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Equipe da CNN sobrevoa e registra imagens de regiões da Amazônia atingidas por queimadas

Foto: CNN
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“A fumaça é tão espessa que às vezes o avião Cessna precisava subir para ficar fora dela. Às vezes, seus olhos queimam e você fecha as aberturas de ventilação para manter a cabine habitável. Às vezes é tão ruim, é difícil ver o quão ruim é realmente no chão abaixo”.

Foi dessa forma que a equipe de reportagem da rede de notícias CNN descreveu o voo feito por eles acima do estado mais afetado da Amazônia (durante a semana passada), Rondônia. Os repórteres classificaram a experiência como “exaustiva” principalmente devido à escala infinita da devastação.

“A princípio, a fumaça disfarçava o fluxo constante de campos incendiados e bosques; de estradas sinuosas que se transformavam em nada além de cinzas. Abaixo, as partículas cor de laranja de um pequeno fogo ainda podiam se enfurecer, mas grande parte da terra parecia um mausoléu da floresta que outrora a enfeitava”.

“Esta não é apenas uma floresta que está queimando”, disse Rosana Villar, do Greenpeace, que ajudou a CNN a organizar seu voo sobre as áreas danificadas e queimadas. “Isso é quase um cemitério. Porque tudo que você pode ver é a morte.”

A dura realidade da destruição é descrita como algo sobrenatural pela reportagem da CNN: uma visão conjurada por um alarmista para alertar sobre o que pode acontecer se o mundo não resolver sua crise climática agora. “No entanto, é real, e aqui e agora, e abaixo de nós, como estamos chamuscados pelo sol acima e a terra fumegante abaixo”.

Rondônia registrou 6.436 focos de incêndio até agora neste ano, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A Nasa diz que o estado se tornou um dos locais mais desmatados da Amazônia. O Brasil tem 85% mais incêndios do que no ano passado – o número chegou até 80.626 em todo o país a partir de domingo à noite.

O presidente Jair Bolsonaro, após ser repreendido, chamado de mentiroso e ameaçado com sanções comerciais por parte de alguns líderes do G-7, declarou na sexta-feira que enviaria 43 mil soldados para combater o inferno na Amazônia. (Ele havia anteriormente demitido o diretor do INPE por divulgar números com os quais ele não concordava, e em seu discurso na sexta-feira ainda disse que a Amazônia deveria ser usada para enriquecer o povo do Brasil).

Foto: CNN
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No entanto, enquanto a cidade amazonense de Porto Velho se encontra mergulhada em uma nuvem de fumaça que escurece suas manhãs, e do voo do avião de carga C130 sobre a floresta ao redor da qual a CNN registrou as imagens, não foi identificado nenhum sinal de aumento da presença militar no domingo.

“A tarefa é enorme, quase intransponível. Nas áreas onde a fumaça é mais intensa, o sol mal se arrasta para brilhar no rio. Eu vi um pássaro neste santuário natural em três horas. As chamas parecem se mover em uma linha firme através da savana, engolindo todo o que a floresta permanece em seu caminho”.

Construções ocasionais são avistadas, isoladas na terra recém-criada ao redor delas (pela devastação). Mas não há sinais de vida humana, apenas gado, preso nas nuvens rodopiantes e chamas. Eles são muitas vezes a razão para os incêndios: a corrida para a desflorestamento provocada por um crescente mercado global de carne bovina. O gado precisa da soja cultivada nos campos, ou para pastar na grama, e então se torna a carne bovina que o Brasil vende para a China, que agora entrou em uma guerra comercial com os Estados Unidos, mudando o mercado.

A razão para os incêndios é controversa, Bolsonaro disse que eles fazem parte da queima anual usual nesta época, a estação seca. Mas seus críticos, muitos deles cientistas, observaram que a política do governo de encorajar o desmatamento estimulou as queimadas, tanto pela limpeza da terra (para a criação de gado) que facilita a propagação do fogo, quanto dando vazão aos desejos dos fazendeiros menos escrupulosos que se sentiram livres para queimar à vontade.

Especialistas explicam que quanto mais floresta é desmatada, menos umidade é mantida sob sua copa e mais seca a terra fica. Quanto mais seca a terra fica, mais suscetível ela se torna de pegar fogo. Quanto mais fogo, menos floresta. Um ciclo auto-realizável já começou. A questão é quando ele se tornar irreversível.

O Brasil já está lidando com a probabilidade de mudanças permanentes em sua ecologia. “A Amazônia é extremamente fundamental para o sistema de água em todo o continente”, disse Villar, do Greenpeace. “Então, se cortarmos as árvores da floresta, não teremos chuva alguma no sul do país”.

“É difícil ver quaisquer previsão de um futuro negro como alarmistas neste ponto, quando você vê o horizonte se tornando invisível pela fumaça, as chamas avançando pelas planícies como lava, e ouve motoristas de táxi desinteressados dizerem que eles nunca viram a situação tão ruim”.

“O futuro apocalíptico está aqui e é impaciente” conclui a reportagem.

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