Notícias

Indústria de criação de salmão em cativeiro deixa ursos pardos sem alimento

Foto: Facebook/Rolf Hicker
Foto: Facebook/Rolf Hicker

As fazendas de criação de salmão e a atual crise climática estão afetando severamente a alimentação dos ursos pardos. Fotografias mostrando os animais famintos e extremamente magros buscando por alimento se tornaram virais nas redes sociais.

As fotos, tiradas por Rolf Hicker perto de Knight Inlet, na costa da Colúmbia Britânica, no Canadá, mostram uma ursa fragilizada e maltratada acompanhada de seus dois filhotes andando em busca de comida.

Foto: Facebook/Rolf Hicker
Foto: Facebook/Rolf Hicker

Imagens fortes

“Eu não vi um único salmão em um rio até agora”, escreveu Hicker no Facebook. “Os ursos estão morrendo de fome e parte meu coração ver isso acontecer”.

“Acredito que é importante mostrar esse lado também. Aqui no Broughton não resta salmão para os ursos (e baleias, possivelmente)”.

“A publicidade de revistas e programas televisão ainda mostra os ursos felizes que deleitam-se com salmão, bem, infelizmente essa cena não é mais tão real como costumava ser”.

Voluntários da região entregaram mais de 500 salmões aos ursos, em um ato que um dos voluntários descreveu à CNN como uma “medida extrema para ajudar nosso ecossistema”.

Foto: Facebook/Rolf Hicker
Foto: Facebook/Rolf Hicker

A atual crise climática, que causou o aumento da temperatura da água, também foi responsabilizada pela escassez de salmão selvagem.

“Um câncer maligno”

Don Staniford, diretor da Scottish Salmon Watch, disse ao MailOnline: “A criação de salmão é um câncer maligno em nossas costas e está matando não apenas peixes selvagens, mas também ursos, baleias e mariscos”.

“Longe de ser uma panacéia, a criação de salmão é uma ameaça com sérios impactos globais. Os consumidores podem ajudar deixando de se alimentar de animais e adotando uma alimentação vegana”.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

​Read More
Destaques

Especialistas alertam: perda irreversível de gelo torna impossível a sobrevivência dos ursos polares

Foto: MIKE LOCKHART/POLAR BEARS INTERNTIONAL
Foto: MIKE LOCKHART/POLAR BEARS INTERNTIONAL

Afetadas pela mudança climática e o aumento da temperatura do planeta, as populações da espécie pode ser dizimadas na natureza com o derretimento contínuo do gelo e consequente perda de habitat

O grupo de conservação Polar Bears International (PBI) disse que a falta de ação em relação as mudanças climáticas causará uma queda severa no número de ursos polares em no meio deste século.

As notícias são divulgadas depois que o Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (IPCC) alertou em seu último relatório que a mudança climática não poupará ninguém.

Steven Armstrup, cientista chefe da PBI, disse ao jornal Express UK: “O último relatório do IPCC deixa claro que os líderes políticos e os interesses monetários não podem mais “aumentar o volume do rádio do carro para encobrir o barulho perturbador que vem do motor”.

Foto: KT MILLER/POLAR BEARS INTERNATIONAL
Foto: KT MILLER/POLAR BEARS INTERNATIONAL

“Esse barulho – incluindo um colapso no Ártico, um recorde de calor e tempestades devastadoras – se tornou alto demais para ser ignorado”, disse cientista.

As mudanças climáticas e os efeitos do aquecimento global reduziram o gelo do mar do Ártico para o segundo nível mais baixo já registrado. A drástica perda de gelo reduziu os habitats naturais da fauna polar e está contribuindo para o aumento global do nível do mar. As varreduras de satélite do Ártico sugerem que o mínimo registrado caiu para o menor nível em 18 de setembro. Parte do gelo retornará no outono e no inverno, mas o final da estação derrete e os ventos entre agora e outubro podem afetar ainda mais a região.

“Para preservar um mundo onde ursos polares e humanos continuam florescendo, precisamos exigir que nossos líderes ouçam a ciência e tomem medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa antes que seja tarde demais”.

O mínimo de gelo marinho no Ártico atingiu um nível de apenas 4,15 milhões de quilômetros quadrados neste mês.

Foto: KT MILLER/POLAR BEARS INTERNATIONAL
Foto: KT MILLER/POLAR BEARS INTERNATIONAL

De acordo com a agência espacial americana NASA, o gelo do mar de setembro está diminuindo a uma taxa de 12,8% por década, em comparação com a média de 1981 a 2012.

O Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo (NSIDC) dos EUA disse que os números mais recentes confirmam uma tendência de queda na extensão do gelo no Ártico.

A extensão do gelo no Ártico é a área total do oceano coberto de gelo, que cresce e derrete ao longo do ano em resposta ao clima.

Segundo o cientista da equipe do PBI Dr. Thea Bechshoft, o mínimo de gelo baixo está diretamente relacionado às emissões de gases de efeito estufa e ao aquecimento global.

Se não forem tomadas medidas agora para limitar as emissões de dióxido de carbono (CO2), o cientista argumentou que as populações de ursos polares provavelmente desaparecerão antes mesmo do gelo.

Ela disse: “A extensão deste ano de gelo marinho está vinculada à segunda mais baixa no registro de satélites e afetará negativamente as populações de ursos polares em muitas áreas”.

“Embora os impactos possam não ser imediatamente visíveis, precisamos nos concentrar em como este ano de gelo realmente ruim e um verão quente batendo recordes são símbolos do que o futuro trará”.

