Foto: Marcio de Almeida Bueno
Colunistas, Vanguarda Abolicionista

Matar barata, ter pena de abelha

Foto: Marcio de Almeida Bueno
Barata capturada em pote

Quando criança na escola, lembro daqueles exercícios de ligar figuras afins. A gata com os gatinhos, a cadela com os cachorrinhos, a vaca com um copo de leite, a abelha com um pote de mel. Nessas lições também se falava sobre animais úteis e animais nocivos. A diferenciação era clara, e tudo isso valia nota na hora da prova. Eu era um bom aluno.

Mais ou menos nessa época, lembro de um dia chegar em casa eufórico e contar para a minha mãe que eu tinha matado um louva-a-deus. Eu estava certo de que havia feito o bem, colaborado com a coletividade – tal como se devia matar aranhas, cobras, escorpiões. “Mas para que matar o louva-a-deus?”, questionou minha mãe, entre o espanto e a indignação. Eu fiquei sem resposta, a pergunta suspensa no ar antes de se espatifar no chão. Ninguém pisava nas formigas, e então o louva-a-deus também mereceria nosso respeito? Uma lição materna a mais.

Trinta anos depois, como ativista, brigo com o mundo para desconstruir preconceitos, e aqui o especismo. Seus tentáculos invisíveis envolvem as ‘pessoas de bem’, defensores de animais, protetores, vegetarianos, veganos e até a intelligentsia da causa animal. Seja no linguajar cheio de ‘porcaria, burrice, asneira, besteira, cachorrada, galinhagem’, seja na tolerância com o sofrimento alheio na hora das compras em supermercado ou na revolta seletiva contra esta violência, mas não contra aquela.

Abre parênteses. Ontem vi por acaso a foto da reunião natalina de um ‘grupo ativista’ famoso pelas posições bem-estaristas cheias de orgulho e amor. Na mesa, a lata de uma cerveja famosa por patrocinar tudo quanto é rodeio e vaquejada aqui neste país. Um brinde! Fecha parênteses.

Então a discussão antiespecista parece estar indo para o final da fila, nesta onda de vegetarianos-estritos-e-olhe-lá-que-usam-crachá-de-vegano. As redes sociais estão cheias deles.

E eu também ando cheio deles.

Sempre há baratas na cozinha aqui de casa. Capturo com um pote e jogo no jardim do prédio. Falar isso na Internet – essa terra de ninguém, onde todos manjam horrores sobre qualquer assunto – é abrir comportas para uma enxurrada de indagações, piadas, preconceitos, senso comum, palpites-de-vó-chata e estranhamento. E não me refiro a gente fora do círculo da causa animal, alheia a qualquer debate e dilemas éticos na nossa relação com os não-humanos. Me refiro a essa turma descolada, viajada, com tatuagens estratégicas, barba-padrão, óculos esquisito, vestido de Luluzinha e celular na mão, sendo conferido a cada instante. Vocês, jovens.

Então a pessoa não consome mel para não explorar as abelhas – esses insetos fofos! – mas dá risada de alguém que diz não matar baratas. Ou dá dica de uma boa fórmula caseira de veneno ecológico. Claro, precisamos nos preocupar com o planeta.

‘Ah mas eu tenho medo’, ‘ah mas elas voam no meu cabelo’, ‘ah mas elas passam doenças’, ‘é bicho do demonho’, ‘tem que dar chinelada e pronto’, e todas aquelas frases que o senso comum faz as pessoas repetirem, tal como aqueles marionetes sentados no colo do humorista. Até a voz caricata é parecida. Mas entre uma série do Netflix e outra, esse pessoal desdenha porque aprendeu firme a desdenhar, a relativizar a dor, a ser seletivo na compaixão com os não-humanos, a colocar o interesse das pessoas até mesmo dentro do veganismo antiespecista – que seria a única movimentação 100% em prol dos demais habitantes deste planeta.

