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Onça reabilitada após ficar 22 dias presa em caverna é devolvida à natureza

Uma onça-pintada resgatada após ficar 22 dias presa em uma caverna na região de Sento Sé (BA) foi devolvida à natureza no final de junho, depois de passar pouco mais de um mês em recuperação.

Foto: Programa Amigos da Onça/ Divulgação

Com aproximadamente 10 anos de idade, a onça foi resgatada pelo Programa Amigos da Onça. Membros do grupo soltaram-a no Parque Nacional do Boqueirão da Onça. Segundo a bióloga Claudia Campos, coordenadora do Programa Amigos da Onça, uma longa viagem foi feita até o local da soltura.

Ao ser solta, Luísa, como foi batizada, aparentou estar assustada, mas logo percebeu que estava em liberdade para desfrutar de seu habitat e, então, deu um rugido e entrou na mata.

“Ela dá um rugido para espantar qualquer coisa que poderia machucá-la. Assim ela se sentiu segura e foi embora”, explicou Claudia, em entrevista ao portal G1.

Luísa, que tem 58 centímetros de altura e um metro de comprimento, estava bastante debilitada quando foi retirada da caverna. Desidratada e desnutrida, ela pesava apenas 35 kg. Foi devolvida à natureza pesando 46 kg e recebeu um colar de monitoramento para ser acompanhada, via satélite, pelo projeto.

Foto: Programa Amigos da Onça/ Divulgação

Presa na caverna

A onça-pintada foi presa por um grupo de pessoas em uma caverna no Parque Boqueirão da Onça. Luísa havia capturado uma ovelha e levado-a para o local. Moradores seguiram o rastro de sangue do animal morto pela onça e entraram na caverna.

Em seguida, a onça caiu em uma dolina – isso é, uma abertura que se forma no solo quando o teto de uma caverna desaba. Foi então que o grupo colocou pedras sobre a abertura, impedindo a passagem do animal, que ficou preso.

Foto: Programa Amigos da Onça/ Divulgação

Ao saber da situação da onça, a equipe do projeto iniciou os trabalhos para resgatá-la. O resgate durou três dias e foi preciso, inclusive, fazer uso de técnicas de rapel. Bombeiros, veterinários, ajudantes de campo, biólogos e um espeleólogo (especialista em cavernas) participaram da ação.

Após o resgate, a onça recebeu o nome de Luísa, em homenagem à filha de uma integrante do programa. Quando foi retirado da caverna, o animal foi encaminhado para o Centro de Manejo e Fauna da Caatinga (Cemafauna) da Universidade Federal do Vale de São Francisco (Univasf), onde foi reabilitada até estar pronta para voltar para o habitat.

Programa Amigos da Onça

O Programa Amigos da Onça trabalha em prol da preservação das onças e da caatinga e realiza pesquisas com onças-pardas e pintadas em um território que abrange a zona rural de Sento Sé, onde está localizado parte do Boqueirão da Onça, que abrange também as cidades de Juazeiro, Sobradinho, Campo Formoso, Umburanas e Morro do Chapéu. O local tem 850 mil hectares, nos quais estão um parque nacional e uma área de proteção ambiental.

Cerca de 200 onças-pardas e 30 onças-pintadas vivem no Boqueirão. Há dez anos, eram 50 onças-pintadas. Maior felino das Américas, a espécie corre sério risco de extinção e é vítima da caça, do desmatamento e das queimadas.

Para preservar esses animais, a equipe do projeto usam uma armadilha, semelhante a um laço, que é colocada no chão e prende a onça assim que ela pisa no objeto. Sem machucá-la, os pesquisadores a analisam e inserem em um sistema de monitoramento.

Foto: Programa Amigos da Onça/ Divulgação

Após serem registradas no projeto, as onças passam a ser acompanhadas através da rádio-frequência e de satélites, graças a um equipamento colocado na coleira delas. Através de computadores, os pesquisadores conseguem saber, em tempo real, onde e como estão esses animais.

Utilizando os dados coletados a partir desse monitoramento, os pesquisadores estão desenvolvendo um estudo pioneiro para descobrir qual é o impacto da ação humana sobre as onças que vivem na caatinga, a exemplo da instalação de parques eólicos em Sento Sé e região. O objetivo da pesquisa é encontrar meios de equilibrar o desenvolvimento dos municípios com a preservação ambiental. Para isso, a conscientização da sociedade é fundamental.

“O conjunto vai permitir, por exemplo, saber se ela [onça] passou por locais que tenham água, onde ela ficou mais, se ela se aproximou das comunidades, onde moram as pessoas, ou, por exemplo, de alguns locais onde existem animais domésticos”, finalizou a bióloga Claudia Campos, coordenadora do Amigos da Onça.


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Biólogos realizam expedição para proteger o tatu-bola

Um dos tatu-bola encontrados pela equipe (Foto/Divulgação)
Um dos tatu-bola encontrados pela equipe (Foto/Divulgação)

Entre os dias 2 e 11 de agosto, um grupo de pesquisadores mineiros e cearenses partiu em uma expedição ao longo do Cânion do Rio Poti, em Crateús, no Ceará. O objetivo da jornada é a conservação: identificar as áreas em que o tatu-bola vive na região e propor a criação de uma unidade de conservação para proteger a espécie.

O tatu-bola é uma espécie que só existe no Brasil, nas regiões de Cerrado e Caatinga. Ela é classificada como “Em perigo” na lista de espécies ameaçadas do Brasil. Criar áreas protegidas pode ser uma forma de recuperar a espécie. Durante a Copa do Mundo, o tatu-bola foi até mesmo escolhido como representante, mas mesmo a popularidade e o marketing de um evento desse porte não foram suficientes para melhorar suas condições de preservação.

