Notícias

Girafa com tumor no olho recebe tratamento após repercussão do caso nas redes sociais

A girafa foi tratada por uma equipe de médicos liderada pelo Dr. Titus Kaitho, que administrou um tratamento paliativo de antibióticos e anti-inflamatórios | Foto: KWS
A girafa foi tratada por uma equipe de médicos liderada pelo Dr. Titus Kaitho, que administrou um tratamento paliativo de antibióticos e anti-inflamatórios | Foto: KWS

Uma girafa com um tumor em um dos olhos finalmente recebeu tratamento médico após uma onda de revolta e indignação pela condição do animal ter tomado conta das mídias sociais. O mamífero pertence a subespécie ameaçada de girafa, a Rothschild, e vive no Quênia, as autoridades dizem que o ferimento trata-se de um tumor ósseo.

A condição causou um grande inchaço ao redor de um dos olhos da girafa. Apesar de morar no Parque Nacional do Lago Nakuru, somente a onda de indignação nas mídias sociais foi capaz de forçar o Serviço de Vida Selvagem do Quênia (KWS) a agir em auxílio da girafa doente.

A KWS confirmou na quinta-feira que a girafa sofria de um tumor ósseo. “Embora esteja em condições de se mover, alimentar e beber água, a retirada do tumor se mostrou difícil devido à extensão do crescimento que causaria complicações potencialmente sérias”, escreveu a instituição no Twitter.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Os quenianos estão furiosos com o fato de que foi preciso uma ação em massa nas mídias sociais para levar as autoridades a agir e salvar um animal sob seus cuidados.

O incidente coincidiu com a conferência da CITES que ocorre em Genebra, na qual nações do mundo inteiro se mobilizaram pela primeira vez para proteger as girafas como espécies em extinção, recebendo elogios de conservacionistas e “carrancas” de alguns países da África Subsaariana.

A votação de quinta-feira realizada por um comitê chave na Conferência Mundial sobre a Vida Selvagem, prepara o caminho para a provável aprovação da medida em seu plenário na próxima semana. O Quênia foi um dos principais defensores da proteção rigorosa.

Foto: KWS/Twitter
Foto: KWS/Twitter

O plano regularia o comércio mundial de partes de girafas, incluindo pele, esculturas ósseas e carne, ao mesmo tempo que impediria uma proibição total. A votação foi de 106 membros a favor e 21 contra, com sete abstenções.

“Muitas pessoas estão tão familiarizadas com as girafas que acham que são abundantes”, disse Susan Lieberman, vice-presidente de política internacional da Wildlife Conservation Society. “E no sul da África, elas podem estar bem, mas as girafas estão criticamente ameaçadas.”

Lieberman disse que as girafas estão particularmente em risco em partes da África Ocidental, Central e Oriental.

A Wildlife Conservation Society disse estar preocupada com as múltiplas ameaças às girafas que já resultaram em um severo declínio populacional, citando a perda de habitat, as secas agravadas pela mudança climática, a caça e o comércio de partes de corpos de girafas como principais responsáveis.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

​Read More
Jornalismo cultural

80% do consumo total de antibióticos ocorre na agropecuária

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), em diversos países, 80% do consumo total de antibióticos ocorre na agropecuária. E a maior parte é utilizada para estimular o crescimento em animais que não estão doentes.

(Foto: Getty)

Segundo a OMS, o uso excessivo e indevido de antibióticos em animais e seres humanos tem agravado o problema da imunidade de certos agentes infecciosos a determinados tratamentos.

Alguns tipos de bactérias que causam infecções graves em humanos já desenvolveram resistência à maioria ou a todos os remédios disponíveis — e há poucas opções promissoras de pesquisa em etapa de desenvolvimento para uso clínico.

“A falta de antibióticos eficazes é uma ameaça de segurança tão séria como um surto de uma doença súbita e mortal”, afirma o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

E acrescenta: “Uma ação forte e sustentada em todos os setores é vital se quisermos reverter a maré da resistência antimicrobiana e manter o mundo seguro.”

