De olho no planeta

Empresas norte-americanas são multadas por desmatar cerrado brasileiro

Aproximadamente quatro milhões de hectares do ecossistema amazônico são desmatados ilegalmente todos os anos. Em grande parte, para plantação de soja – a ser exportada e usada como ração para animais explorados pela indústria da carne.

Reprodução | Greenpeace

Duas empresas agropecuárias estadunidenses, Bunge e Cargill, contribuem de forma decisiva para que esses números sejam atingidos regularmente. Depois de anos juntando informações e documentos como provas contra as companhias, o Ibama pode, enfim, multá-las.

A ação batizada de “Operação Shoyo”, realizada em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), está investigando todas as companhias que desmataram áreas embargadas do Cerrado para o plantio ilegal dos grãos.

Até agora, as empresas americanas devem pagar ao governo brasileiro R$ 5 milhões e R$ 1,8 milhão, respectivamente. Contando com os outros grandes nomes do agronegócio envolvidos, o valor das multas totalizam cerca de R$ 105,7 milhões –  resultado da aplicação de 62 autos de infração.

A Bunge justificou suas ações alegando que, antes de mais nada, “consultou dados públicos sobre áreas banidas” e que em todos os locais em que atuou estava “alinhada com as melhores práticas.”

Em uma declaração à imprensa, o CEO da organização não-governamental Mighty Earth, Glenn Horowitz, ironiza a resposta dada pela empresa. “A Bunge se defende dizendo que pensou que a destruição dessas áreas era legalizada. O governo brasileiro claramente não concorda.” E completa, “mas se a Bunge desse o simples passo de banir todo desflorestamento em sua rede de fornecedores, eles não estariam encarando qualquer um desses riscos.”

Já passou da hora das empresas serem punidas de verdade pelas práticas ilegais na Amazônia, que estão acabando com o ecossistema, e levando muitas espécies à extinção.

​Read More
Notícias

Pesquisa estuda impacto do homem na vida dos animais do Cerrado

Divulgação

Diversidade de cores. Sons com muito espaço para explorar do alto e de baixo. É o retiro para dezenas de espécies de animais. Cada espécie com seu estilo de vida, que a ciência quer desvendar. O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é um grande laboratório a céu aberto. São mais de 300 pesquisas. É um número alto, e o indicativo de que ainda temos muito o que conhecer sobre o Cerrado.

Pesquisadores da UNB instalaram câmeras que ajudam a entender o impacto da presença do homem no cotidiano dos animais. Os equipamentos foram instalados em duas áreas do parque: nas trilhas dos turistas e num campo onde a presença humana é menor. Na região que não tem visitação a gente tem visto um grande número de animais. Mas os animais evitam mesmo ir numa área onde tem a presença do homem. O registro maior é do cachorro do mato, que driblou os humanos.

A pesquisa, que ainda está em andamento, pretende ajudar na criação de programas para que o homem continue aproveitando o que a natureza tem a oferecer na região da Chapada, respeitando o espaço dos animais.

Fonte: G1 

​Read More
Notícias

Cerrado brasileiro recebe santuário para preservação de felinos selvagens

Em uma ação da iniciativa privada, com apoio do governo, uma fazenda será transformada em santuário para preservação de felinos selvagens no cerrado brasileiro, na região centro-oeste do estado de Goiás.

Bordô, um jovem puma macho que recebeu esse nome devido a cor grená da tinta com a qual ele foi marcado para identificação, foi resgatado quando ainda era filhote e será o primeiro animal da espécie a ser solto no local. Recentemente, o puma foi submetido à exames para que fosse autorizado à voltar para seu habitat.

O santuário receberá felinos selvagens (Foto: Jason Edwards/National Geographic Creative)

O puma, também conhecido como suçuarana ou onça parda, aguarda, no momento, o aval dos veterinários e da equipe de especialistas para ser solto na natureza. Este trabalho de reintegração ao habitat está sendo realizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) com o apoio das ONGs NEX e Brasília É o Bicho.