Eu fui um bom aluno porque aprendi a ter o prazer de aprender coisas novas e desconstruir as lições ultrapassadas. Hoje sou vegano e não como mel. E não mato barata.

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Notícias

Cientistas querem nos convencer de que leite de barata é bom pra nós

Divulgação
Divulgação

O Science Alert compartilhou recentemente a história sobre o desenvolvimento de leite de barata. A motivação alegada por trás da pesquisa sobre estes insetos, feita no Instituto de Biologia de Células Estaminais e Medicina Regenerativa da Índia, é seu valor nutricional e a esperança de que isso ajude nossa população em crescimento (algo que o National Academy of Sciences diz que uma alimentação 100% vegetal pode fazer).

Embora as baratas na verdade não produzam leite igual aos mamíferos, uma espécie chamada diploptera punctata alimenta seus bebês com algo que os seres humanos querem roubar. Os cristais de proteína secretados por estas baratas são quatro vezes mais “nutritivos” do que o leite de vaca, e também mais elevados em calorias, disseram os cientistas.

Antes de imaginar as pequenas prateleiras de inseminação e equipamentos que seriam necessários para extrair “leite” dessas baratas, estão tentando produzi-lo em laboratório. Contudo, extrato de barriga de barata provavelmente não será facilmente comercializavel, embora a fórmula para crescimento de bezerros, de alguma forma, seja. Enfatizando que o fato de que estes cristais produzem mais proteína ao longo da digestão não é uma desculpa adequada para encontrar novas formas de promover novas oportunidades de exploração.

No entanto, eles alertam que quem segue uma dieta ocidental e quem quer ficar em forma não vai querer esse leite de barata. Isso significa que qualquer pessoa em defesa das baratas e de sua saúde terá que ficar com a boa e velha couve e todos os outros super alimentos que ingerimos regularmente.

Pode-se apostar que leite de quinoa tenha mais chances de sobrevivência que o de baratas, no fim das contas.

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Barata ganha santuário memorial em Universidade do Texas

Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Foto: Imgur/jimmyevil
3 de Dezembro. Foto: Imgur/jimmyevil

As baratas são animais que jamais contaram com a simpatia dos humanos, mas talvez alguns corações de pessoas cresçam em compaixão em certas épocas do ano, como o Natal, por exemplo. Apesar do espírito natalino não ter sido suficiente para poupar a vida de uma barata do Texas, ele talvez possa explicar por que a indiferença humana quanto à morte desses insetos se transformou abruptamente em uma incomum celebração da vida. Aconteceu no Texas, nos Estados Unidos, e as informações são da Mother Nature Network.

Uma barata, postumamente chamada “Rosie”, morreu recentemente em uma escadaria da Universidade do Texas, de acordo com Michael Alvard, um professor da escola que originalmente postou as fotos que rapidamente vieram a se tornar virais no Facebook. Após o corpo de Rosie ter permanecido no local por pelo menos duas semanas, “alguma pessoa empreendedora” fez para ela um pequeno altar, explica Alvard. Como se pode ver nas fotos a seguir, o tributo tomou vulto a partir de então.

O santuário foi relativamente humilde a princípio – alguém colocou o corpo de Rosie sobre um pedaço de papel azul com estrelas cor de rosa, e montou uma lápide de cartolina, completando-a com uma flor de papel. Isso foi logo seguido por flores de verdade, juntamente com decorações menos tradicionais, como uma bandagem adesiva e um grampo.

Foto: Imgur/jimmyevil
No dia seguinte, 4 de Dezembro. Foto: Imgur/jimmyevil

A popularidade da ideia continuou a crescer conforme mais pessoas passavam pela pequena homenagem, vindo a inspirar em seguida a adição de uma placa que exibia a figura de uma barata sob as palavras “Nunca a esqueceremos”. Novos itens também foram acrescentados à pilha de presentes, incluindo moedas, pedras, tampas de garrafas, um pirulito e um cigarro, entre outras coisas.