“Anos ruins como esse serão cada vez mais frequentes e piorarão – se permitirmos que os níveis de CO2 continuem a subir. Claro, isso não é inevitável”.

As temperaturas ao redor do mundo estão aumentando, gerando emissões de efeito estufa | Foto: EXPRESS
As temperaturas ao redor do mundo estão aumentando, gerando emissões de efeito estufa | Foto: EXPRESS

“Precisamos diminuir a poluição dos gases de efeito estufa e priorizar o futuro do nosso planeta”.

“Caso contrário, a frequência desses anos ruins de gelo impossibilitará a sobrevivência dos ursos polares até que outro ano bom aconteça”.

“Isso significa que os ursos polares podem desaparecer de algumas sub-populações, mesmo antes do gelo marinho desaparecer pouco a pouco todos os anos”.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como
esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

​Read More
Notícias

Pesquisa diz que alimentar mães golfinhos pode prejudicar os filhotes

Os golfinhos em Bunbury, na Austrália, estão ameaçados pelo tráfego intenso de barcos e a expansão do porto da região. Estima-se que a população, que hoje conta com 200 indivíduos da espécie, diminuirá em 50% nos próximos 20 anos. Uma pesquisa recente feita por Valeria Senigaglia, aluna de doutorado na Universidade Murdoch, afirma que a alimentação dos golfinhos fornecida pelos turistas também está colocando a espécie em risco.

Um casal alimentando um golfinho na praia
Foto: Alan Chandler/Alamy Stock Photo

“Entre todas as muitas variáveis que podem afetar a sobrevivência de um filhote, ter a mãe alimentada na praia para o turismo é o mais prejudicial”, declarou Valeria, em entrevista a Hakai Magazine.

Alimentar mamíferos marinhos é ilegal na Austrália, mas o governo abre uma exceção para quatro lugares de ecoturismo – incluindo Bunbury.

Com base em dados coletados entre 2007 e 2016, Valeria analisou as taxas de sobrevivência dos filhotes nascidos de 63 fêmeas diferentes – oito delas alimentadas por turistas em Bunbury.

A pesquisa descobriu que apenas um terço dos filhotes cujas mães foram alimentadas pelos turistas sobreviveram até a idade de desmame – por volta dos três anos -, enquanto os filhotes cujas mães não foram alimentadas tiveram uma taxa de sobrevivência de 75%.

Valeria suspeita que o motivo disso é que as mães passam tempo se alimentando nas praias enquanto os filhotes perdem o tempo que seria dedicado ao seu treinamento e proteção. Os golfinhos costumam aprender com suas mães a sobreviver e brincam com outros da espécie, formando laços afetivos que serão necessários para sua vida no futuro. Sem esses relacionamentos, os filhotes se tornam mais vulneráveis.

Alimentar os golfinhos pode ter um impacto ainda maior: a dependência. “Eu vi golfinhos passarem literalmente o dia todo indo de um barco até o outro. É um problema”, afirmou Valeria. Essa mudança e diminuição nos hábitos de caça dos golfinhos afetam grande parte da vida marinha.

Randall Wells, biólogo de conservação da Sociedade Zoológica de Chicago, acredita que a nova pesquisa é um indicativo de que as autoridades precisam agir. Infelizmente o biólogo reconhece que o interesse econômico – levando em consideração que Bunbury recebe 60 mil turistas por ano, entusiasmados com os golfinhos – complicará a decisão de proibir a alimentação aos animais marinhos.

Interferir na vida selvagem pode afetar não só um animal, mas também aqueles que o rodeiam. Ao mudar os hábitos naturais de uma espécie, uma pessoa é capaz de afetar uma larga cadeia alimentar – impactando diretamente a natureza.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


​Read More
De olho na saúde

Indústria farmacêutica lucra anualmente R$ 20 bilhões com antibióticos para a pecuária

Dados da Animal Pharm, uma empresa que analisa as atividades comerciais da pecuária, revelaram que a indústria farmacêutica lucra 5 bilhões de dólares (R$ 20 bilhões) anualmente com a venda de antibióticos para a agricultura animal.

Dados revelaram que a indústria farmacêutica lucra 5 bilhões de dólares (R$ 20 bilhões) anualmente com a venda de antibióticos para a agricultura animal.
Foto: Divulgação

Isso inclui US $ 1,25 bilhão (R$ 4,85 bilhões) do setor europeu e quase US $ 2 bilhões (R$ 7,8 bilhões) apenas do setor norte-americano.

Estima-se que cerca de 80 por cento do total de antibióticos comercializados em todo o mundo são utilizados pela indústria de alimentos de origem animal.

“É o uso excessivo de antibióticos em algumas espécies e países que está causando preocupação, particularmente na Ásia, América Latina e África do Sul”, disse Joseph Harvey, editor da Animal Pharm, ao The Guardian. “Bactérias em humanos e em alimentos de origem animal continuam mostrando-se resistentes aos antimicrobianos mais utilizados, reduzindo a eficácia do tratamento.”

Os antibióticos são amplamente empregados na produção de carne de boi, porco e de frango. Nesses casos, os medicamentos são adicionados ao alimento dos animais antes que sejam mortos e acabam entrando na cadeia alimentar.

O uso de antibióticos durante a fabricação de produtos de origem animal tem sido fortemente criticado por médicos, cientistas e defensores de animais.

