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Pesquisadores executam projeto para preservação de animais silvestres na Serra do Mar

A caça e a perda de habitat, gerada por ações humanas, colocam em risco animais silvestres que dependem da Serra do Mar para sobreviver


Pesquisadores estão atuando em um projeto que visa proteger os animais silvestres que vivem na Serra do Mar, área que abriga uma das mais ricas biodiversidades do planeta e que faz parte de um dos biomas mais ameaçados do mundo, a Mata Atlântica. A região está localizada entre os estados de São Paulo e Paraná.

Foto: Divulgação/Grandes Mamíferos Serra do Mar

Mamíferos de grande porte são frequentemente ameaçados pela perda de habitat e pela caça na região. Antas, queixadas e onças-pintadas migraram para ambientes mais elevados e remotos, deixando de ocupar toda a área da Serra do Mar, segundo o pesquisador Roberto Fusco.

“Essas espécies dependem de grandes áreas para sobreviver. Elas são particularmente vulneráveis à perda de habitat e sofrem os efeitos diretos e indiretos da pressão antrópica como a caça, extração de palmito e construção de estradas, por exemplo. Dessa forma, são as primeiras a desaparecer”, explicou ao G1.

A ausência desses animais na região é motivo de preocupação para Fusco. “Muitas áreas de floresta, inclusive dentro de Áreas Protegidas, estão demograficamente vazias desses grandes mamíferos, que por sua vez são considerados espécies-chave para avaliar a situação de proteção de uma área. Ou seja, a presença deles orienta ações estratégicas de conservação”, disse.

Para tentar reverter esse cenário, Fusco se uniu às pesquisadoras Bianca Ingberman e Mariana Landis e, juntos, criaram um projeto de monitoramento em larga escala de grandes mamíferos na Serra do Mar.

“O Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar de Monitoramento e Conservação busca promover uma agenda territorial integrada nas ações de proteção e manejo dessas espécies, assim como sensibilizar a sociedade civil da importância desse grande remanescente de floresta na conservação da vida selvagem”, afirmou.

“A Grande Reserva da Mata Atlântica (GRMA) é uma iniciativa de integração de esforços de várias instituições para promover a valorização e conservação do maior remanescente contínuo de Floresta Atlântica preservada conectando os Estados de Santa Catarina, Paraná e São Paulo”, completou.

Foto: Divulgação/Grandes Mamíferos Serra do Mar

Quatro frentes de ação foram projetadas, começando pela implementação do monitoramento. “Vamos coletar dados in loco, de maneira sistemática e com embasamento científico, com o objetivo de compreender como os grandes mamíferos estão ocupando a Serra e identificar processos de recuperação ou declínio populacional ao longo do tempo”, disse o especialista. Segundo ele, são usadas armadilhas fotográficas para observar o comportamento dos animais, que também é avaliado a partir de informações trazidas por moradores locais.

“O passo seguinte é fazer um planejamento de conservação com os dados coletados. A proposta é fornecer informação de qualidade para assessorar os tomadores de decisão nas ações de proteção e manejo, como por exemplo a indicação de áreas prioritárias para conservação das espécies, recomendações de manejo aos gestores das Unidades de Conservação da região e auxílio na realização das ações previstas nos Planos de Ação Nacional do ICMBio”, acrescentou.

O projeto prevê a realização de um trabalho em equipe. “Prevemos construir uma rede de monitoramento de forma a promover estratégias de ação multi-institucionais e colaborativas. A ideia é integrar e fortalecer os esforços de conservação na região através dos gestores, pesquisadores e dos moradores locais que terão acesso à uma agenda comum de monitoramento das espécies ameaçadas”, afirmou Bianca Ingberman. A pesquisadora lembrou ainda que a participação da comunidade é essencial para o sucesso do projeto.

“A quarta frente de ação se faz da sensibilização da sociedade através de fotografias e vídeos obtidos pelas armadilhas fotográficas, que serão divulgados no site e nas mídias sociais do Instituto Manacá. Esperamos despertar o interesse das pessoas pela conservação”, completou.

Foto: Divulgação/Grandes Mamíferos Serra do Mar

“Através dessas ferramentas conseguimos atingir um público muito maior do que se atuássemos de maneira direta. Muitas vezes a sociedade brasileira não conhece a riqueza da fauna local, valorizando mais ‘leões’ do que onças-pintadas. Acreditamos que ao compartilhar informações, junto às belas imagens, podemos criar empatia dos brasileiros pela nossa fauna”, explicou ao G1.

