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Família americana cria miniégua dentro de casa

Uma família americana adotou uma miniégua como seu animal de estimação em Belgrade, no estado de Montana (EUA). Rowan pesa 45 kg e tem lugar privilegiado na casa dos Thorn.

O animal dorme ao lado da cama de seus donos, toma banho na mesma banheira que Mike Thorn e sua mulher e ainda convive harmoniosamente com o casal na sala. As portas da residência foram adaptadas para que Rowan tenha passe livre entre a casa e o quintal, onde corre todas as tardes.

(Foto: Nick Wolcott/AP)
(Foto: Nick Wolcott/AP)

“Na verdade, é como ter um cachorro grande”, contou Mike Thorn à agência de notícias AP. “Com exceção, é claro, quando ela pisa no seu pé. A dor é muito mais forte”, completou ele.

Fonte: G1

Nota da Redação: Para tutelar um animal, não basta tratá-lo com carinho. É preciso oferecer-lhe as condições para que ele viva da forma mais natural possível. Um animal de porte maior exige espaços maiores para circular livremente, e o tutor, a partir do momento que o adota, deve estar ciente de sua responsabilidade sobre o bem-estar e o bem-próprio do animal acolhido como companheiro.

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Bem-estar vs. bem próprio

Quando se fala da ética animal ou ambiental do cuidado, há que se destacar dois pontos: a distinção entre bem-estar e bem próprio dos animais e ecossistemas cuidados, e o desafio de cuidar dessa distinção quando queremos oferecer cuidado a animais humanos e não humanos, ou a seres vivos não animados.

Urge ganhar consciência de que a singularidade da mente humana ainda não alcançou um padrão que nos torne aptos a oferecer o devido cuidado a qualquer ser vivo. Essa consciência é necessária, para que evitemos dois erros: julgar que basta oferecer cuidado e já se cumpriu o dever moral; e julgar que o cuidado tem apenas uma matriz, com a qual podemos tratar de qualquer tipo de vida e de qualquer indivíduo.

Os animais nos dizem o que sentem. Não sabemos decifrar. Algumas pessoas julgam que podem decifrar o que os animais que vivem com elas lhes dizem. Mas, no caso do cuidado de animais com os quais não mantemos um vínculo amoroso cuidadoso, já não deveríamos estar tão convencidos de que sabemos o que é melhor para o bem próprio deles. Pode ser que fiquemos apenas no bem-estar físico. Esse é o básico.

Mas cuidar de um animal ou ecossistema exige que se vá além do básico. Exige que nosso cuidado não os impeça de buscarem seu próprio bem a seu próprio modo específico. Por isso, precisamos estudar o animal individualmente. Cada um tem suas preferências e sua inteligência peculiar, mesmo sendo de única espécie. O que oferecermos a um indivíduo pode lhe ser agradável, mas não devemos estar tão certos de que todos os outros daquela espécie também acharão agradável.

Obviamente, comida, água e abrigo para proteção contra chuva, frio, vento e ruídos aterrorizadores, para dar apenas alguns exemplos, são algo que pode trazer alívio para quase todos os animais, humanos e não humanos.

Mas, se vamos mais fundo, qual comida é saudável para qual indivíduo? Que tipo de água é boa para qual animal? Qual o tipo de abrigo? Qual o tipo de tecido pode causar doenças pulmonares nos bichos “de estimação”, qual o tipo de material de revestimento do solo e paredes pode ser apropriado para qual animal? As questões podem ser arroladas quase que ad infinitum. É disso que precisamos falar mais, conforme o afirma Rita Manning. Não basta falar apenas de direitos animais. Precisamos conhecer e respeitar suas preferências. Por isso, a briga de Francione contra Singer, em vez de nos fazer progredir no estudo da questão, nos faz retrogredir. Mantenho os dois, dando prioridade a um dos discursos, ou a outro, dependendo do tipo de questão que está em jogo.

Acabo de ler Alex e eu, da cientista Irene M. Pepperberg. A história do papagaio cinzento que espantou o mundo mostrando que sua inteligência estava vinculada à linguagem, e esta tinha a mesma estrutura humana. O fato é que esse estudo revelador revolucionou a ciência. Mas também custou o encurtamento da vida do Alex. Mantido em confinamento nos laboratórios por onde foi levado por três décadas, o animal foi privado da vida que certamente teria sido boa para ele. Em vez de viver 50 anos, morreu aos 31.