Confira abaixo com exclusividade o primeiro relato da expedição, recheado de belas fotos do local.

Diário de Bordo da expedição Tatu-bola
Por Flávia Miranda
Responsável Técnica do Programa Tatu-bola

“Muito se pergunta o porquê de se proteger um animal tão peculiar como o tatu-bola, por que ele está em risco de extinção e como pode servir como espécie–bandeira do bioma — para identificar a situação daquela área. Fomos à procura das respostas a essas perguntas na primeira Expedição Tatu-bola, ação do Programa Tatu-bola, apoiado pela Fundação Grupo Boticário. Mapeamos a região do Cânion do Poti, onde ainda há forte registro do mamífero.

Espécies-bandeiras são utilizadas com funções estratégicas e têm sido frequentemente definidas como:

– Espécies populares e carismáticas que servem como símbolos ou focos principais para estimular pensamentos e ações de conservação;
– Espécies que facilitam a arrecadação de apoios financeiros, permitindo a proteção dos habitats;
– Espécies que se tornem símbolos e elementos de liderança de uma campanha de um ecossistema completo.

Geralmente é um grande vertebrado carismático que pode ser usado para ancorar uma campanha de conservação, pois desperta o interesse e a simpatia do público. Nesse sentido, o tatu-bola será o embaixador para a criação do Parque Nacional do Caniôn do Poti e nossa missão é encontrá-lo nesse ambiente inóspito e pouco explorado.

Nossa aventura começou na madrugada do dia 2 de agosto, quando saímos de Fortaleza às 5h. Nesse primeiro passo já ganhamos de presente um nascer do sol maravilhoso! Seguimos no sentido Crateús, passando pela Serra da Ibiapaba. A viagem foi longa e teve duração de cinco horas. Após o abastecimento dos mantimentos, partimos para a comunidade do Bebedouro, no município de Buriti dos Montes (PI). Pegamos uma estrada de terra mesclada com rochas do Piauí, o que montou um cenário único de caatinga pelo caminho.

O município é pequeno e localiza-se na microrregião de Campo Maior, mesorregião do Centro-Norte Piauiense. O município tem 7626 habitantes e 2296 km² e nele se encontra o Caniôn do Poti. Na chegada fomos acolhidos por uma comunidade que possui 19 famílias. E no Bebedouro passamos nossa primeira noite.

A comunidade Bebedouro (Foto/Expedição Tatu-bola)
A comunidade Bebedouro (Foto/Expedição Tatu-bola)

Já ao amanhecer partimos para o nosso primeiro desafio: subir a Serra da Baleia. Durante o percurso, passamos por diferentes vegetações e formações geológicas que compõem a bacia do Poti.

Após quase 16 km de exploração retornamos à comunidade do Bebedouro. E, como nossa missão é encontrar o tatu-bola, saímos para a primeira noite de resgate. Essa campanha contou com apoio da comunidade local, que tem como parte de sua cultura a caça de subsistência. E nesse dia pudemos perceber que esse será o nosso maior desafio para a conservação da espécie no local: mostrar para a população que há alternativas à caça.

Além dos dados biológicos foi possível levantar informações geoambientais, o que facilitará nossas próximas saídas. Terminamos esse dia exaustos, às 5h da manhã, mas encantados com a lembrança do lindo tatu-bola.

A equipe de pesquisadores que partiu em expedição pelo Cânion do Rio Poti (Foto/Devian Zutter)
A equipe de pesquisadores que partiu em expedição pelo Cânion do Rio Poti (Foto/Devian Zutter)
Pesquisadores encontram o primeiro tatu-bola (Foto/ Samuel Portela)
Pesquisadores encontram o primeiro tatu-bola (Foto/ Samuel Portela)

Como o sol do sertão não deixa ninguém ficar dormindo, às 8h já estávamos de pé e partimos para outra localidade, conhecida por Fazenda Espírito Santo. Na chegada fomos recebidos por um casal de sertanejos que vive no local há quase 30 anos: seu Zé Caboclo e dona Francisca. A Fazenda possui sua sede centenária e bastante rústica, sem água encanada e eletricidade, mas nela encontramos o maior complexo de pintura rupestre da região, o sítio da Bebidinha, cartão postal do Caniôn do Poti.

Durante a noite voltamos a focar em nossa maior missão, a captura do tatu-bola dentro dos limites do nosso futuro e tão esperado Parque Nacional Caniôn do Poti. Para nossa equipe, missão dada é missão cumprida. Conseguimos  achar mais um! Um lindo macho de tatu-bola! Após a biometria, coleta de amostras, o animal se recuperou da anestesia e voltou para sua casa, a caatinga.

Como nossa missão é proteger esse lindo santuário, passamos por escolas e comunidades explicando o projeto e a importância da proteção da fauna e flora. Foram momentos únicos de encontro entre pesquisa e sociedade. Para fechar o dia com chave de ouro, vimos de perto uma apresentação de uma família de sanfoneiros, uma verdadeira riqueza brasileira. Muita emoção e lágrimas.

Pesquisadores conversam com crianças em um pau-de-arara, antes de elas irem para a escola (Foto/ Samuel Portela)
Pesquisadores conversam com crianças em um pau-de-arara, antes de elas irem para a escola (Foto/ Samuel Portela)

Já no sétimo dia de expedição, partimos para uma nova localidade, Cachoeira da Lembrada. Nesse local foi possível encontrar arraias que sobem do mar pelo rio Parnaíba até o Rio Poti.

Após montarmos acampamento, tomamos um banho de rio e nos preparamos para mais um difícil resgate. Saímos às 20h da noite depois de um jantar à beira da fogueira e andamos mais de 15 km com três frentes de trabalho.

