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Centenas de animais correm risco de extinção em Minas Gerais

Risco é real mesmo com a diversidade ambiental no estado.
Para tentar proteger, Ibama fez lista das espécies ameaçadas.

Apesar de Minas Gerais ser um estado rico em diversidade ambiental com caatinga, mata atlântica e cerrado, por exemplo, muitos animais vivem em constante perigo de desaparecer.

Para tentar proteger a fauna, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) fez uma lista com as espécies que estão em extinção no estado.

O cachorro-do-mato-vinagre, o lobo-guará e o catitu são animais que lutam contra o mesmo inimigo para sobreviver: o homem.

Esses bichos fazem parte de uma lista com 274 espécies ameaçadas de extinção. Também foram incluídos no levantamento a anta e o tamanduá-bandeira.

“Os mamíferos e as aves são um grupo bem ameaçado pela própria dependência de ambiente. Das causas de extinção no estado a gente tem a degradação ambiental, a fragmentação de ambiente que é muito importante. É necessário um ambiente mais íntegro para agrupar um grande número de espécies”, explicou o biólogo Humberto de Mello.

Para o presidente da Fundação Zoobotânica, Evandro Xavier, “a humanidade se movimenta muito pela economia e, por isso, acontece a biopirataria, a agricultura e pecuária praticadas sem sustentabilidade”. “Falta muita educação ambiental no país e, mais do que isso, há necessidade de se criar áreas protegidas”, disse Xavier.

Por causa da destruição de habitat e do comércio, as aves estão entre os grupos mais ameaçados de extinção. O gavião-real, por exemplo, não é mais encontrado na natureza, em Minas. A ave, com um metro de comprimento e dois de envergadura, só pode ser vista em cativeiro. Em breve, o papagaio-de-peito-roxo e a arara-azul-grande podem seguir o mesmo caminho.

“A gente tem a própria perda de diversidade que por si já é uma coisa muito importante. Perder essa diversidade de vida que a gente tem no nosso estado. As pessoas gostam de ter uma ave que canta em casa, no quintal de casa, então a caça ou o comércio é um fator forte de extinção da espécie”, completou Mello.

Quem mata animais silvestres pode pegar de seis meses a um ano de detenção e ser multado. O valor varia de R$ 500 a R$ 5 mil, por animal. A punição vale também para quem caça ou mantém esses bichos em cativeiro, sem licença.

Depois de uma denúncia, policiais militares de Meio Ambiente apreenderam pássaros em uma casa, na Região Leste de BH. Muitos estavam feridos e em gaiolas sujas.
“No local, a gente constatou que essas aves estavam todas em condições de maus-tratos, são aves silvestres, sem a licença do Ibama e uma vez constatado a falta de licença e maus-tratos, esses animais foram apreendidos e encaminhados para o Ibama”, disse o policial militar Marcus Vinícius.

No Ibama chegam, por dia, cerca de 50 animais silvestres. A maioria, pássaros das espécies bicudo e curió.

“Existem vários fatores que fazem com que uma espécie seja atrativa, um deles é a raridade da espécie no ambiente. Então quanto mais raro mais ele vai sendo atrativo. O outro é a qualidade do canto, beleza, o porte. São coisas que acabam fazendo com que a espécie seja muito visada pelo tráfico dos animais. Se não houver ações adequadas para a mudança da situação atual, em torno de 20 30 anos essas espécies podem não existir mais no estado”, avaliou o analista ambiental e médico veterinário do Ibama Daniel Ambrósio Vilela.

Denúncias podem ser feitas pelos telefones 181 ou 2123-1600. Para mais informações sobre a legislação de tráfico de animais silvestres, acesse aqui.

Fonte: G1

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Brasil é uma das maiores vítimas da biopirataria internacional

Possuidor de um dos mais ricos patrimônios da flora e da fauna do planeta, que hoje estão concentrados na Amazônia, no Nordeste e no Pantanal, o Brasil é uma das maiores vítimas da biopirataria internacional. Esse fenômeno criminoso não é recente, mas cresceu de forma assustadora nas últimas quatro décadas, principalmente diante da necessidade da indústria farmacêutica de buscar respostas efetivas para os males e doenças do mundo moderno. Assim, a matéria-prima da Flo­­resta Amazônica e de outras regiões de gran­­de biodiversidade – plantas e animais – virou ouro para este disputado mercado, responsável pelo faturamento de bilhões de dólares todos os anos.

