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Crianças antenadas

Fico impressionada com a capacidade de percepção da garotada hoje em dia. Lembro-me que com 11, 12 anos não tinha a menor noção do que se passava no mundo ao meu redor – que dirá do que acontece do outro lado do planeta.

Acredito que por ter uma criação diferenciada, com acesso ao mundo todo, essa geração que vem por aí tem uma noção maior do que ocorre e forma consciência crítica por conta disso. Se as notícias certas chegarem aos seus ouvidos e elas souberem ver além das aparências, podemos pensar em um bom futuro.

Essa semana uns amigos de escola do meu filho, de 12 anos, estavam tomando um lanche em casa quando do nada um deles perguntou se eu gostava de churrasco, ao que respondi que eu não comia animais. O outro, muito ligado, logo questionou: “você é vegetariana, tia?”. Quando ouviu a resposta ‘sim’ ele se animou e disse: “parabéns, eu e meus pais tentamos parar de comer carne e não conseguimos”.

Explicando os motivos da tentativa ele falou de várias coisas que viu em um livro, de como os animais são maltratados, da forma como as galinhas são criadas, as vacas, os porcos. Enfim, ele formou uma consciência de que não era certo contribuir com aquilo, comer animais – só não sabia como fazer para aplicar a decisão no mundo real.

Dispus-me a ajudá-lo caso ele quisesse, emprestei o vídeo A Carne é fraca para ele ver com a família e, dois dias depois, recebi o telefonema do garoto, animado: “Tia, virei vegetariano. A senhora me responde algumas questões?”.

Fiquei feliz em ver florescer dentro de um pequeno a vontade de proteger os animais de que ele tanto gosta. Não sei quanto tempo vai durar o vegetarianismo dele – espero que toda a vida. Espero que não seja como a moça que conheci semana passada, que “estava vegetariana” havia um mês, mas tinha comido um pedaço de carne na churrascada uma semana antes.  … É, a carne é fraca. Que nossa consciência seja mais forte e que possamos contar com a consciência crítica dessa geração que vem por aí.

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