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Abandonado duas vezes, César busca um lar em Osasco (SP)

Silvia

Esse lindo gatinho é o César, um macho de 5 meses que está em Osasco/SP. Ele já viveu a dor do abandono duas vezes e merece ter um lar de verdade, para lhe dar amor e cuidados básicos. O César foi abandonado em um petshop e como não foi doado, foi jogado na rua. Agora ele precisa de um novo tutor, que esteja disposto a castrá-lo e vaciná-lo. Interessados em adotar esse menino devem entrar em contato com a Silvia por meio do telefone abaixo.

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Contato: Silvia, tel. 11 3686-5654.

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Colunistas, Direitos dos Grandes Primatas

César regressa ao seu mundo

César e Suzi (Projeto GAP)
César e Suzi (Projeto GAP)

César, com um ano e dois meses de idade, já está de novo em seu Mundo Chimpanzé. Dias atrás, fizemos a migração do Mundo Humano em que foi criado todos estes meses, quando tivemos que assumir o seu cuidado, já que a mãe, Samantha, tinha aflição de amamentá-lo.

César é o mais humanizado de todos os bebês chimpanzés nascidos no Santuário. Depois do expediente de cada dia, ele ia ficar com sua tratadora, Meire, que também mora com sua família no Santuário.

César teve uma experiência muito intensa de convívio com uma família humana, onde também tinham crianças e vários animais domésticos, cães e gatos. Quando ele vê um humano, ou um cão ou um gato, César vai atrás, com a maior familiaridade. Os próprios cães com os quais convivia na casa também eram seus protetores e tinham muito ciúme e preocupação com ele, e suas atividades diárias que cada dia eram mais audaciosas.

Durante todo este tempo, levamos César para ver a sua mãe, para que ela mantivesse seu interesse nele, e começamos a colocá-lo algumas horas por semana com uma de suas irmãs, Suzi,de 3 anos, com a qual se deu muito bem. Suas outras irmãs, Sofia e Sara, observavam a ambos brincando pela janela, assim como seu futuro pai adotivo, Jimmy, que cuida delas.

O primeiro contato com a Samantha foi muito positivo; ela, achando que ainda era um recém-nascido, fazia um ninho, deitava e queria que César deitasse em seu abdômen. Mas César já estava bem mais evoluído e o que queria era brincar, correr, pular.

De todas formas, Samantha, que não é muito paciente, soube entendê-lo e o deixamos uma noite com ela, quando o entrosamento foi maior, já que ela o levou para a casa externa, onde dormiu com ele no colo.

Na semana passada, o colocamos com ela e chamamos a sua irmã maior, Sofia, que tem uma relação estreita com a mãe, para que se juntasse a eles.

Sofia, que nunca tinha tido contato com César, só de longe, adorou seu irmão e esgotou as energias de ambos em dezenas de brincadeiras.

César é um macho dominante, assim tão pequenino como é, e quando Sofia brinca um pouco forte com ele, reclama e vai para cima dela para mordê-la, e a mordida de César é temível.

Samantha não tem muita paciência nem fôlego para aguentar um bebê hiperativo como César o tempo todo. Assim deixamos César com Sofia para gastar as energias e Samantha vai e vem com o grupo de adultos, quando ela pede.

Nos próximos dias iremos incorporando as suas outras duas irmãs com Sofia e César e depois ao pai adotivo, Jimmy, que acompanha com certa apreensão este trabalho de integração, e às vezes reclama conosco de que temos que ir devagar.

César, sem dúvida, será um Macho Alfa quando adulto, com a enorme vantagem de ter um afinidade com a vida humana, o que simplifica nossa vida em comum.

César voltou ao seu mundo, sem sair totalmente do nosso, onde será um dos últimos símbolos desta espécie que o Planeta está aniquilando sem piedade e dó.

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Direitos dos Grandes Primatas

É possível os chimpanzés falarem?

O caso César

Sim. Podemos afirmar isso. Da mesma forma como colocamos para todos que nos perguntam: Por que não seria possível um dia que seres com um DNA humano (acima de 99%), um cérebro totalmente desenvolvido, uma anatomia e fisiologia corporal praticamente humanas e um sistema sanguíneo que é compatível com o humano consigam falar e chegar a desenvolver uma linguagem própria – como acontece com César, no filme “O Planeta dos Macacos, a origem” -, além da que eles já possuem, de sinais, gestos, atitudes e sons?

Relatamos ao jornalista Marco Túlio, da Revista Veja, quando preparava sua excelente matéria para a VEJA ON LINE – veja a matéria aqui, do dia 07 de setembro, um caso típico da inteligência dos chimpanzés que aconteceu conosco dias antes com Guga, chimpanzé criado por nós desde os três meses de idade e com o qual eu e minha família temos profundos laços.

Somos observadores privilegiados do “mundo chimpanzé” no Santuário do GAP em Sorocaba, onde abrigamos 53 indivíduos. Convivemos com eles há mais de 12 anos e os observamos de perto, como talvez ninguém no mundo tenha tido a oportunidade de fazer, visto que é um grupo muito heterogêneo.