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Mais interações, ainda no dia 4 de Dezembro. Foto: Imgur/jimmyevil
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Dia 4 de Dezembro, flores de verdade, pedras, pirulito, cigarro e pequenos bilhetes. Foto: Imgur/jimmyevil
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Foto: Imgur/jimmyevil

“Há uma vela agora e um pequeno caixão para a carcaça”, escreveu Alvard em 4 de dezembro. “E, para que fique registrado, eu não tenho nada a ver com a gênese deste memorial”.

Não obstante, o tributo à vida de Rosie aparentemente gerou um recorde de visitantes ao prédio da universidade (que corresponde à faculdade de Antropologia), onde a escadaria está localizada. O caixão foi logo rodeado por pequenas árvores de plástico, e então elevado para uma pequena pira funeral com palitos e gravetos. “Você estava sempre lá para me dizer alô de manhã, Rosie! Nós sentiremos a sua falta”, dizia uma nota colada na parede, em meio a uma série de outros bilhetes com mensagens desse tipo.

Foto: Imgur/jimmyevil
No dia 5 de Dezembro há havia um pequeno caixão, cercado de árvores e mais presentes. Foto: Imgur/jimmyevil
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Dia 16 de Dezembro: incontáveis presentes, velas, bichos de pelúcia, bilhetes adesivos com mensagens, poemas na parede. Foto: Imgur/jimmyevil

O santuário memorial se expandiu mais e mais no decorrer do mês de dezembro, e uma última “celebração de sua vida” foi até mesmo adiada para que Rosie prolongasse o seu período de fama um pouco mais. Finalmente, cercada por velas religiosas e dezenas de outros presentes, como pequenos bichos de pelúcia, Rosie foi cremada no dia 17 de dezembro. E, enquanto ela parte de sua escadaria terrena para uma nova ascensão para o céu das baratas, ela deixa um presente para nós, também: um lembrete do quão bondosos os seres humanos podem ser.

Foto: Imgur/jimmyevil
Foto: Imgur/jimmyevil
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No dia 17 de Dezembro, Rosie é cremada, lembrando que, quando os humanos querem, eles podem ser de fato surpreendentemente bondosos. Foto: Imgur/jimmyevil
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Colunistas, Desobediência Vegana

As baratas fantasmas e os ratos de porão

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Alguns animais causam repulsa ao animal humano. Este, o homem, causa medo e terror, espalha a tirania por onde caminha.

O filósofo Carlos Naconecy escreveu um importante ensaio intitulado Ética animal…Ou uma “ética para vertebrados”?: UM ANIMALISTA TAMBÉM PRATICA ESPECISMO?” problematizando o especismo interno muito forte no ativismo.

Esse artigo é talvez um dos mais importantes para o ativista que pretende estar isento de especismo. Pois veganismo não é só comida. E o veganismo abolicionista não pode contemplar apenas alguns tipos de animais.

Onde está a preocupação com os animais invertebrados? Na classe Insecta (Insetos) estão o maior número de animais que existem sobre a face da Terra. Mas reina sobre os ativistas um silêncio sepulcral sobre estes seres.

Enquanto escrevo este artigo, uma abelha, animal ameaçado sumir do mapa terrestre está sobrevoando meu escritório, numa clara demonstração de desequilíbrio de sua espécie. Isso tem acontecido diariamente, ela entra aqui, minutos depois está morta ao chão.

Mas mel, produto da pecuária de abelhas, até os falsos veganos desejam. Mostrando o quanto a vontade de explorar/dominar/ é forte na espécie humana.

O tema desta crônica são as baratas, insetos da Ordem Blattodea. São divididas em várias espécies, que vivem nas regiões neotropicais.

A grande maioria das espécies são silvestres, apenas 1% buscam conviver com o ser humano. Um artigo brasileiro sobre baratas revelou que 20% da população de três cidades não considera a presença desse inseto em suas casas desagradável.