Quando menos esperávamos, encontramos três tatus. Foi realmente algo muito atípico, mas resultado de um esforço único da equipe. Voltamos para o acampamento, pois já estava amanhecendo, e cada passo naquela areia era uma tarefa árdua. Estávamos realmente no limite da exaustão, mas a sensação de dever cumprido nos acompanhava.

Pela manhã passamos para a próxima etapa da expedição, e dessa vez fomos pela água! Para essa tarefa, enfrentamos o obstáculo mais difícil – um paredão de mais de 30 metros, que nos daria acesso ao rio para que pudéssemos descer todos os equipamentos, caiaques, mantimentos e, claro, a própria equipe. Depois de três horas de trabalho embaixo de um sol escaldante, pudemos desfrutar do nosso primeiro dia navegando o rio Poti.

No final da tarde, depois de muito quilômetros de remada, chegamos a um dos lugares mais lindos, a Casa de Pedra. Um talho na pedra na forma de rachão possibilita armar as barracas e desfrutar de uma sombra entre os paredões do Cânion do Poti. A estrutura tem mais de 40 metros. Foi uma noite linda e estrelada.

Acordamos cedo e continuamos nossa jornada. No final do dia já estávamos no famoso Poço da Cruz, uma formação geológica em formato de cruz. Depois de algumas horas fomos resgatados e nossa expedição continuou de carro, o famoso pau de arara.

Nossa última parada seria a Pedra do Castelo, mas depois de tantos quilômetros rodados não só a equipe estava exausta, como nem nosso carro aguentava mais e acabou quebrando. Depois dessa desventura só nos restou pegar uma carona no caminhão e voltar para a cidade mais próxima, Castelo do Piauí, e lá finalizarmos a nossa andança em busca desse tão lindo animal.

Finalizamos nossa expedição com dados inéditos sobre a espécie, novos sítios arqueológicos mapeados, levantamento das fitofisionomias do local e muita, mas muita força para brigar pela criação desse santuário, o nosso Parque Nacional do Caniôn do Poti.

Expedição do Cânion do Rio Poti (Foto/ Samuel Portela)
Expedição do Cânion do Rio Poti (Foto/ Samuel Portela)

Curiosidade sobre o Poti

O Rio Poti percorre litologias distintas na porção cearense, onde predomina a estrutura cristalina do Pré-cambriano da Unidade Canindé. Geomorfologicamente, o Cânion do Rio Poti pode ser classificado como um segmento de cuesta, ou seja, um relevo dissimétrico, formado por um perfil côncavo em declive íngreme e, do outro, por um planalto sedimentar suavemente inclinado, sendo o cânion resultante do entalhe da feição sedimentar, formando paredões de até 300m de profundidade.

Fonte: Época

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Projeto São Francisco devolve 50 papagaios à Caatinga

Ao todo mais de 133 animais foram resgatados (Elza Fiúza/Agência Brasil)
Ao todo mais de 133 animais foram resgatados (Elza Fiúza/Agência Brasil)

Essa semana, 50 papagaios foram devolvidos à natureza no sertão nordestino. As aves foram resgatadas ao longo das obras do Projeto de Integração do rio São Francisco pelo Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna) e vão se juntar a outros 116 mil animais já reabilitados e reintegrados à vida selvagem.

Entre os animais resgatados há veados, cobras, aves, tatus e calangos. Essas ações são possíveis graças a uma parceria do Ministério da Integração Nacional e a Universidade Federal do Vale do São Francisco, responsável pelo Centro de Conservação.

O trabalho realizado pelo Cemafauna já resgatou mais de 133 mil animais de várias espécies, sendo três em extinção: um gato do mato, um mocó da caatinga e um gato mourisco, que estão em reabilitação no Centro. O processo inclui tratamento, alimentação e preparação, por meio da utilização de várias estruturas: viveiros, jaulas, salas, laboratórios e clínicas veterinárias.

As aves foram transferidas no mês passado do Centro para um viveiro de ambientação em área conservada em Salgueiro (PE). Segundo o biólogo Yuri Valença, a soltura monitorada é o primeiro passo para que as aves possam retornar à natureza.

“O intuito é possibilitar que os animais se acostumem ao ambiente, ao visual, ao cheiro e também reconhecer se ainda há possíveis predadores por aquela área. A média de reabilitação de um animal é de oito meses. Depois da soltura ainda monitoramos esses animais, verificando se estão se alimentando corretamente, se estão voando da forma adequada.”

O biólogo ressaltou a necessidade do apoio da população no processo de soltura dos animais. “Nessa parte do monitoramento, nós vamos de casa em casa para explicar aos moradores os cuidados necessários, que eles não devem domesticar esses animais e que nós, da equipe do Cemafauna, estamos aqui acompanhando de perto a adaptação”, explicou.

Cuidado com os animais

Com investimentos de R$ 8,9 milhões do Ministério da Integração Nacional, o Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna) está localizado na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina (PE). A instituição é responsável pelas ações do Centro, que, desde 2008, realiza estudos de inventário, resgate e monitoramento da fauna silvestre nas áreas de influência direta e indireta do projeto, nos eixos Norte e Leste do Projeto São Francisco.

A estrutura faz parte do Programa de Conservação de Fauna e Flora – um dos 38 programas ambientais do Projeto São Francisco – que monitora a biodiversidade vegetal e animal presentes na região das obras do projeto nos Estados de Pernambuco, Ceará e Paraíba. As ações têm possibilitado o conhecimento profundo da fauna e flora do bioma Caatinga, além de minimizarem os possíveis impactos provocados pela implantação da Integração do rio São Francisco.

Visitação pública

O Museu de Fauna da Caatinga, uma das unidades do Cemafauna, oferece suas coleções científicas, focadas nos animais que compõem o bioma, à visitação pública. Painéis sensíveis ao toque mostram diferentes trechos do Projeto São Francisco e os animais encontrados em cada local.