O uso desenfreado dos medicamentos aumenta a resistência bacteriana em humanos que consomem os produtos. Isso resulta na complicação de problemas de saúde que, naturalmente, seriam facilmente tratáveis. Para doenças mais sérias, a atual ineficácia dos antibióticos pode ter consequências fatais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) comentou sobre a questão em novembro do ano passado e divulgou diretrizes para tentar resolver o problema. “A falta de antibióticos eficazes é uma ameaça à segurança tão grave quanto um surto súbito e mortal”, disse o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, sobre o assunto.

​Read More
De olho no planeta

Milhares de mortes de aves nos EUA são resultado do aquecimento global

Um grupo internacional de cientistas liderado por Julia Parrish, da Universidade de Washington, conseguiu explicar as misteriosas mortes em massa de aves na costa oeste dos EUA, que teriam ocorrido devido a um aumento da temperatura do oceano provocado pelo aquecimento global.

Segundo os especialistas, os animais morreram de fome devido à diminuição da quantidade de zooplâncton nas águas do oceano Pacífico, informou o portal Phys.org.

No outono de 2014, os moradores da costa oeste testemunharam um evento ecológico estranho e sem precedentes. A costa do Pacífico da América do Norte, da Califórnia à Colúmbia Britânica, estava cheia de dezenas de milhares de pequenos cadáveres de aves marinhas, no que se tornaria uma das maiores mortandades de aves já registradas.

Foto Laura Doyle/coasst

Um numeroso grupo de mais de 800 voluntários registrou os locais e datas onde foram encontradas as aves, conhecidas como mérgulo-sombrios (Ptychoramphus aleuticus) e introduziram as informações em uma base de dados especial. Depois, eles combinaram essa informação com dados sobre a temperatura da água, a circulação oceânica e a disponibilidade de zooplâncton, que é o principal alimento dessas aves

Ao comparar os dados, eles descobriram que, entre 2013 e 2015, as águas superficiais perto da costa do Pacífico aqueceram bruscamente devido a uma diminuição na saída de calor para a atmosfera. Como o zooplâncton prefere águas mais frias, esse aumento na temperatura provocou uma diminuição de alimento para as aves.

Segundo os cientistas, esses casos se repetirão, porque as consequências do aquecimento global se tornarão mais visíveis. De acordo com eles, é provável que no futuro a parte norte do oceano Pacífico seja muito mais quente e que o evento de 2014 seja uma espécie de “experimento natural”, cujos resultados podem prever as consequências do aquecimento global.

Fonte: Sputnik Brasil 

​Read More
De olho no planeta

Aumento da temperatura dos oceanos pode devastar cadeia alimentar marinha

Os oceanos restringem os fluxos de energia vital entre diferentes espécies do ecossistema marinho, diminuindo a quantidade de alimentos disponíveis para animais maiores – principalmente peixes – no topo da cadeia alimentar, segundo  um estudo publicado na revista PLOS Biology.

Foto: Oceana

Isso pode ter sérias implicações para os estoques de peixes, explicou Ivan Nagelkerken, professor de ecologia marinha na Universidade australiana de Adelaide e um dos autores da pesquisa.

Globalmente, cerca de 56,5 milhões de pessoas praticaram a pesca e a aquicultura em 2015, revelam os últimos dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

Além disso, quase um quinto da proteína animal consumida por 3,2 bilhões de pessoas em 2015 é originária de peixes, informa a FAO.

As descobertas mostram que o Acordo Climático de Paris, feito em 2015 para combater o aquecimento global, deve ser cumprido “para proteger nossos oceanos do colapso e da perda de biodiversidade”, segundo a Reuters.

No acordo, líderes mundiais concordaram em limitar o aumento das temperaturas globais para um patamar de 1,5°C a 2°C Celsius acima da época pré-industrial.

Porém, a ONU alertou que o mundo deve enfrentar um aumento de 3°C até 2100. Pesquisas recentes mostraram também a falta de oxigênio nos oceanos, outra consequência do aquecimento global.

​Read More
Bebê golfinho morto após vazamento de petróleo
De olho no planeta

Vazamentos de petróleo podem prejudicar cadeia alimentar marinha

Bebê golfinho morto após vazamento de petróleo
Foto: Truth Wire

Entretanto, um novo estudo, publicado na revista Archives of Environmental Contamination and Toxicology (AECT), descobriu que os danos gerados pelos vazamentos possuem um alcance muito maior e podem indiretamente interromper toda a cadeia alimentar marinha.

O derramamento de petróleo Deepwater Horizon de 2010, que liberou 134 milhões de galões de petróleo no Golfo do México, matou milhares de mamíferos marinhos e contaminou seus habitats.

Mas os pesquisadores do estudo AECT descobriram que a mortalidade em massa também resultou em um pico dramático em algumas populações de peixes, como os menhaden, nos anos posteriores.

Os menhaden são pequenos peixes que são presas de uma grande variedade de animais marinhos, como peixes maiores, aves e cetáceos, como baleias e golfinhos. Como muitos de seus predadores desapareceram, eles conseguiram se multiplicar rapidamente, segundo o Ecowatch.

De acordo com o estudo, essa mudança na predação causou um “aumento da biomassa de menhaden no Golfo de México em 2011 para 2,4 milhões de toneladas ou mais do que o dobro da biomassa média de 1,1 milhão de toneladas na década anterior a 2010.”

“Nossa descoberta sugere que a estrutura das cadeias alimentares muda depois de um vazamento de petróleo, o que pode ser muito mais prejudicial para peixes e outras espécies aquáticas do que os impactos diretos do próprio petróleo derramado”, explicou o pesquisador principal, Jeffrey Short.

