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Morgan Freeman cria santuário de abelhas

Foto: Richard Shotwell | Invision |AP

Desde 2004,  0 ator de 81 anos se dedica a apicultura na tentativa de compensar as mortes em massa, conhecidas como desordem do colapso da colônia (CCD), nos últimos anos. Isso ocorre quando a maioria das operárias de repente desaparece e deixa para trás uma rainha, comida e enfermeiras, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental .

Para ofercer a melhor qualidade de vida aos insetos, Freeman importou 26 colméias de Arkansas, onde os insetos têm acesso a plantas com flores e água com açúcar.

“Eu nunca usei o chapéu da apicultura com minhas abelhas. Eles não me picaram ainda, como não estou tentando colher mel ou qualquer coisa, mas simplesmente as alimento … acho que elas entendem. ‘Ei, não incomode esse cara, ele tem água com açúcar aqui”, disse ele no “The Tonight Show Estrelando Jimmy Fallon.”

O Mel

Freeman não consome o mel das abelhas; seu santuário foi criado apenas para que elas vivam em segurança.

Assim como o ator, os veganos não usam o mel e optam por alternativas livres de crueldade, como o Bee Free Honee, que usa maçãs orgânicas e ajuda organizações sem fins lucrativos que apoiam as abelhas.

A importância das abelhas

Elas são responsáveis por 20 bilhões de dólares (cerca de 80 bilhões de reais) em polinização de culturas nos EUA, segundo a Federação Americana de Apicultura . Mas colônias são tratadas como commodities; a organização observa que dois terços são transportados por todo o país a cada ano para polinizar as plantações e produzir mel. As informações são do LiveKindly.

As abelhas nativas também são críticas para a polinização de culturas, mas suas populações estão em declínio, de acordo com The Conversation . Isso se deve, provavelmente, à exposição a pesticidas e à diminuição de fontes de alimento à medida que a terra é transformada em plantação de milho (a principal ração para o gado) e soja ou desenvolvimento comercial e residencial.

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Alguns fatos que você talvez nunca tenha parado para perceber sobre pecuária, pesca e apicultura

A produção de alimentos de origem animal é um universo de violências e injustiças. E tem muitas características no mínimo curiosas que, se você soubesse desde antes, teriam feito você pensar duas vezes antes de voltar a colocar na boca um grama que seja de carne, laticínios, ovos e mel.

Venho trazer alguns fatos que provavelmente você não sabia, mas são essenciais para que esses alimentos estejam em sua geladeira:

 

Pecuária

1. Os animais que a pecuária explora e mata têm tanta vontade de continuarem vivos e manterem a integridade física e psicológica e medo da morte quanto você. Ou seja, eles não querem morrer e ser feridos tanto quanto você não quer;

2. Comprar leite e ovos é financiar violências inaceitáveis contra vacas, galinhas e seus filhotes, como violações sexuais, aprisionamento, separação violenta de famílias e assassinatos em massa;

3. Evitar comer um único bife representa uma economia de água muito maior do que passar vários meses sem tomar banho e sem escovar os dentes. Imagine se virar vegan e deixar, assim, de ingerir milhares de bifes ao longo de sua vida, o quanto de água você fará com que não seja mais gasta;

4. Você que consome alimentos de origem animal tem bem mais responsabilidade pelo desmatamento causado na Amazônia e no Cerrado pela produção latifundiária de soja do que vários vegans e vegetarianos juntos;

5. A produção de carne envolve violência e más consequências para os próprios seres humanos, uma vez que muito trabalho sub-humano, degradante e até mortal (para o trabalhador) está envolvido em frigoríficos e matadouros, o consumo regular de carne em quantidades não pequenas eleva os riscos de se contrair diversas doenças fatais e dolorosas e, segundo muitas correntes religiosas/espirituais, o consumo de animais mortos é um veneno à alma o qual corrói a qualidade de vida humana.