Bordô viveu meses em uma fazenda de Unaí, no Sudeste de Minas Gerais. De lá, foi levado ainda filhote para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Brasília, onde foi submetido à uma avaliação médica necessária para determinar quando ele poderá ser levado ao santuário. O Cetas recebeu, desde 2016, 39.637 animais silvestres. Desses, 78% foram devolvidos ao habitat.

“Realizamos um procedimento médico veterinário e de exame clínico. Lhe demos um sedativo, colhemos sangue para saber se o animal está bem e uma ultrassonografia também, uma revisão geral e tudo vai bem”, afirmou à Agência Efe o veterinário Thiago Luczinski, voluntário da NEX, ONG que atua na defesa de animais silvestres.

A revisão médica feita em Bordô tem o apoio da fazenda Veredas do Cerrado, de propriedade do empresário Caio Freitas, que a herdou do pai. O lugar tem tradição de 42 anos na preservação da natureza.

A fazenda, que há mais de quatro décadas é local de pesquisas e estudos sobre o ecossistema do cerrado, agora será transformada em santuário. Freitas tem o objetivo de receber felinos selvagens que por razões diversas foram retirados do habitat nas diferentes regiões do país. O terreno de 300 hectares, dotado de fontes de água natural e alimentos, tem sido estudado por biólogos e veterinários há dois anos, segundo informações divulgadas pelo UOL.

Outros pumas e jaguares já habitam o ecossistema do cerrado, do qual faz parte a fazenda.

“Uma coisa interessante que fizemos foi que, como este animal vai ser solto, necessitávamos ter uma identificação visual dele, porque será vigiado por câmeras”, disse Luczinski ao explicar que a identificação foi feita com “duas marcas laterais com tinta de cabelo, para não machucar o animal quando mudar de pelagem e que desaparecerá quando essa mudança acontecer, não vai agredir o animal e ele vai ter uma vida normal”.

“Será algo temporário, para que possamos identificá-lo nas câmeras, caminhando, e, se tudo correr bem, podemos visualmente verificar se ele está magro ou engordou. Então essa marca é importante para nós”, detalhou Luczinski.

Antes de ser submetido a exames em Brasília, Bordô teve seu primeiro contato com a savana brasileira no trajeto entre Minas Gerais e Goiás.

​Read More
Tamanduá-bandeira
Notícias

Tamanduá-bandeira pode desaparecer em 20 anos do Cerrado paulista

A alteração do habitat por humanos, os atropelamentos, a caça, as queimadas, o uso de agrotóxicos e os conflitos com cães são as principais razões para o declínio, de acordo com a autora do estudo, a bióloga Alessandra Bertassoni. Segundo ela, caso as queimadas sejam suprimidas, a espécie poderá viver por 30 anos.

Tamanduá-bandeira
FOTO/DIGITAL, Ichiro Guerra

“O Cerrado paulista é extremamente fragmentado e impactos da ação humana aumentam a vulnerabilidade da espécie, elevando o nível de ameaça. Temos um cenário de, no máximo, 30 anos para o tamanduá-bandeira na região”, disse Alessandra ao Estado.

A pesquisa foi realizada na Estação Ecológica de Santa Bárbara, na região de Avaré (SP), ao longo de dois anos, para o doutorado de Alessandra, que já estuda a espécie há uma década.

Além de estudar os indivíduos espacialmente, a bióloga também tinha o objetivo de descobrir se era possível identificá-los com base na pelagem. A identificação visava avaliar o grau de vulnerabilidade da população, segundo ela.

A pesquisadora precisou analisar pessoalmente quase 15 mil fotos. A maior parte não tinha a qualidade necessária para a análise, ou era de fotos de outros animais como lobos-guará, quatis, porcos, capivaras, tatus e cães. Mas o resultado valeu a pena.