A nova análise “ressalta a necessidade de estudar não apenas essas espécies, obviamente afetadas, mas também toda a cadeia alimentar, durante as avaliações de derramamento de petróleo”, afirma um comunicado de imprensa do estudo.

“Embora os efeitos diretos dos vazamentos de petróleo nos ecossistemas tenham sido bem documentados, este novo estudo após a explosão do Deepwater Horizon em 2011 proporciona a primeira indicação de que derramamentos de petróleo podem mudar a natureza de toda a cadeia alimentar aquática”, disse Peter S. Ross, editor-chefe da AECT.

​Read More
Notícias

Animais no meio da cadeia alimentar são os mais prejudicados por mudanças climáticas

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Reprodução/John Giles/PA
Reprodução/John Giles/PA

As espécies animais que estão no meio da cadeia alimentar – com exceção dos seres humanos – são as mais sensíveis às mudanças climáticas, apontou um estudo britânico sobre a vida selvagem.

Os cientistas analisaram dados que abarcaram 52 anos sobre 812 plantas do Reino Unido e de animais que vão desde algas e borboletas e aves e mamíferos, informa o Irish Examiner.

Mais de 370 mil observações de eventos sazonais como migrações, acasalamento e colocação de ovos foram combinadas com registros de temperatura e de chuva.

Os resultados, publicados na revista Nature, mostraram que espécies em diferentes níveis da cadeia alimentar respondem à mudança climática de maneiras distintas.

Aqueles conhecidos como “consumidores secundários”, como aves de rapina, peixes e mamíferos, foram menos afetados do que outros grupos.

Em contraste, “os consumidores primários” no meio da cadeia alimentar foram os mais sensíveis a mudanças, como a chegada precoce da primavera.

Estas foram as espécies, como aves que se alimentam de sementes e insetos herbívoros, cujo destino foi influenciado tanto pela vida vegetal na parte inferior da cadeia alimentar como pelos predadores no topo.

Em 2050, os consumidores primários irão provocar mudanças sazonais aproximadamente 6,2 dias antes do que o normal, os cientistas previram.

O pesquisador chefe, Stephen Thackeray, do Centro de Ecologia e Hidrologia, localizado em quatro locais no Reino Unido, disse: “Este é o maior estudo de sensibilidade climática das plantas do Reino Unido e de comportamento sazonal dos animais até agora. Nossos resultados mostram como as mudanças climáticas podem perturbar as relações entre plantas e animais, e agora é crucial que nós tentemos compreender as consequências dessas mudanças, tomando medidas urgentes para diminuir o impacto da ação humana sobre o meio ambiente”.

​Read More
Notícias

Criação animal intensiva. Um outro Holocausto?

Uma eterna Treblinka. Assim é a vida dos animais criados para alimentar as pessoas, dispara o filósofo britânico David Pearce. “Suspeito que nossos descendentes venham a considerar o modo como seus ancestrais trataram membros de outras espécies não apenas como não-ético, mas como um crime no mesmo nível do Holocausto”, afirmou na entrevista que concedeu, por e-mail, à IHU On-Line.

Em seu ponto de vista, não é preciso que o ente seja inteligente para sofrer profunda aflição: “uma convergência de indícios evolutivos, comportamentais, genéticos e neurocientíficos sugere que os animais não humanos que exploramos e matamos sofrem intensamente – da mesma maneira como ‘nós’”. Assim, é necessário desenvolver um “senso mais inclusivo e solidário de ‘nós’ que abranja todos os seres sencientes”. E completa: “as limitações intelectuais de animais não humanos são uma razão para lhes dar maior cuidado e proteção, não para explorá-los”.

Pearce questiona, também, sobre o sentido ético de consumir carne: “o prazer que muitos consumidores têm ao comer carne de animais mortos tem moralmente mais peso do que o sofrimento embutido em sua produção?” Uma de suas ideias é a produção de carne in vitro, alimentação “isenta de crueldade” que daria um passo importante para o desenvolvimento da civilização. “Os maiores obstáculos a um mundo sem sofrimento serão éticos e ideológicos, não técnicos”, emenda.

David Pearce é filósofo e pesquisador inglês, representante do chamado “utilitarismo negativo” em ética. Destacou-se em 1995, ao escrever um manifesto online nomeado The hedonistic imperative, no qual defendeu a utilização de biotecnologias para abolir o sofrimento em toda a vida senciente. Os principais escritos de David Pearce baseiam-se na ideia de que há um forte imperativo moral que impele os seres humanos a abolirem o sofrimento em toda a vida senciente. Em 1988, com Nick Bostrom, fundou a Associação Mundial Transumanista.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Em que aspectos o abolicionismo e o veganismo são importantes na construção de uma sociedade mais ética e solidária em nossos dias?

David Pearce – Tomemos um exemplo concreto: um porco. Um porco tem a capacidade intelectual – e, criticamente, a capacidade de sofrer – de uma criança pequena de 1 a 3 anos. Nós reconhecemos que as crianças pequenas têm direito a amor e cuidado. Em contraposição a isso, criamos intensivamente em confinamento e matamos milhões de porcos usando métodos que acarretariam uma sentença de prisão perpétua se nossas vítimas fossem humanas.