O projeto é executado a partir de patrocínios dos seguintes grupos: Fundação Grupo Boticário, WWF Brasil e Banco ABN e a parceria da SPVS, Fundação Florestal, Legado das Águas, ICMBio, Fazenda Elguero e PPGECO-UFPR.


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Armadilhas fotográficas rendem selfies incríveis de animais no Pantanal

O uso de câmeras fotográficas cada vez mais modernas tem contribuído de forma significativa para o avanço das pesquisas sobre comportamento animal e conservação da biodiversidade do Pantanal, em Mato Grosso do Sul.

As versões digitais, que incorporam ferramentas como GPS e Wi-Fi, se transformam em verdadeiros “celulares da natureza”. O resultado é uma bela coleção de selfies, “nudes” e até cenas de sexo.

São múltiplos disparos, flashes sincronizados e boa resolução que proporcionam os mais reveladores flagrantes dos bichinhos na natureza. Muitas das câmeras estão instaladas no Pantanal da Nhecolândia, em uma área de 350 km² da fazenda Baía das Pedras.

Animais raros podem ser vistos através desse mecanismo.

Desde 2010, já foram acumuladas mais de 10 mil noites de armadilhamento, com imagens que já percorreram o mundo através da divulgação em veículos como BBC e National Geographic.

As armadilhas fotográficas já eram utilizadas pelos pesquisadores há muitos anos, registrando cenas da vida silvestre sem a interferência de observadores humanos.

Com o avanço tecnológico, elas são aplicadas cada vez mais nos censos populacionais da fauna, identificação de indivíduos e obtenção de dados sobre reprodução, seleção de habitat e condições de saúde.

Uma armadilha fotográfica é feita por meio de uma câmera digital conectada a um sensor de movimentos. Sempre que um animal entra na zona de captação, o equipamento faz uma sequência de fotos ou um vídeo.

Armadilhas fotográficas possibilitaram registros de animais raros
Animais mais curiosos, ao ouvir os disparos da câmera se aproximaram e renderam registros incríveis como esse.

Claro que os cliques chamam atenção dos animais mais curiosos, rendendo excelentes e inusitadas imagens. Tem uns mais nervosinhos que até atacam as armadilhas e chegam a causar danos materiais.

As pesquisas são realizadas pelo Ipê (Instituto de Pesquisas Ecológicas) e Icas (Instituto de Conservação de Animais Silvestre). Foi com essa metodologia que se conseguiu uma baita façanha: registros inéditos do tatu-canastra, um dos mamíferos mais raros da fauna brasileira.

Fonte: Campo Grande News

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Câmeras registram famílias de tigres raros na Indonésia

Foto: WWF Indonésia

Armadilhas fotográficas e de vídeo da ONG World Wildlife Fund (WWF) descobriram um número recorde de tigres de Sumatra, uma das sub-espécies do grande felino mais ameaçadas de extinção atualmente, nas florestas de Bukit Tigapuluh.

Foram 47 fotografias e vários minutos de vídeo, com os quais os especialistas identificaram 12 indíviduos, incluindo duas mães com filhotes. Estima-se que existam apenas 400 tigres de Sumatra em ambiente selvagem no mundo. “É o maior número de tigres que encontramos no início de uma pesquisa”, afirmou Karmila Parakkasi, líder da equipe de pesquisa da ONG em Sumatra.

A floresta onde os tigres foram encontrados está em risco de desmatamento pela indústria papeleira da região, embora tenha sido designada como prioridade global para conservação dos grandes felinos, em um documento assinado pelo governo indonésio em novembro de 2010, durante uma conferência na Rússia. A área de Bukit Tigapuluh (“Seis Montes”, na língua local), fica nas províncias de Riau e Jambi, em Sumatra.

Provas de filhotes como as encontradas pelo WWF são extremamente raros, de acordo com especialistas, e só foram possíveis usando câmeras acionadas por sensores infravermelhos.

“O que ainda não está claro é se achamos tantos tigres juntos porque estamos ficando mais experientes em posicionar nossos equipamentos ou se porque os habitats deles estão diminuindo tão rápido aqui que eles são obrigados a dividir entre si pedaços cada vez menores de florestas.

A análise do WWF indicou que os tigres se encontram em uma região com boa cobertura florestal, mas que está dentro de uma concessão da madeireira Barito Timber Pacific. Quando o governo der permissão, a empresa pode derrubar a floresta para fornecer madeira à Asia Pulp & Paper, uma subdisiária da holding indonésia Sinai Mars Group. Entidades de conservação estão pedindo às duas empresas e ao governo da Indonésia que protejam as florestas, em vez de devastá-las.

Fonte: Último Segundo

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