O diretor do Departamento de Segurança Alimentar e Zoonoses da OMS, Kazuaki Miyagishima, enfatiza que a evidência científica demonstra que o uso excessivo de antibióticos em animais pode contribuir para o aparecimento de resistência a esses medicamentos.

“O volume de antibióticos utilizado em animais continua a aumentar em todo o mundo, impulsionado por uma crescente demanda por alimentos de origem animal, muitas vezes produzidos por meio de sua criação intensiva”, alerta Miyagishima.

Fonte: Vegazeta


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. Doe agora.


 

​Read More
Jornalismo cultural, Notícias

BBC denuncia uso de centenas de toneladas de antibióticos na avicultura

Antibióticos são utilizados para prevenir surgimento de doenças que surgem em decorrência das condições de confinamento das aves (Foto: Moving Animals)

No último domingo, foi ao ar no Countryfile, da BBC One, um especial abordando o uso de antibióticos na avicultura, principalmente na indústria de carne de frango e de ovos.

Segundo a BBC, só no Reino Unido, onde as restrições quanto ao uso de antibióticos na agropecuária são consideradas mais rigorosas do que no Brasil, foram utilizadas mais de 281 toneladas de antibióticos ao longo de um ano.

O uso mais comum é de ionóforos, com a finalidade de prevenir a coccidiose, doença intestinal que afeta frangos e galinhas quando ingerem os próprios excrementos ou de algum parceiro de confinamento.

No especial, organizações que atuam em defesa dos animais apontam que em regime intensivo, onde o espaço disponível para cada ave é menor do que uma folha de sulfite, o surgimento da doença é praticamente inevitável.

Por outro lado, o presidente do Conselho Britânico de Criadores de Aves, John Reed, se defendeu dizendo que os ionóforos são classificados pela Diretoria de Medicamentos Veterinários como “aditivos alimentares”, não antibióticos.

Mas não é de hoje que o uso de antibióticos na agropecuária tem gerado controvérsias. Inclusive o secretário de saúde do Reino Unido, Matt Hancock, já havia declarado que a Resistência Antimicrobiana (AMR) é uma ameaça tão grande para a humanidade quanto às mudanças climáticas e pediu uma ação imediata para reduzir o uso de antibióticos. O programa da BBC apresentado por Tom Heap está disponível online.

No ano passado, quando participou do programa “Good Morning Britain”, da ITV, o apresentador do Countryfile disse que, quando as escolas decidem levar as crianças para visitarem uma fazenda e conhecer a realidade dos animais, seria uma boa ideia fazer um leve desvio e visitar o matadouro.

“Acredito sinceramente que os frigoríficos, os aviários de sistema intensivo e os chiqueiros superlotados devem ser abertos ao público. As escolas deveriam encorajar essas visitas e incluí-las como parte do currículo”, destacou Heap, também abordando o assunto na Radio Times Magazine.

De acordo com o apresentador, que faz oposição principalmente às fazendas industriais, as pessoas precisam entender que não existe nada de romântico na origem do produto que elas consomem, e afirmou que está na hora de exigir a instalação de câmeras em todas as etapas do processo de produção de carne.

​Read More
Destaques, Notícias

Galinhas mortas para alimentação na Índia são injetadas com os antibióticos mais fortes do mundo

Centenas de toneladas de um “antibiótico de último recurso” – apenas usado nos casos mais extremos de doenças – são enviadas para a Índia anualmente para serem utilizados, sem supervisão médica, em animais que não precisam das drogas, mas que as recebem para acelerar seu crescimento.

Foto: Dinodia Photos/Alamy

 

O uso rotineiro de alguns dos antibióticos mais fortes – que os médicos alertam que deve ser usado nos casos mais extremos para que a resistência a eles não aumente e previna seu uso contra doenças – agora é uma prática comum na agropecuária em todo o mundo.  As consequências serão sentidas globalmente porque a resistência a antibióticos fortes é propagada entre organismos.

Caso fiquem sem tratamento ou sejam mal tratados, os germes que podem ser perigosos para os seres humanos se transformam em patógenos poderosos resistentes ao tratamento. A precariedade e a inadequação dos tratamentos de saúde pública contribuem com este processo, potencialmente disseminando os patógenos em todo o mundo.

