Jornalismo cultural

O equívoco da Folha de S. Paulo ao usar o termo “carnívoros”

A Folha de S. Paulo publica “Missionários vegetarianos apostam no terror para converter carnívoros”. Creio que não seja muito difícil dar uma rápida pesquisada no Google para entender que seres humanos não são carnívoros. Carnívoros são seres vivos que dependem essencialmente de carne para sobreviver.

E seres humanos consomem basicamente carne por uma questão histórica e cultural, não essencial. Afinal, a existência de vegetarianos e veganos saudáveis é a prova disso, e me incluo entre eles. Logo ser carnívoro é uma condição biológica, não habitual. Não é difícil perceber que ao longo da história da humanidade, e por fatores diversos, desenvolvemos hábitos onívoros; alguns nocivos, outros não.

Claro, se fôssemos, de fato, carnívoros, prosperaríamos facilmente em uma dieta isenta de glicídios e rica em lipídios, inclusive proveniente de carnes extremamente gordas. Também não teríamos qualquer dificuldade em metabolizar grandes quantidades de carne, assim como leões, lobos e abutres.

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Notícias

Especialista desbanca mito de que seres humanos evoluíram para comer carne

Por Sophia Portes / Redação ANDA (Agência de Notícias de Direitos Animais)

VegNews

Em recurso recente no Huffington Post, o médico Shivam Joshi afirmou que o homo sapiens não evoluiu para comer carne. O especialista aponta que os humanos primitivos comeram de forma oportunista e que nossas dietas que levam muita carne são fatores que contribuem para doenças como câncer, diabetes e obesidade.

Além disso, Joshi afirma que algumas características humanas, como composição dentária e os tratos digestivos, se assemelham aos dos herbívoros devido a processos evolutivos comuns. “Os humanos desceram de uma longa linhagem – cerca de 40 milhões de anos – de ancestrais herbívoros que é compartilhada com primatas vivos. Por isso estamos tão intimamente relacionados aos chimpanzés”, disse Joshi ao portal VegNews.

Ele ainda faz um comparativo de que seres humanos comendo carne são como cães comendo chocolate. Ambos não evoluíram para fazê-lo. “Se olharmos para a totalidade de evolução humana descobrimos que nossa linhagem não só sobreviveu, mas prosperou com uma alimentação baseada em plantas”, concluiu o especialista.

A pesquisa mostrou ainda que comer plantas, ao invés de carne, promove a saúde ideal para os seres humanos.

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Artigos

Não coma ninguém que você ama

Ah…o facebook de madrugada. Como não ama-lo? Na verdade é fácil. Basta entrar no facebook de madrugada. Minha última aventura na rede-ultra-anti-social me levou a uma piada, a uma leve dor de cabeça, a uma espremida nervosa nos olhos e a uma vontade danada de enfiar o dedo na tomada para chacoalhar a preguiça de viver. Mas ao invés disso tudo, decidi tirar o pó de minha coluna na ANDA. A piada era com aquele outdoor que mostra um porquinho e um cachorro, ambos bem simpáticos, indagando ao leitor: “se ama uns porque come outros?”. A resposta que a pessoa carnívora arrumou para trollar a campanha foi: “pelo mesmo motivo que você ama sua mãe e sua namorada, mas só come uma delas”. Por um lado, surpreendi-me por me deparar com uma piada de carnívoro nova. Por outro, me veio aquela vontade louca de subir no foguete Apolo alguma coisa e entrar em combustão ao colidir com a atmosfera. Nos comentários algumas pessoas tentavam humilhar a mulher que postou a piada com baixarias machistas e violentas; outras argumentavam que a piada dela era ofensiva e machista; e, claro, a grande maioria não conseguia se conter de satisfação com a suposta sagacidade da humorista carnivorista. Eu, da minha parte, fiquei com preguiça daquilo tudo.

Deu preguiça daquele discurso pronto do “Você é politicamente correto”, “Para de encher o saco”, como se, mesmo vivendo em um democracia, as pessoas não tivessem o direito de se ofender e expressar revolta em um foro aberto de discussão. O Facebook é, em um sentido estranho, religioso. Mas não por acreditar no Deus, pai de si mesmo, Jeová, Alá, enfim…o Todo-Poderoso. O verdadeiro ser onipotente, onipresente e onisciente, criador de todas as coisas nas redes sociais é o Ego. Este, por sua vez, só opera um verdadeiro “milagre”, que é cuidadosamente mantido, absolutamente intocado e a todo custo protegido da língua afiada dos hereges: a piada “politicamente incorreta”. As pessoas não consideram a possibilidade de que uma piada muitas vezes é uma afirmação de poder, de privilégios, o exercício do status quo, o confortável, o modelo, o estabelecido, enfim, o verdadeiro “politicamente correto”. Enquanto alguns reclamam, contestam, discutem e questionam a injustiça que é politicamente estabelecida como norma (racismo, sexismo, especismo, etc.), outros apenas ficam sentidos por serem tirados da própria zona de conforto e chamam os outros de “politicamente corretos”. Esta é uma acusação bem vazia. Não existe linguagem neutra, e o que os movimentos sociais fazem ao protestar não é torna-la neutra. Pelo contrário, a linguagem é um instrumento político, quer a classe média branca brasileira queira ou não. Então já passou da hora de quem vem do privilégio parar de achar que seus atos não tem consequências, só porque eles não ligam para as pessoas, humanas ou não-humanas, que sofrem com elas.

O uso da expressão “comer” para definir um impulso sexual é agressiva e existe unicamente para definir o desejo sexual masculinizado. Quando se come, a vontade do homem é ativa, enquanto, nesta lógica, a mulher só “dá”. O masculino ingere algo ativamente, enquanto o feminino abre mão. Pense no predador e na presa: enquanto um tigre avança ativamente para capturar a presa, a gazela é forçada a renunciar à própria vida. Um come e o outro dá. Não se valoriza um acordo, cooperação, ou a possibilidade de dois indivíduos conviverem conjuntamente, ou mesmo existir qualquer consenso. A sociedade hipermasculina gosta do machão violento e da fêmea submissa; do homem agressivo e da mulher domesticada. E a linguagem revela exatamente isso, o espelho de uma sociedade patriarcal. Aí eu pergunto: o que falta para esta piada ser sexista? Enquanto eu morava nos estados unidos, uma coisa que chocava as mulheres com quem eu conversava, feministas ou não, era o uso da expressão comer para dar nome à prática sexual masculina. Para elas a idéia de serem devoradas era muito mais chocante que os palavrões equivalentes do inglês. Eu vi a autora da infame piada comentar com alguém que debatia com ela: “as feministas clássicas teriam vergonha de ver você chamar minha piada de machista” (mais ou menos isso). Ah, com certeza. Mary Wollstonecraft, Simone De Beauvoir, Betty Friedman, Gale Rubin e muitas outras iam amar saber que quando uma mulher transa com um homem no Brasil, as pessoas falam que ela está sendo “comida”. Eu acho que, na verdade elas ficariam emocionadas com a homenagem. Só que não.