Os visitantes assistem a palestras sobre os mais diversos temas, desde a atuação do Cemafauna até o tráfico de animais silvestres e peçonhentos. As visitas em grupos (no máximo 50 pessoas) devem ser agendadas pelo telefone (87) 2101-4818 ou pelo e-mail museu.cemafauna@univasf.edu.br realizadas de terça a sexta-feira, das 9h às 11h.

Fonte: Portal Brasil

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Lontras são encontradas em rios da caatinga

Animal costuma fazer tocas nas margens de rios, onde dorme e cuida dos filhotes Cepan/Divulgação
Animal costuma fazer tocas nas margens de rios, onde dorme e cuida dos filhotes
Cepan/Divulgação

Animal pouco conhecido no Nordeste, a lontra (Lontra longicaudis) não era identificada na região nos mapas de distribuição das espécies, elaborados pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, sigla em inglês) e pelo Ministério do Meio Ambiente. Mas uma pesquisa feita por uma doutoranda em biologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) constatou a presença do mamífero até em áreas de caatinga, onde não havia registro oficial.

“Como é um animal semiaquático, que ocorre principalmente na mata atlântica, não esperávamos encontrá-lo em regiões mais áridas”, confessa a bióloga Patrícia Rosas Ribeiro, autora do projeto. Ela explica que resolveu pesquisar a lontra porque há poucas informações sobre esse mamífero, fato que prejudica as estratégias de conservação.

O animal é tão desconhecido que não possui sequer classificação na Lista das Espécies Ameaçadas, elaborada pelo ICMBio, órgão do Ministério do Meio Ambiente. Está enquadrado na categoria Dados Deficientes (DD). “Nossa proposta é identificar onde a lontra ocorre na região e por que para atualizar as informações”, informa Patrícia. “Talvez, num estudo futuro, possamos estimar a população.”

Fonte: Jc Online

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Livro que registra resgate de animais da Caatinga é lançado em Petrolina (PE)

Livro registra resgate de animais da Caatinga (Foto: André Pessoa/Arquivo pessoal)
Livro registra resgate de animais da Caatinga (Foto: André Pessoa/Arquivo pessoal)

Um livro que registrou o resgate de animais da Caatinga será lançado em Petrolina, no Sertão pernambucano. A obra tem 226 páginas e mais de 100 imagens de aves, peixes, mamíferos e outros elementos da fauna e do bioma. O lançamento será na quinta-feira (11) no auditório do Museu da Fauna no Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), a partir das 19h30.

O livro “Caatinga Selvagem – O Legado de um Projeto de Desenvolvimento para a Conservação da Fauna” foi produzido durante dois anos. Segundo um dos autores, o fotojornalista André Pessoa, foram registradas as ações de resgate e monitoramento de animais feitos pelo Cemafauna ao longo das localidades onde estão sendo construídos os canais da transposição do Rio São Francisco.

Para André, um dos principais aspectos da obra é o ineditismo. “É o primeiro livro sobre esse trabalho de resgate que também é inédito no Nordeste. O bioma sempre foi considerado o ‘patinho feio’ da natureza brasileira pelos cientistas e um dos objetivos do livro é mostrar que a Caatinga é muito rica e tem muito ainda para ser descoberto”, comentou.

Outra característica da obra que o autor ressalta é a linguagem didática. “Uma das coisas que observamos quando produzíamos o livro foi usar uma linguagem acessível. Pois assim, tanto um cientista, quanto estudantes e a população geral poderia consultar esse documento. Ele ainda será distribuido para ser trabalhado nas escolas”, afirmou.

O Cemafauna fica localizado no campus de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), na Zona Rural de Petrolina.

Fonte: G1

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Onça-preta é capturada pela primeira vez na caatinga

Espécie é considerada o maior felino das Américas
Espécie é considerada o maior felino das Américas

Uma equipe de pesquisadores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) capturou uma onça-preta (Panthera onca) dentro do Parque Nacional Serra da Capivara (PI), em novembro. Esta foi a primeira captura do animal na Caatinga, principal bioma protegido pela Unidade de Conservação (UC).

Também foram capturadas duas onças-pintadas e três vermelhas. A ação ocorreu com apoio do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap/ICMBio) e de veterinários da Universidade Federal de Viçosa (MG).

O trabalho é inédito e consiste em instalar armadilhas em toda a extensão do Parque para monitorar o território de vida e os hábitos das onças-pretas, o que permitirá estabelecer estratégias para a conservação do animal, que está ameaçado de extinção. As pesquisas começaram no início de 2012, quando as onças atacaram animais de criação no entorno da Unidade de Conservação e começaram a ser mortas.

“O objetivo é entender porque esses animais estão saindo da reserva em busca de alimento nas propriedades rurais da área”, explicou o biólogo Fernando Augusto Tambelini Tizianel, que também é chefe da Unidade.

O projeto surgiu a partir de uma demanda da UC para estudos e monitoramento de grandes felinos, com o objetivo de diminuir o conflito de predação dos animais domésticos no entorno do Parque. “Este primeiro animal capturado recebeu um GPS-colar e será monitorado constantemente. Caso seja constatado sua aproximação de roças e comunidades do entorno, poderemos emitir um aviso aos criadores para que possam recolher os animais durante a noite ou utilizar outras técnicas para afugentar as onças das proximidades dos currais e residências”, destacou Tizianel.

Sobre a onça-preta

A onça-preta é da mesma espécie da onça-pintada e até então nunca tinha sido capturada na Caatinga. Extremamente ameaçada de extinção no Nordeste brasileiro, a espécie é considerada o maior felino das Américas e tem no Parque Nacional Serra da Capivara um dos seus últimos refúgios no bioma. A campanha de captura do felino no interior do Piauí também contou com o apoio de pesquisadores da associação Pró-Carnivoros, que trabalham na região do Boqueirão da Onça, na Bahia.