Uma pesquisa do Bureau of Investigative Journalism descobriu que centenas de toneladas de colistina, descritas como um antibiótico de último recurso, foram enviadas para a Índia para o tratamento rotineiro de animais explorados em fazendas, principalmente de galinhas.

Segundo o The Guardian, a descoberta é preocupante porque o uso de drogas tão poderosas pode resultar em uma crescente resistência entre os animais que vivem em fazendas em todo o mundo. A colistina é considerada uma das últimas estratégias de defesa contra doenças graves, incluindo a pneumonia, que não pode ser tratada com outros medicamentos. Sem estas drogas, doenças que eram facilmente tratáveis no século passado voltarão a ser mortais.

Não há nada que impeça que os fazendeiros indianos, que incluem alguns dos maiores produtores de alimentos do mundo, de exportarem galinhas e outros produtos relacionados. Atualmente, não existem medidas que combatem essas exportações para o Reino Unido em termos de higiene, exceto para países da União Europeia. Qualquer regulamento que será negociado após Brexit pode não considerar essas normas.

​Read More
Destaques, Notícias

Supermercados vendem frango com níveis recordes de superbactérias

Os resultados são preocupantes porque a resistência aos antibióticos entre os animais pode facilmente afetar a resistência dos humanos, fazendo com que medicamentos vitais não tenham eficácia contra doenças graves.

Foto: Reprodução, The Guardian

A Food Standards Agency, que testou uma grande amostra de frangos de varejistas, informou “proporções significativamente maiores” nos últimos 10 anos em casos de campylobacter, um patógeno perigoso que é resistente aos antibióticos frequentemente usados para esse tratamento.

“Esta pesquisa oferece evidências de que o campylobacter de AMR [resistente a antimicrobianos] é encontrado em galinhas frescas inteiras vendidas no varejo do Reino Unido”, disse a agência.

Em 2014, o The Guardian revelou altos níveis de infecção por campylobacter no frango do Reino Unido e a presença da superbactéria MRSA na carne de porco vendida na região.

A FSA também observou que a proporção de galinhas infectadas com campylobacter que mostraram resistência a antibióticos importantes, neste caso, a ciprofloxacina, “aumentou significativamente” comparada a uma pesquisa anterior de galinhas vendidas no varejo há uma década.

De acordo o The Guardian, mais de quatro mil amostras foram testadas e amostras de números menores com infecções por campylobacter foram testadas mais de uma vez para analisar se continham bactérias resistentes aos principais antibióticos.

A resistência à ciprofloxacina foi identificada em mais de metade das amostras de uma forma de campylobacter testada, 237 em 437 apresentaram campylobacter jejuni e quase metade (52 de 108) de outra cepa tinham Campylobacter coli.

Os resultados foram divulgados por especialistas para mostrar que o uso de antibióticos em animais explorados em fazendas dissemina bactérias resistentes, que podem ser nocivas à saúde humana.

“É escandaloso que [regulamentos governamentais] ainda permitam que as aves sejam medicadas em massa com antibióticos de fluoroquinolona. Há 20 anos, um relatório da Câmara dos Lordes dizia que isso devia ser interrompido. Até mesmo os EUA proibiram a prática há mais de 10 anos devido à evidência científica. Então, por que as autoridades britânicas e europeias ainda se recusam a agir?”, questionou Cóilín Nunan, conselheiro científico da Aliança para Salvar Nossos Antibióticos.

O campylobacter pode provocar envenenamento alimentar grave e morte. As cepas resistentes aos antibióticos usadas contra elas são ainda mais perigosas, já que sua propagação significa que mais pessoas – e potencialmente bois e vacas – devem ser tratadas com antibióticos como um último recurso.

Os médicos receiam que o uso dessas “armas”  as torne também ineficazes, fazendo com que as pessoas fiquem indefesas contra os germes que já haviam sido derrotados. Por esse motivo, a ênfase na medicina humana na maioria dos países desenvolvidos foi alterada na última década para prevenir a disseminação de doenças.