É claro que um porco não é um membro de “nossa” espécie. Mas a questão não é se existem diferenças genéticas entre membros de raças ou espécies diferentes, mas se essas diferenças são moralmente relevantes. Diferentemente dos humanos, os animais não humanos carecem da estrutura neocortical que possibilita o uso da linguagem. Entretanto, por que esse módulo funcional haveria de conferir alguma espécie de status moral singular a seu proprietário? Deveriam os surdos-mudos humanos ser tratados da forma como tratamos os “animais irracionais”? Intuitivamente, nós imaginamos que os seres humanos sejam “mais conscientes” do que os não humanos que exploramos. Isto é porque a maioria dos adultos humanos são mais inteligentes do que a maioria dos animais não humanos. Mas existe qualquer prova dessa ligação entre destreza intelectual e intensidade de consciência? O que é notável é como as mais “primitivas” experiências pelas quais passamos – por exemplo, a agonia pura ou o pânico cego – são também as mais intensas, ao passo que as mais cerebrais – por exemplo, a geração de linguagem ou a demonstração de teoremas matemáticos – são fenomenologicamente tão tênues que quase não são acessíveis à introspecção.

Em suma, não é necessário ser inteligente para passar por profunda aflição. Uma convergência de indícios evolutivos, comportamentais, genéticos e neurocientíficos sugere que os animais não humanos que exploramos e matamos sofrem intensamente – da mesma maneira como “nós”. Portanto, o que se faz necessário, em minha opinião, é um senso mais inclusivo e solidário de “nós” que abranja todos os seres sencientes.

Abolicionistas e veganos

Um consumidor de carne poderia responder que nós deveríamos valorizar uma criança pequena mais do que um animal não humano funcionalmente equivalente porque a criança humana tem o “potencial” de se tornar um ser humano adulto intelectualmente maduro. Mas este argumento simplesmente não funciona, pois nós reconhecemos que uma criança com uma doença progressiva que nunca completará 3 anos é digna de amor e respeito da mesma forma que as crianças que estão se desenvolvendo normalmente. Dentro da mesma lógica, as limitações intelectuais de animais não humanos são uma razão para lhes dar maior cuidado e proteção, não para explorá-los.

Talvez uma observação terminológica seja útil neste ponto. O termo “vegano” está bastante bem definido. Um vegano é um vegetariano rigoroso que não consome produtos de origem animal. Em contraposição a ele, o termo “abolicionista” tem sentidos múltiplos. Dois deles são relevantes neste contexto. Um sentido se deriva da bioética: os abolicionistas creem que deveríamos usar a biotecnologia para eliminar progressivamente todas as formas de sofrimento, tanto humano quanto não humano. O segundo sentido se deriva dos textos do jurista americano Gary Francione. Francione sustenta que os animais não humanos só precisam de um direito, a saber, o direito de não ser considerados propriedade. Por conseguinte, deveríamos abolir o status dos animais não humanos como propriedade. Bem, certamente é viável ser abolicionista em ambos os sentidos. Mas eles refletem perspectivas diferentes: é possível ser abolicionista num sentido, e não no outro.

IHU On-Line – Por que não deveríamos comer produtos de origem animal?

David Pearce – Atualmente, milhões de pessoas no mundo desfrutam de um estilo de vida vegano isento de crueldade. As tradições culturais do subcontinente indiano são em grande parte veganas. Uma minoria pequena mas crescente de pessoas no mundo ocidental também adotaram um estilo de vida vegano isento de crueldade. Comer, ou não, produtos de origem animal é, em última análise, uma questão de opção. Abrir mão de alimentos de origem animal não exige um sacrifício pessoal heroico, mas meramente uma branda inconveniência pessoal.

Na verdade, se a pessoa se der o trabalho de explorar a culinária vegana, verá que há uma variedade imensa de pratos entre os quais se podem escolher. Afinal, há literalmente milhares de vegetais ou verduras diferentes, mas apenas alguns poucos tipos de carne. Então, em termos éticos, acho que temos de perguntar o seguinte: o prazer que muitos consumidores têm ao comer carne de animais mortos tem moralmente mais peso do que o sofrimento embutido em sua produção? Podemos alguma vez justificar a “posse” de outro ser senciente – quer humano, quer não humano? Segundo que direito?

Não vou tentar me confrontar aqui com os amoralistas ou os niilistas morais. Os niilistas morais sustentam que todos os juízos de valor são puramente subjetivos, isto é, nem verdadeiros, nem falsos. Mas até mesmo eles normalmente deploram o abuso de crianças. Na medida em que o abuso de crianças é moralmente errado, é arbitrário negar que o abuso de criaturas funcionalmente equivalentes também seja moralmente errado.

IHU On-Line – Quais são os diferentes desafios dessas duas correntes hoje, frente à indústria da carne e as plantações massivas de soja e milho, cultivadas para alimentar o gado?

David Pearce – Talvez o desafio mais desanimador seja a apatia moral. George Bernard Shaw observou sagazmente que “o costume reconcilia as pessoas com qualquer atrocidade”. Infelizmente, essa observação não é menos verdade hoje em dia. Se pressionadas, muitas pessoas – talvez a maioria das pessoas – reconhecerão que a criação intensiva de animais em confinamento é cruel. Mas, na maior parte, depois elas vão encolher os ombros e continuar a consumir carne e produtos de origem animal como antes. Outros consumidores de carne parecem imaginar que a criação intensiva de animais em confinamento é apenas um pouco superlotada e que o “gado” é sacrificado sem dor, como um animal de estimação doente que sofre a eutanásia nas mãos de um veterinário gentil. Poucos e poucas de nós jamais estiveram dentro de um matadouro.