Sobre o Parque Nacional Serra da Capivara

O Parque Nacional da Serra da Capivara foi criado através do Decreto de nº 83.548 de 5 de junho de 1979, com área de 100 mil hectares. A proteção ao Parque foi ampliada pelo Decreto de nº 99.143 de 12 de março de 1990 com a criação de Áreas de Preservação Permanentes adjacentes com total de 35 000 hectares.

Localizado no semi-árido nordestino, fronteira entre duas formações geológicas, com serras, vales e planície, a Unidade abriga fauna e flora específicas da Caatinga. Pelo seu valor histórico e cultural, o Parque Nacional da Serra da Capivara foi declarado pela Organização das Nações Unidas pela Educação, Ciência e Cultura (Unesco), em 1991, Patrimônio Cultural da Humanidade.

Fonte: Portal Brasil

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Aprovado plano de conservação de aves em extinção da caatinga

Foto: Divulgação/ICMBio
Foto: Divulgação/ICMBio

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) aprovou nesta segunda-feira (8), o Plano de Ação Nacional para Conservação das Aves Ameaçadas de Extinção da Caatinga (PAN Aves da Caatinga) com o objetivo geral reduzir a perda e alteração de habitat, a pressão de caça, o tráfico e manter ou incrementar as populações dessas aves.

O plano, que será mantido e atualizado no site do Instituto Chico Mendes, vai vigorar até fevereiro de 2017.

O PAN Aves da Caatinga abrange dez táxons ameaçados de extinção: Hemitriccus mirandae, Lepidocolaptes wagleri, Penelope jacucaca, Phylloscartes beckeri, Phylloscartes roquettei, Xiphocolaptes falcirostris, Pyrrhura griseipectus (nomenclatura antiga: Pyrrhura anaca), Rhopornis ardesiacus (nomenclatura antiga: Rhopornis ardesiaca), Sclerurus cearensis (nomenclatura antiga: Sclerurus scansor cearensis) e Sporagra yarrellii (nomenclatura antiga: Carduelis yarrellii).

Há também cinco espécies beneficiadas pelo Plano: Augastes lumachella, Crypturellus noctivagus zabele, Formicivora grantsaui, Formicivora iheringi e Scytalopus diamantinensis.

Um dos objetivos específicos do plano é estimar o tamanho populacional das espécies alvo do PAN, para manter ou ampliar a área de ocupação conhecida. Também se espera trabalhar para reduzir as taxas de perda de formações de Caatinga e promover conectividade de remanescentes em áreas importantes identificadas para a conservação das espécies.

Para atingir a finalidade do plano, a meta é diminuir a captura e tráfico de Pyrrhura griseipectus e a caça de Penelope jacucaca e Crypturellus noctivagus zabelê, além de conhecer a população e área de ocupação de Pyrrhura griseipectus.

O presidente do Instituto Chico Mendes designará um grupo assessor para acompanhar a implementação e realizar monitoria e avaliação do PAN Aves da Caatinga. O plano será coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave).

Fonte: Portal Brasil

 

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Onça-pintada está mais ameaçada na Mata Atlântica e na Caatinga

(Foto: Divulgação/Douglas Trent/Projeto Bichos do Pantanal)
(Foto: Divulgação/Douglas Trent/Projeto Bichos do Pantanal)

Pela primeira vez, pesquisadores brasileiros avaliaram a situação das onças-pintadas em cada bioma do país e constataram que este mamífero está criticamente em perigo na Mata Atlântica e na Caatinga, além de apontar uma redução de 10% na população desses felinos na Amazônia nos últimos 27 anos.

A fragmentação de florestas devido à urbanização, desmatamento para expansão agrícola e venda de madeira, além da caça  e assassinato estão entre os principais motivos para a redução de espécimes nos últimos anos.

Os dados fazem parte de um levantamento feito durante três anos por cinco especialistas de três instituições científicas do Brasil, entre elas o Centro Nacional de Pesquisas e Conservação de Mamíferos Carnívoros, Cenap, ligado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

O estudo tem o objetivo de atualizar informações sobre as onças-pintadas para a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), que elabora a “Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas”, que já contém 65.518 diferentes nomes de bichos e plantas que podem desaparecer nos próximos anos.

Segundo Ronaldo Gonçalves Morato, coordenador do Cenap, o último levantamento foi feito em 2003. Após uma década, o risco de extinção da onça-pintada em nível nacional se manteve “vulnerável” – classificação dada pela IUCN que indica uma probabilidade de o animal ou vegetal ser extinto, a menos que suas condições de ameaça melhorem.

Com uma população total estimada de 55 mil espécimes, os cientistas creem que nos últimos 27 anos houve um declínio de 30% na população efetiva, ou seja, uma queda no número de onças-pintadas capazes de se reproduzir e deixar descendentes férteis.

Habitat fragmentado

Na Amazônia, onde esta espécie está amplamente distribuída, ocorrendo em 89% da região, o tamanho populacional efetivo caiu 10% nos últimos 27 anos, em razão da fragmentação do habitat e desmatamento. Para Morato, esse percentual é alto e a degradação da floresta é o principal responsável.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), por meio do sistema Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal) o bioma perdeu entre agosto de 2011 e julho de 2012 uma área de 4.571 km².

Apesar de ser o menor índice de devastação registrado desde que as medições iniciaram, em 1988, é uma área equivalente a três vezes o tamanho do município de São Paulo.

A Amazônia Legal é a área que engloba os estados que possuem vegetação amazônica – todos os da Região Norte, além de Mato Grosso e parte do Maranhão.