Mais de metade dos antibióticos usada em todo o mundo é administrada a bois e vacas, muitas vezes para bandos inteiros ou rebanhos, independentemente do número infectado. Em alguns países, eles são distribuídos constantemente para aumentar o crescimento dos animais. Muitos cientistas concluíram que os animais explorados em fazendas são uma das principais causas de resistência aos antibióticos, o que parece ser confirmado pela FSA.

Os esforços para diminuir o uso de antibióticos nas fazendas, instado pela Organização Mundial da Saúde e outros grupos, têm sido lentos para obter efeitos enquanto o problema parece aumentar.

​Read More
Superbactérias
Destaques, Notícias

Superbactérias causadas pela agropecuária matam 10 milhões de pessoas todos os anos

 

Superbactérias
Foto: Rex

Um relatório pedido pelo governo do Reino Unido em 2016 estimou que 10 milhões de pessoas podem morrer todos os anos em todo o mundo até 2050 devido ao surgimento das superbactérias, o que fez o primeiro-ministro David Cameron anunciar uma repressão à prescrição excessiva feita por médicos e conduzir os esforços para enfrentar o problema na ONU.

As bactérias resistentes ao antibiótico usado como “último recurso”, a colistina, foram descobertas no Reino Unido em Dezembro de 2015, após constatações semelhantes em partes da Europa, África e China. A ameaça à saúde humana tem sido comparada às mudanças climáticas e à guerra nuclear.

Há preocupações sobre o fornecimento de antibióticos aos animais explorados pela indústria agropecuária, sendo que a União Europeia proibindo fazendeiros de usá-los para aumentar o crescimento dos animais.

O novo estudo, realizado por cientistas da Dalian University of Technology in China, revelou outra fonte do problema relacionado à produção de alimentos: genes resistentes a antibióticos contidos em farinha de peixe, farinha de carne e osso e farinha de frango.

Os cientistas disseram que a farinha de peixe – “uma das commodities mais vendidas globalmente” – servia como “um veículo para promover a propagação de genes resistentes aos antibióticos internacionalmente”.

Isso pode ajudar a explicar por que bactérias resistentes têm surgido em lugares inesperados em todo o mundo, como em cavernas isoladas e em gelo permanente do subsolo.

“Nosso estudo implica que a alimentação prolongada e repetida com farinha de peixe pode acelerar o surgimento de bactérias resistentes aos antibióticos e até mesmo de agentes patogênicos”, escreveram os pesquisadores na revista Environmental Science & Technology.

Eles apontaram que aparentemente a farinha de peixe possui “um impacto previamente subestimado” na resistência aos antibióticos em sedimentos abaixo das fazendas de peixes, o que tinha sido amplamente atribuído à utilização de drogas nos animais.

“Além da produção de maricultura, a farinha de peixe também é largamente dada a bois e vacas, aquicultura ou fertilizante orgânico e, portanto, a farinha de peixe residual em ecossistemas relacionados merece mais atenção no que se refere ao seu impacto sobre a resistência das bactérias, mesmo na ausência de profilaxia ou o uso terapêutico de antibióticos”, alertaram os cientistas.

Eles comentaram sobre a necessidade de mais pesquisas para avaliar os riscos para os seres humanos.  Os genes resistentes aos antibióticos foram encontrados em produtos de proteína de farinha de peixe disponíveis para a venda na China, no Peru, na Rússia, no Chile, na Austrália e nos EUA.

A descoberta do primeiro antibiótico, a penicilina, na década de 1920 foi um dos maiores avanços médicos e transformou Sir Alexander Fleming em um herói internacional, embora Howard Florey, Ernst Chain e colegas da Oxford University realmente tenham transformado a penicila em uma droga para salvar vidas.

Anteriormente, um pequeno corte podia ser fatal caso houvesse infecção, mas os antibióticos forneceram um tratamento simples e altamente eficaz. A penicilina também foi a primeira cura para a sífilis. Sem os antibióticos, cirurgias maiores, como cesarianas, transplantes de órgãos e quimioterapia contra o câncer podem ter um risco muito maior,  segundo a Organização Mundial da Saúde.