As baratas são onívoras, como o ser humano, e como nossa espécie, é considerada uma praga por muitas características em comum. Só que, nós é que as classificamos como praga. Ninguém nos classificou oficialmente como tal.

Seus predadores e parasitas são bactérias, vermes, fungos, protozoários, artrópodes como ácaros, aranhas, besouros, escorpiões, hemípteros e himenópteros e vertebrados.

O olhar especista aprendeu a ver em alguns animais o apego, em outros o nojo e em outros o medo. Desde cedo eu brincava perto de ninhos de cobra, até mesmo perto delas, pois morava em uma região onde existia resquícios de mata. Jamais tive medo. Tinha medo era de aranha. De suas pernas longas e belas. Eu matava baratas. Hoje as vejo de um modo diferente.

Depois de cursar Biologia, o entendimento substituiu o medo, e tornou-se admiração. Uma hora é preciso amadurecer e senão amar, apenas deixar em paz.

Hoje, vejo as baratas apenas como mais um animal, mais um dos seres a que me dedico na causa em que luto. Doenças, os porcos transmitem na prisão onde vivem pois estão cativos, assim como os cães, os gatos, as vacas, as galinhas, todos, potencialmente, mas muito ‘potencialmente’, poderiam transmitir.

Até hoje, se eu peguei alguma doença, foi única e exclusivamente de humanos.

Humanos sujos e relaxados que entram num restaurante e não lavam-se as mãos, que usam o dinheiro e comem em seguida, que espirram em qualquer lugar e sem tapar-se a boca, que não se lavam a bunda depois de cagar, que têm modos imundos. E a culpa é das formigas. São elas, meus amigos, que levam infecções aos hospitais, disse-me uma nutricionista, especista, dentro do seu ambiente inóspito e imundo.

Quando sabemos que muitas pessoas dentro dos “locais de saúde”, sequer lavam-se as mãos quando saem do banheiro. Profissionais saem do ambiente hospitalar e com o mesmo “jaleco” – que mais serve para status do que para isolamento ou higiene – vão almoçar na cantina podre da esquina… Como é a geladeira da casa do vivente? Não seria uma boa casa de insetos?

Existe uma infinidade de sites incentivando o extermínio de baratas, afirmando inclusive de que elas não têm nenhuma função na cadeia ecológica, disseminando lendas urbanas, e muitos destes sites são de empresas de extermínio de insetos, roedores e morcegos – estes – mamíferos desprezados por alguns ativistas.

Um funcionário que trabalhou durante anos em uma dessas empresas contou-me que o costume em algumas delas é matar a pauladas, com muito sadismo e risos, os ratos que porventura povoam os depósitos de supermercados e armazéns.
Boa parte dessas lendas sobre animais começou na escola, quando professores medíocres ‘ensinavam’ e ainda ‘ensinam’ sobre animais úteis e inúteis.

Hoje eu vejo um rato, uma barata, e não faço escândalo. Na verdade, nunca fiz. O condicionamento que faz pensar que um animal merece morrer, é útil ou inútil, que pode atacar ou servir de comida se transformou em mim. Já era tempo.

Para não ter animais circulando em casa, pega-se um pote, captura-se o animal, leva-se lá para fora. E procura-se manter a casa limpa, para não atrair quem queira se alimentar de detritos. Se você quer a presença de uma ave em suas janelas, deixe água fresca e comida. Se quer a presença de baratas e ratos, deixe lixo, papel higiênico em cestos, sebo de carne em cima da pia, etc. As moscas também gostam disso e nas matas existem espécies de flores com cheiro desagradável, de merda para quem não sabe, que as atrai. Uma entra sem querer por minha janela, mas sei de onde elas vieram: normalmente da vizinhança que faz churrasco dia e noite.