 

Pesca

1. Assim como os animais vítimas da pecuária, os animais pescados também não querem morrer, tanto quanto você também não quer. Por isso mesmo eles lutam pela vida quando são tirados da água por uma rede de arrasto ou por uma vara;

2. Um peixe, ao ser pescado com uma vara, linha e anzol, sente tanta dor e sofre tanto quanto você sofreria se tivesse seu ombro perfurado e varado por uma lança;

3. Se você gosta da dieta mediterrânea, rica em carne de peixe, seu prato carrega a morte não “só” dos peixes “comestíveis” pescados, mas também de incontáveis mamíferos marinhos, moluscos “não comestíveis”, tartarugas e equinodermos (animais do mar entre os quais se incluem a estrela-do-mar e o ouriço-do-mar), uma vez que eles são puxados e mortos de asfixia e ressecamento pelas redes de arrasto;

4. Mesmo a ostra que você come viva na praia não tem o interesse de morrer. Mesmo com um sistema nervoso rudimentar, ela emite, quando está com a vida em perigo, substâncias que costumam ser emitidas no organismo de animais reconhecidamente sencientes quando estão sofrendo. E a própria força que ela empreende para manter as conchas fechadas é uma evidência de que ela quer continuar viva;

5. Comer camarões e ostras é tão ruim para esses animais, condenados a morrer em sofrimento, quanto comer bife é ruim para bovinos e porcos e comer carne humana é ruim para os humanos vitimados por criminosos canibais.

 

Apicultura

1. As atividades do apicultor de fumegar uma colmeia e extrair mel dela são tão violentamente impactantes para as abelhas quanto a cidade onde você vive ser eventualmente invadida por um exército agressor, empesteada de gases entorpecentes e saqueada;

2. A apicultura também mata animais: muitas abelhas operárias morrem a cada operação de extração de mel por parte do apicultor, e ele mata abelhas rainhas para obter a geleia real guardada na colmeia;

3. Roubar mel de colmeias é tão ruim e indesejado para as abelhas quanto você ter o cofre de sua casa (caso tenha um) totalmente esvaziado por assaltantes;

4. O mel é produzido pelas abelhas porque elas o utilizam em sua colmeia para seus próprios fins. Não são nenhum “presente” desses animais para os humanos;

5. O mel comercializado no mercado pode vir contaminado com a toxina botulina, produzida por bactérias patogênicas e causadora do botulismo, doença que, em crianças pequenas, causa distúrbios gastrointestinais e até morte súbita.
Vale você pensar nesses quinze fatos e refletir se vale a pena continuar consumindo alimentos de origem animal. Eles fazem mal para os animais que são forçados a “fornecê-los”, para o meio ambiente e para muitos seres humanos, inclusive você mesmo(a).

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O Mel

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O que é?

O mel é uma substância adocicada e viscosa produzida pelas abelhas a partir do néctar de flores ou soluções açucaradas, recolhidos pelas abelhas com a glossa (língua), armazenado na vesícula melífera (papo), digerido pelas enzimas da saliva (invertase, diastase, catalase, alfa-glicosidase, glicose-oxidase, peroxidase, lipase, amilase, fosfatase ácida e inulase), que principalmente transformam a sacarose em monossacarídeos (glicose e frutose) e o amido em maltose.

Depois que as abelhas recolhem o néctar e retornam à colmeia elas o transferem para o papo de outra abelha, que transfere para outra, que transfere para outra . . . A cada passagem o néctar vai sofrendo mais ações enzimáticas e vai perdendo maior quantidade de água. O néctar então se torna mel, que é depositado em células de cera (alvéolos) no interior da colmeia.

Apesar da grande consideração que recebe, o mel é composto 80% de açúcares (31% glicose, 38% frutose, 1 % sacarose e 7 % maltose, 3 % outros açúcares), 17% água e apenas 3% são outros componentes (concentrações ínfimas ou traços de proteínas, vitaminas, minerais, ácidos orgânicos e antioxidantes de origem vegetal), muitos deles removidos do mel com a filtração (O melado de cana e os açúcares mascavo e demerara são mais ricos que o mel em proteínas, potássio, cálcio, magnésio, fósforo, cobre, ferro, cloro e vitaminas do complexo B e não recebem tamanha consideração).

