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TJ-SP fica lotado em julgamento sobre sacrifício religioso de animais

Janaína Fernandes | Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Lei prevê multa de R$ 1.504 para quem utilizar, mutilar ou sacrificar animais com finalidades “mística, iniciática, esotérica ou religiosa”

O sacrifício de animais para rituais religiosos ou cultos religiosos foram determinados como práticas ilegais em uma lei instaurada em Cotia (SP). A lei foi julgada na presença de uma grande quantidade de pessoas no Salão Nobre do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Habitualmente frequentado por no máximo 20 espectadores, dessa vez, o salão contou com a presença de 80 pessoas. Entre os presentes, estavam grupos de umbanda e candomblé não só de São Paulo, mas também de outras regiões. O encontro foi feito através de redes sociais da internet entre pessoas que eram contra uma norma em vigor desde setembro do ano passado em Cotia.

A Lei 1.960/2016 fixa multa de R$ 1.504 a toda pessoa física que utilizar, mutilar ou sacrificar animais em locais fechados e abertos, com finalidade “mística, iniciática, esotérica ou religiosa”. Toda pessoa jurídica é obrigada a pagar R$ 752 por animal e perde seu alvará de funcionamento.

Embora a norma seja local, representantes de movimentos entendem que a posição do TJ-SP será relevante como precedente antes que o Supremo Tribunal Federal julgue recurso com tema semelhante (RE 494.601, sobre lei gaúcha que permite o sacrifício, mas é questionada pelo Ministério Público).

Lei suspensa

Anteriormente, o Psol havia movido uma ação pedindo que o texto fosse declarado inconstitucional, atendendo à pedidos de entidades religiosas do município. Porém, em 2016, uma liminar do relator suspendeu a validade ao alegar que a norma violava o Pacto Federativo. “Diante da relevante fundamentação de invasão de competência legislativa exclusiva do chefe do Poder Executivo, assim como de ofensa ao Pacto Federativo e de possível violação à liberdade constitucional do livre exercício dos cultos religiosos”.

Em uma sustentação oral, o advogado do ex-secretário estadual da Justiça, Hédio Silva Júnior, alegou que a norma viola leis federais que já tratam de maus-tratos e criticou a prática de exploração animal em indústrias alimentícias, que matam animais legalmente para fins comerciais, enquanto que no âmbito religioso o assassinato é visto como algo errado.

Depois da suspensão do julgamento, ele afirmou que pela primeira vez representantes do candomblé e da umbanda foram bem recebidos na corte, com vestes características, sem nenhum incidente.

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Vereador defende uso de animais em rituais religiosos na Câmara Municipal de São Paulo

O vereador Laércio Benko (PHS) usou o plenário da Câmara Municipal de São Paulo hoje, por volta das 15h30, para defender o uso de animais em rituais umbandistas e do candomblé. Ele criticou a proposta do deputado estadual Feliciano Filho (PEN), apresentada na Assembleia Legislativa no ano passado, que proíbe o sacrifício de animais em todo o Estado.

Benko argumentou que não existe sacrifício, e sim a ‘imolação’ dos animais “em religiões de matrizes africanas.” O parlamentar diz que são usados bodes e galinhas, e nunca animais como cachorros e gatos. Ele também acrescentou que existem diferentes vertentes dentro do candomblé e da umbanda e que a imolação é adotada apenas por algumas delas.

“Nós buscamos o axé do animal, que é o sangue e os miúdos que nós oferecemos aos nossos orixás e guias. Essa espiritualidade precisa da energia que vem do sangue e dos miúdos dos animais”, disse o vereador. “O animal não pode sofrer qualquer tipo de sofrimento antes. Ele recebe alimentação adequada, tratamento com ervas. É cortada a veia do animal, como em qualquer tipo de abate”, defende Benko.

O vereador de 40 anos, pré-candidato ao governo estadual, diz ser adepto e um “apaixonado” pela umbanda desde 2004. “Se o animal sofrer qualquer tipo de sofrimento, ele não pode participar da entrega (aos orixás)”, afirma o vereador do PHS, que antes era católico. “A pessoa, para defender o fim do uso dos animais em ritual religioso, ela tem de ser no mínimo vegetariana. Se não for é hipocrisia.”

Em seus primeiros oito meses como parlamentar, Benko tem sido um dos parlamentares mais atuantes no plenário do Legislativo paulistano. Ele já apresentou também mais de 60 projetos.