Cada chimpanzé é diferente do outro, como os humanos o são. Têm características próprias, reações distintas e habilidades diversas. São chimpanzés de cativeiro, alguns tendo sofrido muito físico e mentalmente – produto da violência humana – , mas que têm superado muitos dos traumas e conseguem sobreviver e relacionar-se com seus iguais, e com os humanos que cuidam deles e os amam.

Poucos milhares de anos atrás o Homo sapiens era como um chimpanzé. Se comunicava através de gestos, sinais, atitudes e sons, não tinha a capacidade de articular palavras, apesar de que sua origem se remonta de 2 a 4 milhões de anos atrás. Um dia apareceu um “César humano”, que teve uma mutação daquele gene que lhe impedia de falar, já que configurava sua laringe de uma forma que só lhe permitia emitir sons, que mudou e começou a converter aquele som em palavras. Seus filhos e netos evoluíram mais aceleradamente, até que a facilidade de falar estava configurada e era permanente.

Se isso aconteceu com o Homo sapiens, por que não pode acontecer com o Homo troglodytes? Se o filho do bonobo Kanzi, Teco, não precisou treinamento prévio, como seu pai, para usar um computador, aprendendo essa habilidade aos dois anos de idade, por que um dia o neto de Kanzi, ou de Teco, não pode vir a tentar e conseguir abandonar a comunicação via computador e começar a falar? Nada impede que isso aconteça. É a história da evolução que o prova. Além do mais, pela engenharia genética, seremos capazes de acelerar esse processo, e consegui-lo muito antes que a natureza o faça. Alguém o vai tentar? Sem dúvida. Se foi possível fazer com que cegos enxergassem, que surdos escutassem, por qua não vamos conseguir que alguém, mudo, consiga articular palavras?

Em meus sonhos de luta pelo reconhecimento dos direitos básicos dos chimpanzés e dos grandes símios em nossa sociedade, nunca me abandona a ideia de que algum dia um “César chimpanzé” defenda seus iguais, com palavras e ação, das iniqüidades que os humanos fizeram com seus irmãos primitivos. Eles falarão e se farão escutar!

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Notícias

Surgirá um César verdadeiro?

Por Dr. Pedro A Ynterian (da Redação)

Cena do filme em que ocorre a tomada da ponte Golden Gate pelos primatas (divulgação)

Estamos torcendo intensamente para que isso aconteça. César comandaria a revolução necessária, que daria fim ao sofrimento e à exploração dos grandes símios, e, por extensão, de todos os animais. Ver cair as grades dos zoológicos, abrir-se as jaulas dos centros de tortura e reprodução dos grandes símios e a destruição dos laboratórios de pesquisa médica, que usam estes seres indefesos para obter drogas que enriquecem grandes corporações. Este e o ideal de todos aqueles que lutam pelos direitos dos grandes primatas e pela libertação animal.

O filme, do diretor inglês Ruppert Wyatt, é de um extraordinário realismo, já que mostra tudo que estamos denunciando anos a fio e desnuda a face brutal, tenebrosa, criminosa dos caçadores de primatas na África, que os levam para zoológicos, laboratórios e centros de reprodução no próprio Estados Unidos, com a cumplicidade de autoridades e a inércia da sociedade.

Naquele mesmo país, outros cidadãos com outra mente conseguiram realizar esta obra em forma de filme, que é um retrato atual, real e cru do que o Homo sapiens é capaz de fazer com seres que ele chega a dominar.

César é um chimpanzé que evoluiu rapidamente e conseguiu alcançar o grande divisor de água entre os chimpanzés e os humanos: conseguir falar, o que lhe permitiu aprender e conduzir seus companheiros a sacudir-se das cadeias e tomar conta, durante um breve tempo, da ponte de San Francisco, famosa no mundo. César poderá existir algum dia. Hoje é uma utopia. Mas tantas utopias já se converteram em realidade que é possível que isto aconteça. Afinal é a única característica que separa os chimpanzés de nós. Sería a barreira que faltava para superar e juntar realmente nossas espécies.

O final do filme é emblemático. James Franco, o pai adotivo de César, que o criou desde pequeno em sua casa, se encontra com ele, já refugiado na floresta, próximo a San Francisco, rodeado de dezenas de símios, que incluem orangotangos e gorilas, e lhe pede para voltar para a casa com ele. César se aproxima de seu pai e lhe sussurra ao ouvido: “já estou em minha casa …”. Isso reflete a verdade de todas as espécies, uma verdade que teve seu conceito mudado para nossa conveniência: o mundo é de todos e eles têm tanto direito como nós a viver onde e como desejam. Esperamos que o César futuro verdadeiro,  nos substitua algum dia nesta luta que travamos por eles. Este César será o genuíno Presidente do Projeto GAP.

Dr. Pedro A Ynterian é presidente do Projeto GAP e colunista da ANDA.

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