Sua grande concentração de açúcares o torna 2,5 vezes mais calórico do que os ovos, quase 4 vezes mais calórico do que a carne de frango, e 5,6 vezes mais calórico do que o leite.

A presença de quantidades de água acima de 18% torna o mel sujeito à ação de leveduras fermentadoras e outros microorganismos, como bactérias patogênicas (ex.Clostridium botulinum, causador do bolulismo). Por esse motivo, mesmo pessoas favoráveis à utilizam do mel não o recomendam para crianças em idade muito tenra.

A sociedade das abelhas é homeotípica, sendo que cada casta desempenha atividades muito bem definidas. Na colmeia existe apenas uma rainha, única fêmea fértil, sendo esta responsável pela postura de ovos e manutenção da integração entre os demais membros por meio de feromônios; alguns zangões, machos responsáveis por fecundar a rainha; e alguns milhares de operárias, fêmeas inférteis responsáveis por todo o trabalho na colmeia.

O sistema de exploração apícola

O ser humano usufrui do mel desde antes do neolítico, porém nos sistemas mais primitivos de exploração as colmeias eram parcial ou completamente destruídas. Por volta de 10 mil anos atrás desenvolveram-se técnicas de exploração racional da colmeia, o que facilitava o manejo e preservava em parte a colônia, garantindo continuidade de sua exploração.

Há uma tendência romântica à identificação da apicultura como uma atividade harmônica e respeitosa, na qual o ser humano mantêm as abelhas, potencializa sua produção e em troca recebe a polinização de suas lavouras e os excedentes da produção das colmeias, na forma principalmente de mel. Essa visão, no entanto, é falsa.

Embora a apicultura racional não implique na completa destruição da colmeia, como era realizada na coleta de mel silvestre, ela mantém as abelhas em permanente sistema de exploração. O apicultor é gentil com suas abelhas apenas pelo tempo que está se beneficiando de seus produtos, mas não deixa de explorá-las quando convém, e mesmo matá-las quando convém.
Cada casta de abelhas possui suas peculiaridades e o manejo da colmeia implica no conhecimento de sua biologia e na exploração de cada uma dessas características, à serviço do ser humano. Entendamos de que forma cada casta é explorada na apicultura:

Rainha: Devido ao fato de que uma colmeia bem produtiva deve possuir mais de 60 mil abelhas, e as operárias – a maior parte das abelhas que compõem a colméia – possuem longevidade de menos de 45 dias, a rainha deve manter uma taxa constante de oviposição, entre 2 e 3 mil ovos por dia.

A rainha vive cerca de 5 anos, porém por volta dos 2 anos de idade sua produção de ovos já apresenta decaimento. Para que a colmeia não perca seu potencial produtivo, o apicultor deve eliminar a rainha todos os anos, no máximo a cada dois anos. Esse processo de eliminação da rainha regente se chama “orfanação”. Esta será substituída por uma nova rainha emergida na própria colmeia ou trazida de outra colmeia.

O processo consiste no apicultor abrir a caixa onde cria as abelhas e identificar a presença de “realeiras”, células de cria grandes de onde certamente emergirá uma nova rainha. Em havendo tais células ele localiza a rainha “velha” e a esmaga. Além de esmagar a rainha atual o apicultor pode destruir várias realeiras com larvas em desenvolvimento, para impedir que muitas rainhas emerjam de uma vez.

A todo momento a colmeia produz princesas, larvas de abelha que se desenvolverão em novas rainhas. Na natureza essas princesas emergem e disputam a colmeia com a rainha mãe, sendo que a maioria delas acaba por ser expulsa da colmeia levando consigo um séquito de operárias com a finalidade de fundar novas colmeias, em um processo denominado “enxameação”.