O que me intrigou também foi as pessoas estarem totalmente indiferentes ao fato de a piadista em questão não ter entendido o conteúdo da propaganda que ela mesma debochava. Quando as pessoas perguntam: “se você ama um, então porque come o outro?” Elas querem perguntar “Por que você não ama os dois?” e não “Já que você ama os dois, porque você só come um?”. A filosofia do veganismo implica que você não come pessoas que você ama, humanas ou não. Nem sua mãe, nem sua namorada, nem o porco, nem o cachorro. Acho que o veganismo é mais coerente com uma alimentação à base de vegetais e com o sexo consensual. Afinal de contas, estamos lutando contra hábitos que as pessoas têm de machucar outros em nome de caprichos desnecessários. Comer os outros é um ato de violência. É sexista e especista. Se as pessoas não comessem animais, se não fosse um ato de dominância e violência que exalta o poder do predador, a expressão “comer” para indicar uma conquista sexual masculina não faria sentido.

Mas a pior coisa nesta situação toda são os veganos machistas, grosseiros e desnecessários. Se um homem carnívoro faz piada com veganismo, o pessoal confronta com insultos à inteligência do cara, à sua honestidade e respeitabilidade. Uma baixaria entre cavalheiros, semelhantes. Mas quando uma mulher faz o mesmo, a primeira coisa que se faz é insultar e humilhar a sexualidade dela? Vadia, puta, piranha? Sério mesmo? Você acha que vai mudar o mundo fazendo as pessoas sentirem vergonha do próprio corpo, da própria sexualidade, sem motivo? Vai comparar a mulher aos animais de maneira pejorativa? Estas palavras nem deveriam ser xingamentos. A mulher pode ter a vida sexual que ela quiser e não deveria ter vergonha disto. Até quando se pretende ofender a sexualidade masculina, o protocolo é chama-lo de gay, afeminado, ou “acusar” a mãe de prostituição, mas jamais ofender sua sexualidade macho-hegemônica diretamente. Quando um vegano faz slut-shaming, ele está reproduzindo valores opressores para mulheres e animais, reafirmando o modelo dominante contra o qual ele luta. Não interessa o motivo! Se você chama uma mulher de puta, vadia, piranha, vaca, galinha, entre outros, você está usando a principal arma que a sociedade patriarcal possui para quebrar mulheres e animais, desde pequenos. A domesticação, culpada pela opressão das vacas, bois, frangos, carneiros e muitos outros, é nada mais que o controle sistemático da sexualidade e reprodução de fêmeas por uma sociedade machista. Não insulte mulheres e animais para defender animais. Simplesmente não faz sentido.

No fundo, eu sei que não deveria estar escrevendo sobre isso. Não se deve dar trela para este tipo de piada. Contudo, algo me impressiona de verdade: a brincadeira com a morte. Em algum nível, eu já consegui processar o fato de que um dia, a muito tempo atrás, eu comia carne e que as pessoas realmente acham isso normal. Mas não consigo me perdoar pelas piadas que fiz quando carnívoro, e nem consigo aceitar quem faça. A pessoa, geralmente branca, burguesa, com uma vida mais confortável que a maioria dos seres humanos deste mundo pode sonhar, que dirá animais, ousa fazer piada com a morte de um indivíduo que sofreu anos de tortura intensa, sistemática e diária? Que não tinha espaço para se movimentar? Que não pôde desenvolver laços afetivos? Que teve seus filhos roubados e assassinados, e o corpo mutilado e explorado? Por quê? Por que você está fazendo piada com alguém tão destroçado? Alguém tão frágil e indefeso, que vive numa indústria da morte em massa neste instante? O que te diverte nisso? Não basta ser o opressor, você tem que tirar o peso destas mortes, o luto, a consideração? Esvaziar todo aquele sofrimento que está lá, mas que você não quer ver, porque prefere gargalhar de tudo?

Malcom X, em sua autobiografia, colocou que as piadas racistas eram fruto da ignorância histórica das pessoas. Um jeito de mascarar a opressão e negligenciar as experiências de vida dos negros. É bem isso mesmo. Questionar uma piada é forçar o opressor a se posicionar. É obrigá-lo a considerar a violência, pesada e infinita, dentro da própria vida. Quanto mais as pessoas se permitem aprender com o outro; quanto mais elas incluem o oprimido na suas considerações éticas e morais, menos graça a piada tem. Muito pelo contrário, ela passa a ser um desconforto, um enorme pesar em suas vidas. Por isso, não há porque temer o “politicamente correto”. Ele não existe. Ele é só um mito que uma elite opressora inventou para não ter que se responsabilizar pela violência; para continuar ignorando a visceral história do oprimido; para se entupir de conforto e preguiça, quando acaba o valium e não tem nada passando na TV à cabo.

 

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Olinguito, o primeiro mamífero carnívoro descoberto nos últimos 35 anos

Por Patricia Tai (da Redação)

Escondido nas florestas enevoadas da Colômbia e descrito como “meio gato, meio urso”, o olinguito é o primeiro novo carnívoro descoberto no Hemisfério Ocidental nos últimos trinta e cinco anos.

O gracioso animal foi identificado erroneamente por cem anos, apesar de ter sido visto na natureza, explorado em coleções de museus e mesmo exibido em zoológicos.

Mas agora cientistas do Instituto Smithsonian confirmaram que o adorável mamífero carnívoro é uma nova espécie, e dizem que o achado pode ser considerado “a incrível e rara descoberta do Século XXI”. As informações são do Daily Mail.

"Meio gato, meio urso", o olinguito é o primeiro carnívoro descoberto no Ocidente nos últimos 35 anos. (Foto: Reprodução)
“Meio gato, meio urso”, o olinguito é o primeiro carnívoro descoberto no Ocidente nos últimos 35 anos. (Foto: Reprodução)

Os pesquisadores afirmam que, apesar dele ter na aparência uma mistura de felino e urso, o olinguito é de fato um membro da família Procyonidae, juntamente com os guaxinins, quatis, kinkajous e olingos.

Pesando 900 gramas e com o pelo marrom e alaranjado, ele vive em florestas repletas de neblina da Colômbia e do Equador, mas por mais de um século foi confundido com seu primo próximo, o olingo.

