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Empresa planeja lançar impressoras 3D para fabricar bifes à base de plantas

Foto: Reuters

Com a ascensão do veganismo pelo mundo, a startup israelense Redefine Meat passou a planejar o lançamento de impressoras 3D para a fabricação de bifes à base de plantas. Os equipamentos devem ser lançados no próximo ano.

O aumento do número de pessoas que buscam alternativas à carne – por aderirem ao veganismo ou por razões voltadas à saúde e à sustentabilidade – aumentou tanto que previsões da Barclays indicam uma provável movimentação de 140 bilhões de dólares neste ramo até 2029 – o que representaria cerca de 10% do mercado mundial de carne.

O “Alt-Steak”, como foi nomeado o bife vegetal, será testado em restaurantes antes do lançamento das impressoras 3D em escala industrial para interessados em produzir e vender o bife. Elas terão capacidade de imprimir 20 kg por hora e, ocasionalmente, centenas, a um custo menor do que da carne de origem animal.

Foto: Amir Cohen/Reuters

“Você precisa de uma impressora 3D para imitar a estrutura do músculo do animal”, disse o presidente-executivo, Eshchar Ben-Shitrit, à Reuters.

“O mercado está definitivamente aguardando uma inovação em termos de melhoria da textura”, disse Stacy Pyett, que gerencia o programa Proteins for Life na Wageningen University & Research, na Holanda.

Foto: Amir Cohen/Reuters

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Startup vegana lança filé de frango vegano feito de cogumelos

Frango vegano | Foto: Emergy Foods
Frango vegano | Foto: Emergy Foods

A startup vegana Emergy Foods, com sede no Colorado, nos Estados Unidos, lançou recentemente uma nova e revolucionária marca, a Meati Foods. Enquanto muitas empresas, como a Beyond Meat e a Impossible Foods, se concentram na produção de carne vegana moída, a Emergy está criando cortes inteiros de bife de frango usando uma tecnologia que depende do micélio – a estrutura de crescimento acelerado nativa dos cogumelos.

A empresa fabrica micélio dentro de tanques de fermentação e depois mistura às fibras de proteína de alta densidade – que se assemelham às encontradas nos peitos e bifes de frango – com outros ingredientes e especiarias à base de vegetais antes de transformá-los em carne vegana.

“Em escala, poderíamos produzir o equivalente à carne de quase 4.500 vacas durante a noite usando um processo que é mil vezes mais eficiente por acre em relação ao uso de recursos”, disse à Fast Company o CEO da Emergy, Tyler Huggins. “E mesmo comparado a algo como a soja, que contou com toneladas de dinheiro e tempo para desenvolver o processo mais eficiente possível, somos 20 vezes mais eficientes na produção de proteína por acre, usando significativamente menos terra, água e energia no processo”

A Emergy está planejando estrear os primeiros produtos da Meati Foods nos cardápios de restaurantes do Colorado – com foco em churrascarias – no início de 2020. Seu objetivo é reduzir os custos de produção para alcançar a paridade de preços com produtos de carne de origem animal em um futuro próximo.

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Termos como 'salsicha vegana' ou 'hambúrguer vegetariano são proibidos na rotulagem de alimentos à base de planas, na França (Foto: iStock)
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Empresas veganas podem ser multadas por usar rótulos de alimentos que ‘lembrem carne’

Varejistas franceses no ramo alimentício vegano serão obrigados a abandonar termos que lembrem carne na rotulagem de alimentos baseados em plantas, incluindo os termos ‘hambúrguer’ e ‘linguiça’.

Termos como 'salsicha vegana' ou 'hambúrguer vegetariano são proibidos na rotulagem de alimentos à base de planas, na França (Foto: iStock)
Termos como ‘salsicha vegana’ ou ‘hambúrguer vegetariano são proibidos na rotulagem de alimentos à base de plantas, na França (Foto: iStock)

Políticos locais declararam que a proibição está acontecendo porque os rótulos “enganam” os compradores. Parlamentares franceses votaram, então, na proibição de termos como ‘salsichas vegetarianas’ no início desta semana, sugerindo que é proibida a relação de termos de alimentos de carne com alimentos vegetarianos ou veganos.

Sendo assim, as empresas não podem mais utilizar usar ‘hambúrguer’, ‘bife’ e outras palavras para comida vegetariana, como ‘hambúrguer vegetariano’ ou ‘linguiça vegana’, e terão que apresentar novas maneiras de descrever os alimentos de quem não come derivados de carne ou de animais.