Nem todos os consumidores de carne estão tão pouco dispostos a se envolver com argumentos morais. Alguns intelectuais consumidores de carne tentam racionalizar o egoísmo com a chamada Lógica da Despensa. A Lógica da Despensa é o argumento de que, se os animais não humanos não fossem criados em escala industrial para nosso consumo, eles não existiriam – o que se pressupõe, neste caso, é que a vida na criação intensiva em confinamento vale ao menos minimamente a pena viver. Assim, em algum sentido, nossas vítimas estão, sem querer, em dívida conosco. Assim como é formulado, esse argumento justificaria que se criassem bebês para consumo humano, e não apenas animais não humanos. Por analogia, o argumento também permitiria a escravidão humana, ao menos se os escravos fossem criados para essa finalidade. Mais relevante, porém, é que os animais criados intensivamente em confinamento passam quase toda a sua vida abaixo do “zero hedônico”. Em muitas casos, a aflição deles é tão desesperada que precisam ser impedidos de se automutilar. A crença de que os seres humanos estejam fazendo alguma espécie de favor aos animais criados em escala industrial exige uma extraordinária capacidade de enganar a si mesmo.

Sofrimento institucionalizado

Vale a pena enfatizar que a miséria suportada por animais criados intensivamente em confinamento é sofrimento institucionalizado, e não apenas um “abuso” isolado. As empresas da “indústria” da carne têm uma obrigação jurídica de maximizar os lucros dos acionistas. Mesmo que essas empresas quisessem tratar os animais cativos menos insensivelmente, essas reformas seriam contrárias à lei se as medidas de bem-estar diminuíssem o retorno para os acionistas, uma vez que o custo tiraria as firmas “ineficientes” do mercado.

IHU On-Line – O que se pode fazer, então?

David Pearce – Bem, creio que uma estratégia de mão dupla é vital. Por um lado, precisamos usar argumentos morais e campanhas políticas para conscientizar as pessoas da difícil situação dos animais não humanos. Muitos consumidores de carne ficam genuinamente chocados quando veem vídeos saídos clandestinamente de criadouros industriais de animais ou matadouros que mostram o que realmente acontece lá. “Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos nós seríamos vegetarianos”, disse Paul McCartney. Talvez não, mas o processo de conversão certamente se aceleraria.

O que é mais controvertido, entretanto, é minha opinião de que nós precisamos de uma opção de reserva para usar quando a persuasão moral fracassa: tecnologia de produção de carne in vitro. O desenvolvimento de carne deliciosa, produzida artificialmente sem uso de crueldade, de um gosto e uma textura que sejam indistinguíveis da carne produzida a partir de animais intactos será potencialmente escalável, sadia e barata. A primeira conferência mundial sobre produção de carne in vitro foi realizada em Oslo, na Noruega, em 2008. Eu urgiria todo o mundo a apoiar a New Harvest, a organização sem fins lucrativos que está trabalhando para desenvolver carne produzida em laboratório.

Poder-se-ia supor que a maioria dos consumidores jamais venha a comer um produto tão “não natural” quando a carne produzida artificialmente chegar ao mercado. Mas um momento de reflexão sobre as condições não sadias e não naturais dos animais criados intensivamente em confinamento mostra que o argumento do “desagrado” não pesa muito. Na verdade, nosso sentimento de repugnância pode até atuar a favor dos produtos isentos de crueldade em lugar dos animais abatidos. Se os consumidores soubessem o que entra atualmente em produtos de carne e frango – os úberes das vacas com mastite e tumores que caem dentro do leite, os porcos com tumores que entram diretamente no moedor, a gripe suína (H1N1), o hormônio de crescimento de bovinos, toneladas de antibióticos que diminuem a resistência humana, contaminação desenfreada com E. coli, etc. –, não iriam querer comprá-los a preço nenhum. É preciso admitir que com a tecnologia atual só conseguimos produzir carne in vitro com uma qualidade semelhante à carne moída; mas no futuro deveria ser possível produzir em massa bifes de primeira qualidade. A maior incerteza são as escalas de tempo.

Treblinka animal

Sei que muitos militantes em defesa dos animais não se sentem à vontade com a perspectiva da produção de carne in vitro. Eu também me sinto assim. Será que a clareza moral total não seria melhor? Se vejo um açougue ou carne de qualquer espécie, penso em Auschwitz. Ainda assim, muitos consumidores de carne sentem água na boca ao ver carne de animal morto e afirmam que jamais poderiam abrir mão dela.

Do ponto de vista nutricional, isso não faz sentido, mas acho que temos de aceitar o desenvolvimento de carne artificial porque sua fabricação e comercialização em massa possibilitará que as pessoas moralmente apáticas também tenham uma alimentação isenta de crueldade. Quando a maioria da população mundial tiver feito a transição para uma alimentação vegana ou com carne produzida in vitro, prevejo que criar outros seres sencientes para o consumo humano será tornado ilegal sob o direito internacional – assim como é o caso da escravidão humana atualmente. É claro que prever os valores de gerações futuras é algo que contém muitas armadilhas. Mas suspeito que nossos descendentes venham a considerar o modo como seus ancestrais trataram membros de outras espécies não apenas como não ético, mas como um crime no mesmo nível do Holocausto. Como observa o autor judeu Isaac Bashevis Singer, ganhador do Prêmio Nobel, em The Letter Writer (1968): “Em relação aos animais, todas as pessoas são nazistas; para os animais, há um eterno Treblinka.”

IHU On-Line – Em que medida a prática do veganismo e o abolicionismo demonstra preocupação com a alteridade e com a saúde do Planeta Terra em sentido mais amplo?