Criticamente em perigo

Na Mata Atlântica, nos últimos 15 anos houve perda de 80% da população efetiva. Entre as causas para esta redução está o desenvolvimento dos centros urbanos, que fragmenta áreas verdes necessárias para a sobrevivência das onças e eleva o risco de desaparecimento na região costeira do Brasil. Além disso, há ainda o desmatamento ilegal.

Sem a presença de corredores ecológicos (grandes faixas de preservação que permitem o deslocamento de espécies sem contato com humanos), as onças ficam isoladas e “não ocorre a transferência de informação genética entre populações”, afirma Morato, o que significaria uma interrupção no ciclo de reprodução desses animais.

No Cerrado, onde a situação da onça-pintada está na categoria “em perigo”, há estimativa de que existam 250 espécimes que conseguem se reproduzir e gerar descendentes. De acordo com o estudo, as onças existentes estão espalhadas pelo bioma e já está comprovado um declínio populacional em consequência de atividades humanas. No Pantanal, a classificação está no patamar “vulnerável” e a população de onças é estimada em mil indivíduos.

Soluções

Segundo Morato, a previsão “pessimista e crítica” reforça a necessidade de criação de um plano que ajude a retirar esta espécie da lista de ameaças. De acordo com ele, o primeiro passo será a implementação do Plano de Ação Nacional para Conservação da onça-pintada, criado em 2009, e que visa a proteção desses animais em todo o país.

Além disso, Morato reforça que será necessário o funcionamento de frentes de trabalho que se aproximem das comunidades que vivem em áreas onde as onças estão, “buscando educar as pessoas em relação à biodiversidade e agregando valor em benefício do animal”.

Os trabalhos começariam pelos biomas mais críticos, – a Mata Atlântica e a Caatinga. “Queremos estabelecer a meta de aumentar em 20% a população de onças-pintadas na Mata Atlântica nos próximos cinco anos. Se conseguirmos que as pessoas parem de matar as onças, será um avanço”, explica.

Fonte: G1

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Oficina debate ações para a conservação das aves ameaçadas da caatinga

Foto: Divulgação

De 24 a 27 de outubro, a capital da Paraíba, João Pessoa, recebeu os participantes da Oficina de Planejamento Participativo do PAN para a Conservação das Aves Ameaçadas da Caatinga. A oficina contou com 27 participantes de diversas instituições.

Entre as espécies que integram o PAN estão: beija-flor-de-gravata-vermelha, zabelê, papa-formiga-do-sincorá, formigueiro-do-nordeste, maria-do-nordeste, arapaçu-de-wagler, jacucaca, borboletinha-baiana, cara-dourada, periquito-sujo, gravatazeiro, vira-folhas-cearense, tapaculo-da-chapada-diamantina e arapaçu-do-nordeste.

A Caatinga compreende a maior parte do Nordeste brasileiro, estendendo-se até uma faixa no vale seco da região média do rio Jequitinhonha, no estado de Minas Gerais. A vegetação é caracterizada por formações com componentes arbóreos e arbustivos que, apresentam em geral, espinhos, folhas pequenas e outras adaptações para evitar a perda de água.

Diversidade, riqueza de espécies e o número de endemismos da caatinga foram, durante muito tempo, considerados baixos. Pesquisas recentes relatam números expressivamente superiores e acabaram com o “mito” da baixa biodiversidade na região, como as 510 espécies de aves registradas.

As ameaças à avifauna da Caatinga são diversas, sendo que muitas podem ser consideradas restritas a uma determinada espécie ou localidade como, por exemplo, o impacto causado por atividades de extração mineral ou turismo desordenado.

No entanto, se reconhece que algumas são comuns a praticamente todo este bioma, sendo suas consequências profundamente impactantes nas comunidades de aves dos diversos ambientes que fazem parte da Caatinga.

Estas ameaças, consideradas então como principais, são a perda de habitat, ocasionada sobretudo por desmatamentos, e captura de aves, seja ela para uso como alimento, para o uso como animais de criação ou ainda, visando o comércio ilegal.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) é responsável pelo desenvolvimento de estratégias para proteção da biodiversidade brasileira, além de recuperar espécies ameaçadas de extinção. A Diretoria de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade (Dibio) tem como uma de suas prioridades a elaboração de Planos de Ação Nacionais (PAN) para a conservação de espécies ameaçadas.

Os PAN estão sendo elaborados seguindo as diretrizes da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), levando em consideração o maior número de atores participantes entre pesquisadores, gestores e sociedade.

Fonte: Primeira Edição

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Onça-pintada está ameaçada pela exploração dos biomas brasileiros

Estudar as onças-pintadas que habitam o território brasileiro é uma tarefa difícil para os pesquisadores que se dedicam a conhecer mais de perto esses animais e garantir um habitat saudável para a sua reprodução. Além de pesarem de 80 a 130 kg, elas vivem em locais inóspitos e dedifícil acesso. Para realizar uma expedição de 30 dias na mata, por exemplo,são necessários cinco dias para transportar equipamentos e água.

O desenvolvimento urbano e rural de regiões que cercam os biomas brasileiros levou pesquisadores à constatação de que a espécie está ”criticamente ameaçada de extinção”.

A exploração dos biomas brasileiros, especialmente da Caatinga, acontece desordenadamente porque as pessoas pensam que a região é inabitável. “Há uma imensa diversidade de espécies animais e vegetais, muitas das quais ocorrem apenas lá. Não conhecer o que aí existe leva a uma exploração desordenada, principalmente desmatamento para produção de lenha e carvão”, reitera.