Essa dissidência enfraquece a colônia original, o que em um sistema de exploração racional não pode ocorrer. Ademais, o apicultor não quer que uma rainha nova e saudável, que esteja depositando muitos ovos por dia, perca tempo disputando seu posto com outras rainhas. Assim sendo, o apicultor que já possui uma rainha saudável elimina as larvas-princesas antes de elas emergirem das realeiras.

Há outras ocasiões em que a rainha é eliminada pelo apicultor, como quando este resolve unir dois enxames fracos em um único enxame forte. Nesse caso a tendência é eliminar a rainha mais velha ou mais fraca.

Com relação às rainhas, há ainda uma outra categoria de exploração que envolve a venda de rainhas com alto potencial genético entre apicultores.

Nesse caso, o vendedor despacha pelo correio rainhas recém emergidas (ou pupas de rainhas por emergir) com um pequeno séquito de operárias cuidadoras, ficando os animais sujeitos aos extremos de temperatura, falta de água, fome e todo o estresse envolvido no transporte e acondicionamento em caixa fechada.

Zangão: Os zangões possuem como única função na colmeia fecundar a rainha virgem. No entanto, após fecundada, uma rainha pode armazenar em sua espermateca todo o esperma que necessitará para permanecer fecunda pelo resto de sua vida. Assim sendo, pelo tempo que não houver a necessidade de substituição da rainha, a presença de zangões será desnecessária.

Em um sistema racional de exploração apícola a presença de grande quantidade de zangões em uma colmeia é visto como problema. Zangões vivem cerca de 80 dias e, sendo duas vezes maiores do que as operárias, consomem muito mais mel do que estas. Zangões também ocupam as operárias que tentam mantê-los afastados da rainha já fecundada, impedindo-as de trabalharem em outras funções. Por serem os zangões as únicas abelhas que podem entrar em várias colmeias diferentes, o apicultor os vê como possíveis vetores de patógenos (ácaros, bactérias e vírus) entre colmeias.

Por todos esses motivos, o apicultor que já possui todas as suas rainhas fecundadas e bem produtivas elimina os zangões, seja na fase adulta, seja na fase larval (as células onde estão se desenvolvendo zangões são maiores do que as células onde se desenvolvem as operárias).

Em várias criações a presença física de um zangão sequer se faz necessária, pois nesses casos recorre-se à inseminação artificial das abelhas-rainhas. Nesse sistema o zangão com alto potencial genético é pego e decapitado. A decapitação faz com que o zangão ejacule em uma placa. Seu esperma é então recolhido com uma seringa e injetado na espermateca de uma rainha virgem.

Operárias: As abelhas operárias são as responsáveis por todo o trabalho da colmeia, chegando a trabalhar mais de 10 horas seguidas por dia. Este trabalho inclui uma gama de atividades, geralmente associadas com a idade da abelha. De forma geral, as atividades são:

Tarefa Idade (dias)
Limpeza de alvéolos 0 a 8
Operculação de cria 2 a 9
Atendimento de cria 5 a 15
Atendimento da rainha 3 a 14
Recebimento de néctar 8 a 16
Remoção de detritos 7 a 21
Compactação de pólen 8 a 19
Construção de favos 11 a 22
Ventilação da colméia 13 a 22
Guarda da colméia 14 a 27
Primeiro forrageamento 18 a 28

 

Durante sua vida uma abelha campestre necessitará voar cerca de 800 km para produzir 2,5 ml de mel. Para produzirem um quilo de mel, as abelhas precisam visitar 5 milhões de flores. O propósito de todo este trabalho é criar reservas de mel para a colmeia, pois uma colmeia típica necessita de cerca de 90 kg de mel para se manter em períodos sem florada.
As abelhas não realizam todo esse trabalho com o objetivo de suprir o ser humano com seus produtos. O que muitas pessoas podem considerar excedentes de produção são na verdade reservas que as abelhas mantém para o sustento da colmeia em tempos de escassez. A retirada do mel, ainda que em retribuição o apicultor disponibilize soluções açucaradas para ajudar as abelhas a se manterem em tempos de escassez torna o sistema todo bastante injusto (em países com invernos rigorosos muitos apicultores sequer se preocupam em manter suas colônias durante essa estação, permitindo que elas morram para assim não necessitarem mantê-las).