David Pearce – Tanto um estilo de vida vegano quanto um compromisso com o projeto abolicionista em sentido mais amplo certamente podem expressar uma reverência pela vida na Terra. Ahimsa, que significa não causar dano (literalmente: evitar a violência – himsa) é uma característica importante das religiões do subcontinente indiano, particularmente do budismo, do hinduísmo e em especial do jainismo.

A abolição do consumo de carne vermelha também reduziria os gases emitidos por vacas, ovelhas e cabras que contribuem para o aquecimento global – uma das principais ameaças planetárias com que nos defrontamos nesse século e além dele. Mas a prática do veganismo também pode expressar um ódio puramente secular à crueldade e ao sofrimento. Um ateu cuja vida interior seja um deserto espiritual pode assumir um compromisso com o bem-estar de toda a senciência também. Para ter êxito, precisaremos construir a mais ampla coalizão possível de ativistas e simpatizantes, tanto religiosos quanto seculares.

IHU On-Line Como podemos compreender o anunciado “pós-humano” no século XXI, quando milhões de pessoas seguem se alimentando de carne e, portanto, de sofrimento e morte?

David Pearce – A adoção global de uma alimentação isenta de crueldade assinalará uma importante transição evolutiva no desenvolvimento da civilização. Talvez a transição leve séculos. Por outro lado, é possível que uma combinação da militância em favor dos animais e do desenvolvimento de tecnologia de produção de carne in vitro produza a revolução alimentar no mundo todo dentro de décadas. Mas tornar-se pós-humano tem um alcance maior do que adotar pessoalmente um estilo de vida isento de crueldade.

Os animais que vivem livremente, “selvagens”, muitas vezes também sofrem terrivelmente – através de fome, sede, doença e predação. A vida darwiniana na Terra está baseada na exploração – basicamente, em que criaturas vivas devorem umas às outras. A “cadeia alimentar” poderia parecer um fato perene da Natureza, no mesmo nível da Segunda Lei da Termodinâmica. Isto tem sido verdade ao longo de centenas de milhões de anos.

Entretanto, uma reação fatalista à “Natureza vermelha [de sangue] em seus dentes e garras” [alusão ao famoso poema “In Memoriam A. H. H.” de Alfred Tennyson] subestima o inaudito poder transformador da ciência moderna em relação ao mundo vivo. Agora deciframos o código genético, a biotecnologia nos permite potencialmente reescrever o genoma dos vertebrados, reprojetar o ecossistema global, regular a fertilidade da espécie toda por meio da imunocontracepção e, em última análise, abolir o sofrimento em todo o mundo vivo.

Neste momento, essa espécie de cenário parece fantasiosa, para não dizer ecologicamente analfabeta. Mas esse projeto será tecnicamente viável no decorrer deste século. Os maiores obstáculos a um mundo sem sofrimento serão éticos e ideológicos, não técnicos.

IHU On-Line – Em que aspectos o veganismo e o abolicionismo destronam a condição antropocêntrica do homem?

David Pearce – A tradição judaico-cristã – e, na verdade, todas as religiões abraâmicas – situa o Homem no centro do universo. É difícil reconciliar esta concepção da humanidade com a teoria da evolução por seleção natural e a síntese neodarwiniana. Mas suponhamos que Deus exista. Todas as tradições concordam que o Deus todo-poderoso é infinitamente compassivo. Se reles mortais conseguem visionar o bem-estar de toda a senciência, deveríamos supor que Deus seja mais limitado na amplitude ou profundeza de Sua compaixão? Essa limitação da benevolência de Deus não parece coerente. Lembre-se também de que o livro de Isaías prediz que um dia o leão e o cordeiro se deitarão lado a lado. Bem, a engenhosidade humana pode fazer assim – só que não apenas pela oração. Um mundo livre de crueldade só pode surgir pelo uso compassivo da biotecnologia: reengenharia genética obrigatória para carnívoros e outros predadores; controle da fertilidade transespécies, implantes de neurochips, vigilância e rastreamento por GPS, nanorrobôs em ecossistemas marinhos e toda uma gama de intervenções técnicas que estão além da imaginação pré-científica.

IHU On-Line – Como o veganismo pode apoiar uma mudança da forma como as pessoas comem e,também, diminuir a fome no mundo?

David Pearce – Uma transição global para uma alimentação vegana isenta de crueldade não irá ajudar apenas os animais não humanos. A transição também ajudará humanos subnutridos que poderiam se beneficiar dos cereais que atualmente são destinados aos animais criados em escala industrial. Ocorre que a criação intensiva em confinamento não é só cruel, mas também energeticamente ineficiente. Tomemos apenas um exemplo. Ao longo das últimas décadas, milhões de etíopes morreram de “escassez de alimentos”, enquanto a Etiópia plantava cereais para vender ao Ocidente para alimentar o gado. Os hábitos de consumo de carne do Ocidente sustentam o preço dos cereais, de modo que os pobres nos países em desenvolvimento não têm condições de comprá-los. Em consequência disso, eles morrem aos milhões. Em meu trabalho, eu exploro soluções futurísticas, de alta tecnologia para o problema do sofrimento. Mas qualquer pessoa que queira seriamente reduzir o sofrimento tanto humano quanto não humano deveria adotar um estilo de vida vegano isento de crueldade hoje.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos

​Read More
Notícias

Mudanças climáticas: peixes deixam de “sentir o cheiro do perigo”

O elevado nível de acidez das águas, que aumentou paulatinamente ao longo do século XX, está tirando dos peixes uma importantíssima habilidade: o olfato. A elevação da temperatura dos oceanos aumenta a dissolução de dióxido de carbono na água do mar. O excesso de CO2, por sua vez, torna a água mais ácida. Um novo estudo em Belfast (Irlanda do Norte) está concluindo que a acidez da água está causando disfunções olfativas nos peixes de água salgada.