Kevin Hollinrake, um deputado conservador que falou sobre os perigos da resistência aos antibióticos, pediu ao Governo que continue a enfatizar a questão. “Não podemos nos dar ao luxo de deixar isso ficar no banco traseiro. Está lá em cima com o aquecimento global e com o apocalipse nuclear, é desse nível”, disse ele à reportagem do Independent.

Ele disse que o problema deve ser visto como “a nova Morte Negra”, uma praga que matou milhões de pessoas no século 14, considerando as descobertas do relatório de 2016 do economista Lord Jim O’Neill.

Hollinrake disse que a pesquisa mostrou a necessidade de uma ação internacional, já que a resistência aos antibióticos é disseminada por “muitos mecanismos diferentes”.

“Precisamos resolver a quantidade de antibióticos utilizados na agropecuária”, disse.

​Read More
Notícias

Crueldade: doenças, drogas e maus-tratos nas fazendas industriais

Por Wayne Hsiung, tradução de Maria Eduarda Spencer / Redação ANDA

Reprodução/TheHuffingtonPost
Reprodução/TheHuffingtonPost

Estou no meio de um berçário de filhotes, na Fazenda John, uma fornecedora da Costco, em Corcoran, Califórnia (EUA). O calor é insuportável e consigo ouvir meu suor gotejando no chão de concreto do curral. O cheiro das doenças é ainda pior. Dias depois, ainda consigo sentir o cheiro de carne apodrecendo em meus cabelos, minhas roupas, e até mesmo na minha câmera. Mas são as cenas e os sons, os gritos dos porquinhos (estranhamente similares a um choro humano de criança) e a imagem de animais doentes e abatidos amontoados por todos os lados que me trazem a uma conclusão: isso não é uma fazenda de forma alguma. Isso é a pior enfermaria do mundo.

Apesar de títulos enganosos, como “natural” ou “criado organicamente”, as fazendas de animais modernas parecem cada vez mais fábricas farmacêuticas do que fazendas propriamente ditas. Tabelas medicinais – ao invés de instruções de criação – estão dispostas nas paredes dos celeiros da Fazenda John, a responsável pela maior chacina de porcos no oeste dos Estados Unidos, e maior fornecedora da Costco. Um fluxo constante de drogas – incluindo uma que está para ser banida pelo FDA por possivelmente ser cancerígena – está sendo ministrado aos animais através da água e da comida para mantê-los vivos. Americanos, então, compram e consumem essas drogas e doenças, dando-as para suas próprias crianças.

Essa é uma ameaça terrível, tanto para o bem-estar dos animais quanto para a saúde pública. As doenças estão sendo geradas nas fazendas industriais – que usam 80% de todos os antibióticos nos Estados Unidos – e ficam cada vez mais resistentes às drogas. Um grupo de investigação da Direct Action Everywhere (DxE) – Ação Direta Em Todo Lugar (tradução livre) – tirou amostras na Fazenda John de estafilococos e estreptococos resistentes aos antibióticos. Só no mês passado, uma formação perigosa da E. coli foi descoberta em uma mulher da Pensilvânia que ficou resistente aos antibióticos de “último recurso”, usados quando todas as outras drogas falham. Uma ampla gama de vozes públicas, das Nações Unidas até a revista The Economist (que chamou a fazenda de porcos de “um perigo para o mundo”) estão se juntando à grande aliança que busca banir o uso de antibióticos em fazendas de animais.

Entretanto, o que a maioria dessas vozes estão esquecendo é a ligação direta entre crueldade animal e doenças humanas. As condições cruéis e amontoadas das fábricas modernas necessitam do uso de drogas. Doenças, quando os animais estão confinados todos juntos, se espalham rapidamente. E filhotes, quando são tirados de suas mães meses e até anos antes de estarem propriamente desmamados, são altamente suscetíveis aos surtos. Miley, uma porquinha resgatada na última primavera pelo time da DxE, foi uma dessas vítimas. Abatida por uma doença chamada artrite séptica, ela perdeu a capacidade de andar e tinha que se arrastar para longe dos ataques dos outros porcos que a pisoteavam quase até a morte.