A proposta foi apresentada pelo deputado Jean-Baptiste Moreau, alegando que a rotulagem é enganosa para os consumidores. A proibição foi aprovada, e simboliza o resultado da ameaça representada pela indústria vegana a indústrias de carne e produtos lácteos, já que a popularidade das alternativas à base de plantas tem crescido entre os consumidores, conforme dito pelo Plant Based News.

'Leite de soja' é outro termo que será multado agora na França (Foto: Shutterstock)
‘Leite de soja’ é outro termo que será multado agora na França (Foto: Shutterstock)

Wendy Higgins, da Humane Society International (Sociedade Humanizada Internacional), disse ao DailyMail: “É uma pena que, em vez de abraçar comida vegana e vegetariana, a França tenha adotado uma posição de paranoia defensiva. Mas isso não impedirá o aumento da alimentação compassiva, porque os benefícios deliciosos, nutritivos e ecologicamente corretos da Terra prevalecerão, independentemente do que você chamar de ‘produtos’”.

As proibições de tal rotulagem ainda não estão em vigor na América do Norte, mesmo os Estados Unidos já tendo pressionado a Administração de Alimentos e Medicamentos a proibir o uso do termo ‘leite’ em alternativas à base de plantas.

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Eco-economia no cinema: “A carne é fraca” e o caminho do bife até o prato – parte 2

Oras, após todo o sólido e embasado discurso sobre a sustentabilidade ambiental, ainda é preciso discutir a produção de animais como matéria-prima para a indústria? Sim. A carne é fraca desvenda o processo de transformação de uma vida em bife. Neste segundo bloco de informações do filme, o assunto é a ética e as condições humilhantes em que animais são criados, explorados desde o momento de seu nascimento. São selecionados e descartados da maneira mais impiedosa possível quando não interessam à indústria, largados às quantidades imensas para que morram à mingua, descartados como se fossem objetos. São violados em todos os seus direitos de ter uma vida natural, reproduzir-se livremente, procurar seu próprio alimento e até de coisas tão básicas como o sono. São criados em baias tão minúsculas que mal conseguem ficar em pé.

As aves sofrem com a utilização de processos de engenharia de produção em larga escala como a “debicagem”, nome técnico para o absurdo de serrar o bico das aves para que elas não se matem umas às outras devido às condições de maldade permanente nos criadouros. Isto também as obriga a se alimentar de forma contrária à sua natureza. Em vez de comer de bicada, passam a comer de bocada, não trituram os alimentos e engordam mais. Os espaços dos criadouros são verdadeiros campos de concentração: áreas minúsculas onde jamais haverá acesso, na quase totalidade das vezes, sequer à luz solar. E isso vale igualmente para a produção de suínos, gado e vacas leiteiras. Suas doenças individuais como as causadas por excesso de peso não são tratadas, obrigando-os a conviver por toda a vida com dores e feridas. As fêmeas são privadas do convívio com seus filhotes, o que vale como regra geral para o setor leiteiro.

A carne é fraca é, segundo sua idealizadora Nina Rosa, um filme que ela mesma preferiria que não fosse necessário. Até em questões óbvias ele assume a postura educativa de recordar aos consumidores, por exemplo, que somente uma vaca prenha é capaz de dar leite. Além de passar a vida toda prenha, a vaca é utilizada como objeto para dar leite, diariamente submetida ao bombeamento de suas tetas, cujas infecções causam imensas dores. A contaminação do leite se dá por hormônios e antibióticos ministrados por criadores e veterinários além, evidentemente, das secreções comuns às feridas purulentas provocadas pela extração de leite. É realmente lamentável que seja preciso explicar isto a adultos, que inclusive alimentam seus filhos com este mesmo produto. E o que é feito com os bezerros nascidos destas vacas? Primeiramente são impedidos de mamar. Depois, ou são simplesmente descartados e abandonados à morte por fome e falta de abrigo como “coisas” ou vão para outra indústria ainda mais sanguinária: a do “baby beef”. Estes filhotes são criados sem condições de se movimentar para não criar músculos e abatidos logo, com poucos meses de vida. Nina Rosa afirma que o “baby beef” é um “produto” da maldade humana com pouco público consumidor no Brasil e insiste para que não seja consumido, eliminando dessa forma as variações macabras inventadas pela indústria de alimentos a partir da tortura e exploração de filhotes. Ainda nas palavras de Nina Rosa: “o mercado de vitela é conhecido como um dos mais imorais e repulsivos mercados de animais do mundo”.