“Com a identificação desses nove indivíduos, e considerando as ameaças detectadas, o tamanho da área e diversas outras variáveis, usei um software que permitiu calcular o quanto essas populações estão ameaçadas”, ressaltou ela.

Fonte: Metrópoles

​Read More
Notícias

Dupla é detida no Ceará com 1,5 mil pássaros capturados do Cerrado

Divulgação/SSPDS
Divulgação/SSPDS

Dois homens foram detidos na madrugada da sexta-feira (6) em Jati, no Cariri (CE), transportando cerca de 1,5 mil aves dentro de um automóvel na BR-116. Os animais, da espécie Canário-da-terra e Pintassilgo, estavam em gaiolas carregadeiras. A dupla, que foi parada em uma blitz na estrada, disse à Polícia Militar que vinha de Brasília, de onde caçaram os animais para serem comercializados em Fortaleza.

O transporte, de acordo com os suspeitos, era realizado à noite para não expor os animais ao calor e, assim, poder chegar com o máximo de animais vivos ao local de venda.

Um dos homens, de 53 anos, é natural de Rubiataba (GO) e informou ter registro criminal por crime ambiental. O outro suspeito, de 41 anos, é de Monteiro (PB) e declarou possuir antecedente criminal por porte ilegal de arma de fogo.

A Polícia investiga a participação dos homens no tráfico interestadual de animais silvestres. Eles foram conduzidos para a Delegacia Regional de Brejo Santo e autuados por crime ambiental.

As aves foram levadas para o Escritório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), de Iguatu, para serem devolvidas à natureza.

Fonte: G1

​Read More
Notícias

Veado é resgatado de quintal de casa em Sobradinho (DF)

Veado resgatado de dentro do quintal de uma casa em Sobradinho, no DF (Foto: Polícia Militar/Divulgação)
Veado resgatado de dentro do quintal de uma casa em Sobradinho, no DF (Foto: Polícia Militar/Divulgação)

Um veado foi resgatado de dentro do quintal de uma casa em Sobradinho, no Distrito Federal, nessa segunda-feira (5). Segundo a Polícia Militar, o animal aparentava estar assustado, mas não tinha ferimentos nem estava agressivo.

O animal foi recolhido por homens do Batalhão da Polícia Militar Ambiental em uma casa da quadra 7. De lá, o veado foi levado para o Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama.

Ele vai permanecer no local de quarentena. Em seguida será devolvido à natureza. A PM afirma que o animal se dirigiu para a área urbana possivelmente fugindo de um incêndio no Cerrado.

Fonte: G1

​Read More
Notícias

Animais em extinção são descobertos no cerrado do Distrito Federal

Pesquisadores da Universidade de Brasília (UNB) instalaram câmeras em áreas de cerrado ao entorno do distrito Federal e descobriram espécies de animais silvestres em extinção. Bichos que há anos não eram vistos no local.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O município de Formosa, que fica há mais de 100 quilômetros de Brasília, faz parte da área de cerrado na qual os animais foram encontrados. Em uma fazenda, biólogos da UNB encontraram pegadas de onça pintada no alto da serra e resolveram instalar uma armadilha fotográfica.

Os pesquisadores amarraram o equipamento à arvore.  E colocaram uma isca há cerca de três metros de distância. A câmera foi programada para filmar qualquer movimentação na área.

Imagem de um Urubu-rei com as asas abertas.
Foto: Divulgação

A onça pintada foi uma das espécies que apareceu na filmagem. Segundo os biólogos, ela é uma fêmea. Agora, a esperança é que tenha um macho na região para que os animais possam se reproduzir e posteriormente, obter imagens de uma ninhada.

Além da onça, a câmera instalada pela Universidade registrou o flagrante de vários animais raros como a jaguatirica, o urubu-rei e o lobo-guará.

Diante da importante descoberta, os biólogos começaram uma campanha pela preservação destes animais, principalmente da onça. O receio é que os fazendeiros matem o bicho.