Um exame do seu crânio, de seus dentes e pele em espécimes de museu levou à confirmação de que ele pertence a uma espécie diferente – o primeiro carnívoro do Novo Mundo identificado em 35 anos.

Em um relatório sobre a descoberta, cientistas americanos do Instituto Smithsonion em Washington descreveram a criatura como “um cruzamento entre um gato doméstico e um urso de pelúcia”.

Comparado com o olingo, seus dentes e seu crânio são menores e de formatos diferentes, e seu pelo marrom e laranja é mais comprido e denso. 

“A descoberta do olinguito nos mostra que o mundo não está ainda completamente explorado, e que seus segredos mais básicos ainda não estão revelados”, disse o Dr. Kristofer Helgen, curador de mamíferos do Museu Nacional de História Natural de Smithsonian.

Pesquisadores dizem que ele parece um cruzamento de gato doméstico com urso de pelúcia. (Foto: Reprodução)
Pesquisadores dizem que ele parece um cruzamento de gato doméstico com urso de pelúcia. (Foto: Reprodução)

Se novos carnívoros ainda podem ser encontrados, que outras surpresas nos esperam? Muitas das espécies do mundo são ainda desconhecidas da Ciência. Documentá-las é o primeiro passo para entender toda a riqueza e a diversidade da vida na Terra”, explicou o Dr. Helgen.

O nome científico do olinguito é Bassaricyon neblina.

“Bassaricyon” é a família de carnívoros que vivem em árvores, e inclui diversas espécies diferentes, enquanto “neblina” significa “nevoeiro” em Espanhol.

Após identificar espécimes de museus, os pesquisadores viajaram para os Andes para ver se restaram alguns olinguitos na natureza.

Havia registros de que eles viveram nas montanhas, a altitudes de 1500 a 2700 metros acima do nível do mar. Conseguiram captar algumas imagens deles em câmeras.

Eventualmente, o time descobriu olinguitos vivendo em uma floresta equatorial e passaram vários dias observando-os.

Eles perceberam que esses animais são mais ativos à noite, e que comem frutas assim como comem carne; raramente saem de cima das árvores, e têm um filhote de cada vez.

São mais ativos à noite e se alimentam de frutas e carne. (Foto: Reprodução)
São mais ativos à noite e se alimentam de frutas e carne. (Foto: Reprodução)

“O habitat do animal está sob constante pressão devido ao desenvolvimento econômico”, relataram os cientistas no jornal ZooKeys.

Estima-se que 42% do habitat dos olinguitos já tenha sido urbanizado ou esteja sendo utilizado para cultivo agrícola.

Pelo menos um olinguito da Colômbia foi exibido em diversos zoológicos americanos durante as décadas de 60 e 70, segundo os pesquisadores.

Houve vários momentos no século passado em que a espécie chegou perto de ser revelada.

Em 1920, um zoologista de Nova York sugeriu que uma espécie de museu era incomum o suficiente para ser uma nova espécie, mas nunca deu continuidade para comprovar essa suspeita. 

O Dr. Helgen disse: “As montanhas nebulosas dos Andes são um universo particular, cheias de muitas espécies encontradas somente ali, muitas delas ameaçadas de extinção. Nós esperamos que a espécie dos olinguitos possa servir como uma embaixadora das montanhas enevoadas do Equador e da Colômbia, para chamar a atenção do mundo a estes críticos habitats”.

“Este é um belo animal, mas nós sabemos tão pouco sobre ele. Em quantos países ele vive? O que mais podemos aprender sobre seu comportamento e o que precisamos fazer para assegurar a sua preservação?”, questionou o cientista.

Eles vivem em árvores e são de pequeno porte. (Foto: Reprodução)
Eles vivem em árvores e são de pequeno porte. (Foto: Reprodução)
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Notícias

Cientistas descobrem 1º mamífero carnívoro nas Américas em 35 anos

Cientistas dos EUA anunciaram nesta quinta-feira a descoberta de um mamífero que vive nas florestas na região entre a Colômbia e o Equador.

Batizado de olinguito, ele é a primeira espécie de animal carnívoro identificada nas Américas nos últimos 35 anos. Segundo os estudiosos, trata-se de uma descoberta extremamente rara.

A trilha até o olinguito começou há cerca de uma década, quando o zoólogo Kristofer Helgen, do Instituto Smithsonian e curador do Museu de História Natural de Washington, descobriu por acaso ossos e peles dos animais em um museu em Chicago.

“As peles tinham uma cor vermelha, intensa, e, quando olhei o crânio, não reconheci sua anatomia. Imediatamente achei que poderia se tratar de uma espécie nova”, disse à BBC News.

Por amostras de DNA, Helgen pôde, ao longo dos anos, confirmar a descoberta.

O olinguito, que tem 35 centímetros de comprimento, é um carnívoro – portanto, do mesmo grupo de mamíferos que inclui gatos, cães, ursos e seus semelhantes.

“Muitos de nós achávamos que essa lista estava completa, mas eis que temos o primeiro carnívoro identificado no continente americano em mais de três décadas”, celebrou Helgen.

Florestas

Após a identificação genética, os cientistas tentaram prever o tipo de floresta que ele habitaria, a partir das características do animal. Em uma expedição à região entre Equador e Colômbia, um olinguito foi avistado logo na primeira noite da expedição.

Apesar de ser carnívoro, o olinguito se alimenta principalmente de frutas, passeia durante a noite e vive sozinho, tendo apenas um filhote a cada gestação.

Curiosamente, cientistas acreditam que um espécime de olinguito chegou a ser exibido em diversos zoológicos dos EUA entre 1967 e 1976. Mas na época ele foi confundido com o olinga – um parente próximo -, e seus cuidadores não entendiam por que ele não se reproduzia.

O animal foi enviado para diversos zoológicos e morreu sem nunca ter sido identificado.

Acredita-se que a ciência atual tenha catalogado apenas uma fração das formas de vida existentes no planeta. Novas espécies de insetos, parasitas, bactérias e vírus são frequentemente identificadas, mas a descoberta de um novo mamífero é extremamente incomum.

“Isso nos faz lembrar que o mundo não foi totalmente explorado e que a era das descobertas está longe de acabar”, diz Helgen. “O olinguito nos faz pensar: o que mais haverá por aí?”

Fonte: Terra

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Artigos, Notícias

Cães são animais carnívoros ou onívoros?

Por Sérgio Greif  (da Redação)

Há assuntos que continuamente ressurgem entre vegetarianos, defensores dos direitos animais e o público em geral. Um desses assuntos se refere ao status de cães em relação aos seus hábitos alimentares: Se cães são carnívoros ou onívoros. Já tive a oportunidade de manifestar minha opinião em relação ao assunto, para pessoas que me questionaram individualmente. Porém, considerando ser um assunto recorrente e com o qual creio que não se deva despender muito mais energia, escrevo o presente texto.