Fonte: Estadão

Nota da Redação: Não há justificativa ética para explorar, torturar, causar sofrimento ou tirar a vida de um animal por qualquer que seja o motivo. A argumentação do vereador de que não existe sacrifício, mas sim imolação, demonstra, além da inconsciência sobre o valor da vida, um desconhecimento sobre o significado da palavra imolação, que nada mais é que um sacrifício cruento, uma carnificina. Em outros tempos, crenças religiosas ofereciam bebês humanos ou virgens a entidades espirituais acreditando que assim poderiam aplacar sua fúria ou satisfazer-lhes as vontades. Do ponto de vista legal, moral e ético, hoje isso é absolutamente inaceitável. Não existe diferença no sacrifício de vidas, sejam humanas ou não, para obter favorecimentos de divindades. Segundo professam as religiões, Deus é amor, bondade e justiça, e matar uma vida, que é sagrada, para oferecer a Deus contraria a própria compreensão das leis espirituais. Segundo os estudiosos da doutrina, a Umbanda tem como base o respeito à vida e a todo o ser vivo. Quanto ao candomblé, segundo a Yalorixá Iya Senzaruban, nascida numa família de cultura tradicional do candomblé e filha de uma ekede e de um ogã, este também vem entrando num outro estágio com pessoas conscientes do direito à vida que todo animal, humano ou não, possui. Iya foi iniciada espiritualmente aos 7 anos e aos 14 anos tornou-se ‘mãe-de-santo’. Vegetariana, acabou descobrindo uma forma para substituir, em sua alimentação e nos rituais, os animais e ingredientes de origem animal, pois acredita que nada lhe dá o direito de matar outro ser.

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Filme "Jardim das Folhas Sagradas" mostra candomblé sem sacrifícios de animais

A relação entre questão ambiental e rituais do candomblé é o tema de “Jardim das Folhas Sagradas”, que tem estreia em São Paulo e no Rio prevista para o dia 25. O longa, o primeiro do cineasta baiano Pola Ribeiro, é ambientado em Salvador. Conta a história de um integrante do candomblé (vivido pelo ator Antônio Godi) que funda um terreiro onde não há sacrifícios de animais.

Foto: divulgação

Por causa dessa determinação, o personagem enfrenta resistência de setores do próprio candomblé. Apesar do tema, o diretor diz não condenar o sacrifício animal no contexto religioso. “O filme oferece o debate sobre várias questões, como intolerância religiosa e preconceitos étnicos, mas é preciso entender que o candomblé conhece e respeita a natureza muitas vezes até mais do que movimentos ecológicos.”

Para ele, a discussão levanta contradições que revelam preconceitos. “Qual é a preocupação real, se as pessoas criticam o sacrifício, mas continuam comendo carne? Como sociedade, nós não apenas matamos como escravizamos animais.” Além de Godi, estão no elenco João Miguel, Érico Brás e atores do Bando de Teatro Olodum, informa a Folha de São Paulo.

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Entrevistas

Candomblé Vegetariano

  O universo do candomblé está presente na vida de Iya Senzaruban desde muito cedo. Nascida numa família de cultura tradicional do candomblé, ela é filha de um ekede e de um ogã. Foi iniciada nesta senda espiritual aos 7 anos e aos 14 anos tornou-se mãe-de-santo. Desde o início dos anos 90 estuda técnicas da medicina alternativa como a aromaterapia, acupuntura, fitoterapia, auriculoterapia, cromoterapia e cristais. No Sri Lanka entrou no culto a Krishna e Shiva e acabou descobrindo uma forma para substituir, em sua alimentação e nos rituais, os animais e ingredientes de origem animal. Vegetariana há 25 anos, atuante na área de saúde, ela é também responsável pelo Grupo Ile Iya Tundé, entidade filantrópica que atua há 22 anos em Itanhaém, no estado de São Paulo e que ministra cursos e atividades para a comunidade. Sua experiência na renovação do candomblé está sendo relatada no livro que escreve e pretende publicar sob o título de Candomblé Vegetariano. Nesta entrevista à jornalista Cynthia Schneider, da ANDA, Yia Senzaruban fala sobre sua experiência lactovegetariana, sua dedicação ao candomblé, sua caminhada espiritual e a sintonia entre natureza e espiritualidade.

