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França anuncia proibição progressiva de animais selvagens em circos itinerantes

AFP – BERTRAND GUAY

A França anunciou uma série de medidas que visam beneficiar os animais, dentre elas a proibição progressiva de espetáculos que envolvam animais selvagens em circos itinerantes.

A reprodução e aquisição de novas baleias e golfinhos pelos três delfinários do país – isso é, aquários voltados para essas espécies – também será proibida, assim como a criação de visons americanos explorados para a fabricação de roupas.

As medidas foram anunciadas nesta terça-feira (29) pela ministra da Ecologia, Barbara Pompili. Segundo ela, a “atitude em relação aos animais selvagens em nossa época mudou”.

“Chegou o momento de que o nosso fascínio ancestral por estes seres selvagens não se traduza em situações que favoreçam o seu cativeiro ante o seu bem-estar”, reforçou Pompili em entrevista à agência France Presse.

A ministra não apresentou um calendário com os prazos para a proibição total, mas afirmou que os espetáculos nos quais animais selvagens são explorados em circos itinerantes serão proibidos nos próximos anos.

“Fixar uma data não resolve todos os problemas, prefiro iniciar um processo para que aconteça o mais rápido possível”, afirmou.

Foto: Lionel Cironneau/AP/Arquivo

Atualmente, quase 500 animais selvagens são mantidos aprisionados em cativeiro pelos circos franceses, que os exploram para entretenimento humano. Ao ser questionada sobre o destino desses animais, Pompili explicou que serão encontradas “soluções caso por caso, com cada circo, para cada animal”.

“Estamos pedindo (aos circos) que se reinventem, este é um momento em que precisarão de apoio e o Estado vai estar a seu lado”, disse a ministra.

Os espetáculos circenses com animais silvestres já foram proibidos ou limitados por mais de 20 países da Europa.


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Projetos de lei na Califórnia buscam proteção dos animais

Por Rafaela Damasceno

Alguns estados americanos aprovaram ou estão considerando aprovar leis de bem-estar animal. Entre as medidas consideradas estão: proibir a venda de peles de animais e a exploração deles em testes de cosméticos.

Um grupo de modelos desfilam com casacos de pele
Imagem ilustrativa | Foto: DefrayMent

Na Califórnia, senadores estão discutindo a possibilidade de se tornarem o primeiro estado do país a proibir a importação e venda de produtos feitos com peles de animais.

Kim Kelley, diretora do Animal Legal Defense Fund, afirma que os estados estão passando por uma pressão causada pelas pessoas. “Os ativistas estão fazendo as mudanças acontecerem nas cidades”, declarou.

Banir a venda as peles é um dos maiores esforços de todo o movimento pelos direitos animais, mas o pensamento dos americanos está mudando. Uma pesquisa realizada em maio de 2018 descobriu que 37% das pessoas no país achavam que o uso de peles era moralmente errado. Em maio deste ano, o número aumentou para 45%.

Los Angeles e San Francisco proibiram a venda no ano passado. A oposição na Califórnia se dá por conta grupos da indústria de peles dos Estados Unidos e a Associação Internacional de Peles de Animais. Eles afirmam que proibir a venda prejudicaria o comércio e censuraria o direito dos comerciantes de fazerem suas escolhas.

A Califórnia vem tentando tomar medidas de proteção aos animais já há algum tempo. Em janeiro, se tornou o primeiro estado a proibir a venda de cachorros, gatos e coelhos em lojas de animais.

No ano passado, a Califórnia também se tornou o primeiro estado a proibir a venda de cosméticos testados em animais. Esses passos menores podem, no futuro, contribuírem para a criação de leis federais.

O que os estados vêm fazendo, criando e aprovando leis de direitos animais, reflete o comportamento da população. A quantidade de pessoas conscientes sobre os maus-tratos e pedindo medidas de proteção é cada vez maior.

 

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PETA protesta contra grife canadense pelo uso de peles de coiotes em casacos

Foto: PETA

Despidos e ‘ensanguentados’, os membros da PETA encenaram a realidade por trás dos famosos casacos da grife.

Um dos manifestantes tinha uma armadilha de aço presa em sua perna, o que acontece durante a caça de coiotes. Além disso, eles seguravam cartazes que diziam: “Canada Goose mata”.