Para ajudar a população rural a conviver com a onça, uma cartilha intitulada ”Guia de convivência Gente e Onças” foi distribuída e expõe dicas de como manter a convivência pacífica. Na fazenda que abrigou a pesquisa, o dono garante que a onça está segura e diz que vale mais a consciência ambiental.

Fonte: G1

​Read More
Notícias

Tese investiga comunicação entre aves do Cerrado brasileiro

(Foto: Reprodução/EPTV)

Em uma expedição liderada pelo naturalista alemão Georg Heinrich von Langsdorff, entre os anos de 1825 e 1829, o francês Hercules Florence, um dos pioneiros da fotografia no mundo, percorreu o interior do Brasil. Desenhista refinado, a missão de Florence era fazer o registro iconográfico da aventura científica. Além de reproduzir elementos da natureza e os índios, ele também registrou os cantos dos pássaros por meio de transcrições musicais. À partir de então, ele iniciou os estudos de bioacústica tanto por estas regiões quanto no mundo.

Atualmente, os cientistas ocupados em investigar a comunicação sonora animal dispõem de recursos mais refinados, como gravadores digitais e softwares. “Trata-se de uma área de investigação relativamente nova. Avançamos bem em termos de conhecimento, mas ainda é preciso progredir muito mais”, afirma o biólogo Carlos Barros de Araújo, que pesquisa a comunicação sonora dos psitacídeos (araras, papagaios, periquitos, calopsitas etc), especificamente os que vivem no Cerrado brasileiro.

Uma tese de doutorado sobre o tema, no Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, acaba de ser concluída por Araújo. O trabalho, que aprofundou a abordagem feita por ele no mestrado, analisou o padrão da comunicação e a relação deste com a alimentação de 15 espécies de psitacídeos. O biólogo identificou, via modelo matemático e por meio de medidas realizadas do solo, que o “diálogo” entre algumas espécies pode ocorrer a distâncias de até 1,5 quilômetros.

“Normalmente, os animais dormem em bandos únicos. De dia, eles se espalham, provavelmente para tornar a busca por alimentação mais eficiente. Assim, a comunicação a grande distância serve basicamente para agregá-los durante o dia e principalmente ao final da tarde, uma vez que as espécies pernoitam em grandes dormitórios comuns”, explica.

(Foto: Reprodução/EPTV)

Um aspecto importante também detectado pelo biólogo é a interferência da perturbação ambiental (ruídos urbanos) na comunicação sonora dessas aves. Por conta do problema, adverte o especialista, essa comunicação vem sendo brutalmente reduzida. “Nossos modelos preveem uma redução de 1.500% na distância de comunicação de algumas espécies!”. Quando não, os animais são forçados a mudar seu canto. “Muitas espécies passam a cantar frequências mais agudas e com uma maior intensidade quando submetidas a ruídos de grande intensidade”, relata.

No Brasil, de acordo com Araújo, não há leis específicas que protejam os psitacídeos ou outras espécies desse tipo de interferência, ao contrário do que ocorre na Europa. Lá, é comum a colocação de barreiras acústicas em rodovias ou avenidas que cortam ou passam ao lado de áreas habitadas ou onde há fauna representativa. Desse modo, o som dos veículos é refletido e retorna ao ponto da emissão, sem afetar o bioma. O pesquisador acredita que é necessária a criação desse tipo de legislação por aqui, afinal, o ruído pode ter grande impacto na biologia das espécies.

Em relação ao comportamento alimentar das espécies investigadas, Araújo diz ter encontrado um gradiente. Assim, há desde aves especialistas que comem somente o fruto do buriti (um tipo de palmeira) tal como o maracanã-do-buriti (ao lado), até aquelas generalistas que ingerem uma ampla gama de itens alimentares, tal como a maritaca ou periquitos, que conseguem se adaptar com certa facilidade aos ambientes antrópicos.