A biopirataria é a exploração, manipulação, exportação e comercialização internacional, de forma ilegal, de recursos biológicos de um de­­terminado país ou região. Esse tipo de pirataria moderna, que vem erodindo o patrimônio na­­tural de muitas nações com o mesmo potencial biológico do Brasil, foi tipificada em um conjunto de normas conhecidas como Con­­­­venção sobre Diversidade Biológica (CBD), em 1992, no Rio de Janeiro (durante a Eco-92). Assi­­nada por 175 países e ratificada por 168 em 1998, esta convenção propõe regras claras pa­­ra assegurar a conservação da biodiversida­­de; o seu uso sustentável; e a justa repartição dos benefícios provenientes da utilização econômica dos recursos genéticos, respeitada a soberania de cada nação sobre o patrimônio existente em seu território.

Essa convenção não barrou os crimes, mas está servindo de anteparo para combatê-los a longo prazo. No caso do Brasil é difícil precisar os números, mas o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) calculou recentemente que o país perde cerca de US$ 600 milhões por ano com o tráfico de animais e espécies de plantas. Mais de 12 milhões de animais, por exemplo, são tirados do país, agravando o risco de extinção de dezenas de es­­pécimes. A venda clandestina de espécies venenosas de aranhas e de serpentes, das quais são extraídos princípios ativos que resultam no surgimento de novas gerações de medicamentos, é outro caso escandaloso. Na parte da flora, são 20 mil extratos que saem do país anualmente.

A forma e a rota do tráfico já são muito co­­nhecidas das autoridades brasileiras: contrabandistas disfarçados de turistas ou bem-intencionados cientistas se apropriam das informações sobre a fauna e flora nas comunidades lo­­cais. No caso de animais silvestres, a internet é o principal canal do tráfico. A pena para os traficantes é de seis meses a um ano de prisão, além de multas de até R$ 5,5 mil por exemplar apreendido. De cada dez animais traficados, nove morrem antes de chegar ao seu destino final.

Há dois exemplos marcantes de plantas populares brasileiras que foram patenteadas por grandes empresas no exterior. A copaíba (Copaifera sp), árvore da região amazônica, teve sua patente registrada pela empresa francesa Technico-flor, em 1993, e no ano seguinte na Organização Mundial de Propriedade Inte­­lectual. A empresa norte-americana Aveda tam­­­­bém tem uma patente de copaíba, registra­­da em 1999. O óleo e o extrato de andiroba (Ca­­rapa guianensis), árvore de grande porte, muito comum nas várzeas da Amazônia, foram pa­­tenteados pela empresa francesa Yves Roches, no Japão, França, União Europeia e Estados Unidos, em 1999.

Há um outro caso, também muito conhecido de recurso natural que gerou lucros imensos para a indústria farmacêutica e nenhum centa­­vo para o país, que é o do anti-hipertensivo cap­­topril. O princípio ativo foi descoberto no ve­­neno da jararaca. O laboratório que patentou o princípio ativo ganha cerca de US$ 5 bilhões por ano com o medicamento. E, nós, brasileiros, te­­mos de pagar os royalties para usá-lo.

O país evoluiu muito no combate à biopirataria. Mas é preciso maior esforço das autoridades no sentido de prevenir e evitar esses crimes. O Brasil, como uma das nações que mais sofre com o problema, deveria assumir uma posição de protagonismo no debate mundial para garantir a participação dos países mais pobres nos dividendos da biodiversidade. Além da re­­pressão ao tráfico internacional, com o au­­men­­to dos contingentes das forças envolvidas no combate à biopirataria, é preciso levar informação às comunidades locais, para que a prevenção comece justamente nas bases do crime. Só com esse caldo de cultura é que o Brasil talvez consiga, um dia, dar a devida proteção a seu ex­­­­traordinário patrimônio natural.

Fonte: Gazeta do Povo

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Tráfico de insetos pela internet

Foto:Shuttherstock
Foto:Shuttherstock

Basta um clique para se cometer o crime de tráfico de insetos. Quem fala é um criminoso que mora na China, que conversou com ISTOÉ, mas pediu (motivo óbvio) para não ser identificado: “Há dez anos coleciono belos exemplares de borboletas que comprei por meio da internet e muitos desses insetos são traficados do Brasil.” Segundo ele, o negócio é “muito fácil, só precisa ter em mãos um cartão de crédito e acessar um dos tantos sites espalhados pelo mundo que promovem esse tipo de delito.

Em sites como o italiano “L’arca di Noé” e o canadense “Thorner Insects”, por exemplo, pode-se encontrar a rara borboleta brasileira Morpho catanarius ao preço de US$ 425 ou o besouro da Amazônia Titanus gigantus por US$ 300. Como se fosse uma queima de estoque, oferece-se desconto de até 25%. É a biopirataria se apropriando – e destruindo – a fauna brasileira.

