Notícias

Vindas da Alemanha, ararinhas-azuis chegam ao Brasil após serem extintas na natureza

As aves, que estavam na Alemanha, chegam ao Brasil para iniciar processo de reintrodução em seu habitat


O início da jornada que trará as ararinhas-azuis de volta ao coração da Caatinga já tem data para acontecer. Nesta terça-feira (3), 50 aves vindas da Alemanha desembarcarão no Aeroporto de Petrolina (PE) e seguirão para a cidade de Curaçá (BA), onde um centro de reprodução foi construído para que as aves sejam soltas na natureza. A data foi escolhida por ser o Dia Internacional da Vida Selvagem, cujo objetivo é celebrar a fauna e a flora do planeta, assim como alertar para os perigos do tráfico de espécies animais selvagens no mundo.

As ararinhas-azuis são consideradas extintas na natureza desde o ano 2000, devido às ações de caçadores e traficantes de animais. Ainda no aeroporto, uma coletiva de imprensa será realizada com a presença do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles; o presidente do ICMBio, Homero Cerqueira; e o presidente da instituição alemã Association for the Conservation of Threatend Parrots (ACTP), Martin Guth.

Descoberta no início do século 19 pelo naturalista alemão Johann Baptist von Spix, a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), espécie exclusiva da Caatinga brasileira, teve sua população dizimada pela ação do homem. O último animal conhecido na natureza desapareceu em outubro de 2000. Desde então, as poucas aves que restaram em cativeiro vêm sendo usadas para reproduzir a espécie, quase sempre no exterior.

A ararinha é considerada uma das espécies de aves mais ameaçadas do mundo. Em 2000, foi classificada como Criticamente em Perigo (CR) possivelmente Extinta na Natureza (EW), restando apenas animais em cativeiro.

Rara, a espécie vivia originalmente numa pequena região do interior de Juazeiro e Curaçá, no norte da Bahia, onde o Governo Federal criou, em junho de 2018, duas unidades de
conservação: o Refúgio de Vida Silvestre da Ararinha-Azul (com 29,2 mil hectares) e a Área de Proteção Ambiental da Ararinha-Azul (com 90,6 mil hectares), destinadas à reintrodução e proteção da espécie, e conservação do bioma da caatinga.

A construção do Centro e o projeto de reintrodução são custeados pela ONG ACTP. A primeira soltura está prevista para 2021. Ao longo deste período os animais passarão por processo de adaptação e treinamento para viverem em vida livre. Além disto, serão realizados testes de soltura com um papagaio conhecido como Maracanã.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


​Read More
Notícias

Dois linces morrem em cativeiro na Espanha vítimas de doença renal crônica

Este mês, o esforço para travar a extinção do lince-ibérico, o felino mais ameaçado do planeta, recebeu um revés com a morte de um macho e uma fêmea, em dois centros de reprodução em cativeiro, na Espanha, vítimas de doença renal crônica.

Na manhã de 4 de janeiro, o centro de reprodução em cativeiro de El Acebuche, em Doñana, “procedeu à eutanásia da fêmea de lince-ibérico Enea, nascida em março de 2008” naquele mesmo centro, segundo um comunicado do Programa de Conservação Ex-Situ.

Em novembro de 2009, Enea foi um dos animais diagnosticados com a doença, em fase terminal. Ao longo do ano seguinte, o estado de saúde desta fêmea sofreu uma degradação gradual, combatida com tratamentos veterinários. “Mas o animal não conseguiu recuperar desta última recaída, sofrida no final de dezembro, devido ao avançar da doença”, acrescenta o comunicado.

Dias mais tarde, a 11 de Janeiro, o centro de reprodução de La Olivilla também teve de proceder à eutanásia do macho Eros, nascido no centro de El Acebuche, na Primavera de 2008. Assim como o que aconteceu a Enea, foi diagnosticada a doença a Eros através de análises ao sangue realizadas em Novembro de 2009. “A evolução da doença neste animal foi rápida, apesar dos tratamentos administrados”, concluiu o comunicado.