Pesquisadores como Morato estão empenhados na criação de um projeto que construirá corredores para proteger as onças-pintadas e a fauna do semiárido. “Como as onças precisam de grandes áreas para sobreviver, acreditamos que, ao criarmos condições para a manutenção de uma populaçãoviável, estaremos dando suporte a todas as outras espécies que utilizam o mesmo ambiente”, enfatiza.

Ronaldo Gonçalves Morato é graduado em Veterinária pela Universidade Federal de Viçosa e cursou mestrado e doutorado na mesma área pela Universidade de São Paulo – USP. Atualmente é analista ambiental e chefe do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros, do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O senhor trabalha com onças há 20 anos. Como percebe a proliferação desses animais pelo Brasil? Que biomas brasileiros elas habitam?

Ronaldo Morato – A onça-pintada ocorre na Amazônia,Pantanal, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. Há especulações de que a população de onças tem aumentado. No entanto, não há estudos que indiquem isso. Recentemente, pesquisadores brasileiros classificaram a onça-pintada como criticamente ameaçada de extinção na Caatinga e Mata Atlântica, vulnerável no Cerrado e ameaçada na Amazônia e Pantanal. As onças do Pantanal têm portemaior, podem atingir até 130 kg. As da Caatinga são menores. Estimamos que elasnão ultrapassem 80 kg.

IHU On-Line – Quais são as razões da possível extinção e ameaça das onças-pintadas?

Ronaldo Morato – De forma geral, as principais ameaças para a onça-pintada são a perda e fragmentação de habitat e a caça. Perda e fragmentação estão muito relacionadas à expansão das atividades econômicas e de implantação de infraestrutura, enquanto a caça se dá por retaliação aos animais que predam rebanhos domésticos.

IHU On-Line – O que dificulta o estudo das onças-pintadas no Brasil?

Ronaldo Morato – São animais com baixa densidade e que habitam locais inóspitos. Isso aumenta muito o custo de estudar esses animais ecausa muita dificuldade nas condições de trabalho.

IHU On-Line – O senhor participou da expedição com outros pesquisadores que ficaram 30 dias naCaatinga, monitorando as onças-pintadas?

Ronaldo Morato – Infelizmente não pude participar dessa expedição, mas nossa equipe acampou na região por 30 dias para tentar capturare equipar com rádio colar (sistema GPS-Satélite) pelo menos duasonças-pintadas. No entanto, não obtivemos sucesso de captura. Trabalhar nesseambiente é extremamente difícil. Temos que levar galões de água para oacampamento, além de todo o equipamento que utilizamos como armadilhas,espingarda, colares e etc. São necessários cinco dias só para levar equipamentose água. Não há luz elétrica, telefone, chuveiro. Enfim, não há conforto algum.

IHU On-Line – Como a transposição do rio São Francisco pode afetar o habitat natural desses animais?

Ronaldo Morato – Não sabemos ainda, o Programa deRevitalização do Rio São Francisco do Ministério do Meio Ambiente estáinvestindo nisso justamente para saber quais seriam os possíveis impactos ecomo mitigá-los, se eles existirem.

IHU On-Line – Em que consiste o projeto de criar um corredor para proteger as onças-pintadas e a fauna do Semiárido? Qual é a necessidade desse corredor e como ele ajudará aproteger os animais?

Ronaldo Morato – Como as onças precisam de grandes áreaspara sobreviver, acreditamos que, ao criarmos condições para a manutenção deuma população viável, estaremos dando suporte a todas as outras espécies queutilizam o mesmo ambiente. O corredor seria um instrumento que permitiria ofluxo de informações genéticas das espécies ao longo do semiárido sem deixar delevar em consideração as características socioeconômicas da região, ajudandotambém a preservar valores sociais e culturais do sertão nordestino.

IHU On-Line – Quais são, hoje, os principais problemas ambientais da Caatinga?

Ronaldo Morato – Em meu entender, o principal problema épensar que a Caatinga não tem nada. Há uma imensa diversidade de espécies animais e vegetais, muitas das quais ocorrem apenas lá. Não conhecer o que aí existe leva a uma exploração desordenada, principalmente desmatamento para produção de lenha e carvão.

IHU On-Line – Comorecebeu a notícia de que os deputados aprovaram a lei sobre a proteção da vegetação nativa (PCL-30)? A redução de áreas de preservação poderá afetar o habitat de animais como a onça-pintada?

Ronaldo Morato – Todos os pesquisadores ambientais estão bastante apreensivos. Certamente essa decisão afetará um número incalculável deespécies, não somente a onça-pintada. Por sorte, a matéria ainda deve tramitar no Senado, onde esperamos que seja feita uma revisão minuciosa daquilo que foi aprovado pelos deputados.

Com informações do Correio do Brasil 

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Nova espécie de lagarto na caatinga é diferente das outras

Em um município a mais de 200 quilômetros de Fortaleza, localizado no Baixo Jaguaribe, pesquisadores do Núcleo Regional de Ofiologia (Nurof) da Universidade Federal do Ceará (UFC) descobriram o, agora chamado, Tropidurus jaguaribanus, nova espécie de lagarto do grupo dos calangos-de-lajeiro, comuns em todo o Ceará, assim como em outras partes do Nordeste.

Para os olhos menos acostumados, a diferença entre os lagartos do grupo pode não ser notada na primeira vez. Mas, para os que lidam com eles há muito tempo, ela está clara. A principal característica diferenciadora é a presença de apenas uma listra, que vai do focinho até a área das patas dianteiras.

Nas outras espécies, a listra segue até a base da cauda ou existem mais listras. Quando os indivíduos da espécie Tropidurus jaguaribanus se tornam adultos, a listra pode desaparecer, característica que também os difere dos restantes. Além da listra, a nova espécie é a maior do grupo, com uma média de 27 centímetros.

Segundo o biólogo Daniel Passos, por enquanto, só se tem a descrição da espécie e a distribuição em alguns municípios da região, como Tabuleiro do Norte.