Na Arqueologia, durante uma escavação de um sítio arqueológico, já trabalhei em meio a escorpiões numa praia. Apenas tomava cuidado com eles. Os escorpiões apenas fugiam, sem picar ninguém.

O extermínio de baratas com venenos e mesmo com o chinelo, apenas selecionou geneticamente as baratas mais fortes, inteligentes, e mais preparadas para viver no ambiente urbano.

Elas são inteligentes, sensíveis, detectam a presença humana a muitos metros, e são perfeitamente ágeis, praticamente invisíveis quando querem e parecem fantasmas, pois simplesmente somem de nossa visão, se assim preferirem. Portanto, subestimar uma barata é ser ignorante quanto aos animais, e é ser especista. Eu as respeito. Pois vi mais de uma desaparecer como fantasmas diante de mim.

O que dizem sobre os ratos e cães dominar a Terra, eu melhor digo sobre as baratas.

As baratas dominarão o mundo, na nossa ausência, mas mais do que nunca – já dominam, no completo silêncio e na sua completa magnitude, pois estão pouco se lixando para nossa soberba e se alimentam com o que a gente sabe melhor produzir: lixo.

Para ler o artigo completo do filósofo, acesse o site.

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Empresa cria aparelho absurdo que controla movimentos de baratas vivas

(da Redação)

Foto: Backyard Brain
Foto: Backyard Brain

“Controle os movimentos de uma barata viva de seu próprio celular!  Este é o primeiro cyborg disponível para comercialização no mundo!”, esse é o slogan sádico que está causando curiosidade no mundo da tecnologia: baratas cibernéticas que podem ser controladas através de um smartphone, projetadas para ensinar a jovens neurocientistas as complexidades do campo científico. No entanto, críticos dizem que o dispositivo representa algo que vai além da crueldade animal. As informações são da Care2.

Apelidado de “RoboRoach”, o então chamado cyborg foi a principal atração de um recente evento TEDx apresentado por Greg Gage e Tim Marzullo, os co-fundadores da RoboRoach HQ, com a empresa Backyard Brains. A equipe da Brains diz ter por objetivo fazer de qualquer pessoa um neurocientista, fornecendo “kits” de neurociência acessíveis a estudantes de todas as idades. A empresa recebeu financiamento para este projeto em particular através de uma campanha bem sucedida da plataforma de financiamento chamada Kickstarter.

Veja o vídeo a respeito do RoboRoach:

O sistema funciona com o uso de eletrodos que alimentam diretamente as antenas da barata, proporcionando estimulação controlada para fazer a barata achar que encontrou um obstáculo. No entanto, o novo aplicativo explora a tecnologia Bluetooth de smartphones para controlar o estímulo, permitindo que o operador dirija a barata para a esquerda ou para a direita, como assim o usuário desejar. Segundo a reportagem, essa configuração requer algum trabalho, e é aí que entra o aspecto “pedagógico”.

De modo a criar as suas próprias “barata cyborg”, os alunos recebem uma série de instruções em seu kit RoboRoach. Eles são instruídos a mergulhar a barata em água com gelo para anestesiá-la. Eles, então, lixam uma área sobre a cabeça da barata, para que possam colar os eletrodos necessários no local. Um fio terra deve ser inserido no corpo da barata. As antenas da barata são então cortadas, e eletrodos de prata são inseridos para receber os impulsos da unidade de circuito (uma “mochila”) presa ao redor do corpo da barata.

Esse kit insensato e “educacional” estará disponível para venda no mercado por 99,99 dólares, e será lançado nos Estados Unidos no próximo mês.

Os críticos estão apontando para a questão ética: o dispositivo envolve uma manipulação praticamente cirúrgica na barata e o uso de estímulo elétrico. Os idealizadores argumentam que os microamperes usados para controlar a barata são baixos e apresentam pouco desconforto a ela, que se adaptaria rapidamente a esse grau de amperagem.