Ao pesquisar o padrão de alimentação dos psitacídeos, o biólogo aproveitou os dados para tentar melhorar os modelos de previsão da distribuição geográfica das espécies. Ao cruzar informações alimentares com as características físicas dos ambientes, ele percebeu que o modelo se tornava mais refinado. “Entretanto, há alguns aspectos que ainda precisam ser aperfeiçoados. Estou neste momento discutindo essa questão com meu coorientador, Gabriel Costa”, observa o autor da tese.

(Foto: Reprodução/EPTV)

Corrida contra o tempo

E qual a relevância de se investigar a comunicação sonora e o comportamento alimentar dos psitacídeos? De acordo com Araújo, quanto mais a ciência sabe sobre eles, mais condições tem de estudar e propor ações que possam contribuir para preservá-los. O biólogo lembra que araras e papagaios estão entre as espécies mais ameaçadas de extinção no mundo. Além do que, no Brasil, estão entre os alvos preferenciais dos contrabandistas de animais, como a mídia mostra de forma recorrente. Contudo, ele reconhece que os conhecimentos gerados pela bioacústica ainda têm sido pouco utilizados, principalmente no País, para a formulação de políticas públicas ou mesmo para a definição de manejos que objetivem preservar essas ou outras espécies.

“Isso pode estar relacionado, de certa forma, à dificuldade em se estudar o grupo. Até 2005, nós tínhamos muito pouca informação sobre os psitacídeos. Atualmente, temos alguns grupos dedicados ao estudo das espécies, como o da Unicamp, liderado pelo agora aposentado professor Luiz Octavio Marcondes Machado. Há também pesquisadores do Mato Grosso e do Pará que estão realizando trabalhos importantes na área. Esse esforço tem sido recompensado, pois hoje temos mais informações sobrecomunicação, alimentação e reprodução das aves. Descobrimos muitas coisas, mas temos muito mais a descobrir”, analisa o autor da tese.

No que toca especificamente à comunicação sonora dos psitacídeos, Araújo destaca que já foi possível identificar que cada nota emitida pelas espécies tem um contexto específico, como sinal de agregação ou sinalização de sentinela. “No segundo caso, um indivíduo normalmente fica na copa da árvore observando a presença de predadores e emitindo um som de intensidade baixa, possivelmente para avisar aos demais membros do bando da presença de um sentinela. Quando um predador de fato se aproxima, é o sentinela que emite uma nota de alarme, de alta intensidade, para avisar aos demais”.

(Foto: Reprodução/EPTV)

Portanto, de acordo com Araújo, os grandes desafios a serem superados dentro desse campo de investigação são a escassez de tempo e a falta infraestrutura, principalmente a humana. O biólogo assinala que o Brasil já perdeu algumas espécies de aves por causa da degradação da natureza e de outras ações do homem. Um exemplo disso é a ararinha-azul-de-spix, ela ocorria na caatinga nordestina, mas atualmente não é mais encontrada na natureza. Hoje, existem pouquíssimos espécimes vivendo em cativeiro.

Em relação ao Cerrado, existem previsões de que em 2030 a vegetação seria restrita a reservas, que hoje representam somente 2% da distribuição original. “Estamos correndo contra o tempo. O Brasil conta com mais de 1.800 espécies de aves. Essa diversidade demandaria o trabalho de um grande número de ornitólogos. A Inglaterra, que soma apenas 400 espécies, tem um número de profissionais muito maior do que o nosso”, compara o especialista, que contou com bolsas de estudos concedidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão vinculado ao Ministério da Educação, e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

Veja mais fotos aqui.

Fonte: EPTV

​Read More
Notícias

Animal ameaçado de extinção, o lobo-guará vive no cerrado

Foto: s/c

O lobo-guará Chrysocyon brachyurus faz parte da lista de animais em situação vulnerável. Em outras palavras, ameaçados de extinção. Trata-se de animal de pernas e pelagem longas de cor laranja-avermelhado e orelhas grandes. Possui uma crina negra no dorso, mesma cor do focinho, das patas dianteiras e de mais da metade distal das patas traseiras.