O capítulo sobre a realidade do abuso traz o depoimento de importantes pesquisadores e imagens impressionantes obtidas nos criadouros e matadouros. Em uníssono, os depoimentos selecionados são prova de que é possível viver longe deste mercado, defendem a legitimidade dos direitos dos animais e a necessidade urgente de cessar a exploração. A professora titular de anatomia da USP, Irvênia Prada, comenta a condição de pânico a que estes seres indefesos são submetidos no transporte, no encaminhamento para o abate, a escravidão pertinente às atividades meramente econômicas como a pecuária. Sônia Felipe, professora de ética e filosofia da UFSC, alerta para uma ação simples que todo cidadão tem ao alcance das mãos para acabar com isso: “O mercado é o grande campo de reflexão política quando se tem que abolir um costume pelo fato de ele ser moralmente injustificável, porque é no supermercado que eu alimento o trabalho e o sistema de produção daquelas mercadorias”.

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Lady Gaga desrespeita animais ao ser fotografada coberta por carnes

A cantora Lady Gaga voltou a causar polêmica, ao deixar-se fotografar com carne disposta sobre a sua pele para a capa da revista Vogue Hommes Japan.

Na mesma publicação para a qual apresentara um alter ego masculino, Lady Gaga protagonizou uma produção que já indignou os ativistas dos direitos animais.

“A carne de um animal torturado é sempre a carne de um animal torturado. A carne representa violência sangrenta e sofrimento; se era isso que eles procuravam, conseguiram”, escreveu a PETA em comunicado.

Fonte: aeiou

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Você é o Repórter

Programa manda dar veneno para cães dos vizinhos

Cacá Raya Nedel
dr.nedel@gmail.com

No programa chamado Pretinho Básico na Rádio Atlântida (afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul), que conta com uns cinco apresentadores e seus personagens (na maioria imitações) que ficam “fazendo humor”, ocorreu no dia 12 de janeiro, no programa das 13 horas, incitação às pessoas a darem bifes envenenados para os cães dos vizinhos.

O contexto era:

Os apresentadores estavam falando da problemática do som alto. Carros tunados que colocam seu som a todo o volume e do Clube Lindóia que faz os bailes de formatura com as janelas abertas por causa do calor e os vizinhos não conseguem dormir.

Aí leram um e-mail de um ouvinte que não dorme pelo barulho de 4 cães do seu vizinho que começam a latir as 6 da manhã, e, tentou falar com o vizinho que disse que não faria nada porque os cães conversam e tal. O mesmo ouvinte relata que buscou a Brigada Militar e essa informou que não poderia fazer nada.

Nesse momento um dos apresentadores disse: “Ah. Isso é fácil de resolver. Basta colocar um bife envenenado.”

Aí um outro apresentador tentou remendar dizendo: “Ôpa! que absurdo! não fala essa bobagem.” Com o claro objetivo que o outro se retratasse dizendo: “Calma, tô brincando, tal ato é uma crueldade.”, ou algo do gênero.

Contudo, o imbecil foi além e disse: “É falei uma grande bobagem mesmo, porque não devemos desperdiçar comida, nada de carne. Basta jogar apenas o osso envenenado.”

Nesse momento fiquei muito indignado e desliguei o rádio. Besteirol tem limite…

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Então poderemos comê-los?

Eu não sou favorável à clonagem. Lógico que se a técnica fosse usada apenas para produzir tecido fetal para salvar a vida de doentes, ela poderia representar algum interesse médico – ainda que saibamos que, no mundo atual, a técnica médica mais importante a ser executada é bem mais simples: uma alimentação em quantidade suficiente e cuidados fundamentais para todas as pessoas. Mas se a finalidade da clonagem é a de produzir uma criança, cópia genética de um genitor (a pessoa clonada), que corre o risco de ser criada tendo como «missão» vital de ser a sua cópia fiel, tal motivação me parece duvidosa, pouco favorável em si mesma para ocasionar a felicidade da criança em questão.

Seria uma infelicidade banal. Banais são as motivações duvidosas para fazer um filho – pode ser para se obter as «allocations familiales» (remuneração paga pelo governo francês  para ajudar os casais a criarem os filhos N.T.), para se obter braços que trabalharão na lavoura, para assegurar sua segurança na velhice, para se auto-perpetuar ou para fortalecer uma união; freqüentemente a criança nem é desejada. Freqüentemente as condições nem são boas para o indivíduo que nascerá. Ninguém acha isso escandaloso. E talvez devêssemos achar; e não só com relação aos clones, mas com relação a todas as crianças que vão nascer.