Marzullo chamou essas preocupações dos críticos de equivocadas, e comparou o sistema a um freio: “Às vezes recebemos e-mails nos chamando de psicopatas e nos acusando de estar incentivando danos a animais”, diz ele. “Se tivéssemos inventado a rédea para guiar o cavalo, algumas pessoas diriam que esse seria um controle prejudicial aos animais. Isso tudo mostra o quão pouco a maioria das pessoas sabe sobre o funcionamento dos neurônios porque nunca experimentou isso na escola. É um medo do desconhecido”.

O fundador do aparelho ignora que a questão ética também vai além da dor infligida ao animal, que se refere ao próprio controle exercido pelo aparelho na barata, afinal, com esta tecnologia, pode-se controlar a vida completa do pequeno inseto. Então, além de causar sofrimento ao animal, este kit também retira qualquer possibilidade de vida livre que ele possa ter.

A analogia da embocadura no cavalo parece não ser válida, uma vez que o cavalo não tem de ser intencionalmente cortado a fim de ajustar o freio.

Independentemente disso, a Backyard Brains aparentemente se sente justificada quanto aos méritos científicos deste empreendimento. Na verdade, outras experiências descritas no site incluem o corte de duas pernas da barata para a finalidade de demonstrar os princípios básicos da prótese neural. Como a seção “Ética” do site mostra, a empresa absolutamente não se intimida diante da prática de testes em animais e acredita estar dentro dos limites da prática educativa aceitável ao realizá-los. Eles fazem notar, porém, que anestesiam as baratas, e que todas as baratas que foram utilizadas para testar este produto não foram mortas e sim tiveram a possibilidade de viver seus dias restantes em uma fazenda de baratas.

Contudo, os críticos não ficaram satisfeitos com estas respostas. Eles afirmam que, não importa o valor educacional, há questões éticas mais amplas envolvidas. Uma delas é que ele encoraja crianças a realizar procedimentos cirúrgicos danosos em seres vivos e reforçar a ideia de que seres humanos podem controlar e subjugar outros animais.

Enquanto os idealizadores do RoboRoach insistem que todos os kits distribuídos foram usados com responsabilidade, eles apresentam uma alta chance de serem utilizados de forma abusiva.

Jonathan Balcombe, da Humane Society University em Washington, D.C., fez um comentário pertinente: “Se fosse descoberto que um professor está orientando alunos a usar lentes de aumento para queimar formigas para depois olhar para seus tecidos, como as pessoas iriam reagir?”.

Essencialmente, no entanto, a principal crítica é que isso não é necessário, e não importa o quão bem intencionado, o RoboRoach realmente pode ser utilizado para nada mais do que entretenimento.

O PETA também criticou o RoboRoach, dizendo: “Ser desrespeitoso com formas de vida porque elas são pequenas e porque nós não sabemos entender ou apreciar completamente o seu lugar no esquema maior das coisas está errado. É retrógrado e moralmente duvidoso”. Os fabricantes do RoboRoach são capazes de se esconder atrás de um escudo usado frequentemente que consiste na justificativa da experimentação animal como ajuda para o conhecimento médico avançado. Como esta é uma prática tida como não letal pelos criadores, que também o defendem como algo voltado a seduzir os jovens a entrar no campo científico, eles parecem ignorar as implicações. Os criadores ainda afirmam que são contra a antropomorfização das baratas, ou seja, contra considerar que baratas tenham algum direito humano.
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Notícias

Barata é feita ciborgue para ensinar neurociência

Criadores do projeto afirmam que ele não provoca dores no inseto Foto: G1
Foto: G1

Um projeto lançado para criar “baratas ciborgues”, controladas por celular, será lançado esta semana em uma conferência de tecnologia, entretenimento e design na cidade de Edimburgo, na Escócia.

Um dos lançamentos mais aguardados do evento TEDGlobal, especializado em novas tecnologias, é a chamada barata-robô, ou “RoboRoach” (em referência a cockroach, barata em inglês) – uma invenção do neurocientista Greg Gage.

