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Tubarões brancos sobrevivem com níveis tóxicos de mercúrio no sangue

Foto: Getty Images/iStockphoto
Foto: Getty Images/iStockphoto

Níveis tóxicos de mercúrio, arsênico e chumbo foram encontrados em quantidades surpreendentemente altas no sangue de grandes tubarões brancos que nadavam na costa da África do Sul.

Apesar de estar presente em concentrações suficientes para matar a maioria dos animais, essas toxinas parecem não ter efeito sobre os enormes peixes marinhos.

Os cientistas responsáveis pela realização do estudo acreditam que os tubarões podem ter uma capacidade especial de resistir aos efeitos nocivos dos metais pesados.

Como os grandes tubarões brancos são predadores que pertencem ao topo de sua cadeia alimentar, eles acumulam grandes volumes de toxinas em seus corpos, provenientes de todas as outras criaturas das quais se alimentam.

“Ao medir as concentrações de toxinas como mercúrio e arsênico no sangue dos tubarões brancos, podemos usá-los como ‘índices do ecossistema’ ou seja, referência para avaliar a saúde do ecossistema, e as implicações para os seres humanos”, disse Neil Hammerschlag, co-autor do estudo realizado pela Universidade de Miami.

“Basicamente, se os tubarões têm altos níveis de toxinas em seus tecidos corporais, é provável que as espécies das quais eles estejam se alimentando, que ficam abaixo deles na cadeia alimentar, também tenham essas toxinas em seus organismos, incluindo os peixes comidos pelos seres humanos”.

Para realizar o estudo, os cientistas capturaram e examinaram minuciosamente 43 tubarões, colhendo amostras de sangue e medidas corporais, antes de etiquetá-los (marcação para acompanhamento) e liberá-los.

Como muitas espécies de tubarões estão ameaçadas de extinção, os pesquisadores ressaltaram que a descoberta é vital para entender o impacto que a contaminação por metais pesados e tóxicos tem causado sobre elas.

Os cientistas ficaram surpresos ao não encontrar nenhum efeito prejudicial na contagem de glóbulos brancos ou outros indicadores potenciais de problemas de saúde nos tubarões.

“Os resultados sugerem que os tubarões podem ter um mecanismo protetor fisiológico inerente à espécie, que combate os efeitos nocivos da exposição ao metal pesado”, disse Liza Merly, cientista que liderou o estudo.

Embora os tubarões possam, de fato, ser resistentes a esses poluentes, isso não será suficiente para protegê-los da infinidade de outras ameaças que a espécie enfrenta – principalmente a perseguição por parte dos seres humanos.

No início deste mês, especialistas anunciaram que mais espécies de tubarões estavam sendo adicionadas à lista oficial de espécies ameaçadas de extinção (IUCN), incluindo o mako shortfin, conhecido como o tubarão mais veloz do mundo.

Estes resultados foram publicados no Boletim de Poluição Marinha.

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David Kirby lança livro sobre impacto das fazendas industriais nos Estados Unidos

Por Giovanna Chinellato (da Redação)

Esse mês, o livro de David Kirby, Animal Factory (Fábrica de Animais), está sendo lançado, documentando o impacto devastador que fazendas industriais provocam à saúde humana e animal, no meio ambiente, comunidades locais e economia.


Capa do livro. (Imagem: Humane Society)


A revista American Libray Association’s Booklist publicou que, “graças ao jornalismo extraordinário de Kirby, nós temos o testemunho mais confiável, irrefutável e inesquecível dos campos das fábricas de animais”.

A Humane Society entrevistou o jornalista investigativo e autor David Kirby:

1.    Por que você se interessou por esse tema e como você pesquisou para o livro?
Alguns anos atrás, Robert Kennedy Jr. me contou de uma situação em Prairie Grove, Arkansas, em que muitas pessoas haviam contraído câncer e muitas morrido. A cidade faz fronteira com fazendas de criação, em que estrume de galinha com arsênico foi descartado por muitos, muitos anos. Se existe uma conexão, ainda há de se provar. Mas arsênico é um cancerígeno conhecido. Eu queria saber por que alguém colocaria arsênico na comida das galinhas em primeiro lugar (é um acelerador de crescimento), e foi assim que eu aprendi sobre produção industrial de animais e de onde vem a maior parte das proteínas animais. Eu passei mais de dois anos viajando pelo país e falando com pessoas dos dois lados da questão em Maryland, Dekawarem Virginia, Carolina do Norte, Ohio, Michigan, Indiana, Iowa, Missourim Illinois, Arkansas, Oklahoma, Texas, Washington, Califórnia e Washington.

2.    Animal Factory foca quatro regiões: leste da Carolina do Norte, leste de Maryland, Illinois e o Yakima Valley do estado de Washington. Por que você escolheu essas regiões para explorar o impacto ambiental de fazendas de criação?
Eu queria mostrar a diversidade geográfica da questão, e como isso afeta as pessoas em várias regiões do país. Eu também queria sublinhar histórias que refletissem tipos diferentes de operações de alimentação de animais confinados – porcos, leite, ovos – e a diversidade de problemas que elas podem criar. É claro, as pessoas que eu entrevistei nesses meios tinham histórias tristes, comoventes, para contar – e muitos são fazendeiros, então é impossível dizer que são contra a agricultura.

3.    No livro, você diminui o foco no tratamento dado aos animais em fazendas de criação e se preocupa mais com o ar, a água e o solo sendo poluídos por tais empresas. Por quê?
Antes de mais nada, pessoas gostam de ler sobre pessoas. E, por mais que eu me importe com o tratamento dispensado aos animais e seu bem-estar, incluindo os animais utilizados para consumo e produção de ovos, eu senti que a história do que está acontecendo com pessoas em comunidades reais não estava recebendo a merecida atenção. A crueldade de fazendas industriais de animais já foi eloquentemente documentada por outros autores. O público está menos informado a respeito do impacto que tanto desperdício vem trazendo aos seres humanos, à vida selvagem e comunidades inteiras.

4.    Dado que fazendas industriais hoje determinam a produção de carne, como podemos voltar às fazendas de médio porte na América?
Não acho que isso vá acontecer tão breve, apesar de muitas pessoas em meu livro preverem que a mãe natureza dará a sentença final se o sistema continuar existindo em 20 anos ou não. E o agrobusiness rotineiramente tentará realocar suas operações fora das fronteiras de seu país, se os ambientalistas, legisladores e fiscais dos EUA continuarem pressionando por reformas nas fazendas de produção, apesar de isso ser improvável. O que eu vejo acontecendo é uma revolução crescente por parte do consumidor – uma que já está bem encaminhada e foi detalhada em meu livro – na qual grandes produtores são obrigados a abrir mais e mais concessões em termos de bem-estar animal, uso de antibióticos, controles ambientais, exploração de trabalhadores etc. A pressão do público vem de diversas maneiras: na urna, no congresso, no tribunal, na Casa Brancam e no supermercado. Consumidores têm mais poder do que percebem. Se exigirem um campo que permita produtores locais menores e independentes a entrar no comércio alimentício, isso irá acontecer, e as fazendas de criação irão ruir.

Com informações de Humane Society

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