Para efeitos de classificação, cães são animais mamíferos pertencentes à Ordem Carnívora. Essa é uma ordem bastante diversificada de mamíferos, mais de 260 espécies, que partilham entre si um ancestral comum próximo, além de algumas características físicas comuns a quase todas as espécies (pés com quatro ou cinco dedos, unhas em forma garras, dentes adaptados para cortar, com a presença de caninos fortes, cônicos e pontiagudos).

Taxonomistas tem consciência de que o termo aplicado à Ordem – Carnivora – está defasado. A denominação até hoje presente é antiga (1821) e se baseia no hábito alimentar predominante dentro do grupo.  Hoje se reconhece que chamar a uma ordem de mamíferos Carnívoros gera confusão, porque se por um lado o nome permite agrupar familias aparentadas, por outro ela pretende nos dizer o que esses animais comem, o que não pode ser generalizado.

Não existe uma ordem de mamíferos chamada herbívora e uma outra chamada onívora. Animais são classificados com base em seus ancestrais comuns e suas características físicas, não com base em seus hábitos alimentares. Assim, dentro da maioria das ordens de mamíferos há animais que consomem carne ou insetos e por outro lado há, dentro da Ordem Carnívora, animais que nunca ou quase nunca consomem carne.

Há Mamíferos Carnívoros que pelo seu hábito alimentar na natureza são carnívoros obrigatórios (felinos,  furões, ursos polares, focas, etc), outros consomem parte de sua dieta em carne e parte em vegetais e por isso devem ser considerados  taxonomicamente carnívoros, embora com hábitos onívoros (ursos, guaxinins, quatis, canídeos, etc) e alguns deles, inclusive, alimentam-se basicamente de vegetais (urso-panda)

O lobo cinzento (Canis lupus), espécie da qual deriva o cão doméstico, é uma espécie carnívora com hábitos alimentares onívoros. Animais que habitam regiões temperadas do hemisfério norte alimentam-se principalmente da carne de caça, mas  grupos que habitam regiões mais quentes e com maior disponibilidade de vegetais consomem também vegetais, embora não exclusivamente.

O lobo guará (que apesar do nome não é um lobo) é um canídeo brasileiro cuja dieta, em sua maior parte, é constituída de frutas, tubérculos, cana-de-açúcar e mel. Pequenos animais, ovos e insetos também são consumidos, mas representam um papel secundário na alimentação como um todo.

Cães domésticos são taxonomicamente mamíferos carnívoros da família canídae. Isso não diz nada sobre sua dieta.  Há cães que se adaptam bem ao consumo de frutas e legumes, cereais, leguminosas e sementes. Outros preferirão uma dieta exclusivamente constituída de carne, quanto muito aceitarão arroz ou algum legume se estiver muito bem misturado à mesma. Tudo isso tem mais a ver com o costume do que com uma necessidade biológica.

Cães domésticos podem ser acostumados ao consumo de alimentos exclusivamente vegetais.  Para isso, porém, faz-se necessário que este alimento lhes seja oferecido em composição de nutrientes balanceada para atender às suas necessidades fisiológicas.  O alimento deve ser preparado de modo a conter todos os aminoácidos essenciais que não são sintetizados pelo organismo do animal. Deve conter, ainda, todos os lipídeos, vitaminas e minerais necessários para a manutenção de sua boa saúde. O alimento deve, também, estar disponível em uma versão sensorialmente agradável ao animal. Isso pode ser conseguido de diferentes formas.

Há uma discussão pseudo-ética e pseudocientífica em relação à nossa prerrogativa em alterar os hábitos alimentares de cães domésticos. Se temos esse direito ou não pode-se realmente discutir, mas a verdade é que todas as pessoas que mantém esses animais alteram seus hábitos. Na natureza cães/lobos perseguiriam bois almiscarados, veados, coelhos e aves diversas. Os abateriam e consumiriam sua carne, especialmente os órgãos moles, sem limpar.

Uma pessoa que crie cães, mesmo que os alimente com carne, não estará o alimentando com a carne de caça, com os cortes que eles naturalmente escolheriam. Não estará lhes permitindo caçar, consumir o conteúdo estomacal do animal, sua pele e os tendões. A dissonância é ainda maior nos casos em que se alimenta o animal com rações comerciais e em lata, que são de qualquer forma constituídas de sobras de matadouros, farelos de milho e soja, quirera de arroz, cenoura, ervilha e muitos conservantes.

A alteração do comportamento não se encerra por aí. Não permitimos aos cães expressarem seu comportamento natural quando os criamos em chãos cimentados ou de piso, quando não os permitimos cavocar na terra, rolar na carniça, entrar em lagoas, ter contato com outros cães ou copular segundo seu próprio arbítrio. Contrariamos sua natureza quando mandamos que parem de latir, quando lhes damos banhos, quando escolhemos aonde que eles devem defecar e urinar, quando limitamos sua movimentação e seu acesso à relva.  Não me entendam mal, sei que esse é o preço da domesticação. Se não fizéssemos todas essas coisas, a convivência com cães não seria tão fácil.

Então sim, entendo a aflição das pessoas que se opõe à manutenção de cães com dietas vegetarianas. Entendo e questiono, pois essa é uma aflição não refletida. Ninguém que conheço, vegetariano ou não, permite aos seus cães expressarem seu comportamento de maneira natural. Há mais de 20 anos que não conheço alguém que crie cães com outra coisa que não seja ração. Rações podem ser boas ou ruins, mas isso nada tem a ver com serem rações vegetarianas ou não. Rações precisam ser balanceadas, elas precisam ter uma quantidade adequada de carboidratos, proteínas, lipídeos, vitaminas e minerais. Isso pode ser feito utilizando-se ingredientes de origem animal ou não. De toda forma não é a dieta natural que o animal seguiria, se tivesse a opção.

O presente texto encontra correlação com artigo publicado na Pensata Animal

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Veganos ganham cada dia mais espaço na Argentina

Por Danielle Bohnen (da Redação – Argentina)

Jonathan, 23 anos, vegano. Foto: Reprodução/ S!

“Vegan é straight-edge”. Esta é a frase que decora as paredes do centro de Buenos Aires, que amanhecem pintadas com essa declaração, depois de um “exército” estampar seus estênceis e aerossóis com a frase.

