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Impunidade: caçadores de gorilas são hoje empresários de turismo em Ruanda

Foto: Reprodução/Revista Época

“Caçar animais sempre fez parte de minha vida e da herança familiar. Aprendi com meu pai e ele aprendeu com meu avô. Eu era um bom caçador e podia sustentar toda minha família. Na mata, eu armava armadilhas e laços para agarrar antílopes e búfalos. Algumas vezes, encontrávamos um gorila preso na armadilha. Eu ficava muito irritado, porque tínhamos capturado o animal errado. Não podíamos comer – pois ele parece muito com a gente – e nem vender o gorila. Eu tinha perdido meu tempo. Então, matávamos o gorila para armar novamente a armadilha e esperávamos ter mais sorte da próxima vez.”

Leonidas Barora matou dezenas de gorilas nas montanhas. Hoje é um microempresário. Foto: Reprodução/Revista Época

Esse relato franco e aterrorizante sai da boca de Leonidas Barora, um pigmeu de 66 anos que sempre viveu aos pés das montanhas no norte de Ruanda. Leonidas deve ter matado mais gorilas do que ele mesmo pode se lembrar! Mikael e eu não sabemos como reagir a esse depoimento e preferimos continuar tomando nota das histórias. Outros colegas de Leonidas contam fragmentos de suas vidas, sempre relacionados com o extermínio de um dos primatas mais ameaçados do planeta – os gorilas-de-montanha.

Hoje, esses vinte homens vivem no vilarejo Iby’Iwacu, criado por eles aos pés do vulcão Sabyinyo, há apenas alguns quilômetros da morada de vários grupos de gorilas. Graças a um trabalho eficiente de educação ambiental – liderado pelo ruandês Edwin Sabuhoro – os ex-caçadores transformaram-se em microempresários de ecoturismo. No vilarejo, eles recebem visitantes que querem pernoitar nas cabanas tradicionais e, assim, entender um pouco mais da vida rural nessa região cercada por vulcões.

Ex-caçadores recebem os visitantes ao som dos tambores.Foto: Reprodução/Revista Época

A música e a dança fazem parte do cotidiano africano e a estadia em Iby’Iwacu sempre começa com um espetáculo de guerreiros. A ideia do vilarejo – um conceito criado por Edwin – é mostrar aos estrangeiros (que pagam 500 dólares para ver os gorilas de perto) um pouco mais da cultura da região. “É o lugar ideal para que possam vivenciar nossas tradições e, ao mesmo tempo, contribuir com a economia local”, afirma Edwin . “Os 20 dólares (34 reais) que cada turista paga vão para um fundo administrado pelo próprio vilarejo.”

Fonte: Revista Época

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