Sem olfato, os peixes têm um prejuízo que lhes pode custar a própria sobrevivência: sem poder sentir o cheiro de predadores, tornam-se ainda mais vulneráveis a eles. Em alguns casos, segundo os pesquisadores, eles acabam sendo até atraídos para os predadores. O nível de acidez no mar, além de ter consequências como prejudicar o crescimento de mariscos, que não desenvolvem corretamente sua concha, pode desequilibrar a cadeia alimentar com a incapacidade dos peixes de fugir de predadores.

Foto: Reprodução/Hype Science

Os pesquisadores ainda não detectaram o motivo da perda de habilidade olfativa, mas com a elevação da temperatura dos oceanos esse fenômeno só deve aumentar.

Fonte: Hype Science

​Read More
Desobediência Vegana

O outro lado do planeta

Foto: Nova Terra

O oceano em si mesmo já é algo que nos fascina, nos provoca curiosidade, com suas águas caudalosas e sua profundidade e grandiosidade.

Saber que dentro dessas profundezas existem seres fantásticos, quase como se viessem de outros mundos, me faz comparar os oceanos a mundos, planetas diferentes.

Entre a terra e o oceano existem muitas semelhanças e seres aparentados entre si. Mas o mistério que os envolve sempre nos faz pensar no oceano como em outro mundo, como uma barreira que nunca iremos ultrapassar.

É com esta sensação que voltei depois de ter assistido ao filme The Cove, lá no Banco Central. O filme fala da morte de golfinhos que ocorre em uma localidade do Japão e que é desconhecida de todos, até mesmo dos próprios japoneses.

O Japão também nos parece ser do outro lado do mundo. Sensações como esta não cabem mais na atualidade, quando as conexões de todas as formas ligam tudo e todas as coisas.

Os mares, contaminados com chumbo, mercúrio e demais metais pesados, envenenam a vida marinha em geral, os peixes e, por fim, os grandes animais como golfinhos e seres humanos.

Pois para a maioria da população que acha que um peixinho é a coisa mais saudável e até algo ecológico, não  lhe é informado que a grande totalidade dos peixes leva metais pesados que circulam na cadeia alimentar até o topo da cadeia, que são os golfinhos, e também o ser humano.

O cálculo é bastante simples. A pequena vida marinha, que é numerosa, concentra em si parte dos poluentes. Os predadores maiores consomem maior número de animais, que acabam concentrando naquele grande organismo uma quantidade de mercúrio muito maior, que pode levar à morte lenta, mas antes disso à cegueira e outras complicações.

O humano invade uma cadeia alimentar que não é sua. E ainda culpa os golfinhos, por estarem consumindo os peixes dos mares (argumento dos japoneses para seguirem matando golfinhos).

Essa matança local é algo que afeta toda a vida marinha, pois os golfinhos que passarem por lá  terão como destino serem mortos para virarem carne de tubarão (como é falsamente rotulada a carne de golfinho), ou então atração de algum circo de horrores, que são os shows aquáticos…

Foto: sherribush.com

O filme que ganhou Oscar de melhor documentário é muito emocionante e mostra boa parte da realidade desses animais e seu triste destino.
Do que a humanidade pacata, sentada no seu sofá e apenas criticando o governo, não se dá conta é que ela financia estas e outras práticas no momento em que espera que as decisões sejam tomadas pelo governo, pela igreja, pelo Estado.

Como disse o capitão Paul Watson no filme, as principais mudanças que já ocorreram na humanidade aconteceram pela paixão das pessoas e não pelo governo.

Em vez de criticar o trabalho de quem faz as coisas, de quem dá a cara a bater e até mesmo corre risco de morte para fazer algo em que acredita, podem as pessoas que se incomodam tentar fazer o mesmo, ou fazer algo mesmo que pequeno em suas atitudes do dia a dia. Muita gente ativista está escondida em locais perigosos, correndo riscos diversos, se expondo em locais pouco amigáveis, para a grande maioria da população sequer saber do que ocorre.

As pessoas não têm culpa disso? No Japão, o governo e a mídia acobertam toda e qualquer informação, mas algumas pessoas têm ido atrás dessas informações, escondidas, correndo risco de serem presas, para poderem levar ao mundo fatos desconhecidos de muitos.

Se muita gente não sabe, tem também muita gente que sabe e que se abstém de fazer algo, esperando eternamente, acreditando que as coisas não são tão ruins assim.

O filme de hoje tocou fundo nas questões do ativismo e também sobre a inteligência e sensibilidade destes seres que pouco conhecemos. Mas que sabemos serem superiores a nós em muita coisa.

​Read More
Notícias

Cientistas recriam a imagem do Bonnerichthys, um antepassado das baleias


Foto: Divulgação

Peixes esquisitos, como o Bonnerichthys recriado na imagem, ocuparam, há 170 milhões de anos, um espaço na cadeia alimentar dos oceanos que hoje pertence às baleias. É o que revela um estudo da “Science”, que mostra que esses animais pré-históricos, que tinham ossos, desenvolveram pioneiras técnicas de filtragem hoje comuns em grandes vertebrados marinhos (eles absorviam enormes quantidades de água e “peneiravam” o plâncton pelas guelras).

Ao examinar novos e antigos fósseis, os pesquisadores concluíram que tais animais persistiram durante mais de 100 milhões de anos, no Mesozóico.


Fonte: O Globo
​Read More