Crueldade

“Coiotes presos sofrem uma morte prolongada e dolorosa, tudo para que o pele possa ser arrancada e vendida como acabamento para os casacos cruelmente produzidos pelo Canada Goose“, disse a diretora da PETA, Elisa Allen, em um comunicado. As informações são da Plant Based News.

Coiotes pegos em armadilhas de esmagamento de ossos sofrem lesões horríveis e definham por dias antes de morrerem de desidratação, fome ou perda de sangue”, acrescentou a organização.

“Alguns estão tão desesperados para fugir que tentam mastigar seus próprios membros”.

Além de usar peles de coiotes a Canada Goose também é conhecida pela crueldade com aves. Penas de gansos são usadas para confeccionar roupas da grife. Os animais passam suas vidas em galpões lotados e imundos e depois são brutalmente assassinados.

“Gansos são gentis e leais e companheiros para a vida, mas não há ‘felizes para sempre’ no matadouro. Em vez disso, eles estão vivos e aterrororizados quando são atordoados, algemados e suas gargantas são cortadas”, diz a PETA.

Conscientização

O cineasta vegano Jack Harries pediu às pessoas que boicotem a controversa empresa canadense, descrevendo seus casacos de peles como cruéis.

Foto: Born Free Foundation

Ele uniu forças com PETA para conscientizar sobre como esses materiais são obtidos – e como os animais sofrem no processo.

Em um vídeo criado com a organização, ele diz: “Quando o tempo enfria, todos nós queremos ficar aconchegados e quentes. No entanto, não há nada mais frio do que usar peles de animais que foram violentamente presos, mortos e esfolados. Eu sou boicotando o Canada Goose, e eu espero que você também”.

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Modelos trans posam nus em campanha contra casacos de pele

Uma campanha realizada pela PETA (People for the Ethical Treatment of Animals), organização não governamental de defesa animal, critica a caça de animais para a produção de casacos de pele utilizando a própria pele humana como vestimenta.

Modelos trans posam nus para campanha do PETA contra uso de pele de animais (Foto: PETA)

Loiza Lamers e Benjamin Melzer são os modelos transgêneros da campanha “eu prefiro estar pelado a usar pele”. A ideia é “se livrar” da pele animal como uma forma de vestimenta e usar a própria pele em campanhas de moda.

O modelo Benjamin afirma que não há lugar para pele no guarda-roupa de ninguém. “Nós encorajamos todas as pessoas que possuem qualquer compaixão a deixar as peles onde elas devem permanecer: nos animais”, completou o modelo.

Na opinião de Loiza, existem várias opções de roupas que não utilizam pele e que também te deixam com um visual incrível. “Vestir o couro de um animal atormentado, que foi eletrocutado, surrado, violentado, afogado ou teve a pele arrancada ainda vivo é assustador e cruel”, afirma a modelo.

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Em campanha, Sharon Osbourne alerta sobre o uso e comércio de casacos de pele

Osvourne
Divulgação

Sharon Osbourne usava roupas feitas de pele de animais, mas após descobrir como animais sofrem e morrem para que cada casaco seja feito, ela se comoveu e parou com a prática de vez.

Em campanha conjunta com a PETA, Sharon revela como as chinchilas, naturalmente sociáveis, ficam isoladas em pequenas e sujas jaulas, antes dos trabalhadores quebrarem seus pescoços ou as eletrocutarem para a extração de pele. “Um simples casaco de chinchila pode conter peles de mais de 150 animais”, enfatiza. “Por favor faça sua parte, não compre ou use qualquer peça feita de peles.”

Osbourne revela que assistir a vídeos como os da ONG a inspiraram a parar de usar peles: “Eu estava aprendendo através de documentários sobre o que acontecia com esses casacos de pele. Eu percebi como eram feitos e fiquei doente com essa indústria. Totalmente doente com isso.”

Fonte: Whiplash

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Repórter de O Estado de S. Paulo faz apologia aos casacos de peles

(da Redação)

É absolutamente impressionante a inconsciência com que o repórter do jornal O Estado de S. Paulo, Christian Carvalho Cruz, trata a vida das chinchilas cruelmente exploradas pelo mercado de casacos de peles no Brasil.

