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Betty Gofman fala sobre adoção de animais abandonados

Por Betty Gofman

Dupla. Betty Gofman com a cadela Menina - Eduardo Naddar / Agência O Globo
Dupla. Betty Gofman com a cadela Menina – Eduardo Naddar / Agência O Globo

Menina chama enquanto escrevo. Precisa de mim. Está surda.

Na casa em que nasci, o animal veio não para aprender, mas para ensinar. Minha irmã Clarisse, com dificuldade de andar, aprendeu a levantar com quem anda em quatro patas. Quando todos nós chegamos, já havia animal. Viemos depois.

Dolly, a pinscher, morreu quando eu tinha 11 anos. Chorei tanto, mas tanto. Como se tivesse perdido alguém. Eu, talvez?…

Quatro irmãos, eu caçula. Carro na estrada, subindo a serra. A menina me chama. Eu olho pela janela, sozinha. Animais machucados, abandonados e meu coração enxerga. Não conto para ninguém e choro, escondida até de mim.

Vou morar sozinha e não tenho coragem de ter um animal de novo em casa. Escondo na rotina o olhar do coração.

Então, numa feira de animais — o que hoje sei ser uma coisa odiosa —, me deparo com aquele ser frágil. Eu o levo comigo. Ele morre rápido, sem as vacinas nem a idade que tinham me dito que tinha.

Pouco tempo depois, caminhando desatenta, o coração enxerga um whippet. Me prometo que esse será meu companheiro para sempre. Companheira, na verdade. Veio menina, a minha Menina.

“Olha aquelas duas magrelas correndo na Lagoa!” Faço tudo com ela: trilhas, almoços e banhos. No chuveiro, o meu xampu e o dela.

Os olhos do coração se abrindo cada vez mais, Menina ao meu lado, tendo seus filhotes e a vida segue.

Recém-casada, com a Menina, encontro na estrada, à beira de uma comunidade, um vira-lata maltratado, triste. Invisível aos olhos, mas não aos da alma. Não quis levar e fui embora.

“Meio doida, sabe? Mulher carente.” Com medo de ser vista assim, como os protetores são vistos, fraquejei. Chorei 15 dias, arrumei o telefone do lugar, mas era tarde. Atropelado. Chega.

Não era por eles, só. Era por mim. Necessidade que eu tinha de ajudar. O radar para as dores deles não desligava e eu não podia ignorar. Prometi que, desse dia em diante, iria ajudar sempre.

Fui fazer um filme em Barcelos, na Amazônia. Lá eu a vi, em posição fetal, amarrada a uma árvore. Nina me chama. Sem nem me olhar. A macaca-prego de barriga amarela acabou no meu colo de tanto que falei dela. E nem sabia o que fazer, mas tinha que fazer. Liguei para Dayse, a bióloga que me ensinou a cuidar. Comprei fraldas, leite, taquei tudo numa bolsa e fui para o set de filmagem. Na volta, punha ela para dormir cantando.

Menina me chama. Está surda. Tem a idade do meu despertar. Da menina que vive dentro de mim.

Eu resgato animais abandonados e, ao doar para um novo lar, me resgato também. Já não consigo comer carne, frango. A natureza de cuidar é maior que a de ser predador em mim.

Menina me chama. Eu obedeço. Ela, surda, mas a gente se escuta, sempre. Ela quer sair, passear por aí, ser animal.

Quem sou eu para não responder? Esta não seria eu.

Fonte: O Globo

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Atriz brasileira faz campanha para mulheres grávidas não abandonarem seus cães


Betty Gofman, grávida de oito meses, com Menina, Lilica e Sofia: "Abandonar o cachorro é um absurdo"

Betty Gofman posa, aos oito meses de gestação de gêmeas, com Menina, Lilica e Sofia, suas três cachorras. A atriz quis ser fotografada assim, quase parindo e ao lado de suas “galguinhas”, para dar início a uma campanha contra o abandono de cães por mulheres grávidas.

As pessoas sempre me perguntam: “o que você vai fazer com seus cachorros agora que está grávida?”. Eu acho essa pergunta cretina, fico indignada”, diz. “Isso me deixa louca porque é muita ignorância das mulheres que esperam bebês, e dos médicos também, acharem que os cachorros fazem mal à saúde da família”.

De acordo com o jornal O Globo, Betty alerta que, por causa de toda essa desinformação, muita mulher grávida acaba doando ou abandonando seus cachorros na rua. “Fico chocada”, diz. “A pessoa amava seu cachorro e depois quer se livrar dele?”.

Betty costuma cuidar de cachorros abandonados na rua para depois entregá-los a quem se interesse por adotá-los. “Dou um trato legal e tenho a ajuda de três veterinários”. Ela conta que já cuidou de mais de cem cães e gatos abandonados antes de doá-los. “Sou uma casa de passagem, recupero os bichos e depois dou para quem estiver querendo de verdade.” Quer ver Betty revoltada? Diga algo do tipo: “Bem que ela podia ajudar também as crianças abandonadas e os velhinhos desamparados”

“Quem fala essas coisas costuma ser um espírito de porco que não ajuda ninguém. Quem tem senso de solidariedade vê que cada um faz sua parte. A minha é essa.”



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Reynaldo Gianecchini, Malu Mader e outros artistas posam com cães abandonados para calendário de abrigo

Atores participaram de iniciativa da Sociedade Protetora dos Animais

Reynaldo Gianecchini com Fluzão, um dos animais da SUIPA, que aguardam por adoção.

Reynaldo Gianecchini e Malu Mader posaram com cães que aguardam por adoção para o o calendário 2011 da Sociedade União Internacional Protetora dos Animais (SUIPA) . Para ilustrar cada mês, cada famoso posou com animais abrigados na instituição.

Malu Mader também aderiu à causa, posando com a cadela Celina

Eduardo Moscovis e a mulher, Cynthia Howlett, Isis Valverde, Betty Gofman, Jorge Vercilo, Heloísa Perissé, Yoná Magalhães, Cássia Kiss, Carlinhos de Jesus e Osmar Prado com a filha, Luana, também participaram voluntariamente da iniciativa.

O calendário custa R$ 10 e vai ajudar a instituição a cuidar dos animais.

O calendário está a venda por R$ 10 e pode ser adquirido no site www.suipa.org.br ou pelo telefone (21) 3297-8766. A renda será revertida para a entidade, que existe desde 1943.

Fonte: Quem

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