A doença renal crônica, que danifica os rins de forma irreversível, foi identificada como mais uma ameaça à espécie no final de 2009, afetando pelo menos 25 animais. Meses depois, os especialistas explicaram o fenômeno com os efeitos nocivos dos suplementos alimentares administrados aos animais, pelo que os suspenderam. Esta medida terá permitido a melhoria da maioria dos animais doentes, exceto aqueles em que a doença está mais avançada.

No ano passado, a doença matou seis linces, em cativeiro. “Foi um revés tremendo para o programa de conservação ex-situ”, comentou Iñigo Sanches, coordenador do Comité de Criação em Cativeiro do Lince-Ibérico em outubro, no 1º Seminário do Lince-Ibérico em Portugal, em Faro.

No ano passado registou-se a época reprodutora mais difícil desde o início do programa, em 2003, com apenas nove crias sobreviventes. Em parte devido à doença renal crônica.

Até agora, existiam cerca de 80 animais em cativeiro.

O objetivo final do programa ibérico de reprodução em cativeiro é conseguir conservar 85 por cento da variabilidade genética existente atualmente na natureza, durante um período de 30 anos. Para tal será preciso um núcleo de 60 linces reprodutores.

A fase seguinte será fazer uma reintrodução gradual dos animais em determinadas áreas consideradas prioritárias. Na verdade, até ao final de 2012, Portugal deverá implementar um programa detalhado para a reintrodução dos animais na natureza, compromisso assumido na assinatura do protocolo de cedência dos linces.

Estima-se que existam atualmente apenas cerca de 150 linces-ibéricos (Lynx pardinus); em meados do século XIX seriam cem mil espalhados por toda a Península Ibérica. Hoje a espécie vive em Portugal numa situação de “pré-extinção”. O colapso das populações de coelhos, a sua principal presa, a caça indiscriminada e a perda de habitat explicam o cenário.

Fonte: Ecosfera

​Read More
Notícias

Ashar chega hoje ao Centro de Reprodução de Silves

Foto: Reprodução Diário de Notícias
Foto: Reprodução Diário de Notícias

Chega hoje a primeira fêmea dos 16 linces-ibéricos cedidos pela Espanha ao Centro de Reprodução de Silves, em Portugal (abrigo do programa conjunto dos dois países). Proveniente de Jerez de la Frontera, Ashar tem cinco anos e nunca se reproduziu com sucesso devido ao “estresse urbano”. Mas os especialistas têm esperança de que a primeira das cinco fêmeas ainda possa contribuir à reintrodução da espécie à natureza do país, graças às condições do centro do Algarve.

A partida de Ashar estava marcada para as 13h45 de hoje (12h45 em Portugal) , do Parque Zoológico de Jerez de la Frontera, na Andaluzia. Se tudo correr normalmente na viagem, com escalas em Sevilha e Vila Real de Santo António, a fêmea estará no Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico (CNRLI), em Silves, no meio da tarde.

A “escoltá-la” seguiu uma equipa de técnicos, incluindo uma bióloga, e o presidente do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), Tito Rosa, que fez questão de acompanhar a primeira “moradora” do centro de Silves, inaugurado em Maio.

Ashar (Flor Branca, em árabe) nasceu na natureza e os especialistas acreditam que foi sobretudo devido ao “estresse urbano” que as suas “gravidezes” anteriores não resultaram. “Do ponto de vista médico, não há nenhuma razão para que não consiga reproduzir-se”, assegurou Tito Rosa.

Em Silves, explicou, Ashar vai passar a viver “no melhor centro” já construído para esta espécie, ficando instalada “num cercado com uma área considerável, com vegetação mediterrânica” e contando com “acompanhamento permanente de técnicos especializados e veterinários”.

Falta a companhia que, segundo o presidente do ICN, “começa a chegar já na próxima semana”, estando previsto que “até final de dezembro cheguem os 15 animais restantes, de várias proveniências”.

Desde a década de 1980 o lince-ibérico não é avistado na natureza em Portugal. O ICNB já tem três áreas em recuperação “na serra da Malcata, no Guadiana e na zona de Barrancos”, onde estão sendo criadas condições para a sua reintrodução, que passa “pela introdução de vegetação mediterrânica e coelho bravo”, mas também “do contato com a população, incluindo agricultores e caçadores”. Se tudo correr bem, dentro de no mínimo três anos o lince voltará a viver livre em Portugal.

Fonte: Diário de Notícias

​Read More