Veganos são vegetarianos estritos, ou seja, não usam roupas de couro ou pele de animal, lutam para defender todos os seres vivos. Ali, onde um mito do rock retalhou franguinhos no palco durante o show, outro gênero musical jovem, munido de argumentos para salvá-los do pisoteio, surge: o hardcore. “Aos 16 anos, escutava bandas como Sudarshana e Nueva Etica, e enquanto comia uma ‘carne ao forno’, que minha mãe havia preparado e ouvia as letras, me senti mal. Senti tanto nojo que não pude continuar”, lembra Jonathan Bielous, 23 anos, sobre  a epifania dequele meio-dia, quando se converteu em militante vegano.

Já nos anos 80, grupos como Minor Threat e Youth of Today propunham a desintoxicação dos excessos sexuais, etílicos e alimentares do rock. Vinte e cinco anos depois, os veganos aproveitam o guru Rick Rubin, produtor do Red Hot Chilli Peppers e AC/DC, como porta-voz da cifra escandalizadora: no mundo, são mortos 56 milhões de animais por ano para servirem de alimento.

A  Men’s Health lançou um aplicativo para o IPhone chamada “Come isto, não aquilo”, que privilegia os cereais em lugar do que a revista norte-americana Details batiza como “Paleo” (ocorrências fossilíferas) do carnívoro, porque seu menu se ajusta à máxima do homem das cavernas: Se não pode caçá-lo, não pode comê-lo”.

A “guerra” entre os veganos e os carnívoros pode ser um sintoma da mudança do paradigma econômico nacional, do modelo agroexportador à superpotência da soja: o consumo de carne baixou 16,7% no último ano e passou de 68 quilos em 2009 a 56,7 quilos por habitante nesta temporada.

Juan, 24 anos, carnívoro

“É ótimo saber o que estamos comendo”, diz Jonathan a Juan Tacconi, 24 anos, um carnívoro típico que come um hambúrguer de dois andares. Para este, é a pura lógica darwiniana: se os dentes são uma evidência evolucionista de que nascemos para morder carne, os veganos apelam para a sensibilidade do ser. “O homem está preparado para comer de tudo, mas é o único que tem opções éticas”, argumenta Ana María Aboglio, da Fundação Anima e autora do livro Veganismo, prática de justiça e igualdade (em tradução livre): “Estamos sendo geradores de sofrimento e morte por conveniência, costume e prazer”.

Jonathan se anima em desmentir a fama de desnutrido do vegetariano. “Em um treinamento intenso, deveria agregar-se um suplemento de proteínas que não seja láctea ou derivada do ovo”, diz Pablo Williams, licenciado em Educação Física. Para os militantes, inspirados pela antiga consigna punk: “o consumo te consome!”, a guerra começa: “O veganismo é uma atitude ética de não considerar os animais como objetos”, resume Ana María e defende: “os tiramos do prato, do banheiro, do guarda-roupas”.

Com informações da S!

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Artigos

Radical, eu?

Poucas coisas me deixam tão irritadas quanto quando ouço alguém me dizer “nossa, mas então você virou radical” – quando eu digo que sou vegetariana. Se a palavra fosse usada na sua concepção primeira, no que diz respeito ao que está ligado às origens, às raízes, até que eu ficaria feliz. Seria bom saber que em nossas origens poupávamos os animais.

Infelizmente esse “radical” vem em tom pejorativo, referindo-se a ser excessivo, a ser exagerado em algo. A primeira questão que me vem à mente é “quem é radical?”. Uma vez, um colega de yoga que me conhecia há quase um ano e nem tinha ideia de que eu era vegetariana, apontou o dedo na minha direção e disse a tal frase. Para combater minha indignação, escrevi-lhe uma carta, que reproduzo abaixo:

Amigo,

Eu senti muito pela forma como você apontou o dedo e chamou de radical qualquer pessoa que tenha uma postura diferente da sua. Veja bem que você me conhece há quase um ano e nem sabia que sou vegetariana. E você só ficou sabendo porque amigos em comum perguntaram por que eu não comia carne.

Sabe o que é engraçado? Eu nunca te chamei de radical por comer carne. Mas você chama de radical quem resolve não comer…

Então, vamos ver alguns pontos sobre isso de ser radical, ok?

Você acha que teria coragem de pegar um revólver e dar um tiro numa vaca, numa galinha ou num porco, olhando nos olhos do animal, assim como eu olho no do meu cachorro? Eu acho que não… Acho que não teria coragem… Então eu te pergunto: quem manda matar faz menos do que quem mata? E matar não te parece radical?

Eu não cheguei a falar ontem, mas as pessoas que param de comer carne normalmente param por três motivos:

– Ambiental: a criação de carne devasta florestas, gastam-se toneladas de soja para fazer 1 quilo de carne, os excrementos e gases produzidos pelos animais poluem o ambiente.

– Saúde: há estudos ligando a ingestão de carne a muitas doenças, entre elas o câncer e o colesterol. Além disso, o hormônio que é dado para que os animais cresçam mais rapidamente tem prejudicado os seres humanos. Os animais estão enfraquecendo com a forma com que são criados e por isso cada vez recebem mais antibióticos, que acabamos ingerindo por tabela, sem saber. Essa atitude de nos encher de remédios sem sabermos não te parece radical?

– Ética: os animais vivem em condições sub-humanas, são maltratados, vivem doentes, sentem dores, sofrem quando são separados dos seus filhotes e quando sabem que vão morrer. Provocamos sofrimento e dor só porque achamos gostoso comer carne e não porque precisamos. Radical, não é?

Você tem razão quando diz que é cultural. Como era cultural considerarmos os negros menos que humanos e nos acharmos no direito de legislar sobre a vida e a morte desses, para os fins que bem entendêssemos.

Agora, se você ainda acha que sou radical, veja só quantos outros estão comigo:

“Nada beneficiará tanto a saúde humana e aumentará as hipóteses de sobrevivência da vida na terra quanto a evolução para uma dieta vegetariana. A ordem de vida vegetariana, pelos seus efeitos físicos, influenciará o temperamento dos homens de uma tal maneira que melhorará em muito o destino da humanidade.”(Albert Einstein)

“Entre a brutalidade para com o animal e a crueldade para com o homem, há uma só diferença: a vítima.”(Lamartine)

“Quanto mais o homem simplifica a sua alimentação e se afasta do regime carnívoro, mais sábia é a sua mente.”(George Bernard Shaw)

Há muitos mais radicais, como Buda, Lao Tsé, Leonardo da Vinci, Platão, Sócrates, Voltaire, Professor Hermógenes, Patrícia Travassos, Éder Jofre, Paul McCartney, entre tantos outros.