Em cada site a média mensal de busca é de mil clientes que querem insetos para colecionar, vender a museus ou utilizar em pesquisas. Uma das “vítimas” mais (ilegalmente) comercializadas é o besouro brasileiro Lamprocyphus augustus. Ele vem fazendo sucesso nos EUA e pesquisadores da Universidade de Utah acreditam ter encontrado um cristal fotônico ideal em sua carapaça.

Esse cristal é essencial na construção de circuitos eletrônicos que manipulam dados por meio de luz (fótons), em vez de cargas elétricas (elétrons). “O curioso é que os cientistas americanos não tiveram trabalho para conseguir o inseto brasileiro. Encomendaram-no pela internet a um vendedor da Bélgica”, diz a senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva. “Não duvido de que os EUA, apenas com a tecnologia decorrente das pesquisas com esse único besouro, produzam mais riqueza do que todo o valor da exploração ilegal de madeira na Amazônia.”

Sediado no Estado americano de Ohio e registrando seis mil acessos por mês, o site Butterflies and Things apresenta seus fornecedores como “pessoas do Terceiro Mundo que ganham a vida coletando borboletas e insetos”. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) só autoriza a coleta de exemplares da fauna silvestre – assim como da flora – a cientistas e profissionais de instituições credenciadas, entre elas as universidades – não é o caso dos pesquisadores de Utah. Ou seja: a captura desses insetos e seu envio ao exterior, sem autorização, é crime, passível de multa de até R$ 50 mil.

A diversidade de oferta, no entanto, mostra que os fornecedores, que dilapidam a natureza do Brasil, não estão tendo dificuldade para piratear. E nem temem a lei. É o próprio ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, quem, por incrível que pareça, avaliza ou conforma-se com esse raciocínio: “O País está sendo depenado pela biopirataria. Mas é difícil fiscalizar e impedir a ação dos criminosos.”

Fonte: ISTOÉ

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Denúncia de biopirataria em hotel no Amazonas é rebatida por americano

O americano Philip Marsteller, responsável pelo Rio Negro Lodge, no município de Barcelos, no Amazonas, negou nesta terça-feira que mantenha um laboratório clandestino no hotel. A suspeita de que o luxuoso empreendimento esteja envolvido em biopirataria é investigada pelo Ibama desde que uma operação de fiscalização encontrou no local, em abril, um laboratório equipado com instrumentos de pesquisa de material biológico.

Em audiência pública na Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional, Philip Marsteller informou que mantém no hotel apenas um alojamento para integrantes do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que realizariam estudos sobre o tucanaré, um peixe da região. Ele não soube informar, no entanto, se existe algum documento que comprove a parceria com o instituto.

As explicações de Marsteller não convenceram a autora do pedido para a realização da audiência, deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). “É um centro de pesquisas todo equipado. Ele afirmou que há convênio, depois disse que era verbal e nós sabemos que nem é verbal nem o Inpa desenvolve essa linha de pesquisa”, ressaltou.

Marsteller se disse perseguido: “Estou aqui para responder por biopirataria e isso não acontece; eu tenho lutado pela preservação do tucanaré e da área. Muito dessa pressão é devido às denúncias que tenho feito ao Ministério Público Federal sobre ilegalidades no município – houve cinco indiciamentos por causa de atividades de turismo sexual de crianças, e tenho falado sério contra isso.”

Indícios
 
Em abril, uma operação conjunta do Ibama, da Marinha e da Receita Federal encontrou uma série de irregularidades no Rio Negro Lodge, como problemas na importação de equipamentos; ausência de licença ambiental; funcionamento irregular de uma marcenaria; posse de madeira sem documentação de origem; e manutenção de animais silvestres em cativeiro. O empreendimento foi embargado e multado em mais de R$ 2 milhões.

Segundo o diretor de Fiscalização do Ibama, Luciano Evaristo, foram encontrados no local indícios “bastante consistentes” de biopirataria, como dois besouros ameaçados de extinção acondicionados para viagem. “Vamos aprofundar as investigações”, informou Evaristo.

Próximos passos
 
A Comissão da Amazônia deverá realizar uma reunião secreta sobre o caso no dia 16 de junho, para receber informações mais detalhadas da Receita Federal e do Ibama. Parlamentares também devem agendar uma visita ao Rio Negro Lodge.

Fonte: Portal da Câmara dos Deputados

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