A reportagem fala “maravilhas” da produção de um argentino radicado no país. A violência dessa indústria é patente e o comércio de produtos feitos com peles de animais está em declínio em todo o mundo, como a própria matéria revela, não por falta de dinheiro, mas pela crescente onda de esclarecimento e consciência de uma imensa parte da sociedade.

Desprovido de ética, esse setor é cruel, brega e violento.

Reportagem publicada no Estado de S. Paulo na íntegra

Luxo abaixo de zero

Sr. Carlos Perez é um argentino com quase 40 anos de Brasil com tudo o que um argentino com quase 40 anos de Brasil tem direito: esbelto, elegante, bigode e cavanhaque grisalhos sobre o rosto jovial, mullets (ah, sempre os mullets) e uma conversa agradavelmente milongueira. Vez ou outra o sr. Perez, que tem 64 anos, se dá o direito de abrilhantar o colóquio com uma gíria ou um palavrão bem brasileiros, mas encharcados de sotaque portenho. É o jeito dele. O sr. Perez fez a vida por aqui criando chinchilas, um roedor de meio quilo e 35 centímetros, originário dos Andes, com alta cotação no mercado de casacos de pele – e, por conseguinte, nos closets da alta roda mundial. Vestindo um guarda-pó branco adornado no bolso com o brasão de sua empresa, a Master Chinchila, o sr. Perez sai da cabana de onde toca o negócio, numa chácara em Itapecerica da Serra, Grande São Paulo, e se adianta: “Os ativistas pelos direitos dos animais dizem que eu mato chinchila para madame se proteger do frio. E é isso mesmo que eu faço. Mas faço com todas as autorizações e licenças ambientais, e chinchila minha não sofre. Nem na vida nem na morte. Elas têm do bom e do melhor, isso eu posso lhe assegurar”.

Entre os ‘coats’ guardados pelo sr. Mori em sua empresa, há peças de 50 anos. Foto: Ayrton Vignola/AE

Pois a madame talvez até gostasse de visitar as instalações do sr. Perez, apesar do barro formado pelas infatigáveis chuvas estivais e do cheiro de amônia produzido pela urina de 4 mil chinchilas reunidas. Os animais do sr. Perez têm gaiola individual à disposição, ambiente climatizado por equipamentos de ar condicionado, ração especial à base de cereais, água filtrada e renovada e, uma vez por semana, direito a banho de bicarbonato de sódio. As porcarias que as chinchilas do sr. Perez fazem são absorvidas por uma cobertura de lascas secas de pinho (um produto denominado maravalha), trocadas diariamente. Tirante a amônia, o recinto não cheira mal. De súbito o sr. Perez estanca diante de uma das gaiolas. Ele abre a portinha, retira uma chinchila acinzentada lá de dentro e, com sincera preocupação na voz, lamenta: “Ela está com a orelhinha caidinha… Precisamos ver isso, pode ser uma infecçãozinha”. O sr. Perez costuma se referir às partes das suas chinchilas no diminutivo. É assim também quando ele pega uma pele já pronta para virar casaco, esticadinha, fofinha e limpinha, e explica o que são aqueles buraquinhos. “Aqui são os olhinhos, aqui as orelhinhas e aqui as patinhas.” Outrossim, quando explica como efetua o abate (e nesse caso, apesar de todo o conforto disponível, a madame talvez não quisesse ser uma chinchila do sr. Perez): “Tem criador que primeiro a adormece com éter. Eu confesso que não tenho tempo, porque chego a abater 200 num único dia. Seguro a chinchila pelo rabo, deixando-a cabeça para baixo. Então, pego o pescocinho dela e o viro para cima, num ângulo de 90 graus. Aí dou um tranco, uma esticadinha. Com isso, secciono a medula de forma rápida e indolor, ela morre instantaneamente. O barulho é o de um palito de dente quebrando”. Para onde vai a carne depois que a pele é retirada? Os criadores do sul do País fazem churrasco. O sr. Perez, que diz preferir uma boa picanha, enterra. Suas chinchilas vivem exatos 360 dias.