Para o humanismo, a realidade vivida é um detalhe.

Entretanto muitas pessoas ficaram escandalizadas com os projetos de clonagem humana anunciados pelo biólogo americano Richard Seed. O Conselho Europeu (19 países) redigiu com unanimidade e rapidez excepcionais um texto sobre sua proibição total. A clonagem humana é algo bem mais grave do que a Bósnia! E o que há de tão grave a ser desaprovado com relação à clonagem? O fato da criança resultante poder ser infeliz?

Disso falou-se pouco. Não, na verdade o que se desaprova na clonagem humana – e o que não se desaprova na clonagem de animais não humanos, já praticada – é que ela toca justamente o “humano”. Não toca o indivíduo preciso que está sendo gerado, mas a humanidade. Então, a «ONU deve tomar conta do problema da clonagem humana declarando-a como sendo “crime contra a humanidade”», nos diz o Professor J.-F. Mattei, membro do nosso comitê de consulta nacional de ética.
Censuram os anti-especistas, dizendo que estes “banalizam” ou “relativizam” os campos de morte nazistas ou qualquer outro grande massacre de humanos comparando-os com as criações de animais e com os abatedouros de animais não humanos. Nós comparamos massacres e massacres, horrores e horrores. O Professor Mattei coloca, no mesmo plano – o plano de «crime contra a humanidade» – o assassinato hitleriano de seis milhões de Judeus e a concepção, em condições tecnicamente particulares, de uma criança (seja ela no futuro feliz ou não). Quem está banalizando? Quem se importa com os sofrimentos reais, com o destino real dos indivíduos? Os humanistas ou os anti-especistas?

A obsessão genética humanista

Há uma simetria entre algumas pessoas desejarem ser clonadas e as motivações dos humanistas que os fazem gritar: a importância ontológica que tanto os primeiros quanto os demais dão a nossos genes.

Quanto a este assunto, os humanistas possuem um discurso duplo. Por um lado, nos seres humanos, os genes são considerados como se não contassem. A Natureza, aos nos fazer humanos, apenas criaria uma página branca, sobre a qual tudo seria escrito a partir de nossas experiências (o educacional, o social). Esta tese foi e ainda continua em voga em vários círculos marxistas ou herdeiros do marxismo, que acreditam que tal tese é própria a eles, enquanto que na verdade ela foi sistematizada por Kant e date dos mitos da gênese e das interpretações religiosas que foram feitas dele: o ser humano teria recebido de Deus, ou da Natureza, uma liberdade total e não teria nenhuma determinação de ordem biológica. Este discurso tende a ser suplantado por outro, sob a pressão de conhecimentos científicos. Não podemos mais negar a influência de nossos genes. Façamo-los então, assim dizem os humanistas, os aliados de nossa causa. Trata-se de transpormos sobre o plano genético o discurso humanista sobre esta liberdade intrínseca de cada humano que faz a sua individualidade – oposta à “especeidade” dos não humanos, que apenas existem como representantes de sua espécie. Por causa da sexualidade, o genoma de cada humano é uma recombinação aleatória dos genes de seus parentes. Afirmemos alto e forte que, através deste concurso de circunstâncias, que faz de cada um de nós (esqueçamos os gêmeos univitelinos!) seres geneticamente únicos, a Natureza oferece e confirma nossa individualidade humana. Tal é o discurso feito tanto pelas campeãs dos humanistas modernos quanto pelo biólogo Albert Jacquard.

O discurso é bem fraco, e se mantém em pé pois todo mundo já está convencido da idéia da nobreza do «homem». Mas tem a desvantagem de fundar nossa «dignidade especificamente humana» sobre um caráter que, não podemos negar, apenas esquecer de mencionar, é banalmente partilhado por quase todos os outros animais e até pelas plantas. Por outro lado, ele tem a vantagem de se aliar, em silêncio, a nosso proto-racismo intuitivo, a esta obsessão quase universal que existe entre os humanos, de sua afiliação, de sua linhagem.

«Ele será forçado a ser feio»

Axel Kahn, outro biotecnólogo conhecido escreveu um livro contra a clonagem. O semanário católico La Vie (A Vida) o entrevistou5:

Quais são as razões éticas que fazem o senhor condenar as experiências de clonagem em seres humanos?