O ser humano, e isso inclui o apicultor, são percebidos pelas abelhas como inimigos e não aliados. Quando o ser humano mexe em uma colmeia, seja para realizar revisões, seja para extração de mel, as abelhas operárias tentam defendê-la, dando ferroadas. Em uma exploração racional de mel o apicultor estará utilizando trajes de proteção adequados, de modo que as picadas não lhe atingirão, porém, isso não impede que as abelhas piquem seu traje.

Quando o ferrão da abelha entra em um tecido, a presença de espinhos rígidos em forma de serra faz com que ele se prenda ao mesmo, não podendo mais ser solto. Sendo um prolongamento de seu próprio abdômen, quando a abelha abandona a vítima, deixa para trás órgãos vitais à sua sobrevivência, incluindo parte de seu trato digestivo. Após haver picado sua vitima a abelha morre em no máximo 15 minutos.

Embora o apicultor utilize trajes de coloração branca (cor que transmite calma às abelhas), e embora fumegue fumaça com a intenção de atordoa-las enquanto mexe na colmeia (na verdade a fumaça faz com que as abelhas creiam que a colmeia está pegando fogo e isso faz com que elas engulam grandes quantidades de mel, ficando embriagadas), as abelhas sempre tentarão defender a colmeia picando o apicultor.

A abertura e fechamento da tampa, a remoção e recolocação dos quadros e demais procedimentos adotados pelo apicultor implica em eventuais esmagamentos de algumas abelhas. Outras serão pisoteadas. Essas abelhas, quando esmagadas, liberarão feromônios que induzirão outras abelhas a intensificar seus ataques ao apicultor. A verdade é que centenas de abelhas poderão morrer cada vez que a colmeia for manipulada.

Larvas: Além de todas as abelhas adultas que são mortas em diferentes etapas do manejo da colmeia, e das larvas de rainhas e zangões que são propositalmente eliminadas com o propósito de controle de enxameação, as larvas das abelhas operárias também são mortas quando da manipulação da colmeia.

Muitas dessas larvas são mortas por esmagamento não proposital, quando da manipulação dos quadros e da tampa da caixa. Outras são mortas durante a operação de desoperculação e retirada do mel. Nessa operação, o apicultor retira da colmeia os quadros que contém mel e os coloca na vertical. Ele então passa uma faca cortando a capa de cera que recobre os favos de mel (opérculo), permitindo que o mel escorra. Em geral as apiculturas modernas possuem centrífugas onde os quadros são colocados, permitindo um melhor escoamento do mel.

Ocorre que alguns desses favos onde se supõem haver apenas mel (melgueiras) em verdade podem conter larvas de abelhas em desenvolvimento. Essas larvas serão removidas juntamente com o mel e centrifugadas, vindo a morrer por consequência dessa manipulação. Posteriormente à centrifugação, o mel é coado em peneira própria e encaminhado ao decantador. Dessa forma, todos os pedaços de insetos mortos durante o processo serão removidos do produto final.

Outros produtos das abelhas

Abelhas também são exploradas para a obtenção de cera, geléia real, própolis e pólen.

A cera é produzida pelas abelhas por meio das glândulas ceríngeas e se presta à construção dos favos da colmeia. As abelhas necessitam consumir de 6 a 7 gramas de mel para produzirem 1 grama de cera. A cera é usada como ingrediente cosmético, na indústria de alimentos ou como ceras de polimento, velas, etc.