Não podemos falar da ameaça que isso traz para nossas crianças sem falar da ameaça aos animais. O problema, entretanto, é que a indústria tem um domínio forte em cima das agências que deveriam estar regulamentando a situação. Apesar de reconhecerem a ameaça existente das doenças cultivadas nas fazendas de animais, o FDA (Controle de Drogas e Alimentos) e o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) não tomaram nenhuma ação significativa. Até mesmo os estados que tomaram alguma medida, como a Califórnia, não reforçaram as auditorias. A razão é muito simples: estamos mandando a raposa cuidar do galinheiro. A missão do USDA é promover a agricultura e as fazendas de animais. Ele não vai regular efetivamente a indústria que está encarregado de favorecer.

Isso precisa mudar. Uma ampla coalizão de grupos – consumidores, defensores, segurança alimentar e amantes dos animais – precisa contestar as corporações que torturam animais e buscar agressivamente uma regulação das fazendas, por agências realmente independentes. Essas regulações e agências, além de falarem sobre o problema para a saúde pública, precisam falar também das condições cruéis que criaram essa situação em primeiro lugar. Talvez, eventualmente, nós vamos perceber que não deveríamos estar criando animais para consumo de forma alguma. Afinal, se animais sofrem das mesmas doenças que nós, eles provavelmente também possuem o mesmo desejo de viver, não é?

Reprodução/TheHuffingtonPost

Nota da Redação: O confinamento aglomerado de animais, as doenças, o uso excessivo de drogas e antibióticos e a má regulamentação da indústria não são problemas exclusivos do Estados Unidos. No Brasil, os animais são abatidos cruelmente e vivem sem o mínimo de higiene e fiscalização. Algumas empresas promovem o “abate humanitário”, que é apenas um subterfúgio para tranquilizar aqueles que se preocupam mais com a qualidade da carne do que com o bem-estar dos animais. A inspeção das fazendas e matadouros é dificultada pelos interesses econômicos e pela falta de competência dos inspetores. A única postura ética realmente capaz de mudar esse cenário é aderir ao vegetarianismo.

​Read More
Notícias

Gelatina vegana feita em laboratório é nova alternativa à exploração animal

Redação ANDA – Agência de Notícias dos Direitos Animais

Reprodução/Instagram/Gelzen_Inc
Reprodução/Instagram/Gelzen_Inc

Alex Lorestani pensou que passaria sua carreira em um laboratório que combate doenças infecciosas. Porém, ele mudou seu caminho é um dos co-fundadores da Gelzen juntamente com Nick Ouzounov. Agora, Lorestani usa seus conhecimentos de biologia molecular para fabricar uma gelatina livre de ingredientes animais.

A esperança é que este composto, feito à base de micróbios, reduza a nossa dependência de gelatinas derivadas de animais, e talvez até mesmo a incidência de doenças resistentes aos antibióticos, reporta o Edible Manhatan.

Em entrevista ao veículo, Lorestani afirma ter percebido que o sistema alimentar e o uso dos antibióticos contribuem para o aumento da resistência a esses medicamentos. Segundo ele, 70% dos antibióticos usados nos Estados Unidos são utilizados em animais para promover o crescimento e reduzir a frequência de doenças.

“A maior parte da gelatina que está no mercado hoje é derivada de animais que vivem em fazendas industriais onde este abuso de antibióticos ocorre”, explica.

Lorestani e seu colega Nick Ouzounov estavam particularmente interessados em gelatinas. “Há algum tempo, os cientistas têm estudado as vantagens do colágeno. Por isso quisemos aproveitá-las e nos concentrar em fazer alimentos para que pudéssemos aproveitar estas vantagens sem utilizar animais”.

O processo de reconstrução da ‘’biologia’’ da gelatina está nos seus primeiros estágios. Atualmente, a dupla constrói uma fazenda fermentadora em São Francisco para desenvolver o produto.

“Estamos fazendo um produto que pode substituir totalmente qualquer gelatina de origem animal. Assim, em vez de usar o produto extraído de um porco que recebeu vários antibióticos, você pode usar nosso produto”, diz Lorestani.