Churrasco. O sr. Perez diz que a pele de chinchila não é a mais cara do mundo, porém o casaco feito dela o é. Uma pele de chinchila de altíssimo padrão (graúda, pelos longos, sem falhas, pretíssimos no dorso e branquíssimos na barriga) vale 80 dólares americanos. Uma pele do afamado vison com qualidade equivalente é 25% mais cara. A diferença: um casaco de chinchilas na altura do joelho consome 200 chinchilas; um de vison, 60 visons; e um de dálmatas, 101 dálmatas – mas essa é outra questão, a madame haverá de convir. Não por outro motivo, o sr. Perez, que preside a Associação Brasileira dos Criadores de Chinchila Lanífera (Achila), gosta de puxar brasa para a sua chinchila. “Hoje, um casaco de vison é classe média. Se ele carregar a etiqueta de um estilista famoso, muito famoso, pode custar uns US$ 15 mil.” Chinchila, não. Chinchila é o must. “Tem casaco de chinchila de US$ 70 mil”, garante o sr. Perez. E esse foi um patamar alcançado graças aos criadores, que foram se aperfeiçoando, e também aos estilistas, com sua mania de exclusividade. O sr. Perez lembra que certa feita o saudoso Clodovil Hernandes quis lançar uma linha de sandálias de tiras de pele de chinchila em parceria com um grande magazine. “Consultei a Versace, sempre um farol no mundo das peles, e me lembro até hoje da resposta que me chegou por fax: ‘Quando a empregada doméstica tiver uma sandália de chinchilas, a patroa vai deixar de desejar o casaco’.”

Mas a chinchila não faz exatamente a cabeça do sr. Luiz Mori, dono de uma empresa fundada pelo pai dele que há mais de 60 anos reforma, conserta e armazena adequadamente os casacos de pele da high society brasileira, particularmente a paulistana, embora ele também tenha clientes nas aprazíveis Salvador, Recife, Fortaleza e Brasília. O sr. Mori possui até câmaras frias a 12 graus centígrados, livres de poeira, umidade e luz do sol, para conservar os casacos em seu pleno esplendor. “Tenho peças com mais de 50 anos de idade aqui”, ele diz, orgulhoso. Mas, em questão de moda, explica o sr. Mori que casaco de chinchila, sempre tricolor (preto, cinza e branco), é marcante por demais. Não dá para ir a dois casamentos seguidos com ele. O que vão dizer? Que madame só tem um casaco de pele. “Enquanto um bom vison preto, mesmo que tingido, ou um castor marrom-escuro são mais neutros. É luxo sem espalhafato.” Logo se vê que o sr. Perez é fã de um pretinho de peles básico, uma peça mais curinga, por assim dizer.

O famoso gângster americano Frank Lucas aprendeu isso da pior maneira. Em 1971, ele cobriu-se de chinchilas para assistir à luta de Mohamed Ali e Joe Frazier no Madison Square Garden, em Nova York. Seu casaco, tão longo que lambia o chão, tinha custado US$ 100 mil. E o chapéu, igualmente de chinchilas, US$ 25 mil. “Foi um erro”, admitiu o sr. Lucas, hoje com 80 anos, em sua autobiografia. As chinchilas derrubaram o sr. Lucas do trono do qual ele movimentava US$ 1 milhão por dia comercializando heroína no Harlem e adjacências porque, naquela noite da luta, o sr. Lucas, vestido de madame, chamou exageradamente a atenção dos policiais presentes. Obviamente, eles quiseram saber quem era o crioulo repleto de peles da cabeça aos pés que tinha um lugar muito melhor que o do Frank Sinatra. Tivesse o sr. Lucas optado pela raposa prateada da Sibéria ou pela nútria (o nosso bom e velho ratão-do-banhado) ou até pelo simplório coelho (a carne de vaca das peles), estaria ele ainda traficando por aí.