O pólen é coletado das flores juntamente com o néctar, sendo transportado pelas abelhas nas corbículas presentes em suas patas traseiras. Uma vez na colmeia, o pólen é armazenado nos alvéolos dos favos, submetido à ação das enzimas contidas na saliva das abelhas e umidade e convertidos em “pão das abelhas”, sua principal fonte alimentar de proteínas.
O apicultor pode recolher o pólen coletado pelas abelhas antes delas entrarem nas colmeias, instalando coletores na porta de entrada. Esses coletores são feitos de modo que as abelhas consigam passar pela abertura, mas deixem cair a bolota de pólen em uma bandeja que possui uma tela, de modo que quando a pelota cai na bandeja não pode ser recuperada pela abelha.
A geléia real é o alimento destinado à casta das rainhas, bem como na alimentação das larvas de abelhas operárias até o terceiro dia de vida, e das larvas dos zangões.  Ela é produzida pelas abelhas operárias mais jovens por meio de suas glândulas hipofaríngeas utilizando mel e pólen e possui composição diferenciada em relação ao mel comum.
A própolis é obtida pelas abelhas a partir de resinas retiradas principalmente de secreções de árvores, quando destas se quebra algum galho. Dessa forma a árvore se protege com um produto natural com poder bactericida e a abelha reprocessa essa seiva, misturando a ela cera, pólen e gorduras. Esta é utilizada pelas abelhas para duas finalidades principais: vedar a colmeia de maneira a não permitir a entrada de água, vento ou outros animais; e encapar outros insetos ou animais que penetram na colmeia e são mortos lá dentro (essa “mumificação” impede que o animal se decomponha dentro da colmeia).
Por sua reconhecida ação antibiótica a própolis é consumida como profilático, sendo que o mesmo representa potencial perigo à saúde humana, devido às propriedades do composto. Sendo um produto natural muitas pessoas acreditam que não apresente contraindicações. A própolis é extraída da colmeia raspando suas molduras e frestas, expondo a colmeia à friagem e à ação de invasores.
Outro recurso produzido pelas abelhas e aproveitado pelo ser humano é a apitoxina, o veneno de abelhas, utilizado por exemplo para o tratamento de reumatismo. A apitoxina é extraída das abelhas ministrando-lhes choques elétricos de 12v e 2 ampéres por cerca de 20 minutos.

Considerações éticas referentes à apicultura

Muitos supostos vegetarianos defendem que a exploração melífera não envolve a morte das abelhas, configurando-se mais como uma relação simbiótica entre ser humano e a abelha do que uma relação de exploração. Nada mais distante da realidade, pois conforme visto, a apicultura envolve a morte de muitas abelhas. Certamente não se trata de uma relação simbiótica.

O mel, o pólen, e a geléia real são alimentos produzidos pelas abelhas para a alimentação da colmeia; aproveitar-se de parte desse esforço para benefício humano nada mais é do que roubo. A cera e a própolis são os elementos construtivos da colmeia; destruir partes da colmeia para forçar as abelhas a produzir mais cera e própolis é escravidão. De que forma considerar tal relação como sendo de alguma forma ética?

Ministrar choques às abelhas para extração de apitoxina, ainda que não envolva a morte de animais, também deve ser vista com severas restrições éticas. Não há motivo para se pensar que nas abelhas os choques elétricos sejam menos incômodos do que seriam em um ser humano.

Abelhas são organismos sencientes, possuindo um sistema nervoso organizado constituído de gânglios nervosos, neurônios e células sensoriais. Elas também possuem todos os mecanismos fisiológicos e bioquímicos que evidenciam a capacidade de sentir dor. Elas reagem de forma positiva a estímulos positivos e de forma negativa a estímulos negativos.

Abelhas percebem melhor do que o ser humano o ambiente à sua volta, sendo mais sensíveis às cores, odores, sabores, ruídos, aos poluentes e componentes presentes na atmosfera, às radiações e aos campos eletromagnéticos.

E embora inteligência não seja pré-requisito para a senciência, certamente um animal inteligente é também senciente. As abelhas possuem grande capacidade de aprendizado, aguçada memória espacial, senso de direção e comunicação complexa, dando todos esses elementos informações sobre sua indubitável inteligência e senciência.