De acordo com especialistas, a espécie possui hábitats abertos, como campos, cerrados e veredas e campos úmidos. A dieta é variada, consiste principalmente de frutos e pequenos vertebrados.

É uma espécie de hábito solitário, cujos indivíduos se juntam em casais apenas na época reprodutiva. O tamanho da área ocupada por casais é bem variável, ao longo de sua distribuição, variando de 6 km2 a 115 km2.

Fonte: Terra

​Read More
Notícias

Parte dos anfíbios do cerrado pode ser extinta até 2050, diz pesquisa

Animais seriam vítimas da mudança do clima e da expansão agrícola.
Estudo confirma existência de 204 espécies de anfíbios; 102 são endêmicas.

Mais da metade das espécies de anfíbios existentes apenas no cerrado brasileiro podem desaparecer devido às mudanças do clima e a políticas erradas de uso da terra. A conclusão é parte do projeto “Diversidade de anfíbios no cerrado e prioridades para sua conservação em cenários futuros de mudanças climáticas”, desenvolvido pela organização ambiental Pequi, com apoio da Fundação Boticário.

O estudo, que durou quatro anos e foi parte de duas teses de doutorado da Universidade Católica de Brasília, simulou o ambiente do cerrado em 2050, com temperatura 2ºC acima do normal, de acordo com previsão do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Tais características foram aliadas aos modelos atuais de políticas públicas, voltadas para a expansão agrícola na região, com dados sobre o desmatamento do bioma.

Segundo a pesquisa, espécies de anfíbios como sapos e pererecas existentes na região sul do bioma, área que abrange parte de Goiás, o oeste de Minas Gerais, oeste da Bahia e sul do Tocantins, poderiam desaparecer devido à destruição de seus habitats, que são áreas úmidas da floresta ou próximo de lagos ou cursos de água.
“A ausência de locais adequados para sobrevivência e a elevação da temperatura no cerrado fariam esses animais procurar por outras regiões amenas. A região de floresta mais próxima seria a Mata Atlântica, mas este bioma já praticamente desapareceu devido à expansão humana”, disse Débora Silvano, professora do curso de Ciências Biológicas da Universidade Católica de Brasília e coordenadora do estudo científico. “A falta de ambiente adequado deve impactar na sobrevivência das espécies de anfíbios”, explica.

Exemplar de perereca P. berohoca, que existe apenas no cerrado e pode desaparecer devido aos efeitos da mudança do clima e do mau uso da terra (Foto: Divulgação/Paula Valdujo)

Mapeamento

Segundo Débora, foram mapeados no cerrado 204 espécies de anfíbios, sendo que 102 são endêmicas (existem apenas em determinada localidade). Devido aos problemas ambientais citados, ao menos 50% dos animais que vivem somente no bioma desapareceriam, como a perereca P. berohoca e o sapinho B. sazimai.

A população desses animais já pode ter sido reduzida neste ano devido à alta incidência de queimadas no Centro-Oeste, que desde julho sofre com o longo período de estiagem. “Quando é o período de seca, os anfíbios costumam ficam enterrados em camadas úmidas do solo ou mesmo no interior da floresta. Se o fogo atingiu essas áreas, é provável que esses animais tenham sido atingidos”, complementa a pesquisadora.

Outro inimigo da biodiversidade local é o desmatamento. O cerrado brasileiro teve uma área desmatada de 6.469 quilômetros quadrados entre 2009 e 2010, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente. O número equivale a uma redução de 15,3% em relação à medição anterior (2008-2009), quando o bioma perdeu 7.637 quilômetros quadrados de área.

Em números absolutos, o estado que mais desmatou foi o Maranhão, com uma área de 1.587 km². Percentualmente, o Piauí foi o estado com maior perda de área – 979 km² ou 1,05% da área de cerrado do estado.