Enfim, imputa-se ao preço ligeiramente alto e à necessidade de certa parcimônia no usar a explicação para não haver casacos de chinchila prontos no mercado. Se madame quiser, tem de encomendar. O trade funciona da seguinte maneira: madame pede a seu estilista de confiança a feitura de um memorável casaco de chinchilas; ele vai solicitar as peles a um mercador do ramo, que sairá pelo mundo em busca delas; provavelmente esse mercador passará pela Argentina e pelo Brasil, os dois maiores produtores mundiais de peles de chinchila na atualidade. Não é tão simples quanto parece. As chinchilas diferem muito entre si – há grandes, médias, pequenas, cinzas, pretas, beges e uma infinita variedade de meios-tons entre essas cores. O bom gosto de madame requererá 200 chinchilas minimamente parecidas, para que o casaco resulte uma peça uniforme – afinal isso aqui não é roupa de festa junina. Ao mercador, portanto, caberá encontrar essas 200 peles semelhantes entre os mais de 5 mil fornecedores espalhados pelo mundo.

O 420 criadores brasileiros associados à Achila promovem quatro vendas públicas de peles por ano. Na mais recente, em dezembro, um mercador canadense veio para comprar 27 mil peles, mas só encontrou 8 mil que preenchiam suas necessidades, pagando US$ 45 dólares, em média, cada. Madame está coberta de razão: 27 mil peles significam 135 casacos lindos de morrer. Mas onde estarão todos esses chinchilosos, raramente vistos na Champs-Elysées, na Via Montenapoleone, na Fifth Avenue ou na Calle Serrano? “Na China”, resume o sr. Perez. “Os chineses compram 95% de nossa produção.”

E são as chinesas também que garantem a alta do mercado de peles mesmo nesta desgraceira de crise, em que os ricos europeus e americanos se veem impelidos ao sacrifício de comprar menos. O sr. Perez faz uma conta célere e pouco científica para madame ter noção da ordem de grandeza. A China contém 1,4 bilhão de chineses. Se metade for mulher, temos 700 milhões de chinesas. Imaginemos que haja 10 milhões de milionárias. Finalmente, se 0,1% das milionárias quiser um casaco de pele, serão necessários mil casacos. E, se a preferência for pelas chinchilas, precisar-se-á de 200 mil animais. A Argentina produz 100 mil peles de chinchila por ano, o Brasil, 70 mil e os outros países, juntos, 30 mil. Ou seja, a produção anual só seria suficiente para abastecer a China, não houvéssemos trabalhado com esses números soltos, exemplos subdimensionados. “Na realidade, falta pele na China”, regozija-se o sr. Perez.

Coincidência ou não, é da China que vem a maior inspiração para os ativistas da International Anti-Fur Coalition (IAFC), ou Coalizão Antipele Internacional, uma ONG israelense que almeja banir o hábito da madame de se aquecer mediante o sacrifício de bichinhos. Eles dizem que os criadores chineses são os mais cruéis, esfolam animais ainda vivos e valem-se, inclusive, de peles de cães e gatos para fazer brinquedos de pelúcia. “Usar casaco de pele animal em pleno século 21, com o tanto de tecnologia que temos disponível para a criação de tecidos sintéticos, é uma atitude imoral”, diz o sr. Fábio Paiva, da ONG Holocausto Animal, braço verde-amarelo da IAFC. “Essa conversa de que os animais criados em cativeiro para esse fim não sofrem é balela. Animais não são propriedade do ser humano. Apropriar-se indevidamente deles e matá-los já é sinônimo de sofrimento. Não importa se é indolor ou não, morte é morte. E matar bicho para preencher sei lá que tipo de vazio existencial de alguém não é coisa que se faça.”

Passar bem, madame. Volte sempre.

link da matéria: http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,luxo-abaixo-de-zero,666639,0.htm

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Ratos são caçados e mortos para servir o mercado da moda

Ratões-do-banhado, também chamados de caxingui, foram importados da América do Sul para a Louisianna, nos Estados Unidos, para serem usados na indústria de peles. Mas com a queda na procura por esses produtos, eles foram soltos e acabaram virando uma peste nos pântanos americanos.

Hoje, órgãos ambientais pagam caçadores para exterminarem os roedores.

E agora, estilistas aproveitaram a pele dos animais condenados para vender o que consideram casacos de pele eticamente e ambientalmente corretos.

“Eles não são eletrocutados, não são torturados ou criados em gaiolas, viveram vidas felizes ao natural nos pântanos. Não é o mesmo que criá-los pelas peles”, afirmou a modelo Paige Morgan.

De acordo com um comerciante de Nova York, a procura por casacos de pele subiu, mas isso pode ser uma questão mais econômica que ética.