Sua finalidade é supostamente didática. O projeto vem sendo alvo de críticas.

Como funciona

Para ser “adaptada“, a barata viva recebe uma espécie de mochila, com ligações diretas para os neurônios de suas antenas, que enviam informações para o cérebro por meio de impulsos elétricos.

Segundo Gage, o inseto é submetido então a uma pequena cirurgia com anestesia para conectar os fios às antenas. Os movimentos dos insetos são então controlados por meio de dispositivos como telefones celulares.

“Não é apenas um truque. Usamos a mesma técnica empregada para tratar o mal de Parkinson e os implantes cocleares (auditivos), explica Gage.

O 'inseto ciborgue' é controlado por meio de dispositivos como celulares Foto: G1
O ‘inseto ciborgue’ é controlado por meio de
dispositivos como celulares Foto: G1

Críticas


Gage afirmou que o lado ético de se trabalhar dessa maneira foi muito debatido, em relação ao tratamento dado às baratas.

“Estamos muito confiantes de que o experimento não provoca dor no inseto e de que as baratas continuam a controlar suas vontades, porque se adaptam muito rapidamente e ignoram o estímulo“, diz Gage.

No entanto, a Sociedade para a Prevenção da Crueldade contra os Animais no Reino Unido (RSPCA por sua sigla em Inglês), expressou preocupação. “Acreditamos não ser apropriado incentivar crianças a desmantelar e desconstruir insetos“, disse um porta-voz.

“O fato de um neurocientista estar ‘muito seguro’ de que não está provocando dor não é suficiente. Há muitos estudos fascinantes envolvendo insetos que podem ajudar as crianças a aprender e que não envolvem danos deliberados aos animais“, acrescentou.

Fonte: G1

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Vanguarda Abolicionista

A hora de abrir a porta da geladeira ou 'Animais-figurinhas-raras'

“É chegada a hora da reeducação de alguém / Do Pai, do Filho, do Espírito Santo / Amém / O certo é louco tomar eletrochoque / O certo é saber que o certo é certo / O macho adulto branco sempre no comando”
(Caetano Veloso, em ‘O Estrangeiro’)

Então as pessoas aprenderam na tenra infância – e depois, ao longo da vida, são incapazes de contestar – que tudo está compartimentado, que cada certeza vem com uma etiqueta própria, a tag correspondente na indexação da vida. Ai do aluno que não desenhar corretamente a pirâmide alimentar na prova de Ciências, com porquinho, prato de arroz e feijão, frutas, manteiga e tal. Tudo de forma hierárquica à moda da escola-igreja-família. Aquela é a resposta certa, e nem todos têm um rap na ponta da língua para tentar, ao menos tentar, questionar o que está vindo de cima, containers de decretos chovendo sobre nossas cabeças.

Nisso, dizer que não consome produtos de origem animal, não usa sapato de couro, não dá chinelada em barata, não faz aquilo outro, é bater de frente com um pensamento já bem cimentado na cabeça da maioria. Que, vá lá, acha um horror que alguém mate um cachorrinho a chutes ou dê arpoadas em uma baleia, tadinha, mas segue a vida no trator eterno das certezas. Vai deixando suas marcas por onde passa, e a dor é nos outros, nos inferiores, menores, indefesos e domesticados, um horizonte de seres invisíveis.

De outra sorte, essas certezas engatilhadas e prontas para disparar é que colocam alguns animais – e bota ‘alguns’ nisso – como figurinhas raras a completar o álbum do conservacionista, o filatelista ambiental, o numismata da natureza, o que se preocupa com a biodiversidade como se fosse TOC. Aquela coisa de ‘preciso tocar em cada poste pelo qual passar’, mas aplicado a não humanos – exceto os da pecuária, que são saboreados com bom gosto e sem peso algum na consciência, na hora de palitar os dentes e chupar discretamente os fiapinhos.