“A gente tem hipóteses do que ele come, porque é do mesmo gênero de outros lagartos; então, a gente espera que ele possua hábitos e tenha predadores semelhantes”, comentou Daniel Passos. A alimentação, geralmente, é baseada em invertebrados, como baratas, grilos, traças, formigas, vespas e abelhas.

Os pesquisadores indicam que o passo seguinte é descobrir como a espécie reage com os outros seres e com o ambiente.

Novas espécies

Segundo informações do livro Rumo ao amplo conhecimento da biodiversidade do semi-árido brasileiro, do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) o número de espécies descritas no mundo em mais de dois séculos de estudos taxonômicos chega a 1,5 milhão.

Mesmo assim, ainda não é possível precisar quantas espécies ainda restam ser descobertas e as estimativas possuem uma lacuna considerável: de 3 a 30 milhões. E é justamente nos trópicos que essa lacuna de conhecimento se apresenta de maneira mais alarmante.

E o alarme se dá pelo fato de a extinção chegar mais rápido às espécies do que o conhecimento dos pesquisadores. Por isso, há a defesa para que os estudos que envolvem a taxonomia (a classificação das espécies) tenham mais investimento.

Entretanto, como ressalta o livro do MCT, há uma desvalorização da taxonomia nos últimos anos. “Os investimentos nessa linha de pesquisa vêm caindo vertiginosamente e o número de taxonomistas tem diminuído no mundo todo”, indica um trecho da publicação.

Trazendo essa realidade para solos cearenses, o último lagarto descrito no Estado foi o Leposoma baturitenses, em 1998, localizado no Maciço de Baturité.

Daniel Passos comentou que, “se o estudo continuar e verificar outras áreas, a tendência é que encontremos mais espécies”. Mas é necessário que investimentos sejam feitos, uma vez que a pesquisa que resultou nessa descoberta não teve financiamento.

O Ciência & Saúde entra nos caminhos da pesquisa científica que descreve uma nova espécie e enfatiza a importância do desenvolvimento de projetos de pesquisa no semiárido brasileiro.

Por quê

Um artigo de 2003 estimava o número de lagartos para a caatinga em 47 espécies. Com lacunas em muitas áreas da região, ainda é impossível de precisar o número exato. Que o digam os indivíduos pertencentes à espécie do Tropidurus jaguaribanus, até então desconhecida para os pesquisadores.

Características da espécie

A listra que vai até os braços é o diferencial da espécie. A média de tamanho é de 27 centímetros.

Há a indicação de que se alimentem de insetos assim como as outras espécies do grupo.

Fonte: O Povo

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Especialistas confirmam ararinha-azul como extinta na natureza

Foto: Reprodução/EcoAgência

O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), do Instituto Chico Mendes, acaba de concluir a primeira oficina de avaliação do estado de conservação das aves brasileiras. Durante cinco dias, 19 especialistas de diversas instituições avaliaram espécies da Caatinga e algumas de distribuição mais ampla.

No total, foram analisados 103 tipos diferentes de aves, sendo 98 em nível de espécie e cinco em nível de subespécie. Uma – a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) – foi considerada extinta na natureza, duas criticamente em perigo, nove em perigo, cinco vulneráveis, sete quase ameaçados, nove com dados insuficientes e 70 em situação menos preocupante.

Ao final, os participantes dividiram-se em quatro grupos para atualizar as fichas das espécies e submeter os artigos à publicação na Revista da Biodiversidade Brasileira do ICMBio. As fichas estarão disponíveis em breve no site do ICMBio na internet.

A avaliação ainda será analisada por um especialista em categorias e critérios da União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). Para este ano, estão previstas novas oficinas para avaliar as espécies dos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal.

A meta do Cemave é realizar até 2014 a avaliação do estado de conservação de todas as aves brasileiras. Segundo dados do Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO), são mais de 1.800 espécies.

Oficina

A primeira oficina foi realizada em João Pessoa (PB), onde fica a sede do Centro Nacional de Aves Silvestres. Durante os trabalhos, os participantes constataram que, embora existam informações relacionadas à extensão de ocorrência ou área de ocupação das espécies, ainda são poucos os dados sobre as populações. Esses dados são considerados essenciais para a avaliação do risco de extinção.

Os especialistas perceberam também que é preciso ampliar as pesquisas de avaliação do estado de conservação das aves que respondam aos critérios da IUCN. Eles prometeram dar mais atenção a isso nas suas pesquisas futuras.

Apesar das alterações climáticas não terem sido incluídas no processo de avaliação das espécies, os participantes ressaltaram que é importante considerar essa possibilidade, sendo que mais estudos devem ser realizados para atestar a influência do aquecimento global na probabilidade de extinção dos táxons.

A oficina foi coordenada pelo Cemave, com apoio da Coordenação de Avaliação do Estado de Conservação da Biodiversidade (Coabio), da Diretoria de Biodiversidade do Instituto Chico Mendes. As espécies foram avaliadas de acordo com as categorias e critérios da IUCN. Como material de trabalho, utilizou-se a ficha de cada espécie e mapas de pontos de distribuição e polígonos.

As análises foram realizadas em nível de espécie, seguindo-se a nomenclatura do CBRO de 2011. Nos casos em que uma subespécie ou população se encontrava com ameaças diferenciadas, declínio populacional, extensão de ocorrência ou área de ocupação muito restritas, optou-se pela avaliação da subespécie ou população.

A avaliação do estado de conservação das espécies é constituída por várias etapas, incluindo a compilação de dados na ficha das espécies, a elaboração de mapas a partir de registros existentes na literatura, a disponibilização para consulta pública e a realização de oficinas para avaliação do estado de conservação.

Fonte: EcoAgência

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