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Três atletas veganos são destaque no torneio de tênis de Wimbledon deste ano

O torneio de Wimbledon é o mais prestigiado campeonato de tênis do mundo. Apesar de antigo – ele surgiu no All England Club em Wimbledon, Londres, em 1877 -, está sempre a frente do seu tempo: foi um dos primeiros torneios a permitir que as mulheres competissem, criando a categoria Ladies Singles em 1884.

Reprodução | LIVEKINDLY

Fugir dos estereótipos parece ser uma prática que perdura ao longo dos anos no esporte. Uma quantidade crescente de atletas de tênis atualmente tem recorrido a dietas veganas, baseadas em vegetais, para alimentar a sua carreira e, claro, melhorar a saúde.

Novak Djokovic é um jogador sérvio de 31 anos. Além de atleta, ele abriu um restaurante vegano, Eqvita, em Monte Carlo, em 2016, servindo pratos coloridos inspirados no Mediterrâneo para as multidões locais e turísticas. Em entrevista à Forbes, o jogador descreveu o papel da comida em sua vida: “Como atleta, [a comida] tornou-se algo mais – o combustível que determina como eu jogo, como me recupero e como estou alerta na quadra… eu atribuo grande parte do meu sucesso profissional à minha dieta”. Ele acabou de garantir a vitória sobre o Tenny Sandgren dos EUA durante a primeira rodada de jogos em Wimbledon.

Feels good to be outdoors in the sun and hitting the ball again. Day by day… #nevergiveup ☀️

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Venus Williams, junto com sua igualmente talentosa irmã Serena, é a definição de potência pura. Se tornou profissional com apenas 14 anos de idade. Hoje com 38 anos, já ganhou 7 títulos de Grand Slam e quatro medalhas olímpicas – tudo isso enquanto lutava contra uma grave doença auto-imune.

A estrela do tênis tornou-se vegana em 2011 para combater a síndrome de Sjogren, aderindo a uma dieta crudívora rigorosa, que parece ter funcionado muito bem para ela. Ela venceu seus dois primeiros competidores em Wimbledon e segue em direção ao seu terceiro jogo.

Um ano mais nova do que sua irmã Venus, Serena seguiu seus passos, reivindicando inúmeras vitórias na quadra. Quando joga na categoria Doubles com sua irmã, elas unem forças e dominam a partida. Mas sozinha Serena não deixa a desejar: ela domina a categoria Singles atualmente. Conquistou o primeiro lugar no ranking da Women’s Tennis Association em oito ocasiões diferentes entre 2002 e 2017.

Adotou o veganismo a princípio temporariamente, em solidariedade à sua irmã quando ela precisou mudar a alimentação para combater a doença auto-imune. No entanto, desde que engravidou e teve sua filha, Olympia, ela tem se dedicado cada vez mais ao veganismo. Serena também avança no torneio Wimbledon depois de vencer suas duas primeiras partidas.

Serena, back to winning ways . #Wimbledon @serenawilliams #TakeOnHistory

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Documentário vegano produzido por James Cameron estreia nos EUA

The Game Changers aborda os mitos criados em torno da necessidade de proteína animal da perspectiva de atletas veganos e especialistas nos campos da medicina, nutrição e fitness.

Produzido pelo premiado cineasta vegano vencedor do Oscar e ativista ambiental James Cameron o documentário tem como foco os atletas veganos e seus resultados surpreendentes.

A ansiedade não é para menos, descrito como diferente de qualquer outro documentário vegano, “The Game Changers” dá uma nova perspectiva sobre os antigos estereótipos que ligam o consumo de carne à masculinidade apresentando alguns dos melhores atletas do mundo com alimentação apenas a base de plantas, como o maratonista vegano recordista Scott. Jurek, o halterofilista olímpico americano e um dos 50 homens mais habilidosos do Sport Illustrated, Kendrick Farris, o ex-bombeiro e criador de “Engine 2 Diet” Rip Esselstyn e outros atletas de elite, atletas olímpicos, membros das forças especiais e médicos de renome.