Não desvalorizo o conhecimento que a cientista arrebanhou a partir do estudo que heroicamente levou a termo por três décadas, sem receber apoio na maior parte do tempo, justamente porque desmentia que aves fossem vivos-vazios, conforme o afirmou Descartes há mais de 400 anos em relação a qualquer animal não humano.

Mas se cientistas ficassem estudando por 30 anos os animais em seus ambientes naturais, provavelmente já nos teriam legado uma ciência digna de ser apreciada, não um conhecimento obtido a fórceps com métodos experimentais que privilegiam o formato da linguagem do pesquisador, em vez de construir um modelo apropriado para decifrar a linguagem do animal. O Alex mostrou que era capaz de usar e operar com a linguagem humana, analogamente ao que o fizeram Washoe e Koko (chimpanzés que aprenderam a linguagem dos sinais).

Mas os humanos ainda não mostraram ser capazes de usar a linguagem deles para entrar em franca e genuína comunicação com eles. Pode ser que todos os animais tenham a mesma linguagem humana, uma lógica semelhante. Mas eles não usam palavras. Seus conceitos dispensam a palavra. Eles operam com outras formas conceituais. Por isso é preciso abolir o estudo da linguagem animal pelo método experimental tradicional. Precisamos observar mais os animais em seu ambiente natural propício, pois ali eles nos dizem tudo o que diz respeito ao bem próprio de sua vida. Em jaulas, gaiolas, apartamentos, laboratórios, baias, galpões, barracos e flats nenhum animal alcança o bem próprio de sua forma de expressão da vida, ainda que ofereçamos a eles os meios para que possam gozar do bem-estar físico e emocional. Precisamos distinguir estes dois conceitos, se queremos sinceramente defender os animais: uma coisa é zelar pelo bem-estar deles, outra é defender que eles tenham a liberdade para buscar o bem que é próprio de sua expressão de vida. Não basta manter o corpo confortável. É preciso defender o espírito do animal. 

A ética animal e ambiental deve ter como foco o paciente, não o agente moral. O antropomorfismo e o antropocentrismo precisam ser abolidos da reflexão ética ecoanimalista.

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Do valor ou bem próprio

Se defendemos a vida e a integridade física e emocional de seres em  condições vulneráveis ao dano, sofrimento, exploração e morte, e se incluímos animais e ecossistemas naturais no âmbito da moralidade, reconhecemos que há algo que não deve ser destruído. Seja lá o que for, o que não admitimos ver destruído é algo que possui valor.

Em geral, quando usamos o termo valor, fazemos referência a algo que pode ser quantificado. Além disso, se pode ser quantificado ou graduado, então requer um parâmetro qualquer segundo o qual possa ser medido.

Esse modo de entender o valor tem caráter instrumental. O valor instrumental, quando reconhecido, é referido a algo que, por sua vez, foi preliminarmente reconhecido como de valor. Algo tem valor, então, se puder ser referido a partir de outro valor qualquer. No caso do valor instrumental geralmente o valor de referência é o dinheiro, o afeto, a utilidade, e assim por diante.

Mas, quando dizemos que a vida e a integridade física ou emocional de um ser têm valor moral, não nos referimos àquele tipo de valor que só existe em função de outro valor qualquer. O conceito moral do valor não admite gradações, nem equivalências. Se alguma coisa tem valor moral, isso significa que em relação a ela se deve respeitar o princípio da não-maleficência, um termo genérico que abriga muitos imperativos negativos, tais quais: não matar, não aprisionar, não danificar, não embotar, não ferir, não destruir, não explorar etc.

Ao incluirmos animais não-humanos, ecossistemas naturais e plantas no âmbito da ética, estamos admitindo que a vida e a integridade de seus organismos e de suas mentes têm um valor que não pode ser calculado em termos de dinheiro, utilidade para interesses humanos, ou nossa afeição ou rejeição por eles. O valor que a ética visa preservar é um bem específico, próprio daquele ser incluído no âmbito da comunidade moral. Destruindo-se esse bem não se pode colocar outra coisa em seu lugar como compensação, ao contrário do que tem valor instrumental. 

Quando um carro deixa de funcionar a contento, pode ser substituído por outro. Uma vida, quando destruída, não é compensada jamais por outra vida. Ter valor inerente, portanto, é ser sujeito do próprio bem, ainda que a avaliação de tal bem não seja possível para a inteligência dos agentes morais. Nossa vida tem valor inerente, do mesmo modo que o tem a vida de uma planta ou de um animal. Se perdida, nada a substituirá.

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