ANDA – Como foi sua experiência de ter se tornado mãe-de-santo tão jovem e depois ter optado pelo vegetarianismo?

Iya Senzaruban – Eu já nasci dentro do santo. Fui iniciada aos 7 anos e aos 14 já era mãe-de-santo. Depois disso andei em vários lugares, mas no Sri Lanka foi uma experiência relevante por causa do vegetarianismo e também porque eu me iniciei como devota de Krishna. E isto tudo criou uma incompatibilidade, pois os devotos de Krishna e Shiva não comem carne de jeito nenhum. Eles comem alguns produtos lácteos e derivados como o queijo, porque a vaca é considerada sagrada. Mas não comem ovo, nenhum outro produto animal sem ser derivado do leite. Desde pequena eu não gostava de comer carne, então optar pelo vegetarianismo foi fácil. Difícil foi conciliar as coisas. Eu levei muitos anos para poder encaixar as duas coisas, que eu considerava muito bonitas. Além disso eu já tinha muita gente que contava comigo pela minha situação religiosa. Não poderia abandonar tudo no meio do caminho.

ANDA – Como foi esta transição para um candomblé vegetariano?

Iya Senzaruban – Eu estou escrevendo um livro a respeito do candomblé vegetariano e também dou cursos e palestras sobre isto. Assim como eu, tem muita gente que é do santo, que é do candomblé e que não gosta da matança e se sente meio acuada. Tem gente que adora, gosta, ama os orixás, admira o ritual que é muito bonito, muito completo, mas na hora de participar de uma matança, “o bicho pega”. A proposta do vegetarianismo no candomblé é fazer de uma outra forma, sem prejudicar o tipo de energia que a gente trabalha, sem mudar muito. As mudanças são muito poucas. Não são eliminados os elementos da natureza, que é o que o candomblé trabalha, as forças da natureza. No livro que estou escrevendo apresento as mudanças que vão desde a comida de santo, que não usa nem camarão ou ovo, nada de origem animal. Mas demorou muito tempo para chegar nisso. Passei a vida inteira dentro de um certo contexto. Hoje já é mais fácil. Mas ainda tem adaptações a fazer, tem hora que eu tenho que buscar outras soluções. Também não dá para buscar a mesma energia, porque a energia de sangue é muito pesada. Ela traz muita proteção mas ao mesmo tempo traz muita sujeira espiritual. Hoje em dia eu procuro ter uma limpeza espiritual e conseguir a mesma coisa sem ter que fazer uma matança: livrar as pessoas de problemas, principalmente na área de saúde, de doenças graves. Como eu também sou terapeuta, vejo muito por este lado, de saúde física, moral, espiritual e psicológica. Meu trabalho como mãe-de-santo é bem voltado para a saúde.

ANDA – Você também trabalha com outras técnicas de terapias como a cromoterapia e acupuntura. Como isto ajuda no seu trabalho?

Iya Senzaruban – Hoje em dia os pais-de-santo estão muito mais cultos. É uma nova época dentro do candomblé. As pessoas estão buscando mais conhecimento, trabalham em outras coisas, não dependem mais financeiramente do candomblé como eram os antigos pais-de-santo, que só viviam para isso. Então ficava muito restrito. Toda religião precisa evoluir, senão fica estagnada e morre.

ANDA – Dentro do contexto religioso é mais difícil a aceitação da mudança?

Iya Senzaruban – A respeito da matança, eu acho que os meus filhos-de-santo que já têm casa vão aproveitar muito mais esta situação renovada e talvez daqui a 10 anos a gente tenha alguma resposta. Isso porque há uma restrição muito séria a respeito disso. Mas aos poucos eu acredito que a gente vai atingindo as pessoas. Afinal, alguém tem que começar, né?

ANDA – Dá para perceber o quanto você está sendo pioneira.

Iya Senzaruban – Isso é porque eu sou filha de Iansã, e Iansã arrebenta tudo. Ela é a minha guerreira, ela derruba mesmo os tabus, os preconceitos. Mas fora a situação de matança, os pais-de-santo têm menos tradicionalismo hoje. Eles são abertos a outras coisas, à busca das raízes, das ervas, de estudos sobre determinados orixás que a maioria não conhecia ainda, mas com uma mente diferente, porque já têm mais cultura. A maioria hoje tem terceiro grau completo e isso faz alguma diferença.

