Desobediência Vegana

Formação profissional para interessados em Botânica, alimentação e segurança alimentar

No dia 4 de maio, no Intituto Goethe, ocorreu a Terça Ecológica promovida pelo Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul.

Eliege Fante/EcoAgência

Sempre na primeira terça-feira do mês ocorre um debate ou palestra totalmente gratuita, sobre ambiente, jornalismo e políticas ambientais.

O último evento “O Sabor das Plantas Alimentícias não Convencionais”, apresentado pela Ingrid Barros, da UFRGS, e a Silvana, do Sítio Capororoca, que tem banca na Feira Ecológica do Bom Fim, sábados pela manhã.

Fui prestigiar o evento juntamente com a nutricionista Cláudia Lulkin. O local estava cheio e a palestra começou com a exposição de diversas plantas desconhecidas pela maioria da população, mas que eram utilizadas antigamente como alimento.

Essas plantas foram esquecidas pelas populações atuais, muitas são consideradas ervas daninhas.

 

Em Portugal, há um livro de plantas invasoras chamado Guia Prático para a identificação de plantas invasoras de Portugal Continental, de Elizabete e Hélia Marchante e Helena Freitas. Este livro ilustra de forma belíssima muitas plantas daninhas comuns também aqui no Brasil, algumas das quais são comestíveis.

As plantas apresentadas pela Silvana são nativas de Porto Alegre na sua maioria. Muitas são conhecidas dos povos antigos, indígenas, imigrantes que há muito sabiam de seu uso. Algumas plantas foram trazidas de fora, como o tomate de árvore, que é andino e se adaptou aqui.

A capuchinha, a batata de árvore (cará de árvore), o pepininho, o hibiscus, a Phisalia, e muitas outras que nos fizeram recordar a infância na casa da nona, que fazia o poderoso raditi! O amargo dente-de-leão, a docura do tomate de árvore que lembra muito meu pai, que a trouxe como uma novidade.

Um fato interessante no evento foi a quantidade de vegetarianos que se manifestaram espontaneamente, afirmando que foram ao evento com curiosidade sobre mais alternativas alimentares.

Há algum tempo temos notado este crescente aumento do interesse pelo vegetarianismo, veganismo e já está ficando mais visível em eventos que participamos, muitos deles sem relação com a causa animal. No final provamos um pão vegano, feito apenas com água, farinha, temperos e flores. Com acompanhamento doce e salgado feito com frutas locais. O evento Terça Ecológica se inicia às 19h, no auditório do Instituto Goethe, Av. 24 de Outubro, 112, Bairro Independência, Porto Alegre.

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Colunistas, Desobediência Vegana

Vegetais: base da alimentação humana – parte 2

No livro Biologia Vegetal, podemos encontrar um capítulo chamado ‘a perspectiva humana’, no qual há um resumo das nossas origens e da nossa ligação com as plantas.Na introdução do capítulo, temos a idade desde o surgimento do ser humano, há pelo menos 500.000 anos. Como todos os outros organismos vivos, representamos o produto de pelo menos 3,5 bilhões de anos de evolução. Nossos ancestrais imediatos, os membros do gênero Australophitecus, apareceram inicialmente há não menos de 5 milhões de anos.

Os primeiros seres humanos, do gênero Homo, apareceram inicialmente há cerca de 2 milhões de anos. Os antigos representantes do gênero Homo provavelmente subsistiram principalmente da coleta de alimentos (apanhando frutos e sementes; coletando ramos e folhas comestíveis; e cavando para coleta de raízes), da alimentação a partir de animais mortos, e ocasionalmente da caça.A caça intensiva surgiu possivelmente depois, com o uso de ferramentas mais elaboradas. Mas caçar só era possível enquanto o ambiente era propício a isto. Com não mais do que 5 milhões de seres humanos sobre a Terra, há cerca de 18.000 anos e com o recuo dos glaciais, gradualmente começaram a descobrir e usar novas fontes de alimento e a desenvolver a agricultura.

Não é muito fácil imaginar a trajetória que a humanidade traçou aqui na Terra, pois até hoje as origens do ser humano permanecem envoltas em mistérios, rixas entre pesquisadores e teorias controversas sobre o mesmo tema.Mas um ponto nos parece muito evidente: a agricultura teve papel decisivo no desenvolvimento da humanidade, tal como vemos ainda hoje.Nossa dependência da agricultura é muito forte e visível em nossamesa. Tudo o que consumimos esteve antes em contato com a Terra. Mesmo quem consome animais, deve saber que boa parte dos grãos plantados serve de alimento a estes animais, que depois serão mortos levando consigo boa parte da energia das plantas, o que um cálculo elementar de ecologia pode nos mostrar.

A agricultura teve papel decisivo em relação a costumes e no crescimento da humanidade. Segundo o livro Macho Demoníaco, foi por causa da agricultura que o ‘casamento’ surgiu, junto dele as divisões de terras, heranças aos filhos e o sedentarismo.As plantas exercem influências no comportamento humano desde sempre e são nossa base em tudo o que podemos imaginar, desde roupas (uma necessidade advinda do comportamento e clima) até remédios e os próprios alimentos.

Hoje temos uma grande alteração climática que basicamente foi provocada pela rápida expansão da humanidade no planeta, não somos mais só 5 milhões.

Todas as nossas atividades exercem intensa influência no planeta e vice versa, como na lógica e brilhante Teoria de Gaia. Aqui, em nosso planeta com mais de 6 bilhões de habitantes, o consumo de animais confinados ou livres, mortos aos bilhões todos os dias, gera gastos energéticos, intenso consumo de água e poluição, aquecimento global devido a gases liberados, ocupação de terras imensas causando desmatamento, pois os pobres animais (herbívoros em sua grande parte) são alimentados com cereais, assim como nós, geram doenças pois são criados em situações bárbaras de confinamento e estresse, como por exemplo a gripe suína (ou mais recentemente chamada de gripe A) e sofrem infinitamente, pois são desde o início criados como coisas. E eles não são coisas.

É muito claro que a humanidade não é mais a mesma desde o seu surgimento, então não parece plausível justificar o comportamento atual de comer animais e pagar para alguém que os mate,não há precedente algum deste comportamento covarde em nossos ancestrais e, mesmo que houvesse, já se passaram imensas eras glaciais,a humanidade hoje é outra. E é muito mais esperta a ponto de seguir com esta conversinha para ‘boi dormir’.

O vegano começa sua revolução na cozinha. É algo que começa dentro da sua casa, com a postura que tomou para si mesmo de não mais compactuar com essa monstruosidade que a nossa civilização fomenta. Se alguém quer fazer algo, que comece na cozinha, pois assim mesmo começou o desenvolvimento da humanidade, na agricultura, no contato com a terra e as plantas. Se quer fazer algo diferente, não adianta ser “defensor do meio ambiente”, “contra os transgênicos”, pois quem come um frango, um chesteretc. – animal modificado e inexistente na natureza – não pode levantar bandeira alguma.

Bibliografia consultada

RAVEN, P. H.; EVERT, R. F.; EICHHORN, S. E. Biologia Vegetal. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001.

WRANGHAM, R., PETERSON, D. O Macho Demoníaco: as origens da agressividade humana. Comportamento, 1998.

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