Dirigido por Louie Psihoyos também vencedor do Oscar de 2009 pelo filme The Cove, o filme estreia este final de semana nos cinemas dos EUA conforme informação do site especializado Rotten Tomatoes

Embora ainda não hajam detalhes específicos sobre a extensão do lançamento do documentário além do anúncio no Rotten Tomatoes, o filme terá um lançamento oficial após exibições bem-sucedidas em vários festivais internacionais de filmes, incluindo Sundance Festival. A expectativa já é grande nas mídias sociais.

Morgan Mitchel atleta vegana campeã australiana dos 400m duas vezes | Foto: Christopher Chan

Em janeiro, “The Game Changers” fez sua estréia no festival de cinema de Sundance, onde recebeu elogios da audiência, críticos e celebridades que assistiram à exibição. No mês seguinte, o filme fez sua estréia internacional no Festival de Cinema de Berlim. Exibições no Toronto Film Festival e no DC Film Festival logo se seguiram.

Arnold Schwarzenegger, ex-fisiculturista, ator de filmes de ação e também ex-governador da Califórnia, fala abertamente sobre seus esforços conscientes para reduzir o consumo de carne na alimentação, e também divide sua perspectiva única no filme. “Ninguém pode se relacionar com isso melhor do que eu”, diz Schwarzenegger no trailer, “porque eu vivia nesse mundo”.

Cameron também falou sobre o impacto potencial do filme, não apenas em dissipar os mitos sobre proteínas e músculos, mas também insinuou que “The Game Changers” poderia muito bem colocar o medicamento Viagra “fora dos negócios” por causa dos benefícios que um dieta à base de plantas tem sobre a virilidade.

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Especialista aponta nutrientes importantes para atletas veganos

Eliane Contreras/Reprodução Instagram

Muitas pessoas acreditam que esporte e veganismo não combinam. Também há o mito de que não é possível ganhar músculos seguindo uma dieta deste tipo — o que não é verdade! A melhora na composição corporal e na performance pode ser obtida com os tipos certos de alimentos.

De acordo com a nutricionista esportiva Mariana Marques, de São Paulo, responsável pela dieta das atletas do blog Veganas no Esporte há 9 meses, os principais desafios na alimentação de um atleta vegano é obter a quantidade necessária de nutrientes como proteínas, vitamina B12, ferro, zinco, ômega 3 e cálcio.

A orientação da ADA (American Dietetic Association) de consumo de macronutrientes para atletas é a seguinte:

Carboidratos: 6 a 10 g/kg de peso por dia. Os carboidratos equilibram os níveis de glicose no sangue durante o exercício e repõem o estoque de glicogênio muscular. A necessidade de carboidrato pode variar de acordo com o gasto energético total diário do atleta, tipo de esporte praticado, sexo e condições climáticas.

Proteínas: 1,2 a 1,7 g/kg de peso por dia para atletas de resistência ou de força (mais especificamente de 1,2 a 1,4 g/kg/dia para atletas de resistência e 1,2 a 1,7 g/kg/dia para atletas de força). Essa recomendação normalmente pode ser atingida por meio da dieta, sem o uso de suplementos proteicos ou de aminoácidos.

Lipídios: 20 a 35% da ingestão total de energia. As gorduras são fonte de energia e auxiliam na absorção das vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) e os ácidos graxos essenciais são importantes para a dieta de atletas.

Para quem aderiu ao veganismo, a maior dificuldade está em abastecer os níveis de proteínas, o que pode ser corrigido até sem suplementação. “Ela só será necessária quando não for possível atingir a necessidade do nutriente pela alimentação. É muito comum que atletas veganos suplementem vitamina B12, proteínas, aminoácidos de cadeia ramificada e creatina.”, explica Mariana. Entre as 5 opções com maior quantidade do macronutriente, estão (com base na medida de 100 gramas):

Fava de edamame 26,1 gramas de proteínas
Lentilha 24,6 gramas de proteínas
Ervilha partida 23,8 gramas de proteínas
Grão-de-bico 20,5 gramas de proteínas
Tofu 15,8 gramas de proteínas

(Fonte: TACO e SR27)

Como conciliar esporte e dieta vegana

Apesar de ser possível, combinar um regime vegano com esportes de alta intensidade sem o acompanhamento de um profissional de nutrição pode prejudicar a saúde.