Em parte, a popularidade da pele de ratão poderia ser explicada também pela explosão no preço do vison.

Os casacos de vison, que já foram marca registrada de Manhattan, agora são símbolo de status para a elite chinesa, o que explicaria a alta do vison e a popularidade dos ratões no mercado.

Mas os argumentos não convenceram ativistas de direitos de animais.

A Peta, sigla do grupo ativista Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais, afirma que a medida de erradicar os animais é cruel e permitir que se desfile com as suas peles depois disso é ainda pior.

Com informações da BBC Brasil/Estadão

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Você é o Repórter

Desfile com casacos de peles marca estreia de novela da Globo

Movimento Mineiro pelos Direitos Animais
Via Rede dos Bichos, com informações do Instituto Nina Rosa

A novela Ti-t-ti, da Rede Globo, estreou exibindo cenas de desfile de moda com o uso de casacos de peles.

Se outrora este hábito justificou-se para aquecer nossa espécie do frio, e até por simples modismo, atualmente, nossa racionalidade proporcionou-nos criar alternativas eficazes para nos aquecer. Quanto à moda, cremos ser mediocridade e futilidade em demasia a manutenção de tal prática, considerando todo o sofrimento dos animais utilizados.

Usar casacos de pele tornou-se brega, “out” e até criminoso sob a ótica da Legislação vigente, nos casos em que se matam animais silvestres/selvagens. Para nós, ativistas da causa animal, a exploração/tortura/morte de qualquer animal é criminosa, sob a ótica da senciência e do respeito a todas as vidas.  

Afinal, qual objeto tem valor para uma consciência sã e ética, se advém da morte de outrem – seja um banco de carro, vestimentas diversas, tapetes, almofadas etc.?

Repudiamos a exibição e, por conseguinte, o incentivo do uso de peles na novela  Ti-t-ti, e solicitamos à Rede Globo que inove a reedição desta novela, não só eliminando o uso desse material como, principalmente, lançando uma campanha de conscientização da população quanto à importância de evoluir, usando vestuário sintético, tendo assim uma ação ecologicamente correta. 

Uma moda que se restringe ao benefício de quem a confecciona, a comercializa e a usa ignorando os prejuízos alheios, não deve ter adesão.

A seguir, site que expõe a realidade sobre o que é um caso de pele, informando a quantos animais mortos equivalem cada um deles. Um trabalho de Philip Kling David, psicólogo e artista gráfico:

http://popdesign.wordpress.com/2008/12/01/a-lista-dos-mais-mediocres/

Veja os vídeos sobre extração de pele indicados no site do Instituto Nina Rosa:

— Fourrures à prix sacrifiés! – http://www.strasbourgcurieux.com/fourrure 

— Massacre de focas no Canadá – http://stream.realimpact.net/?file=realimpact/hsus/seal-hunt/rebecca4-1-package-hunt.wmv&type=wmv

Manifeste-se à Rede Globo:

http://falecomaredeglobo.globo.com/

— follow @JacquesLeclair_
 
 

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Questão de pele e de evolução

Por Helô Gomes

Os livros de História da moda dizem que o homem se cobriu por um (ou dois, ou todos) desses três motivos:

– para se proteger da natureza (frios, tempestades, ventanias)

– por pudor (Alô, Adão e Eva!)

– para se enfeitar

Por que eu contei isso? Bom, porque eu queria falar sobre os casacos, saias, acessórios de pele que pipocaram pelas últimas semanas de moda internacionais.

Inverno 2010 de: (1) Louise Gray; (2) Isaac Mizrahi; (3) J. Mendel; (4)Erin Wasson x RVCA; (5) Cynthia Steffe; (6) Alexandre Herchcovitch; (7) Ralph Lauren; (8) Jason Wu
Inverno 2010 de: (1) Louise Gray; (2) Isaac Mizrahi; (3) J. Mendel; (4)Erin Wasson x RVCA; (5) Cynthia Steffe; (6) Alexandre Herchcovitch; (7) Ralph Lauren; (8) Jason Wu

Falar sobre casacos de pele é sempre um problema. A discussão acaba  girando em torno dos pobres bichinhos sendo sacrificados e a gente nem para pra pensar se existe realmente um sentido em usar a “superfície” de alguém para se cobrir e/ou enfeitar.