Condeno-as pois representam um risco imenso para a humanidade, um ataque frontal contra um dos princípios de base dos direitos do homem: o direito à autonomia, o direito de não depender de quem quer que seja, a não ser do Criador para aquele que crê, e da natureza para os outros. Que a gente se ame ou se deteste, ninguém desejou que fôssemos de uma tal maneira pré-determinada.

Que nossos pais vivam em um determinado país ou em um outro, escolham a língua que falaremos e a cultura que será a nossa; que nos coloquem em tal ou tal escola; que eles nos amem ou sejam pais indiferentes; que nos alimentem bem ou mal; tudo isso e as inumeráveis escolhas que nossos pais fazem quando ainda somos pequenos e que serão determinantes em nossas vidas, nossa estrutura emocional, nossos meios e nossa liberdade, não representam, para Axel Kahn, um insulto à nossa autonomia. Para ele, todos estes aspectos são acessórios. Por outro lado, nossos genes, são o essencial!

Este discurso enxerga a liberdade humana, base de nossa grande dignidade, na coincidência que determina nosso genoma. Curiosa «liberdade»! Pois se nossos pais não escolheram nosso genoma, nós também não. Encontramos aqui, na realidade, um enunciado explícito da concepção humanista da liberdade: não a possibilidade, forçosamente relativa, de satisfazer nossas necessidades e nossos desejos, mas a submissão a uma ordem supra-humana. Rousseau dizia, do indivíduo que é forçado pela sociedade a aceitar suas regras, em nome da lei universal, «ele será forçado a ser livre».

Deus, Natureza, Fatalidade

A fatalidade, que, como pensa Axel Kahn, nos faz seres livres, não é, e sabemos disso, integral. Deus ou a Natureza se limitam a fazer uma triagem dos genes que já estão presentes em nossos pais. Mas para ele trata-se de um tipo de revalidação obrigatória a cada nova geração; cada novo ser humano deve «recuperar as forças», ser carimbado, por Deus ou pela Natureza.

Notaremos como nessa citação a Natureza aparece explicitamente como a tradução laica de Deus. Deus ou a Natureza, a estrutura do discurso continua sendo a mesma. A referência à natureza tem a vantagem de parecer mais de acordo com a racionalidade científica. «Você não vê Deus? Mas pelo menos você vê a natureza; você enxerga a mão dele, é uma fatalidade cuja existência você não pode negar». A fatalidade representa o papel de última dedução do pensamento deísta. Ela permite que se reintroduza Deus pelo buraco da janela: não parece um deus, é apenas a corrente de ar, apenas uma fatalidade, mas sabemos que é poderoso e cada um é livre para acreditar, no fundo de seu coração, que esta fatalidade é a mão de… de Deus?… digamos, se você prefere, da Natureza. De onde então ocorre uma deificação jamais explícita mas onipresente da fatalidade, desde os sorteios dos jogos esportivos e das eleições até os discursos dos bioéticos. A fatalidade sempre aparece como uma força legitimadora, à qual confiamos as decisões que não queremos nós mesmos tomar. Deus, Natureza, Fatalidade: três palavras para uma mesma coisa, nossa recusa de encararmos nossas responsabilidades.

Bife de cloneO clone seria, nestes discursos, uma simples cópia – e isso já está testemunhado no título do livro de Axel Kahn (Copies conformes). Na realidade, apenas geneticamente ele seria idêntico a seu genitor. Sua personalidade e até mesmo vários caracteres físicos, podem ser bem diferentes, segundo sua própria história.

 

Eis aí uma evidência que muitos não enxergam. Mas sobretudo, essa “cópia” seria, cópia ou não, um indivíduo enquanto tal, bem real, vivo, vivendo sua própria vida; com seus projetos, seus sofrimentos e suas alegrias; enquanto que ao escutarmos nossos humanistas que se opõem à clonagem, temos a impressão que o clone seria «apenas uma» cópia, se tornaria um fantasma, se perderia no nada.

Pois o indivíduo em questão teria nascido mal. Teria todos os órgãos nos devidos lugares, um genoma – assim como o de seu genitor -, a cabeça no lugar certo, pensamentos e emoções, mas teria nascido mal. Teria sido mal concebido, para sermos mais exatos, faltar-lhe-ia o visto do Criador ou da Natureza.

«Um homem que é a cópia de um homem não é mais um homem», nos diz ainda o Professor J.-F. Mattei. Mas então o que seria? Uma mulher? Não, ele quer dizer que um homem que é a cópia de um homem «não é mais um ser humano. Então é uma vaca? Um frango? E que gosto ele teria?

 
 
Fonte : Les Cahiers antispécistes

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