“Uma dieta mal planejada poderá resultar em deficiências nutricionais, seja com ou sem derivados animais. Uma das maiores preocupações será em manter os níveis de vitamina B12, pois ela está ausente na alimentação vegana ou vegetariana”, afirma.

Abaixo, a nutricionista aponta grupos alimentares que merecem atenção na dieta dos esportistas:

Proteína: a principal fonte na dieta vegetariana é o grupo das leguminosas (feijões, grão-de-bico, lentilha, ervilha partida, fava e soja). Por isso, é importante garantir a ingestão de 2 conchas médias de qualquer um desses itens ao longo do dia.

Vitamina B12: único nutriente ausente na dieta vegana. As fontes principais teoricamente são carnes, ovos, queijo, leite e suplementos. “Alimentos de origem vegetal, como algas e produtos fermentados, não são fontes confiáveis. Para a maioria dos atletas, será necessário incluir a suplementação dessa vitamina”, explica.

Ferro: encontrado nas leguminosas, oleaginosas (especialmente na castanha-de-caju, mas também na avelã, amêndoa, pistache, macadâmia, nozes), nas sementes (abóbora, girassol, gergelim) e seus derivados, como o tahine, nos cereais integrais (arroz, quinua, aveia, trigo, cevada), nas algas e nos vegetais de folhas verdes-escuras. Para melhorar a absorção do ferro proveniente dos vegetais, fique de olho nas orientações:

Deixe as leguminosas e cereais de molho por no mínimo 12 horas e troque a água antes de cozinhá-las;

Consuma alimentos ricos em vitamina C nas refeições principais, como acerola, caju, goiaba, mamão, kiwi, morango, carambola, laranja, mexerica e/ou algumas hortaliças cruas (pimentão-amarelo, agrião, couve, brócolis, repolho). A maçã também é uma ótima opção, pois é rica em ácido málico, substância parecida com a vitamina C que ajuda na absorção do ferro;

Não consuma café nas principais refeições, onde há predomínio de alimentos ricos em ferro, pois haverá competição na absorção.

Zinco: o consumo de leguminosas, oleaginosas e cereais integrais garantem boas quantidades de zinco. Deixar as leguminosas de molho, conforme descrito acima, é a melhor forma de ajudar o organismo a aproveitar bem o zinco.

Ômega-3: um tipo de gordura muito importante para o organismo, uma vez que ele não consegue fabricá-la sozinho. Pelo seu excelente perfil anti-inflamatório, sua ingestão adequada está associada a efeitos positivos em relação a vários males, como doenças cardiovasculares, depressão, envelhecimento, inflamações no intestino, doenças autoimunes, entre outras.

As principais fontes de ômega-3 na dieta vegetariana são a linhaça e a chia. Basta o consumo diário de 1 colher de chá do óleo ou de 2 colheres de sopa da semente (a linhaça deve ser moída em casa ou comprada em pacotes protegidos de luz; a chia pode ser consumida inteira e hidratada), misturadas em frutas, sopas, saladas, arroz com feijão ou onde for conveniente.

Cálcio: o elemento de origem vegetal está disponível nas folhas verde-escuras, como couve, agrião, rúcula, brócolis, mostarda, salsão, almeirão e catalonha, nos temperos frescos, como tomilho, alecrim, hortelã, manjericão, salsinha e alho, nas leguminosas como soja, no tofu fortificado com cálcio e no feijão branco. É importante não abusar de alimentos ricos em ácido oxálico, como espinafre, beterraba (principalmente a folha), acelga e cacau em pó porque eles dificultam a absorção do cálcio

É importante ter em mente que o veganismo não é lá um bicho de sete cabeças! Como toda mudança, sobretudo alimentar, pode parecer e ser difícil no começo, mas é possível adaptar-se às novas escolhas. “O que ocorre é que a maioria de nós cresceu com uma dieta onívora e, ao resolvermos mudar de hábitos, teremos de fazer trocas. No consultório, vejo que a principal dificuldade encontrada pelos vegetarianos é, sem dúvida, o meio social. As queixas sobre a incompreensão e o desrespeito quanto à escolha alimentar são as mais constantes”, conclui Mariana.

Fonte: Boa Forma

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