​Read More
Destaques, Notícias

Indústria da carne já consome quatro quintos de todos os antibióticos nos EUA

Por Noelia Gigli (da Redação – EUA)

Foto: Reprodução

No ano passado, a Administração de Alimentos e Medicamentos propôs um conjunto de “diretrizes” para frear o uso de antibióticos pela indústria da carne. Desde então, a agência vem ponderando como implementar o novo programa.

A Pew Charitable Trusts divulgou números da agência sobre o uso de antibióticos em fazendas pecuárias e os compararam com o uso humano de antibióticos para tratar a doença, e explicou tudo no infográfico a seguir. Nota-se que, enquanto que o uso de antibióticos por humanos se estabilizou abaixo dos 3 trilhões de kg anuais, as fazendas de gado atingiram um recorde de quase 13 trilhões de kg em 2011. Dito de outra forma, a pecuária está agora consumindo quase quatro quintos dos antibióticos utilizados nos EUA, e seu apetite por eles é crescente.

Em um e-mail, um porta-voz do Pew acrescentou que, enquanto o The American Meat Institut relatou um aumento de 0,2% no total de produção de carne e de aves em 2011 em comparação ao ano anterior, os dados do FDA mostram que o consumo de antibióticos saltou para mais de 2% sobre o mesmo período. Isso sugere que o uso de antibiótico pode estar ficando mais intensivo na produção de carne.

Não é surpreendente que, quando animais são amontoados aos milhares e dosados diariamente com antibióticos, as bactérias que vivem sobre e nos animais se adaptem e desenvolvam resistência a esses antibióticos. Pew expôs mais dados, sobre os resultados da FDA de seu National Antimicrobial Resistance Monitoring System, ou NARMS, que obtém amostras de produtos de carne e as submete a testes para patógenos bacterianos. Mais uma vez, os resultados são preocupantes. Aqui estão alguns destaques apontados pelo Pew no e-mail:

– Cerca de 78% das bactérias Salmonella encontradas em carnes de peru moída eram resistentes a pelo menos um antibiótico, e metade das bactérias eram resistentes a três ou mais;
– Cerca de três quartos das bactérias Salmonella encontradas em amostras de peito de frango eram resistentes a, pelo menos, um antibiótico. Cerca de 12% das amostras de peito de frango e de carnes de peru estavam contaminadas com a Salmonella;
– Bactérias do gênero Campylobacter encontradas em carnes de frango estão resistentes ao antibiótico tetraciclina. Cerca de 95% dos produtos derivados da carne de frango estavam contaminados com Campylobacter, e quase a metade dessas bactérias é resistente à tetraciclina. Isso reflete um aumento em relação a 2012 e 2002.

​Read More
Notícias

Nova regra para antibióticos também deve ser seguida por tutores de animais

Veterinários precisam preencher guia dupla para remédio ser comprado.
Estudante tentou comprar antibiótico para cadela e saiu de mãos vazias.

A estudante Nayara Castanhola não conseguiu comprar antibiótico para a cachorra Pérolla porque a receita não estava de acordo com as novas regras da Anvisa (Foto: Arquivo pessoal)

A nova regra para compra e venda de antibióticos em farmácias do Brasil pegou alguns tutores de animais de estimação de surpresa. De acordo com resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desde novembro de 2010 a venda de antibióticos só pode ser feita com uma receita dupla em que uma via é retida pela farmácia e a outra permanece com o cliente. A estudante Nayara Castanhola, de 22 anos, não sabia que a mudança valia também para a cadela Pérolla, uma vira-lata de 11 anos.

“Levei-a para o veterinário porque suspeitava de infecção na bexiga. Saí da consulta direto para a farmácia, mas não consegui comprar o antibiótico que a veterinária mandou porque a receita tinha só uma folha. O atendente me explicou que, mesmo para cachorro, precisava das duas vias”, relembra a jovem.

Nayara, então, teve de voltar ao hospital para pegar uma nova receita, como determina a Anvisa. “Eu achava que a nova regra era só para gente”, diz.

A veterinária Andreza Ávila explica que é comum animais domésticos tomarem remédios de humanos por falta de opção no mercado de medicamentos veterinários. É assim com antibióticos, antieméticos, antiácidos e analgésicos muito fortes.