ANDA – Como você relaciona o vegetarianismo e a espiritualidade sob este enfoque profissional na área de saúde?

Iya Senzaruban – Matar os animais é algo que espiritualmente não faz bem, pois você está tirando a vida e depois comendo cadáveres. Não é nada sadio espiritualmente falando. Além disso, principalmente o frango e os animais que se compram em supermercados estão cheios de hormônios. Um frango hoje em dia, de um pintinho para um frango demora três dias. Isso é um absurdo. Imagine o que isto não causa dentro do organismo da pessoa. E ainda afeta a psique, porque são drogas injetadas por tabela. Não adianta você não fumar, não beber, não tomar psicotrópicos e acabar consumindo por tabela quando consome a carne. O efeito é o mesmo. Isso faz também com que cada vez mais as pessoas tenham câncer e outras doenças. O vegetarianismo, ao contrário, é muito bom. É certo que muitas verduras são contaminadas, mas mesmo assim já não faz tanto mal, pois não atinge a aura da pessoa. E com isso ainda tem tantas opções, como os grãos. Eu mesma como muito poucas verduras. O que como mais são legumes, tubérculos, grãos e doces. Inclusive, quando eu dou aulas sobre a comida vegetariana, apresento excelentes opções simples e tão mais baratas! Com um quilo de carne dá para fazer um almoço para quatro pessoas. Com o mesmo dinheiro de um quilo de carne, na cozinha vegetariana, dá para fazer o almoço, o jantar e outro almoço no dia seguinte para quatro pessoas. O vegetarianismo é um estilo de vida para o bolso, para a saúde mental, espiritual e psicológica, pois tudo está ligado. Se você come um alimento saudável, vai ser uma pessoa saudável mentalmente também. Te dá ânimo para fazer exercícios, você se torna uma pessoa mais doce. Geralmente quem é vegetariano não bebe, não fuma, é uma consequência sine qua non. Vai limpando o seu corpo. E ainda tem mais: a pele fica bonita, o cabelo também, não tem barriga, não tem celulite…

ANDA – Há quanto tempo você adotou o vegetarianismo no seu trabalho? E como as pessoas percebem o seu engajamento por esta opção?

Iya Senzaruban – Eu já sou vegetariana há 25 anos e levo o candomblé vegetariano há quase 17 anos. As pessoas, principalmente as mais jovens, se interessam mais. Eu vejo também que quem mais se interessa pelo vegetarianismo é o tipo de pessoa mais intelectual, geralmente artistas, profissionais que se destacam em várias áreas. Eu percebo bem que eles têm uma consciência muito maior. Fora isto há outros grupos que já levam isto como uma realidade. Há alguns colegas meus, na medicina, que também têm trabalhos nesta área. Mas é muito diferente falar para uma pessoa que ganha um salário por mês – e que não são poucas, infelizmente é a realidade majoritária no nosso país – aí é muito difícil de atingir. Eu tenho esta sorte de conseguir atingir muita gente neste nível, por exemplo, ensinando a fazer a farofa multimistura para a alimentação ficar mais completa. Ensino a fritar a casca de batata, usar a casca de banana, trabalho já há muito tempo com isso. Porque muita gente acha que só a carne alimenta, eles têm esta educação falha. Eu consigo atingir também este público, mas é muito difícil encontrar quem se proponha a trabalhar assim. Eu percebo que o vegetarianismo é uma coisa mais elitizada, sim: financeira e culturalmente. O vegetariano é a pessoa que teve uma cultura mais elevada e que tem dinheiro. Mas com o meu trabalho como mãe-de-santo eu consigo atingir outras classes mais sofridas, de gente que vive com um salário, paga o aluguel e ainda tem três ou quatro filhos. Esta é uma área de atuação maior. Também tenho uma entidade filantrópica, o Grupo Ilê Iya Tundê, que fica em Itanhaém e já tem 22 anos, que me permite ir ensinando. Lá também ensinamos terapias, danças, capoeira e culturas de origem afro, além de cursos profissionais. Tem muitos outros grupos de várias crenças que inclusive utilizam este espaço para fazer entrega de mantimentos e outras atividades para a comunidade.

ANDA – O que pretende o candomblé vegetariano?