A verdade é que o uso da pele como vestimenta aconteceu lá na Pré-História. Diz que na sequência evolutiva da moda, primeiro o pessoal usou folhas e, depois, a pele dos animais. O couro veio mais tarde ainda!! As primeiras vítimas “fashion” foram os ursos e as renas. Acreditem ou não, a pele era mastigada para ficar macia e ser usada mais dignamente como casaco.  Quando os “fashionistas/homem das cavernas” ficaram mais espertinhos, os oléos e as gorduras de animal substituíram os dentes e a saliva (ecaa) na hora do amaciamento… O óleo também servia para deixar o mimo impermeável. Como não tinha costura, para “juntar” uma pele com outra, eram usadas as garras dos animais, fios de crina de cavalo e (pasmem) tendões.

Porque eu estou falando disso? Porque naquela época, PELE (e folhas) era tudo que eles tinham. E reparem na nojeira que era para fazer daquilo uma roupa… Por isso eu pergunto: se hoje, quando sentimos frio, temos lã, cashmere, veludo, flanela (e até calefação, um exemplo para os mais extremistas) e se, quando queremos imitar a “estética” de uma pele de animal para compor looks, já existe tecido sintético tão bonito quanto o “orgânico” (fora que guardar pele de animal no armário dá um cheiro horrível), qual o sentido em matar um animal com o único objetivo de lhe arrancar a pele? (Obs: ou alguém já degustou um mink à marinara, ou uma chinchila refogada?).

No final das contas, a verdade é que o homem das cavernas precisava da pele para se cobrir já que não tinha escolhas. O que não é o nosso caso, pois, no século XXI, a condição quase sine qua non da moda é o próprio leque de opções a que somos submetidos. A escolha é nossa: quem queremos ser na escala evolutiva?

Fonte: História da Moda

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Casacos de pele são doados para aquecer animais selvagens em reabilitação nos EUA

Por Marcela Couto (da Redação)

Para os que pretendem se livrar de casacos de pele cheios de sofrimento, a Humane Society dos EUA tem uma boa sugestão: colocá-las nas costas de outros animais.

As roupas de pele doadas para o programa “Cubs” auxiliam animais selvagens órfãos, feridos ou doentes que foram resgatados e precisam de cobertores para se manterem aquecidos. Em 2009, 2.687 peles foram recolhidas pela iniciativa.

“Usamos as roupas de pele como caminhas para acomodar os animais e reduzir o estresse”, disse Michael Markarian, o chefe responsável de operações. “As peças substituem a mãe dos animais, mantendo-os confortáveis.”

As roupas são encaminhadas para centros de reabilitação de vida selvagem que acolhem filhotes de gambás, esquilos, coiotes e outros animais.

Markarian revelou que a maioria dos casacos é doada por pessoas que descobriram os horrores das peles, incluindo as condições desumanas de confinamento, exploração e morte torturante dos animais em fazendas de peles.”É uma maneira bondosa de devolver a pele aos animais”, comentou.

“É uma forma marcante e generosa de dar um bom fim a algo que começou de forma trágica.Conheço muitos jovens envolvidos no projeto,” disse Sherry Schlueter, diretora do Centro de Vida Selvagem da Flórida.

As peles sempre são bem-vindas, mas são especialmente necessárias nos invernos rigorosos que têm ocorrido recentemente.

Com informaçõe de Los Angeles Times

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Vaidade sobre a pele

Por Ricardo Parra    (da Redação)

Ouvia um clássico norte-americano de Cole Porter, no qual um verso em inglês diz: “I’ve got you under my skin”, que poderíamos traduzir como “eu estou impregnado de você”. Claro que se traduzíssemos literalmente seria “eu tenho você sob a pele”. Na canção está explícito o sentimento de total ocupação do corpo e mente por este amor que se entranha sob a pele.

Ponhamos a nos imaginar o que seria se arrancassem nosso couro, dos pés à cabeça…

No que se refere aos animais, nós fazemos verdadeiras operações de guerra para lhes conseguir o couro, que desafortunadamente, aos olhos do Homo sapiens, são dotados de qualidades que abarcam beleza extrema à ‘ergonomia’ (porque a pele dos bichos tem também outras funções). O mimetismo dos camaleões mostra do que o réptil é capaz de fazer.