O que traz a desgraça do nosso amigo peixe, ao qual se aplicam as mais risíveis lendas urbanas – ‘não sente dor’, ‘tem consciência coletiva’, ‘não é carne, é fruto do mar’ – para que o cidadão autodeclarado consciente e conhecedor do mundo possa comer aquele filezinho sem grilo, com umas gotas de limão por cima, e talvez uma casquinha de siri como acepipe. A raiz bíblica, suponho, que colocou o nosso amigo peixe nessa situação ímpar, explicita o caráter de autossugestão necessário para que nenhum sininho dispare na consciência de quem se refestela, à mesa, com dor, escravidão e/ou morte de outros animais, lá longe e fora do alcance dos sentidos.

Hierarquicamente abaixo de si, claro.

E no momento em que um monólogo/diálogo se inicia visando ao esclarecimento de pontos como esse – de como os não humanos estão fora do círculo de significação moral, como até outros humanos estiveram, historicamente – a reação das pessoas ainda vai do estranhamento incrédulo ao deboche desconcertado, como se estivesse diante de um doido, em pleno desvario, soprando bolhas de sabão de informações absurdas. Tudo é normal para quem não se habitua a questionar, sendo anormal a pergunta fora de hora, a opinião não desenhada com régua e compasso. E essa fórmula toda que o sistema lhe apresenta é algo natural, tradicional, mesmo que azeitada com a opressão de bilhões – somente em Corumbá/MS são 2 milhões de ‘cabeças’ de gado, aguardando o apetite de famílias humanas, a hora de abrir a porta da geladeira.

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Notícias

Campeonato de ingestão de baratas irrita grupo de defesa animal

Um grupo de defesa dos direitos dos animais solicitou, nesta terça-feira (19), que a operadora de um parque temático na América do Norte cancelasse uma competição em que as pessoas tentam quebrar o recorde de comer mais baratas.

A operadora de parques temáticos Six Flags Inc, com base em Nova York, está realizando o campeonato como parte de uma promoção que vai até o Halloween, em que também está oferecendo aos clientes entrada gratuita ou vantagens nas filas se elas comerem baratas Madagascar vivas.

A organização People for the Ethical Treatment of Animals (Peta) disse que recebeu inúmeras chamadas de crianças, adultos e até funcionários não identificados da Six Flags que se opõem à competição e à promoção em geral.

“Insetos não merecem ser comidos vivos, especialmente em um golpe publicitário desnecessário”, disse à Reuters a porta-voz da Peta, Jackie Vergerio.

A competição para bater o recorde mundial de comer baratas será feita na sexta-feira, em um parque da Six Flags em Gurnee, Illinois. Qualquer pessoa que bater o recorde ganhará uma entrada de temporada para quatro pessoas, válido para 2007, com status VIP – o ganhador não precisará ficar nas filas para as atrações.

Os competidores tentarão quebrar o recorde mundial atual, que pertence a Ken Edwards, de Derbyshire, Inglaterra, que comeu 36 baratas Madagascar em um minuto, em 2001.

Entretanto, o porta-voz da Six Flags, James Taylor, disse que as únicas reclamações que a empresa recebeu foram das pessoas que não tiveram oportunidade para se inscrever e comer baratas porque apenas 12, dos 30 parques nos EUA, Canadá e México participavam da promoção.

Taylor negou qualquer temor relativo à saúde, dizendo que as baratas foram criadas em um ambiente estéril e eram seguras para alimentação, assim como camarões ou lagostas, e tinham um grande valor nutricional.

Baratas Madagascar são grandes, não têm asas e podem ter de 3,8 a 7,6 centímetros.

Taylor disse que ninguém que havia participado do torneio reclamou.

“É algo que se espera que seja assustador, é desagradável, é repulsivo, é uma diversão típica de Halloween e é apenas uma pequena parte das casas mal-assombradas e das diversões emocionantes que são oferecidas”.

Fonte: Terra

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