Além de todas essas questões de ordem ética, ressalte-se também que as abelhas utilizadas para exploração racional do mel pertencem à espécie Apis mellífera, originária do Velho Mundo. No Brasil e em outras regiões nas quais essas abelhas não são nativas elas competem com a fauna nectarívora e polinizadora local, representando grande ameaça à sobrevivência de abelhas e vespas silvestres.

Substituindo o mel

A substituição do mel é algo fácil de ser realizado, especialmente por não ser o mel um alimento essencial. Porém, a medicina popular atribui ao mel propriedades medicinais, especialmente relacionadas ao fortalecimento do sistema imunológico, propriedades antibacterianas, antifúngicas, antiinflamatórias, cicatrizante, antissépticas, analgésicas e sedativas, expectorantes e hiposensibilizadoras, mas também antianêmica, emoliente, antiputrefante, digestiva, laxativa e diurética.

Embora a maioria dessas propriedades não tenha sido verificada cientificamente, persiste a crença de que o mel realmente as possua. Existem diversas plantas medicinais que possuem essas mesmas propriedades, nesse caso muitas delas comprovadas cientificamente (alho, gengibre, gingko biloba, açafrão, echinacea, unha de gato, astrágalo, melaleuca, babosa, calêndula, mil-folhas, andiroba, camomila, guaçatonga, caju, pau-ferro, carajiru, picão, pinhão-roxo, espinheira-santa, aroeira, etc).
Ainda que as propriedades medicinais do mel fossem comprovadas cientificamente, ainda assim a exploração apícola não poderia se sustentar pelo ponto de vista ético. Mas a presença de grande número de plantas medicinais que possuem propriedades semelhantes torna o uso do mel e outros produtos apícolas completamente dispensáveis.
Igualmente, na culinária, existem muitos substitutos para o mel, como o melado de cana, o extrato de malte, o açúcar mascavo e o demerara, o xarope de glicose, a glicose de milho, o xarope de bordo (Maple), suco de frutas concentrado, etc.

Fonte: Veggi & Tal

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20 milhões de abelhas fogem de caminhão nos EUA

Foto genérica de abelhas (Foto: BBC)

Ao menos 20 milhões de abelhas escaparam do caminhão que as transportava, depois que o veículo capotou em uma rodovia no estado americano de Utah.

A estrada ficou fechada durantes várias horas no domingo à noite, enquanto apicultores locais tentavam recapturar as abelhas ou ao menos evitar que elas alcançassem as cidades da região.

As abelhas estavam sendo levadas para a Califórnia, onde seriam usadas para fazer a polinização em uma plantação de amêndoas.

O motorista do caminhão e dois policiais foram picados, mas ninguém ficou seriamente ferido.

Janelas fechadas

‘O motorista perdeu o controle do caminhão, bateu em uma barreira de concreto e capotou’, disse o policial Todd Johnson. ‘Daí, obviamente, as abelhas se espalharam por toda a parte.’

O oficial informou que a rodovia foi reaberta na manhã de segunda-feira, mas as autoridades alertaram os motoristas a manterem as janelas do carro fechadas.

‘Tentamos mover as abelhas para o mais longe possível das áreas metropolitanas’, disse o apicultor Melvin Taylor à agência de notícias Reuters, em referências às abelhas que continuavam em suas colmeias.

Juntamente com outros produtores, eles transportaram as colmeias que ainda estavam nos compartimentos transportados pelo caminhão, para depois devolvê-las ao apicultor tutor dos insetos.

Fonte: G1

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Estudos indicam que as abelhas estão desaparecendo

As abelhas estão desaparecendo. Nos últimos anos, um pouco por todo o mundo, milhões de colmeias têm sido dizimadas. O cenário é apocalíptico para os insetos, mas também para a humanidade. Como disse Albert Einstein: “Quando as abelhas desaparecerem da face da Terra, o homem terão apenas quatro anos de vida.” Mas por que as abelhas estão desaparecendo? “A causa ainda é desconhecida, o que os investigadores sabem é que há vários fatores que podem ter causado esta situação”, explica o professor universitário e especialista nesta matéria Miguel Vilas Boas.