E, com certeza, o mais radical de todos – Gandhi: “Sinto que o progresso espiritual requer, numa determinada etapa, que paremos de matar nossos companheiros, os animais, para a satisfação dos nossos desejos corpóreos.”

Sabe, amigo, eu não fico te apontando, chamando de radical e dizendo que minha opção é melhor ou pior que a sua.

Você se pergunta: “Eu posso comer carne?” E a resposta é: claro que sim!!!

Eu me pergunto: “Eu posso viver sem comer carne?” Minha resposta: claro que sim!!!

Simples assim. Cada um na sua. Perceba que, do meu ponto de vista, eu poderia dizer que quem come carne e precisa se alimentar de vidas é radical. Mas não o faço.

Então pare e pense melhor antes de apontar radicalismos.

Será que pode ser chamado de radical quem venceu um hábito – como o de fumar ou beber – de comer carne e percebeu que não precisa provocar a morte de animais para continuar vivendo bem e com saúde? É só uma opção. Será que podemos chamar de radical quem encara os animais como amigos e não quer comer seus amigos?

É radical querer saber de onde vem minha comida e não compactuar com morte? Não sei por que, mas não me sinto assim tão radical…

Namastê

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Notícias

Estudo genético mostra evolução do panda-gigante

Foto: Nature
Foto: Nature

A sequência genética completa do panda-gigante revelou que o simbólico urso chinês tem todos os genes necessários para digerir carne – mas não seu alimento básico, o bambu.

A equipe internacional sequenciou um panda fêmeo de três anos chamado Jingjing, que também foi um mascote das Olimpíadas de Pequim em 2008, e descobriu que ele não possui quaisquer genes reconhecíveis para enzimas celulases, que quebram a celulose da qual a planta é formada.

“A dieta de bambu do panda pode ser ditada pela bactéria que ele possui no intestino e não por sua composição genética”, disse Wang Jun, vice-diretor do Instituto de Genômica de Pequim em Shenzhen, na província de Guangdong, que liderou o projeto de sequenciamento.

Os pesquisadores também descobriram que o gene T1R1, que codifica um receptor-chave para o sabor da carne, se tornou um “pseudogene” inativo devido a duas mutações.

“Isso pode explicar por que a dieta do panda é primordialmente herbívora, embora ele seja classificado como carnívoro”, disse Wang. A pesquisa, publicada na Nature, mostra que os pandas têm cerca de 21 mil genes em 21 pares de cromossomos, incluindo um par de cromossomos sexuais. De todos os mamíferos que foram sequenciados, os pandas são mais parecidos com os cães – com 80% de similaridade – e são apenas 65% similares aos humanos.

Mas o genoma do urso passou por menos mudanças genéticas ao longo do tempo do que o de cães e humanos, sugerindo que o animal evoluiu mais lentamente. O panda é muitas vezes considerado um “fóssil vivo”, porque se acredita que seus ancestrais tenham vivido na China mais de oito milhões de anos atrás.

O estudo também mostra que os pandas têm um alto grau de diversidade genética, cerca de duas vezes mais que os humanos. “Isso mostra que o panda tem uma boa chance de sobrevivência apesar de sua pequena população”, disse Wang.

“O estudo proporcionou a fundação biológica para entender melhor os pandas e tem o potencial de melhorar a conservação através do controle de doenças e do estímulo à reprodução da espécie”, disse Jianguo Liu, biólogo de conservação da Universidade Estadual de Michigan, em East Lansing, que não esteve envolvido no estudo.

Ameaça ao habitat

Mas os críticos enfatizam que proteger o cada vez mais fragmentado e reduzido habitat dos pandas é a questão mais urgente em sua conservação. Acredita-se que a China seja o lar de cerca de 1,6 mil pandas selvagens embora o número real seja calorosamente debatido. Cerca de outros 300 vivem em cativeiros.

Alguns conservacionistas, como Fan Zhiyong, diretor do programa da espécie do grupo de conservação WWF na China, acreditam que o genoma do panda tenha pouco impacto nos esforços de conservação.

“Proteger os pandas na natureza continua sendo a prioridade principal, mas seus habitats estão se tornando cada vez menores”, diz Fan. “Se não tivermos mais pandas selvagens um dia, o que faremos com os genes deles?” Embora a China tenha criado vários santuários de pandas desde os anos 1960, o desenvolvimento econômico tem tido prioridade em relação à conservação.

Consequentemente, os habitats dos pandas são muitas vezes invadidos por projetos de construção, como represas e estradas. O turismo também é uma grande ameaça, porque os pandas são criaturas reclusas. Por exemplo, Jiuzhaigou, um santuário de pandas em Sichuan, é visitado por milhões de turistas todo ano.

“Não vemos mais nenhum panda por lá”, disse Fan. “Isso não é nenhuma surpresa.” Não há dúvidas de que a informação do genoma e a proteção do habitat sejam ambas cruciais para os esforços de conservação, disse Wang. O genoma do panda, o primeiro de uma série de esforços de sequenciamento do Instituto Shenzhen, será um teste de como essa informação genética pode ajudar na conservação de espécies em risco de extinção, ele acrescenta. A equipe possui um mapa genômico preliminar do urso polar e começou a sequenciar o genoma do antílope tibetano.

Tradução: Amy Traduções

Fonte: Terra

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Destaques, Notícias

Ex-governadora do Alasca, Sarah Palin, critica vegetarianismo e declara que os animais existem para serem comidos

Por Marcela Couto (da Redação)

A autobiografia de Sarah Palin, Going Rogue: An American Life, foi lançada nas livrarias no dia 17 de novembro. No livro, Palin traça suas experiências desde que era uma garota do interior do Alasca até tornar-se vice-presidente republicana.

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Foto: Examiner.com

Além de explanar sua visão sobre a campanha de McCain e a mídia, Palin, uma entusiasta da caça no Alasca, usa o livro para criticar vegetarianos. A republicana diz: “Se um vegano vier jantar comigo, posso preparar uma saladinha e então explicar-lhe minha fisolofia carnívora: se Deus não quisesse que comêssemos animais, por que eles seriam feitos de carne?”.

A republicana ainda complementa: “Amo carne. Como toicinhos, hambúrgueres de bacon, e cada pedaço da bela gordura que envolve um bife. Mas adoro especialmente carne de alce. Sempre faço questão de lembrar às pessoas de fora que aqui no Alasca todos os animais têm seu espaço – logo ao lado das batatas assadas, é claro”.

Infelizmente, a visão de Palin sobre o vegetarianismo não é apenas coisa de gente com a mente fechada, mas também difundida entre alguns intelectuais. O velho clichê que mostra o vegetariano comendo apenas salada, um copo d’água e algumas cenouras ainda persiste, e a grande variedade de alimentos saborosos e saudáveis disponíveis em uma dieta sem carne é simplesmente ignorada pelas massas.