Soluções

O estudo conclui que para evitar a mortalidade de espécies, o governo deve criar sistemas de áreas protegidas conectadas, como unidades de conservação com corredores ecológicos, que possibilitaria a migração desses animais entre fragmentos de floresta.

“Isso evitaria a dispersão de espécies. Os anfíbios não conseguem ir muito longe devido à dificuldade de mobilidade. É preciso que o governo realize planejamentos para evitar o desmatamento do bioma, principalmente na porção sul”, afirma Débora.

Espécime do sapinho B. sazimai, encontrada apenas no bioma que abrange grande parte do Centro-Oeste do Brasil (Foto: Divulgação/Paula Valdujo)

Fonte: G1

​Read More
Notícias

Série de livros aborda todas as aves brasileiras

A Wildlife Conservation Society (WCS) e a Editora Horizonte lançaram recentemente o Guia Aves do Brasil: Pantanal & Cerrado, o primeiro de uma série que deverá contar com cinco volumes que abordam as aves de todos os biomas brasileiros, permitindo sua identificação. Com linguagem simples e todo ilustrado, o livro tem o objetivo de popularizar a observação de aves no Brasil e estimular a conservação do meio ambiente.

O primeiro volume da série apresenta 740 espécies de aves do Pantanal e do Cerrado, entre nomes bastante conhecidos, como a ema e a arara-azul-grande, e espécies ainda pouco conhecidas pelos cientistas, como o belo pica-pau-do-parnaíba e o raríssimo tiê-bicudo. A maioria das descrições é acompanhada de ilustrações precisas feitas por renomados artistas especializados em aves, como Guy Tudor, o maior ilustrador de aves sul-americanas.

A ornitóloga Martha Argel, uma das autoras do livro, explica que o guia é muito mais que uma ferramenta de observação de aves, pois constitui um instrumento educativo e científico de proteção ao meio ambiente e de incentivo ao turismo sustentável. “Esse material foi pensado, desde o início, para estimular as pessoas a contribuir com um ambiente mais saudável e uma economia mais justa, a partir de um maior conhecimento sobre o patrimônio natural do Brasil”.

Além das informações detalhadas sobre as espécies de aves e seus habitats, o guia conta com inúmeras fotos de ambientes do Cerrado e do Pantanal. Traz informações, em uma linguagem de fácil entendimento, enfatizando a exuberância da natureza nessas regiões, as ameaças a sua biodiversidade e as formas de ajudar a protegê-la. Auxilia, ainda, a compreender como determinadas espécies de aves estão associadas a certos ambientes e como dependem deles para sobreviver.

Com um formato compacto, considerado mais eficiente para o uso rápido em condições de campo, o preço sugerido do Guia é de R$ 44,00. Este valor, muito mais acessível que o de livros semelhantes, só foi possível graças aos fundos recebidos de diversos doadores pela WCS, entre os quais Banco Mundial, várias fundações e pessoas físicas.

A autoria do guia é dos observadores de aves John A. Gwynne, diretor de Criação e Vice-Presidente Emérito de Design da Wildlife Conservation Society, sediada em Nova York; Robert S. Ridgely, um dos maiores especialistas mundiais em aves da América do Sul e membro atuante da organização World Land Trust; Guy Tudor, ilustrador de aves neotropicais; e Martha Argel, ornitóloga, escritora e autora de diversos livros de divulgação científica. Dezenas de ornitólogos e pesquisadores brasileiros colaboraram com os autores ao longo dos cinco anos de preparação das 322 páginas do livro e mais de 1000 ilustrações.

Mais informações pelo site www.edhorizonte.com.br ou pelo telefone (11) 3022-5599. (com assessoria)

Fonte: Diário de Cuiabá

​Read More
Notícias

Morte de morcegos pode causar prejuízos econômicos e ambientais

A morte de morcegos pode trazer um prejuízo anual de US$ 3,7 bilhões para a agricultura americana por gastos com pesticida e queda de produtividade. Atualmente, as populações do animal sofrem um grave declínio nos EUA. Os autores do estudo publicado na Science afirmam que as conclusões servem de alerta para outros países, entre eles o Brasil.

