque não queriam deixar o animal para trás”, relata Casey em entrevista a um portal local. “Então a gente resolveu criar algo que oferecesse os recursos que essas pessoas precisam”.

Para fazer o projeto funcionar, a organização tem trabalhado em conjunto com as autoridades locais e também com os abrigos de vítimas de violência doméstica. É importante que essa iniciativa exista para que os animais não sejam uma barreira às vítimas – já que muitas vezes eles são igualmente agredidos, e precisam ser resgatados também.

“Assim que alguém se estabelece em um abrigo é quando nós entramos em ação e resgatamos os animais”, Casey explica. “Nós temos lares temporários especializados, então o animal já é diretamente direcionado a um desses locais. Dessa maneira, se o abusador vem até nós procurando pelo animal, ele não o encontra”.

Reprodução | Folha do Sudoeste

Elizabeth Herrera, diretora executiva da True North of Columbia – local que oferece abrigo e serviços para vítimas de violência doméstica – explica que não é tão fácil assim providenciar os cuidados necessários aos animais.

Ela conta que os animais que passam por situações de abusos ou que presenciam as agressões, estão geralmente muito traumatizados e também precisam de atenção especializada – algo que abrigos direcionados a mulheres, frequentemente não conseguem. Além disso, o espaço também é escasso – e talvez uma das maiores dificuldades.

“Eu gostaria muito de poder aceitar animais no abrigo, eu gostaria de ter o espaço e os recursos necessários para isso, mas infelizmente eu não tenho”, lamenta Herrera. Durante todos os seus anos trabalhando com as vítimas, ela consegue identificar o quanto os abusos influenciam não apenas as vidas das mulheres, mas a dos animais também.

Ela conta que já presenciou momentos em que o animal era explorado como “moeda de troca”, como uma forma de chantagear as vítimas. Também já viu abusadores que feriam os animais pura e simplesmente para causar dor e afetar o emocional delas.

“Quando eles agridem os animais, realmente machucam os animais, o próximo passo é de fato machucar a mulher. Mas às vezes eles não querem agredir fisicamente, então eles acabam ferindo o animal para mostrar que eles estão no comando, que eles tem o poder e o controle do relacionamento”, revela Herrera.

A existência desses abrigos é primordial para que todos possam encontrar caminhos mais seguros e felizes de levar a vida. Animais não são objetos para serem agredidos e abusados como chantagem emocional. Eles merecem ser resgatados e bem cuidados, assim como qualquer vítima de violência doméstica.

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