A ideia de Palin de que os animais são apenas pedaços de carne, infelizmente, ainda é compartilhada por uma boa parte da população dos EUA. Suas declarações com certeza receberão aplausos de muitos caçadores e donos de churrascarias. É triste constatar que em nossa sociedade animais sejam considerados o prato principal do jantar.

Um “carnívoro”, como Palin refere-se a si mesma, não precisa mudar sua escolha por causa de um vegetariano, mas a tolerância e o respeito seriam bem-vindos. Nem é preciso dizer que o PETA não enviará nenhum cartãozinho de Natal para Palin este ano.

Mas Sarah Palin, além de declaradamente enxergar os animais como objetos comestíveis, indignos de direitos, comete uma distração bastante grave: ela simplesmente ignora o fato de que seus próprios ossos são envoltos em nada mais nada menos do que pura carne e gordura, exatamente como nos animais que fatia e come.

Além disso, não contente em tratar animais como meros objetos para satisfação do seu paladar, a republicana promove estereótipos preconceituosos sobre vegetarianos e abusa do cinismo para demonstrar sua prepotência e soberania sobre as outras espécies não humanas.

Um péssimo exemplo para a humanidade.

Com informações de Examiner.com

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Websites dedicados ao chamado ‘orgulho carnívoro’

Na Internet tem aparecido websites dedicados ao chamado ‘orgulho carnívoro’, cujas mensagens vão desde desejos sem culpa estilo homem das cavernas a manifestos defensivos e arrogantes.
 
Você sabe por que surgiram esses websites de orgulho carnívoro? Não porque comer carne tem uma legitimidade intrínseca, mas porque mudança e perda de identidade na parte daqueles que se consideram “carnívoros” é algo assustador e polarizante. Contra o que eles estão lutando exatamente? Colocado de maneira simples, eles estão resistindo ao desvelamento da verdade. Como no caso de todos os movimentos de justiça social, quando o aspecto econômico e a identidade daqueles que fazem de tudo para defender o status quo são desafiados, surge um instinto para defender suas posições de conforto. Algo no tom desses websites me diz que eles são feitos especificamente para chatear os vegetarianos.

Aqueles que comem carne frequentemente acusam os vegetarianos de se sentir ‘moralmente superiores’. Referem-se a nós como se estivéssemos seguros de nossa moralidade mais elevada, o que em outras palavras quer dizer que nós temos uma certeza infundada de que estamos certos. Eu não sei quantas vezes eu disse para essas pessoas que essa moralidade superior não tem nada a ver comigo. Na verdade, ela tem tudo a ver com o respeito por outros indivíduos, cujo desejo de viver, cujas tentativas de escapar e sinais inconfundíveis de sofrimento me colocam em uma posição de respeito por sua validade como indivíduos com inteligência, interesses, emoções complexas e comportamentos sociais coerentes com um sistema de ética maior.

Incoerência (e uma defesa desafiadora dessas incoerências morais dentro de um contexto ético maior) é a marca dessas posições do orgulho carnívoro. Nós dizemos: “Se você não come o cachorro da família, então por que comer um porco?” Eles dizem, “Não há problema algum que eu seja incoerente moralmente porque a vida gira em torno de mim e meus desejos, não em torno dos interesses dos porcos ou até mesmo dos cães”, ou simplesmente, “porque o sabor é bom”.

O termo ‘carnívoro’ é reservado para aqueles organismos que não consomem nada além de carne e órgãos crus. Os humanos são escarvadores oportunistas, desenhados fisiologicamente como onívoros que podem sobreviver e até mesmo se manter saudáveis comendo o que estiver disponível. Para um humano se chamar de carnívoro, ele quer dizer que ele não come quase nada vegetal, e que ele compartilha as características de outros carnívoros (trato intestinal curto, equipamento biológico para desmantelar órgãos animais crus). E se existem aqueles que conseguem subsistir totalmente de carne, órgãos e secreções, abençoado seja aquele que tiver que tolerar o cheiro de massa pútrida navegando por um trato intestinal demasiadamente longo para livrar-se dessa bagunça antes que ela se torne tóxica, e emita podridão por todos os poros, em toda gota de suor, sem falar no estado geral de saúde. A verdade é que, como onívoros, nós podemos escolher o que comer e aí reside a controvérsia.

Isso leva à pergunta: por que aspirar ao título de ‘carnívoro’? Isso é, em si, uma rejeição da identidade vegetariana e uma reação ao que eles percebem como superioridade moral. O orgulho emerge do consumo de carne como se a maioria dessas pessoas participasse da caça. Alguns deles caçam, mas a grande maioria dos comedores de carne nos Estados Unidos não caça. Na verdade, eles compram a carne dos mestres das ilusões, os supermercados que escondem o processo de matar dentro de pacotes perfeitos e limpos, e atrás de imagens de animais que querem ser comidos. Quanto mais próximo eles chegam da carcaça, mais eles sentem que de alguma forma eles participaram de um ato de orgulho ou tradição. Sem o contexto, isso é, logicamente, pornográfico, o mesmo que ser estimulado por uma imagem. Devorar uma galinha não faz ninguém mais caçador do que devorar pornografia faz alguém mais experiente em intercurso sexual.

Tudo isso tem mais a ver com a identidade de ser um ‘homem’ do que qualquer outra coisa. Como eu sublinhei recentemente em uma carta ao New York Times, a identidade limitada e sufocante do que constitui masculinidade está inseparavelmente ligada à obtenção e consumo de carne. Logo, abandonar a carne significa abandonar a própria masculinidade e orgulho.

O que está acontecendo hoje é que o processo e os efeitos do agronegócio e outros métodos cruéis de ver e tratar os animais como ‘unidades de produção’ e o resto do mundo não-humano como uma pilha de recursos para ser explorados e drenados, estão sendo expostos e monitorados. Sejam preocupações ambientais ou preocupações éticas, há sinais que os humanos estão saindo de um estado infantil de auto-gratificação que está causando a destruição de nossa única casa e a tortura dos únicos companheiros que conhecemos em todo o universo.

Embora fosse conveniente ter uma outra pessoa para fazer todo o trabalho duro sem pagamento, o processo e efeitos da escravidão na América foram expostos e rejeitados pela maioria. Não se iluda: o caminho até a igualdade nos últimos séculos encontrou resistência. Outros casos parecidos foram os movimentos pela igualdade da mulher, anti-semitismo e trabalho infantil. A sociedade não participou dessas normas sociais porque os indivíduos tinham menos caráter moral no passado do que agora; a participação acontecia porque elas reforçavam e mantinham um certo status, hierarquia, além do benefício econômico para aqueles que exploravam.