Cerca de 1 milhão de morcegos americanos morreram nos últimos anos (mais informações nesta página). Com isso, até 1,3 mil toneladas de insetos aumentam anualmente, ameaçando cultivos e florestas. “Sem dúvida, morcegos insetívoros também desempenham um papel importante no controle de insetos no Brasil”, afirma o autor do artigo, Justin Boyles, da Universidade de Pretória, na África do Sul.

Os pesquisadores Susi Pacheco, do Instituto Sauver, em Porto Alegre, e Carlos Esbérard, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), realizaram um cálculo semelhante ao dos americanos. “Cerca de 500 morcegos insetívoros, cada um pesando 10 gramas, consumiriam 6 toneladas de insetos por ano”, pondera Susi.

“Além disso, como há uma grande diversidade de morcegos no Brasil, eles realizam outros serviços importantes para a regeneração de florestas: polinização e dispersão de sementes”, pondera Boyles.

O brasileiro Marco Mello, pós-doutorando da Universidade de Ulm, na Alemanha, publicou há um mês um artigo na PLoS One sobre as interações entre plantas frutíferas e morcegos no Brasil. Eles constituem o segundo grupo dispersor de sementes mais importante. Perdem apenas para as aves.

Mello mostrou que as redes de interação com plantas que envolvem morcegos são mais sensíveis à extinção de uma espécie que as que envolvem aves: o desaparecimento de um elo da rede causa um impacto maior na saúde do ecossistema. Outros estudos apontam que os morcegos costumam cuidar da dispersão das sementes de plantas pioneiras – aquelas que iniciam um processo de reflorestamento. As aves seriam responsáveis principalmente pelas árvores mais tardias. Ou seja, em áreas degradadas ou fragmentadas, os morcegos desempenhariam um papel importante.

Para Ludmilla Aguiar, da Universidade de Brasília (UnB), faltam estudos para entender o serviço prestado por morcegos nos diversos ecossistemas do País. “A gente mal sabe que tipo de insetos eles comem”, afirma Ludmilla. “O Cerrado, bioma com maior número de áreas agrícolas, tem muitos morcegos insetívoros. Precisamos estudar seu comportamento.” Ela participa de um projeto de pesquisa que relaciona a ocorrência de morcegos no Cerrado – por meio do som dos animais – à presença de pragas. “Dados preliminares mostram que há relação: com certeza, eles se alimentam desses insetos”, afirma Ludmilla.

O presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo de Quirópteros (Sbeq), Ricardo Moratelli, sublinha a necessidade de mais taxonomistas – profissionais especializados na classificação de espécies – para realizar inventários da fauna de morcegos. “Sem isso, não dá para dizer quando uma espécie está ameaçada”, explica Moratelli, pesquisador da Fiocruz, no Rio. Ele também reclama da falta de editais de financiamento para promover um conhecimento mais aprofundado das espécies, não restrito a simples inventários.

Por enquanto, apenas uma espécie – o morceguinho-do-cerrado – mereceu um plano especial de manejo do Ministério do Meio Ambiente. O diretor do Departamento de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, Bráulio Dias, explica que o morceguinho-do-cerrado, uma espécie que se alimenta de néctar, possui uma distribuição relativamente restrita no território nacional. “Espécies assim são mais vulneráveis que aquelas menos especializadas, encontradas em mais lugares.”

Bráulio afirma que, a pedido do ministério, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) está se reunindo com especialistas para atualizar a avaliação do estado de conservação das espécies da fauna brasileira. Possivelmente, até o fim do ano, haverá uma nova lista de morcegos ameaçados.

Fonte: Primeira Edição

​Read More