Iya Senzaruban – Eu sou uma mãe-de-santo e não estou aqui para questionar a situação de ninguém. Nasci numa situação tradicionalíssima e não posso negar de onde eu vim. Para algumas pessoas isso é o que serve. Para mim não serve mais. A minha função, assim como para quem se sente nesta situação, é encontrar uma nova forma de louvar os orixás sem ofender os outros seres vivos. Eu acho que é uma demonstração de boa vontade para com Deus.

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Pais de santo querem “tolerância” para poderem assassinar animais

O Movimento em Defesa da Liberdade Religiosa redigiu uma carta aberta à população, condenando a intolerância, a discriminação e a falta de conhecimento sobre rituais religiosos, em especial os de matriz africana, como o candomblé e a umbanda. A carta foi escrita como defesa contra o projeto de lei 202/2010, que condena o sacrifício de animais em rituais religiosos, de autoria do vereador Laércio Trevisan Junior (PR), e que foi vetado na semana passada pelo prefeito Barjas Negri. O veto deverá ser votado pela Câmara de Vereadores de Piracicaba no início de dezembro.

Na noite de quinta-feira (11), umbandistas e candomblecistas usaram o plenário da Câmara de Vereadores para abordar o tema e a necessidade de tolerância, prestando esclarecimentos sobre a realização dessas religiões. No mesmo dia, o vereador havia apresentado vídeos sobre sacrifícios de animais em rituais e, segundo os pais-de-santo, não são imagens captadas em Piracicaba. “Tememos o assédio da população sobre os religiosos de matriz africana por causa dessa maneira preconceituosa de abordar o assunto. Não podemos generalizar. Não é verdade que usamos cães nos sacrifícios e quando houver maus-tratos também vamos ajudar a combatê-los”, disse o candomblecista Ronaldo Almeida de Xangô.

O Movimento pretende coletar um abaixo-assinado em favor da liberdade religiosa, garantida por lei federal. “Os terreiros podem ser visitados para verificar como os animais são tratados e fiscalizados para garantir que não há maus-tratos, mas é preciso tomar cuidado para que essa questão não tome uma abrangência pejorativa”, disse o babalorixá Eduardo Gomes de Oxumaré.

Outra reivindicação dos pais-de-santo é quanto ao tratamento hierárquico religioso. “Se um padre ou pastor são chamados dessa forma, um pai-de-santo também merece ser tratado com esse respeito”, falou Ogam Wilson.

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A carta aberta esclarece sobre a história das religiões afrobrasileiras, que cresceram superando perseguições e intolerância, bem como a história dos negros no Brasil, trazidos como escravos e que tinham nesses rituais religiosos sua maneira de expressão e fé.

O documento afirma que os animais abatidos durante os rituais, não o são de maneira sofrida e, depois, são consumidos como alimento.

Fonte: Gazeta de Piracicaba

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Prefeito de Piracicaba (SP) veta lei que proibiria maus-tratos a animais

O prefeito Barjas Negri (PSDB) vetou ontem a propositura 128/2010, do vereador Laércio Trevisan Júnior (PR), que diz respeito à proibição da prática de maus-tratos e crueldade contra animais no âmbito do município de Piracicaba.

Segundo o prefeito, a iniciativa de vetar foi provocada por pontos duvidosos e que ferem leis de outras esferas. O procurador-geral do município, Milton Sérgio Bissoli, destacou no texto do veto que a propositura de Trevisan fere normas e leis federais e estaduais, inclusive algumas que se referem às questões de saúde pública. Como exemplo, Bissoli citou o controle e combate à brucelose.

Regulamentação federal disciplina que, para controle de vacinação, o gado deve ser marcado a ferro cadente, conduta que produz sofrimento, dor e estresse ao animal. “O Executivo entende e apoia o mérito da propositura, mas não está claro o que pode e o que não pode”.

O artigo 2° da Lei de Trevisan define como maus-tratos e crueldade contra animais, ações diretas ou indiretas capazes de provocar privação das necessidades básicas, sofrimento físico, medo, estresse, angústia, patologias ou morte. Neste caso, inclui-se também o sacrifício de animais em rituais religiosos.

Os proprietários de terreiros de umbanda e candomblé de Piracicaba se reuniram ontem para discutir o assunto e aguardam a finalização deste processo – há a possibilidade de a Câmara poder derrubar o veto – para depois tomarem providências. “Estamos recebendo apoio do pessoal de cerca de 15 terreiros de Piracicaba e de outros estados também ”, declarou o Balaborixá Eduardo Gomes de Oxumarê.