Apesar de as abelhas terem um inimigo sem rosto, há uma doença que os especialistas acreditaram ser responsável por várias mortes: a varroose. Considerada a “Aids das abelhas”, este vírus é provocado por um ácaro – a varroa – que “enfraquece as abelhas e torna-as suscetíveis a outras doenças”.

Só no ano passado desapareceram nove mil milhões de abelhas na Espanha. Para combater este voo para a extinção, uma equipe de universitários de Córdoba decidiu criar aquilo a que chamaram “superabelhas”. Neste processo as rainhas são inseminadas e as abelhas nascem fortificadas, resistentes a ácaros.

Em Portugal a população de abelhas também tem diminuído, mas Vilas Boas acredita que “não houve nenhum surto mortífero como nos outros países”. Este fato é confirmado por João Casaca, da Federação Nacional de Apicultores (FNAP). “Em todo o País, ficou conhecida apenas uma situação de um apicultor que viu as suas colmeias completamente dizimadas.”

Mas a varroose também preocupa os apicultores nacionais. Tendo em conta o boletim do Ministério da Agricultura, só entre 2004 e 2007 houve uma quebra de 3,5 mil milhões de abelhas. O número impressiona, mas é amenizado por especialistas que garantem que o número de apicultores também reduziu significativamente. Ora, “menos apicultores, menos abelhas”.

Ainda assim, a varroose está presente em Portugal. E os apicultores têm noção do perigo, pois é a doença que destrói mais colmeias no País. Aliás, consciente desta situação, o Ministério da Agricultura chegou a distribuir gratuitamente produtos para travar o flagelo. Agora, já não são doados, mas continuam disponíveis. É talvez por isso, que o combate à varroose em Portugal se centre num único método. “O uso de acaricidas”, esclarece João Casaca, que garante que por aqui não se criam “superabelhas” como na Espanha. A ação também não está prevista para um futuro próximo. Isto porque, como explica Vilas Boas “ninguém está a utilizando a inseminação, o único programa que existe é de seleção das rainhas. Nada mais.”

Em Portugal, os números também não são tão catastróficos. “É um processo que tem custos, mas está controlado”, explica Vilas Boas. Além disso, o País tem a “bênção” de ter uma das poucas regiões do mundo onde a varroose não existe, como é o caso de algumas ilhas dos Açores.

Apocalipse a preto e amarelo

O perigo de extinção das abelhas é real. Nos EUA, a segunda potência da apicultura, depois da China, mais de 60% das populações de abelhas desapareceram em 24 estados. A crise é tal que o Congresso teve de aprovar um plano de emergência, como faz em tempo de guerra ou de crise econômica. Aliás, sob o pretexto econômico, a secretária da Agricultura norte-americana lembrou que “sem abelhas, deixaria de existir Coca-Cola”. Como quem diz: senhores do capital mexam-se, que a coisa é séria.

Os números na Europa não são mais animadores. Segundo o diário espanhol El Mundo, na Itália, Bélgica e Alemanha metade das abelhas desapareceram. A varroose não será o único problema e Vilas Boas acredita que “quando descobrirem a causa real, ela vai variar de país para país”. João Casaca lembra algumas das potenciais causas em diferentes países: “Na Alemanha tem a ver com o cultivo de sementes, na França pensa-se que seja a utilização de pesticidas nas culturas e em Espanha será a sobreprodução. Há apicultores a mais.”

Certo é que estes polinizadores continuam a desaparecer. E como seria o mundo sem abelhas?. “Era uma catástrofe”, alerta Miguel Vilas Boas. “Todo o ecossistema seria alterado e Einstein, provavelmente, teria razão. Seria uma crise muito pior que a econômica porque nós [humanidade] ficaríamos sem comida.” É por este cenário que muitos especialistas chegam a evocar o hino do Reino Unido, God Save the Queen. Em português, Deus Salve a Rainha. A rainha das abelhas, entenda-se.

Fonte: DN Ciência

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