“Se o remédio tiver que ser comprado em uma farmácia ‘comum’, a gente tem que seguir as mesmas regras, se tiver exigência da receita”, diz Andreza, que atende no Hospital Veterinário Sena Madureira, em São Paulo.

Segundo Andreza, a nova regra da Anvisa não muda a forma como a receita é preenchida pelo veterinário. “A gente põe o nome do animal, espécie, raça, idade, sexo e nome do tutor, além das indicações de medicação. É importante ter o nome do animal para não criar confusão com as outras pessoas da casa”, esclarece a veterinária.
Apesar de animais de estimação serem medicados com remédios para humanos, Andreza alerta que o procedimento deve ter a orientação e indicação do veterinário. “É preciso levar em consideração o porte e o peso do animal. Não é qualquer remédio e não pode ser qualquer quantidade também.”

Fonte: G1

​Read More
Home [Destaque N2], Notícias

Animais explorados em fazendas consomem 80% dos antibióticos nos Estados Unidos

Fonte: PETA

Por Lobo Pasolini (da Redação)

Dados lançados pelo Center for a Livable Future, que trabalha para criar modelos sustentáveis de vida humana, revelam que 80 por cento dos antibióticos comercializados nos Estados Unidos são usados de forma não terapêutica em animais explorados em fazendas.

Em 2009 a Union of Concerned Scientists (literalmente, União de Cientistas Preocupados) estimou que 25 milhões de quilos de antibióticos houvessem sido usados nos dois anos anteriores, ou 70 por cento de todos os antibióticos vendidos nos Estados Unidos.

Mas o número foi revisado pela CFL que concluiu que a cifra chega a 80 por cento. Uma medida que determina que a FDA, órgão governamental que controla comida e drogas naquele país, tornou pública na semana passada a quantidade de drogas antimicrobiais vendidas e distribuídas para uso em animais explorados como comida. O total para 2009 é 13.1 quilogramas.

Os antibióticos são rotineiramente dados a animais saudáveis em fazendas de forma não terapêutica antes de eles ficarem doentes para compensar as condições imundas em que eles vivem e para promover crescimento. O problema é que com isso os animais que recebem pequenas doses de antibióticos regularmente são como bandejas de crescimento bacterial que podem resultar em variações de bactéria resistentes a antibióticos.

Como consequência, essas bactérias resistentes podem se espalhar para outros animais e para os humanos ao comer e manusear carne e produtos de leite, junto com frutas e vegetais, ou por serem expostos ao abastecimento de água que foi contaminada com esterco em forma de fertilizantes.

A indústria de exploração de animais em fazendas está criando algo contra o qual a medicina não tem chance alguma e todos estamos suscetíveis a isso, comedores de carne ou não, em qualquer lugar do mundo em uma economia globalizada.

Com informações da Care2

​Read More
Notícias

Antibióticos aplicados em animais estão afetando humanos

Uma prática aplicada nos Estados Unidos está prejudicando dezenas de cidadãos e colocando suas vidas em risco. O uso de antibióticos em animais, como a penicilina, por exemplo, gera uma linhagem de bactérias resistentes a outros antibióticos.

Não só pessoas que vivem no campo, em fazendas, e têm contato direto com animais, mas cidadãos que habitam grandes centros urbanos também correm o risco de se infectarem pela bactéria.

Os fazendeiros dos EUA normalmente aplicam cerca de 8% a mais de antibióticos a cada ano em criações de porcos, gado e galinhas para tratar infecções no pulmão, no sangue e na pele. Porém, foi constatado que 13% dos antibióticos utilizados em propriedades rurais norte-americanas, no ano de 2008, foram aplicados em animais sadios, para que se desenvolvessem mais rapidamente.

“Esse assunto é extremamente sério e deveria ser analisado globalmente, pois é um problema que, se não for resolvido, poderá prejudicar humanos e animais de todas as partes do mundo”, explica a médica veterinária e tutora do Portal Educação, Danielle Pereira.

Fonte: Universo Alimentos

​Read More