Ele disse que nos terreiros realmente são realizados sacrifícios de animais, porém justifica que é como ocorre em qualquer lugar e que “estes animais, depois de sacrificados e imolados para Orixá, são degustados”.

“Meu terreiro é no bairro Lago Azul, onde mora muita gente pobre que não tem o que comer. Quase que diariamente, tem gente indo na minha casa pedir carne de cabrito. Nós não judiamos dos animais”, declarou.

De acordo com o dicionário, “imolar” significa matar em sacrifício à divindade.

Laércio Trevisan disse ontem que vai convidar a Sociedade Protetora dos Animais (SPPA) e a ONG Vira Lata, Vira Vida, e tentar marcar uma reunião com o prefeito ainda hoje (22). “Vamos ter de achar um consenso para a criação da nova lei”

Sobre os babalorixás terem dito que não judiam dos animais durante o sacrifício, Trevisan foi taxativo: “Não acredito, porque o que eu vi na televisão foi bem diferente. O que eles estão dizendo é uma estratégia para conturbar a criação da Lei”.

Com informações de Gazeta de Piracicaba

Clique aqui para manifestar-se à Prefeitura de Piracicaba contra este retrocesso.

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Depoimento de sacerdote acusado de sacrificar animais em rituais é adiado

O depoimento do sacerdote do candomblé Fernando Maurício, acusado de sacrificar animais em seus trabalhos “espirituais”, marcado para essa quinta-feira (30), na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), em São Cristóvão, foi adiado para semana que vem. O delegado Marcos Cipriano explicou que o religioso pediu para tomar conhecimento da acusação antes de se pronunciar. Uma denúncia anônima feita à polícia civil dava conta de que animais são sacrificados em rituais no centro do sacerdote, em Madureira.

Seis integrantes das ONGs Fala Bicho e Suipa fizeram uma manifestação na porta da delegacia contra o sacríficio de animais. Frequentadores de vários centros de candomblé também estiveram no local para apoiar o sacerdote.

Fonte: O Globo

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ONGs de defesa dos animais vão protestar contra sacerdote acusado de sacrificar animais

Integrantes das ONGs Fala Bicho e Suipa, que atuam na área de defesa dos animais, irão à Delegacia do Meio Ambiente do Rio de Janeiro, na manhã desta quinta-feira, para protestar contra o sacerdote de candomblé, Fernando Maurício, acusado de sacrificar animais em seus trabalhos espirituais.

Conforme adiantou a coluna de Ancelmo Gois, desta quinta-feira, o religioso prestará depoimento à polícia nesta manhã. Muçulmanos, judeus e integrantes da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) também irão ao local em solidariedade a Fernando Maurício.

Fonte: O Globo

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Polícia apreende animais usados em ritual religioso

Dezenas de animais, bebidas e objetos utilizados em cultos de religiões com matrizes africanas foram encontrados na orla da Praia Grande, na Baixada Santista, na madrugada desta sexta-feira. De acordo com a Guarda Civil Ambiental, um grupo de pessoas que estavam com os objetos na praia Ocian fugiu após avistar a equipe que fazia o patrulhamento na orla, deixando tudo no local, inclusive os animais.

O proprietário tem até 48 horas para retirar os objetos na Secretaria de Finanças (Sefin) mediante pagamento de multa de R$ 341,55, mais taxa de R$ 2,28 por unidade. O inspetor da Guarda Civil Ambiental, Elizeu Alves de Melo, explica que o município não proíbe a prática de cultos de qualquer religião, mas que existe uma lei que disciplina esses eventos e que praticar crueldade contra animais é crime. Porém, como os animais não foram maltratados ou sacrificados, a ocorrência não foi criminal.

O Presidente da Federação Nacional da Religião Orixá (Fenorixa), Gladston Bispo, entidade que reúne 1.007 terreiros de Candomblé e Umbanda da Baixada Santista e da Grande São Paulo, acredita que a ação tenha sido praticada por pessoas “desprovidas de conhecimento” que vivem em outros Estados ou ainda por pessoas de outras religião que tiveram a intenção de denegrir a imagem das religiões africanas.

Fonte: estadao.com.br

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