O surgimento desse super-orgulho carnívoro dentro de um contexto de uma cultura onde já predomina tal orgulho é evidência que a verdade e a realidade do que acontece com muitos animais explorados por sua carne e funções está sendo exposta. Eles estão na defensiva, e por uma boa razão: é difícil escapar da verdade.
 
 
 

Joshua Katcher – artista, escritor, chef vegano, empresário, ativista e produtor de televisão baseado em  Nova Iorque. Em 2008 ele fundou o blog The Discerning Brute como uma referência para homens inteligentes que querem tomar decisões éticas e informadas no que diz respeito aos seus estilos de vida.

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O homem evoluiu como um animal carnívoro ou vegetariano?

É comum, atualmente, que no debate entre consumidores de carne e vegetarianos sejam utilizados argumentos relacionados aos “homens das cavernas”, uns argumentando que os homens evoluíram como carnívoros e outros argumentando que evoluíram como vegetarianos. O presente texto traz considerações com relação a esse assunto. Conforme a teoria evolutiva corrente, por volta de 6 e 7 milhões de anos atrás viveu nas florestas africanas um antepassado do homem do tamanho de um chimpanzé, denominado Orrorin tugenensis. Esse proto-homem passava a maior parte do tempo nas árvores, em busca de seu alimento (frutas e folhas), mas às vezes descia ao solo. A presença de grandes molares e de pequenos caninos sugere que esses hominídeos tinham uma dieta baseada em vegetais, mas podemos inferir que, eventualmente, insetos e pequenos vertebrados também fizessem parte de sua dieta, à semelhança do que ocorre entre os chimpanzés.

Por volta de 4 milhões de anos atrás, o aquecimento global (que já existia nessa época) reduziu grande parte das florestas africanas a savanas, e isso levou os antepassados do homem a buscar novas adaptações. O espaçamento entre as árvores e a necessidade de percorrer grandes distâncias para encontrar seu alimento levou a um maior desenvolvimento do bipedalismo (capacidade de andar em duas pernas). Surgia então o gênero Australopithecus, com representantes com pouco mais de 1 metro de altura, cérebro pequeno e rosto largo, cujos representantes mais conhecidos foram o A. afarensis e o A. africanus.

 Devido às condições de seu ambiente e às suas limitações físicas, esses hominídeos encontravam grande dificuldade em encontrar boas condições para sua subsistência. As frutas já não eram tão abundantes como na floresta, e o capim, que agora abundava nas savanas, não era digerível. Também para obter outros tipos de alimentos eles tinham grande dificuldade, visto que esses hominídeos não eram bem adaptados à caça. Eles não eram rápidos o suficiente para alcançar uma gazela na corrida, nem tinham garras, presas ou força suficiente para abatê-las.

Por isso, a maior parte do tempo, esses hominídeos passava forrageando, se deslocando em busca de folhas, raízes e frutos que conseguisse digerir. Eventualmente, quando encontrava um animal doente ou já morto ele consumia a carne com voracidade, pois carne significava uma grande quantidade de calorias e nutrientes concentrados, em um mundo onde não se sabia quando seria a próxima refeição.

Onivoria, quando não se tem controle sobre o meio ambiente, é uma vantagem evolutiva, porque permite que se coma qualquer coisa e não se morra de fome.

Por volta de 2 milhões de anos atrás, a competição por recursos nas savanas africanas havia aumentado bastante. As florestas eram ainda menos abundantes e nas savanas proliferava uma fauna de grandes herbívoros pastadores; os grandes predadores eram mais eficientes no abate de presas e mesmo as carcaças por eles abandonadas precisavam ser disputadas com hienas e abutres.

O homem precisou então criar novas estratégias evolutivas: Ele precisaria se tornar tão bom pastador quanto os outros pastadores ou tão bom predador quanto os outros predadores. Ou seja, precisava se tornar competitivo.

 O caminho adotado foi o da ‘irradiação’, da ‘diversificação adaptativa’. Nesse período surgiram várias espécies de hominídeos, das quais conhecemos pelo menos 5 espécies. Um grupo de hominídeos, o gênero Paranthropus, optou por se especializar na alimentação à base de vegetais fibrosos e pouco nutritivos, por isso desenvolveu um corpo robusto, com mandíbulas pesadas, molares bem achatados e um trato digestivo que permitia o consumo de grande quantidade de alimentos. Essas adaptações permitiam que esse hominídeo processasse alimentos como o capim e as cascas de árvores. É provável que esses hominídeos fossem estritamente vegetarianos, o que não demandava a fabricação de instrumentos ou a elaboração de estratégias de caça. O Paranthropus tinha o corpo robusto, mas o cérebro era pequeno, e o ambiente era extremamente favorável ao seu estilo de vida.

 Por essa mesma época surgiam nas savanas outros grupos de homens, hoje reconhecidos como a transição entre os Australopithecus e o que já reconhecemos como os primeiros homens pertencentes ao gênero Homo. Eles eram a princípio necrófagos que seguiam os grandes predadores em busca das carcaças abandonadas, mas com o tempo desenvolveram técnicas para abater suas próprias presas. Esse gênero, que não podia digerir capim e cascas de árvore, especializou-se na caça de animais, consumindo também, sempre que disponível, vegetais mais nutritivos. Suas principais adaptações foram o desenvolvimento de ferramentas de pedra cada vez mais elaboradas, de um sistema de comunicação mais articulado e, um milhão de anos após, no domínio do fogo.

Esses hominídeos, para desenvolverem sua capacidade de cognição (crescimento do cérebro) precisaram tirar a energia de outros órgãos. Considerando que a maior parte da energia corpórea era gasta para manter o trato digestivo e que o tipo de alimentação adotado se consistia em sua maior parte de alimentos calóricos com nutrientes concentrados, os intestinos desse homem diminuiu, à medida que seu cérebro aumentava.
Nesse período em que os dois gêneros (os Paranthropus vegetarianos e aos Homo onívoros) coexistiram, o vegetarianismo, ou herbivoria, apresentou-se como uma vantagem. Pode-se imaginar que o Paranthropus levasse uma vida tranquila, vivendo em vales verdes abundantes em seus alimentos, sem se arriscar em caçadas ou competir com outros predadores; As espécies do gênero Homo, por outro lado, encontravam-se sempre no limiar da sobrevivência, quase minguando de fome, arriscando-se em caçadas e precisando deslocar-se por grandes extensões de terra para encontrar seu alimento. 
 
Fonte: Guia Vegano

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