Estética. E, por ela, arranca-se o couro de jacarés, arminhos, chinchilas, rãs (os anfíbios são os vertebrados mais ameaçados pela extinção), pirarucus, cobras, raposas, leopardos, martas e muitos mais. Sem esquecer as penas usadas em fantasias e em desfiles no Anhembi e no Brasil todo (para estes, avestruzes estão aqui para deixar mulatas, passistas e destaques mais belos).

Fico me perguntando o porquê. Quanto mais eu analiso, mais distante fico da compreensão.

Aqui, eu faço um adendo. Esta questão envolve o que o ser humano tem de pior: a vaidade pela estética neste sistema inventado por nós (de difícil conserto, mas, como sou otimista, não quero pensar que estamos todos caminhando mesmo para o abismo, acho que ainda é possível dar um jeito nas coisas aqui).

Pela beleza e tortos caprichos sabemos que muitas espécies foram extintas apenas para cobrir corpos humanos vivos. Humanos que já vivem os tempos modernos – o dos tecidos sintéticos – e que, por este motivo, não têm razão embasada na necessidade daquela existida séculos e séculos atrás: de se cobrir para proteção de inimigos naturais e do frio.

Vale é a vaidade humana que faz pensar por que os bichos são lindos e que, sendo assim, devem nos embelezar (discutível). Uma vez que estão aqui para nos servir como “raça superior” que somos e dominadora de todos, a espécie racional.

E os bichos que morram, não importando, inclusive, o modo como se faz para escalpelar os nossos companheiros de existência neste pedaço mínimo do Sistema Solar. Lembro-me bem de um filme-documentário que vi na TV quando tinha meus 20 anos (é, faz tempo…) cujas cenas mostravam uma matança de bebês focas feita a pauladas em um lugar remoto do Canadá. É isto: separava-se a mãe do filhote e, logrado o intento, este era assassinado com pancadas na cabeça para não deixar marcas pelo corpo. Reparem que, além da crueldade, há a preocupação – mais uma vez – com a estética… Da matança que nada mais significa que lucro. O dinheiro prevalece brutalizando-nos.

Em frente à tela quedei-me paralisado sem entender por que faziam aquilo com as pequenas focas de pelo amarelado. Esvaí-me em dó e tive aversão mortal aos imbecis que batiam neles. Mais tarde fui aprender que estes homens apenas fazem parte de toda uma cadeia produtiva, toda ela culpada. Eles não matam por eles, matam por outros. Claro que, em um sistema capitalista para uma parcela privilegiada, alguém tem que fazer o trabalho sujo e com certeza as ricas damas da sociedade, estilistas e as lindas modelos que desfilam na “catwalk” é que não sujariam as delicadas mãos. Querem de fato vestir o produto do morticínio.

Como é possível que a vaidade/status se sobreponham à vida de outros seres que povoam exatamente o mesmíssimo lugar? Mais do que uma sobreposição, ela é tornada uma interdição à vida.

Por vaidade? Para mim é de uma mesquinharia suja, localizada no limbo da alma humana. Os bichos não vivem para nos servir com exclusividade. E não deveriam/poderiam ser mortos porque são desta cor, têm tais listas, o pelo sedoso e farto… Ou coisa que o valha.

Outro ponto: ser belo pode custar vida e todo o código genético de uma espécie.

Não me surpreende que os homens e mulheres façam isto com os bichos. Sabem por quê? Ora, se nós humanos arrastamos outros humanos pelas ruas no asfalto quente, se jogamos crianças pelas janelas… Com os bichos prefiro mesmo não relatar atrocidades que li e ouvi por aí. Não porque me enoje tão somente, mas por sensação de impotência extremada pensando no que podemos fazer para parar este comércio podre e carcomido.

Em Londres, tempo atrás, ecologistas de plantão borrifavam spray em casacos de pele para que nunca mais fossem usados. À matança generalizada um pequeno protesto explicativo daquilo que pode ser feito: nunca mais aqueles escalpos seriam usados. Sou contra qualquer violência… Entretanto, borrifar tinta é uma pequena revanche contra o sistema e não mata ninguém.

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